Castor de Andrade
Castor Gonçalves de Andrade e Silva foi um bicheiro, criminoso e cartola brasileiro.
Imagem: Aécio Neves - Senador · BY · Openverse
Castor era filho de Eusébio de Andrade, que foi presidente do Bangu Atlético Clube entre os anos de 1963 a 1969, e Dona Carmem. Seu pai já fizera fortuna explorando o jogo do bicho e Castor teve uma infância despreocupada. Após abandonar o tradicional Colégio de São Bento, concluiu seus ensinos no também tradicional Colégio Pedro II, do Governo Federal. Foi um aluno relapso, que matava aulas para nadar na praia do Flamengo, no entanto, isso não o impediu de ingressar e se formar em Direito pela Faculdade Nacional de Direito da UFRJ. Castor herdou a banca de bicho de seu pai e a transformou num império. A Folha de S.Paulo descreveu a apreensão de um livro de registro em 1994: No material apreendido, cerca de 50 livros contábeis relacionam o custo do relaxamento de prisões em flagrante, conserto de carros da Polícia Civil e até a compra de material ortopédico para a filha de um detetive. Os livros também revelam o pagamento
Futebol e carnaval
Castor foi presidente de honra e grande financiador do Bangu Atlético Clube. Desde a década de 1970 a maioria das grandes escolas de samba tinha um "patrono" relacionado ao jogo do bicho. Por conta disso foi também patrono da Mocidade Independente de Padre Miguel, escola de samba à qual ajudou a conquistar os títulos dos carnavais de 1979, 1985, 1990, 1991 e 1996. Mas sua participação no Carnaval não se limitava a esta escola de samba. Durante décadas colocou dinheiro na organização dos desfiles, numa época em que os demais contraventores não ousavam aparecer. Deve-se ainda a Castor a fundação da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, que surgiu de uma dissidência da Associação das Escolas de Samba da Cidade do Rio de Janeiro. Sob a liderança de Castor e de Capitão Guimarães, dez escolas de samba, financiadas por bicheiros, que eram minoria e sempre derrotadas nas deliberações da Associação, criaram a LIESA, que passou a dominar o Carnaval carioca.
Morte
No fim da tarde de 11 de abril de 1997, jogava cartas na casa de um amigo, no Leblon, quando sofreu um ataque cardíaco fulminante, que o matou. Seu velório, na quadra da Mocidade, reuniu amigos como Eurico Miranda, Vera Loyola e os contraventores Aniz Abraão David, Capitão Guimarães, Carlinhos Maracanã e Luizinho Drumond. Também presentes no velório, a cantora Alcione cantou a música "Estrela Luminosa"; Agnaldo Timóteo cantou "Ave Maria"; e Wander Pires cantou o samba preferido de Castor, "A Velhice". Um amigo da família, Frei Leandro, celebrou uma missa pela manhã, enquanto outro padre, primo de Castor, celebrou uma missa na parte da tarde. O corpo de Castor deixou a quadra da escola no fim da tarde sob aplausos e uma queima de fogos. Um cortejo de quarenta minutos seguiu da quadra da Mocidade até o cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, causando engarrafamento no trânsito do bairro. O caixão foi enterrado ao som do samba-enredo daquele ano da Mocidade, enquanto um helicóptero despejou pétalas de flores sob a sepultura.
Imagem: Aécio Neves from Brasília, Brasil · BY · Openverse
O documentário "Doutor Castor" foi ao ar em 2021 no Globoplay.


