Anton Felix Schindler
Anton Felix Schindler foi um escrivão de direito austríaco e associado, secretário e primeiro biógrafo de Ludwig van Beethoven.
Schindler nasceu em 13 de junho de 1795 em Medlov. Mudou-se para Viena em 1813 para estudar direito, e de 1817 a 1822 foi escrivão em um escritório de advocacia local. Era um violinista competente, embora não excepcional, e tocou em vários conjuntos musicais, conhecendo Beethoven pela primeira vez em 1814. Abandonou a carreira jurídica, tornando-se em 1822 primeiro violinista no Theater in der Josefstadt, e a partir de 1825 primeiro violinista no Theater am Kärntnertor. Sua convivência com Beethoven continuou e, a partir de 1822, passou a viver na casa do compositor, como seu secretário não remunerado. Beethoven rompeu com Schindler em março de 1825, e Karl Holz, um jovem violinista do Quarteto Schuppanzigh e amigo de Beethoven, foi contratado como secretário do compositor; embora Schindler e Beethoven tenham se reconciliado em agosto de 1826, Holz continuou como secretário de Beethoven, com Schindler também atendendo às necessidades do compositor.
Embora inconsistências no relato de Schindler sobre a vida de Beethoven já tivessem sido questionadas já na década de 1850 e tivessem motivado Alexander Wheelock Thayer a iniciar sua pesquisa para sua biografia pioneira de Beethoven, foi uma série de artigos musicólogicos publicados a partir da década de 1970 que essencialmente destruiu a credibilidade de Schindler. Foi demonstrado que Schindler falsificou entradas nos cadernos de conversa de Beethoven, adicionando muitas entradas espúrias após a morte do compositor em 1827 e que ele exagerou seu período de associação próxima com Beethoven (seus alegados onze ou doze anos provavelmente não passaram de cinco ou seis). Acredita-se também que Schindler queimou mais da metade dos cadernos de conversa de Beethoven e removeu inúmeras páginas daqueles que sobreviveram. The Beethoven Compendium (Cooper 1991, p. 52) chega a ponto de afirmar que a propensão de Schindler para fabricação e imprecisão foi tão grande que praticamente nada do que ele escreveu sobre Beethoven pode ser aceito como fato, a menos que seja corroborado por outras evidências. Mais recentemente, Theodore Albrecht reexaminou a questão da confiabilidade de Schindler e, quanto à sua suposta destruição de um grande número de cadernos de conversa, conclui que essa crença generalizada pode possivelmente ter sido exagerada.
No filme Minha Amada Imortal (Immortal Beloved, 1994) dirigido e escrito por Bernard Rose, baseado numa história fictícia acerca de Beethoven, um dos protagonistas é Schindler, personificado pelo ator Jeroen Krabbé, que investiga quem é a destinatária da famosa carta "à amada imortal", para lhe entregar a herança deixada pelo compositor.


