Antoni Gaudí
Antoni Gaudí i Cornet foi um famoso arquiteto catalão e figura de ponta do Modernismo catalão. As obras de Gaudí revelam um estilo único e individual e estão em sua maioria na cidade de Barcelona.
Os seus primeiros trabalhos possuem claras influências da arquitetura gótica (refletindo o revivalismo do século XIX) e da arquitetura catalã tradicional. Nos primeiros anos de sua carreira, Gaudí foi fortemente influenciado pelo arquiteto francês Eugene Viollet-le-Duc, responsável por promover o retorno às formas góticas da arquitetura no seu país. Com o tempo, entretanto, passou a adotar uma linguagem escultórica bastante pessoal, projetando edifícios com formas fantásticas e estruturas complexas. Algumas de suas obras-primas, mais notavelmente o Templo Expiatório da Sagrada Família possuem um poder quase alucinatório. Antoni Gaudí é conhecido por fazer extenso uso do arco parabólico catenário, uma das formas mais comuns na natureza. Para tanto, possuía um método de trabalho incomum para a época, utilizando-se de modelos tridimensionais em escala moldados pela gravidade (Gaudí usava correntes metálicas presas pelas extremidades: quando elas ficavam estáveis, ele copiava a forma e reproduzia-as ao contrário, formando suas conhecidas cúpulas catenárias). Também se utilizou da técnica catalã tradicional do trencadis, que consiste em usar peças cerâmicas quebradas para compor superfícies.
Gaudí e o Modernisme
A vida profissional de Gaudí foi distintiva, pois ele nunca deixou de investigar estruturas mecânicas de construção. Desde cedo, Gaudí foi inspirado pelas artes orientais (Índia, Pérsia, Japão) através do estudo dos teóricos arquitetônicos historicistas, como Walter Pater, John Ruskin e William Morris. A influência do movimento oriental pode ser vista em obras como o Capricho, o Palácio Güell, os Pavilhões Güell e a Casa Vicens. Mais tarde, ele aderiu ao movimento neogótico que estava em voga na época, seguindo as ideias do arquiteto francês Eugène Viollet-le-Duc. Essa influência é refletida no Colégio Teresiano, no Palácio Episcopal em Astorga, na Casa Botines e na casa Bellesguard, bem como na cripta e no ábside da Sagrada Família. Eventualmente, Gaudí embarcou em uma fase mais pessoal, com o estilo orgânico inspirado na natureza em que construiria suas principais obras.
Busca por uma nova linguagem arquitetônica
Gaudí é geralmente considerado o grande mestre do Modernismo catalão, mas suas obras vão além de qualquer estilo ou classificação. São obras imaginativas que encontram sua principal inspiração na geometria e nas formas da natureza. Gaudí estudou formas geométricas orgânicas e anárquicas da natureza minuciosamente, buscando uma maneira de expressar essas formas na arquitetura. Algumas de suas maiores inspirações vieram de visitas à montanha de Montserrat, às cavernas de Mallorca, às cavernas de salitre em Collbató, ao desfiladeiro de Fraguerau nas Montanhas Prades atrás de Reus, à montanha Pareis no norte de Mallorca e a Sant Miquel del Fai em Bigues i Riells.
Design e artesanato
Durante seus dias de estudante, Gaudí frequentou oficinas de artesanato, como as ministradas por Eudald Puntí, Llorenç Matamala e Joan Oñós, onde aprendeu os aspectos básicos das técnicas relacionadas à arquitetura, incluindo escultura, marcenaria, trabalho em ferro forjado, vitrais, cerâmica, modelagem em gesso, etc. Ele também absorveu novos desenvolvimentos tecnológicos, integrando em sua técnica o uso de ferro e concreto armado na construção. Gaudí via a arquitetura de forma ampla como um design multifuncional, em que cada detalhe de uma disposição deve ser harmoniosamente feito e bem proporcionado. Esse conhecimento lhe permitiu projetar projetos arquitetônicos, incluindo todos os elementos de suas obras, desde móveis até iluminação e trabalho em ferro forjado.
A obra de Gaudí é geralmente classificada como fazendo parte do Modernismo catalão devido à sua vontade de renovar sem romper com a tradição, da sua procura pela modernidade, do papel do ornamento e do seu processo de trabalho multidisciplinar, no qual a produção artesanal desempenha um papel fundamental. A isto, Gaudí acrescenta um gosto pelo barroco e faz uso de inovações técnicas ao mesmo tempo que continua a utilizar linguagem arquitetónica tradicional. Em conjunto com a inspiração na natureza, estas características dão às suas obras um cunho pessoal e único na história da arquitetura. É difícil definir de forma precisa linhas de orientação que representem fielmente a evolução do seu estilo. Embora Gaudí tenha partido de uma perspetiva historicista para se envolver por completo no movimento modernista que marcou a transição do século XIX para o XX na Catalunha antes de desenvolver o seu estilo orgânico próprio, este processo não se deu ao longo de fases bem definidas ou com limites facilmente perceptíveis. Pelo contrário, em cada fase há uma reflexão sobre todas as fases anteriores, à medida que gradualmente as assimila e as supera. Uma das melhores descrições da obra de Gaudí foi feita pelo seu discípulo e biógrafo Joan Bergós que, de acordo com critérios plásticos e estruturais, define cinco períodos: preliminar, mudéjar-mourisco, gótico simulado, naturalista e expressionista, e síntese orgânica.
Primeiras obras
As primeiras obras de Gaudí, realizadas durante a sua formação e no período imediatamente posterior, destacam-se já pela precisão dos detalhes, pelo uso da geometria e pela prevalência de considerações mecânicas no cálculo estrutural. Durante a formação universitária, Gaudí foi autor de vários projetos, entre os quais um portal de cemitério (1875), um pavilhão espanhol para a Feira Mundial de Filadélfia de 1876, um embarcadouro (1876), um pátio para a Diputació de Barcelona (1876), uma fonte monumental para a Praça da Catalunha (1877) e um pavilhão universitário (1877). Gaudí iniciou a carreira profissional ainda na universidade, trabalhando como desenhista para alguns dos mais prestigiados arquitetos de Barcelona à época, como Joan Martorell, Josep Fontserè, Francisco de Paula del Villar y Lozano, Leandre Serrallach e Emili Sala Cortés. Gaudí tinha já uma longa relação com Josep Fontserè, uma vez que a sua família também era de Riudoms e se conheciam há bastante tempo. Embora não fosse formado em arquitetura, Fontserè foi escolhido pela câmara municipal para o plano do Parc de la Ciutadella, levado a cabo entre 1873 e 1882. Neste projeto, Gaudí ficaria encarregado do desenho do portal de entrada do parque, da balaustrada do coreto e da fonte monumental, para a qual desenhou uma gruta artificial que demonstrava já o seu gosto pela natureza e pelas formas orgânicas.
No Vaticano, está em andamento o processo de beatificação de Gaudí, depois do encerramento da fase diocesana em 2003, todos os documentos da positio com a sua biografia passaram por Roma para serem submetidos à Congregação para as Causas dos Santos. Para o Arcebispo de Barcelona e Presidente da Comissão do Padroado da Sagrada Família, cardeal Martínez Sistach, "Gaudí era um grande cristão. Tinha uma espiritualidade franciscana, de amor e contemplação das belezas da natureza, imagens da beleza do Criador". No dia 14 de abril de 2025, o Papa Francisco recebeu em audiência o cardeal Marcello Semeraro, prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos, e autorizou a promulgação do decreto relativo as virtudes heroicas de Antoni Gaudí, que passa agora a ser chamado venerável.
A enorme tarefa que Gaudí enfrentou, não em termos de número de obras, mas em termos de sua complexidade, exigiu a colaboração de um grande número de assistentes, artistas, arquitetos e artesãos. Gaudí sempre liderou o caminho, mas permitiu a expressão das habilidades individuais de todos os seus colaboradores. Um teste de sua experiência tanto em sua área quanto na comunicação interpessoal foi demonstrado ao reunir um grande número de profissionais diversos e criar uma equipe integrada.


