António Areal
António Santiago Gonçalves Areal e Silva foi um artista plástico e pintor português.
Desde pequeno sofre de grave insuficiência cardíaca, o que irá condicionar toda a sua vida, limitando as suas capacidades físicas. Areal não conclui o ensino secundário nem realiza qualquer preparação artística especializada. A sua formação autodidata fica marcada por interesses literários e filosóficos, influenciando o modo como a sua carreira como artista plástico se desenrolará em paralelo com um longo e diversificado trabalho de reflexão teórica. Em 1954 participa em exposições coletivas e em 1956 expõe individualmente pela primeira vez. Em 1957, quando conta apenas 23 anos de idade, é-lhe atribuído o prémio de desenho na I Exposição de Artes Plásticas da Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa. Na sequência desta distinção, em 1960 recebe uma bolsa de estudo, partindo no ano seguinte para S. Paulo, onde reside até 1962. O ano de 1964 marca uma intensificação da sua atividade artística. Em 1965 recebe o Prémio de Pintura da Casa da Imprensa e em 1967 é um dos representantes de Portugal na IX Bienal de S. Paulo. No ano seguinte recebe o Prémio de Desenho no 3º Salão Nacional de Arte Moderna, organizado pelo SNI.
Apesar de a carreira de Areal não ter sido muito longa – pouco mais de duas décadas –, a sua obra é rica e diversificada, estabelecendo, a nível plástico e teórico, um diálogo particularmente lúcido e produtivo com a arte do seu tempo. Não poderemos inscrevê-la num movimento específico, mas é possível "ligar o seu percurso ao desenvolvimento de correntes artísticas internacionais bem determinadas e explicar as suas atitudes em função dos condicionalismos do meio nacional"; é particularmente relevante, desde o início, a sua ligação ao universo surrealista e encontraremos, "em todas as suas fases, exemplos das derivações ou ultrapassagens dos pressupostos imagéticos e principalmente metodológicos do surrealismo histórico" . Na fase inicial esta relação é manifesta em obras como Homenagem a Fernão Mendes Pinto, onde a paisagem, desolada e fantasmática, é omnipresente. Nestes espaços abertos desabitados, "pontuados de escarpas descarnadas e agressivas, transfigurados por sombras", "o tempo é um tempo para além da história, simultaneamente passado e futuro, como se vivêssemos as ruinas de um tempo de ficção".


