Pesquisa · Mapa mental

António Bernardo da Costa Cabral

António Bernardo da Costa Cabral ComNSC, o 1.º conde e 1.º marquês de Tomar, mais conhecido simplesmente por Costa Cabral, foi um político português que, entre outros cargos e funções, foi deputado, par do Reino, conselheiro de Estado efectivo, ministro da Justiça e Negócios Eclesiásticos, ministro do Reino e presidente do Conselho de Ministros. Defensor da Revolução de Setembro de 1836, membro da Sociedade Patriótica Lisbonense, a sua conduta política evoluiu num sentido mais moderado e, depois de nomeado administrador de Lisboa, foi o principal obreiro da dissolução da Guarda Nacional. Durante o seu primeiro mandato na presidência do ministério, num período que ficaria conhecido pelo Cabralismo, empreendeu um ambicioso plano de reforma do Estado, lançando os fundamentos do moderno Estado português. Considerado um valido da rainha D. Maria II, apesar das suas origens modestas, foi feito conde de Tomar e depois elevado a marquês de Tomar. Foi uma das figuras mais controversas do período de consolidação do regime liberal, admirado pelo seu talento reformador, mas vilipendiado e acusado de corrupção e nepotismo por muitos. Foi obrigado a exilar-se em Madrid na sequência da Revolução da Maria da Fonte, mas voltaria poucos anos depois, demonstrando uma extraordinária capacidade de recuperação e persistência, a ocupar a chefia do governo.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 04/07/2026
01

Biografia

António Bernardo da Costa Cabral nasceu em Fornos de Algodres, pequena vila encravada nas serranias da Beira, distrito da Guarda, a 9 de maio de 1803, filho segundo de António Bernardo da Silva Cabral, proprietário rural e lavrador, falecido em Fornos de Algodres em junho de 1870, Cavaleiro em 1841 e Comendador a 21 de janeiro de 1845 da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, e de sua mulher Francisca Vitória Rebelo da Costa Côrte-Real (Fornos de Algodres, 31 de agosto de 1779 - ?). Não sendo oriundo de família rica, os pais, face às despesas que já incorriam com os estudos do filho mais velho, optaram por lhe destinar uma carreira militar. Para tal, mandaram-lhe ensinar as primeiras letras pelo abade da terra, como era então costume, mas o jovem tão bem se houve que aos 15 anos de idade estava habilitado com os preparatórios da Universidade de Coimbra, para onde o pai, com grande sacrifício da economia familiar, se resolveu enfim a mandá-lo também. Ali, aluno brilhante, conclui em 1823, com apenas 20 anos de idade, a sua formatura em Direito, iniciando de imediato a prática da advocacia.

O jovem advogado rural e o ingresso na magistratura

A necessidade de ganhar a vida levou-o logo após a formatura a abrir banca de advogado em Penela, vila onde não existia qualquer advogado residente. Aí permaneceu de 1823 a 1826, aguardando oportunidade de ingressar na magistratura, carreira bem mais aliciante do que a advocacia nas pequenas comunidades rurais. Conseguindo o ingresso na magistratura, em 1826 foi colocado em Celorico da Beira, onde, para além das funções de delegado, também exerceu advocacia. Aí permaneceu até 1828, ano em que foi nomeado juiz de fora de Penela, voltando assim à localidade onde tinha iniciado a sua actividade profissional. Liberal convicto, face aos acontecimentos revolucionário daquele ano, adere ao movimento desencadeado pela Belfastada, e alista-se, como soldado, nas hostes liberais comandadas por Francisco de Paula de Azeredo Teixeira de Carvalho, futuro 1.º visconde e 1.º conde de Samodães, iniciando assim o cursus honorum comum à primeira geração de políticos liberais: o exílio que o levará à passagem pela ilha Terceira como porta de entrada na alta política do novo regime português.

A guerra civil

Malograda a sublevação geral que a Belfastada pretendia desencadear, com os líderes do movimento a reembarcar no Belfast e a partir novamente para o exílio, as forças aderentes foram deixadas à mercê das tropas governamentais, sendo obrigadas a retirar para o Minho, de onde, acossadas pelo exército fiel a D. Miguel I, cruzam a fronteira, procurando refúgio na Galiza. Entre os refugiados estava Costa Cabral. Depois de uma difícil marcha pelo noroeste peninsular, as forças liberais atingiram a Corunha, porto onde embarcaram com destino à Inglaterra, à Bélgica e à França. Costa Cabral foi transportado da Corunha para Plymouth, onde deu entrada no depósito de tropas portuguesas ali improvisado. Daí acompanhou o general Azeredo para Ostende, na Bélgica, colaborando na organização do depósito de tropas que ali se fixara e que depois se transferiu para Bruges. Aí participou na preparação da expedição que partiu de Belle-Île para os Açores, na qual embarcou, ficando integrado na guarnição liberal da ilha Terceira.

A segunda passagem pelos Açores

Costa Cabral foi nomeado juiz da Relação açoriana por decreto de 23 de março de 1833, tendo tomado posse do lugar a 20 de maio daquele ano. Como jovem juiz do novo Tribunal da Relação dos Açores, o qual, depois de uma complexa contenda entre as elites da ilha de São Miguel e da Terceira, acabara por ser sedeado em Ponta Delgada, Costa Cabral instalou-se naquela cidade envolto numa relativa tranquilidade, passando ao lado dos tempos tumultuosos que se viviam em Lisboa. Inserindo-se na vida local, casou com Louise Mitchell Meredith Read, enteada de William Harding Read, o cônsul geral britânico nos Açores. Este cônsul, simultaneamente um dos mais abastados comerciantes micaelenses e o maior exportador de laranja açoriana para Londres, era naturalmente homem influente, tendo-se destacado pelo seu apoio à formação do exército liberal e por ter hospedado D. Pedro IV em sua casa, aquando da sua estadia na ilha de São Miguel.

A primeira experiência parlamentar e a Revolução de Setembro

Apesar de eleito em 1834, Costa Cabral apenas prestou juramento como deputado às Cortes a 15 de janeiro de 1836, quando a última sessão legislativa da legislatura já tinha começado. Por esta altura estabelece-se modestamente em Lisboa e inicia um período de crescente influência política. Apesar da sua primeira experiência parlamentar ter sido efémera, já que a legislatura terminou a 4 de junho de 1836, nem cinco meses após o juramento, o seu prestígio e influência eram já consideráveis. Nas eleições gerais de julho de 1836 foi novamente eleito pelo círculo de Ponta Delgada, não chegando contudo a prestar juramento devido ao cancelamento da legislatura causado pela Revolução de Setembro, nome pelo qual ficaram conhecidos os acontecimentos revolucionários desse ano.

O ingresso no Governo

Nesta nova posição, e assumindo-se cada vez mais próximo da rainha, a 26 de novembro de 1839 toma posse do Ministério da Justiça e Negócios Eclesiásticos, no ministério de iniciativa da rainha, presidido pelo general José Lúcio Travassos Valdez, 1.º conde de Bonfim. Nestas funções a sua acção faz-se logo sentir, apesar do estorvo constante duma luta formidável com as oposições que, percebendo ser ele a verdadeira alma do ministério, convergiam no seu ataque. A leitura dos diários das Câmaras da época, para logo se avaliar o que foi essa oposição sem tréguas. Atacado como ainda não fora nenhum homem público no regime liberal português, nem por isso deixa de regularizar as funções do Ministério Público, de melhorar a condição dos presos, de prover ao bem estar dos órfãos garantindo-lhes a administração dos bens, e, principalmente, de fazer promulgar, a 21 de maio de 1841, a sua Novíssima Reforma Judiciária, código por onde a justiça portuguesa se regularia por quase um século.

A restauração da Carta e o Cabralismo

A restauração da Carta Constitucional e a consequente liquidação institucional do Setembrismo foi o acto político da vida de Costa Cabral que mais o caracteriza, e por ele mesmo considerado o mais importante. A Carta Constitucional tinha sido substituída, desde a Revolução de Setembro de 1836, pela Constituição Política da Monarquia Portuguesa de 1838, conhecida pela Constituição setembrista, generosa e democrática, mas nunca pacificamente aceite pela maioria da elite política. Já em Junho de 1837, os marechais Saldanha e Terceira, haviam tentado restaurar a constituição de 1826, com a célebre ‘’revolta dos Marechais’’, mas essa tentativa falhou, resultando apenas daí a perturbação do país e o exílio dos líderes golpistas.

02

Descendência

Do seu casamento (ocorrido na Ermida da Mãe de Deus, em Ponta Delgada, a 23 de agosto de 1834) com Louise Mitchell Meredith Read (Portsmouth, 11 de novembro de 1816 – Roma, 5 de fevereiro de 1885), filha de John Read (1780 – Naufrágio a bordo do George Daysh, 6 de dezembro de 1821) e de Louise Mitchell Meredith, que casara em segundas núpcias com William Harding Read, cônsul britânico em Ponta Delgada (Portsmouth, 24 de agosto de 1775 – São José, Ponta Delgada, 6 de maio de 1839) o marquês de Tomar deixou cinco filhos:

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando