Maria Bethânia
Maria Bethânia Vianna Telles Velloso OMC é uma cantora e compositora brasileira. Natural de Santo Amaro, Bahia, iniciou sua carreira no Rio de Janeiro em 1964 com o espetáculo "Opinião", sendo considerada "A Rainha da Música Brasileira". Devido à sua popularidade, com apresentações por todo o país, e à popularidade de seu single de 1965 "Carcará", a artista se tornou uma estrela no Brasil. Ela é a artista mais homenageada da história do Prêmio da Música Brasileira.
Imagem: João Milet Meirelles. · BY-NC · Openverse
1946—64: Início de vida e carreira
Maria Bethânia Viana Teles Veloso nasceu em 18 de junho de 1946 na cidade de Santo Amaro na Bahia. Maria Bethânia é a sexta filha de José Teles Veloso (Seu Zezinho), funcionário público dos Correios, e da funcionária do lar Claudionor Viana Teles Velloso mais conhecida como "Dona Canô" (1907–2012), casados em 7 de janeiro de 1931. Descende de uma família de origem portuguesa, afro-brasileira e indígena, mais precisamente da etnia pataxó, por parte de sua bisavó paterna. Seu nome foi escolhido pelo irmão Caetano Veloso, inspirado em uma canção, a valsa "Maria Betânia", do compositor Capiba, então um sucesso na voz de Nélson Gonçalves. Bethânia é membro de uma família de artistas, irmã da escritora Mabel Velloso, do cantor, compositor e poeta Caetano Veloso, e tia dos cantores Belô Velloso e Jota Velloso.
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Em 1990, Bethânia comemorou 25 anos de carreira com o LP 25 Anos, cujo repertório, essencialmente brasileiro, evocava diversas culturas deste país, com canções consagradas e pouco conhecidas, entre regravações e inéditas. O disco contou com a participação especial de vários cantores e músicos, dentre os quais Gal Costa, Alcione, João Gilberto, Egberto Gismonti, Nina Simone, Fátima Guedes, Hermeto Paschoal, Sivuca, Wagner Tiso, Toninho Horta, Jacques Morelenbaum, Jaime Além, Márcio Montarroyos, Mônica Millet, Almir Sater, Flávia Virgínia, Nair de Cândia, Armando Marçal, Djalma Correia, Álvaro Millet, Gordinho (Antenor Marques Filho), Zeca Assunção, Wilson das Neves, José Roberto Bertrami, Jamil Joanes, Jurim Moreira, orquestra de cordas e bateria da escola de samba GRES Estação Primeira de Mangueira, com regência de Mestre Taranta (participou duas vezes do disco - na faixa de abertura, uma vinheta colada a um texto de Mário de Andrade e a canção "O Canto do Pajé" - e também na faixa que encerrava o projeto, "Palavra", que no final fez uma citação musical à famosa canção de Chico Buarque "Apesar de Você"); As regionalistas "Tocando em Frente" e "Flor de Ir Embora" integraram as trilhas das novelas rurais Pantanal e A história de Ana Raio e Zé Trovão, respectivamente, ambas exibidas pela extinta Rede Manchete. O feito de gravação de discos acústicos se repetiu no álbum subsequente, Olho d'Água, lançado em 1992; no repertório deste, a canção regionalista "Além da Última Estrela", que integrou a trilha sonora da novela da Globo Renascer, de Benedito Ruy Barbosa, exibida no ano seguinte. O álbum também mostrou uma incursão pela religiosidade ("Ilumina" originalmente gravada pela cantora Ana Clara em 1991, "Medalha de São Jorge", "Louvação a Oxum", "Rainha Negra" uma homenagem à cantora Clementina de Jesus e "Búzio"), abrindo e fechando com uma vinheta da música "Sodade Meu Bem Sodade", de Zé do Norte.
1965—66: Maria Bethânia, Maria Bethânia canta Noel Rosa e Eu Vivo num Tempo de Guerra
A data oficial da estreia profissional de Bethânia é 13 de fevereiro de 1965, quando ela foi convidada pela musa da bossa nova, a cantora e violonista Nara Leão, para substituí-la no espetáculo Opinião, em cartaz no Rio de Janeiro, pois essa precisou se afastar por problemas de saúde. Nara Leão conheceu Bethânia no ano anterior, na Bahia, quando assistiu a um dos espetáculos em que Bethânia atuara. Do espetáculo surgiu o primeiro sucesso de Bethânia, a canção de protesto "Carcará", composta originalmente para Nara Leão. Nesse mesmo ano, foi contratada pela gravadora RCA, pela qual gravou o primeiro álbum, Maria Bethânia, lançado em junho daquele mesmo ano. O álbum continha, além de "Carcará", as faixas "Mora na Filosofia", "Andaluzia", "Feitio de Oração" e "Sol Negro", esta última em dueto com Gal Costa. Ainda em 1965, lançou um compacto triplo, Maria Bethânia Canta Noel Rosa, que trouxe as canções "Três Apitos", "Pra Que Mentir", "Pierrot Apaixonado", "Meu Barracão", "Último Desejo" e "Silêncio de um Minuto", e o compacto simples "Eu Vivo num Tempo de Guerra". No mesmo ano participou dos espetáculos Arena canta Bahia e Tempo de Guerra, ambos dirigidos por Augusto Boal, também competindo em festivais. Em São Paulo e no Rio de Janeiro, apresentou-se em teatros e casas noturnas de espetáculos, tornando-se assim nacionalmente conhecida.
1967—74: Edu e Bethania, Recital Na Boite Barroco, Velloso-Bethânia-Gil e Nada Além
Em 1967, Bethânia teve sua carreira impulsionada ao lançar seu segundo álbum, Edu e Bethania, em parceria com Edu Lobo, a pedido do mesmo. Edu era um cantor e compositor iniciante, assim como Bethânia, que se firmava como cantora após o sucesso inicial no espetáculo Opinião. No disco, a cantora teve performance solo em duas faixas e participou de duetos com Edu nas canções "Cirandeiro", "Sinherê" e "Prá Dizer Adeus". Esta última obteve um grande sucesso e colocou Bethânia definitivamente no roll das grandes cantoras do Brasil. Em 1968, interpretou a canção-tema do filme O Homem que Comprou o Mundo, de autoria de Francis Hime. Nesse mesmo ano, com o intuito de apagar sua imagem de "cantora de protesto" marcada pela canção Carcará três anos antes, Bethânia se lançou em uma temporada bem-sucedida de pequenos shows e recitais realizados em boates cariocas e paulistanas, onde passaria a se debruçar em um repertório mais romântico e resgatando antigos sucessos do cancioneiro brasileiro. Dessa fase boêmia da cantora, foi lançado o seu primeiro álbum ao vivo Recital na Boite Barroco, gravado na antiga boate homônima, no Rio de Janeiro e que marcou sua estreia na gravadora Odeon. Ainda em 1968, é lançada pela sua antiga gravadora RCA Victor, uma coletânea de seus primeiros sucessos ao lado de seu irmão Caetano Veloso e de seu conterrâneo Gilberto Gil, intitulada Velloso-Bethânia-Gil.
1975—76: Chico Buarque & Maria Bethânia Ao Vivo, Pássaro Proibido e Doces Bárbaros
Bethânia foi também a idealizadora do grupo Doces Bárbaros, na qual era um dos vocais da banda, que lançou um disco ao vivo homônimo juntamente com os colegas Gal Costa, Caetano Veloso e Gilberto Gil. Doces Bárbaros era uma típica banda hippie dos anos 1970, e ao longo dos anos, este lema foi tema de um filme com direção de Jom Tob Azulay, um DVD, e um enredo da escola de samba Estação Primeira de Mangueira em 1994 com a canção "Atrás da verde-e-rosa só não vai quem já morreu". Já comandaram trio elétrico no carnaval de Salvador, espetáculos na praia de Copacabana e uma apresentação para a Rainha da Inglaterra. Inicialmente o disco seria registrado em estúdio, mas por sugestão de Gal e Bethânia, foi o espetáculo que ficou registrado em disco, com quatro daquelas canções gravadas pouco tempo antes no compacto duplo em estúdio: "Esotérico", "Chuckberry Fields Forever", "São João Xangô Menino" e "O Seu Amor", todas gravações raras.
1977—78: Pássaro Da Manhã, Maria Bethânia e Caetano Veloso - Ao Vivo e Álibi
Desde a década de 1960, quando surgiram os especiais do Festival de Música Popular Brasileira (TV Record), até o fim da década de 1980, a televisão brasileira foi marcada pelo sucesso dos espetáculos transmitidos que apresentavam os novos talentos. Maria Bethânia participou do especial Mulher 80 (Rede Globo); o programa exibiu uma série de entrevistas e musicais cujo tema era a mulher e a discussão do papel feminino na sociedade de então abordando esta temática no contexto da música nacional e da ampla preponderância das vozes femininas, com Elis Regina, Fafá de Belém, Marina Lima, Simone, Rita Lee, Joanna, Zezé Motta, Gal Costa, Maria Bethânia e as participações especiais das atrizes Regina Duarte e Narjara Turetta, que protagonizaram o seriado Malu Mulher.
1979—80: Mel, Mulher 80 e Talismã
Após Álibi (1978), vieram Mel (1979), Talismã (1980), Alteza (1981), Ciclo (1983) e A Beira e o Mar (1984), com arranjos e teclados de Lincoln Olivetti. No caso de Ciclo, a faixa "Fogueira" foi incluída na trilha sonora da novela da Globo Transas e Caretas de Lauro César Muniz. O álbum apresentava um repertório de onze canções, das quais nove eram inéditas, e apenas duas regravações ("'Rio de Janeiro - Isto é o meu Brasil" e "Ela disse-me-assim"). No LP A Beira e o Mar, originado do espetáculo A Hora da Estrela, cujo título remete ao famoso livro homônimo de Clarice Lispector, o repertório misturou canções inéditas e regravações ("Na Primeira Manhã", "Nossos Momentos", "ABC do Sertão", "Somos Iguais" e "Sonho Impossível" – esta última gravada pela terceira vez, já que havia sido gravada anteriormente nos álbuns A Cena Muda e Chico Buarque & Maria Bethânia ao vivo e dali a treze anos, novamente no CD Imitação da Vida). Bethânia então saiu da gravadora Polygram (atualmente Universal Music), de onde era contratada desde 1971 (com o álbum A Tua Presença...) e à qual só retornaria dali a cinco anos.
1985—89: Palco Iluminado, Dezembros, Maria e Memória da Pele
O disco que marca essa volta é Memória da Pele; durante este intervalo de tempo, aconteceu uma breve passagem pela primeira gravadora, a RCA, com a qual assinou contrato para a gravação de três discos, mas acabou gerando apenas dois. São eles: Dezembros e Maria, lançados em 1986 e 1988, respectivamente. A interpretação de "'Na Primeira Manhã" surpreendeu Milton Nascimento, inspirando-o a escrever, em parceria com Fernando Brant, a canção "Canções e Momentos", inclusa no repertório do disco Dezembros, do qual também fez participação especial nesta faixa, que também trazia, dentre outras, os sucessos "Anos Dourados", "Gostoso Demais" e "Errei Sim". Cantou, ainda que com uma participação individual diminuta, no coro da versão brasileira de "We Are the World", o hit americano que juntou vozes e levantou fundos para a África por meio do projeto USA for Africa. O projeto Nordeste Já (1985), abraçou a causa da seca nordestina, unindo 155 vozes num compacto simples, de criação coletiva, com as canções "Chega de Mágoa" e "Seca d'Água".
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Maria Bethânia é conhecida por sua voz "eloquente", por apresentar-se na maior parte das vezes com cabelos soltos, vestidos longos e descalça. Sua personalidade artística é frequentemente parodiada por humoristas como por exemplo Wellington Muniz, Gustavo Mendes e Tom Cavalcante. Bethânia raramente dá entrevistas, fator que só ocorre para a divulgação de algum disco. Ela disse à Isto É: "Acho que a minha vida pessoal não interessa. O que eu acho interessante em mim, o que pode servir para a humanidade, está no palco...." Ela confirmou já ter feito plástica nos seios. Bethânia geralmente não expõe suas opiniões quando se trata de política. Sua voz já foi usada com seu consentimento nas campanhas de Fernando Henrique Cardoso e de Lula. Em 2019, ela criticou o então presidente da república Jair Bolsonaro, após ele ter feito uso do termo "paraíba" para se referir de forma pejorativa aos nordestinos e o veto de recursos para o Maranhão. "Como nordestina, me dói, não gosto que falem mal de minha terra e das minhas pessoas. Um austríaco não vai gostar se falarem mal do Tirol, O Brasil é um país. Se você o preside, preside o país inteiro. Mas eu tenho a maior honra de ser chamada de ‘paraíba’", defendeu.
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Bethânia é citada por vezes também com o título de 'Abelha Rainha da MPB' por sua contribuição no gênero. Bethânia foi a primeira mulher a vender mais de 1 milhão de discos no Brasil, e a artista feminina que mais vendeu discos nos anos 1970 no país. Durante sua carreira, Bethânia converteu-se em uma recordista em vendas de discos no Brasil, com mais de 26 milhões de álbuns vendidos. Alguns críticos argumentaram que seu álbum Álibi (1978), "deu personalidade feminina à música brasileira da época, derrubando o estigma de cantora elitista da MPB, com todas as faixas estourando nas rádios". O critico Jeocaz Lee-Meddi também o louvou por ter "atingindo as grandes massas, fazendo com que o Brasil ouvisse MPB. A partir do sucesso deste álbum, outros cantores passaram a ser ouvidos e a ter os seus álbuns adquiridos por um grande número de pessoas. No final da década de setenta acabava o monopólio da música de língua inglesa, e, pela primeira vez, a MPB passou a ser a música mais consumida no país". A Rolling Stone Brasil, o classificou em o septuagésimo nono lugar em sua lista dos 100 maiores discos da música brasileira. Bethânia foi eleita em 2012, pela mesma revista, a quinta maior voz da música brasileira. Já entre as 100 maiores músicas brasileiras pela Rolling Stones, a canção "Carcará" figura como a quadragésima quinta. A cantora recebeu da Universidade Federal da Bahia, o título de Doutora Honoris Causa, por sua contribuição a música brasileira. Em 2016, foi homenageada pela Mangueira, que desfilou no carnaval do Rio de Janeiro com o enredo "Maria Bethânia: A menina dos Olhos de Oyá". A escola foi a última a desfilar e se sagrou campeã. Em 3 de maio de 2023, foi empossada como imortal na Academia de Letras da Bahia, cadeira 18. Em novembro de 2024, a Universidade Federal do Ceará concedeu o título de Doutora Honoris Causa à Bethânia. A solenidade foi parte da programação em celebração dos 70 anos da UFC.
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Bethânia mudou-se para o Rio de Janeiro sozinha aos 17 anos, em 1963. Tendo sempre morado só, há algumas décadas vive em sua residência, localizada em um bairro afastado da Zona Oeste do Rio de Janeiro, próximo a bastante natureza, bem como distante da agitação carioca comum. Muito discreta, a cantora não é vista com frequência em eventos sociais. Em agosto de 2019, durante uma entrevista ao programa Conversa com Bial, Bethânia, confirmou que teve um romance com o cantor Fábio Júnior no passado. Definindo a relação como "Bom demais". Ela revelou ainda que seu primeiro amor foi o diretor Augusto Boal. A cantora não possui filhos, em um entrevista em 2012, revelou que isso não a frustra, pelo contrário, sua energia sempre esteve focada no trabalho; "Deus não me deu nem filhos, só me deu o meu trabalho, e é a ele que dedico cada minuto da minha vida. Se choro, guardo a minha lágrima para quando for cantar; se namoro, o prazer do namoro será para utilizar quando for trabalhar. É tudo assim. Tudo é o meu trabalho". Bethânia mantém, desde 2017, um relacionamento com a estilista Gilda Midani (mãe do ator João Vicente) e atualmente são casadas. A estilista é responsável por alguns de seus figurinos utilizados em shows.


