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Maria Antonieta

Maria Antonieta foi uma arquiduquesa da Casa de Habsburgo-Lorena e rainha consorte da França e Navarra entre 1774 e 1792, como esposa do rei Luís XVI de França.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 17/07/2026
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Biografia

Em 1785, a rainha, que vinha atuando como atriz no teatro do Petit Trianon, decidiu encenar a famosa comédia O Barbeiro de Sevilha, de Beaumarchais. Em 12 de julho, enquanto ela ensaiava, recebeu um bilhete de Boehmer, o joalheiro da corte, agradecendo-lhe por ter comprado um colar e lembrando-lhe que a data de pagamento da primeira parcela se aproximava. Maria Antonieta não entendeu do que o bilhete tratava e acabou queimando-o.[nota 11] A verdade sobre o assunto veio à tona pouco depois. Boehmer estava convencido de que havia vendido um colar de diamantes à rainha, tendo o cardeal de Rohan como avalista, a quem Maria Antonieta não dirigia a palavra havia mais de uma década.[nota 12] Em 15 de agosto, perante o rei e a rainha, Rohan foi questionado sobre o assunto, sendo preso em seguida diante dos cortesãos presentes na Sala dos Espelhos. Antes de ser levado em custódia, Rohan conseguiu que seus cúmplices destruíssem quase todos os documentos comprometedores sobre o caso. Alguns dias depois ele foi preso na Bastilha. As investigações realizadas pela coroa apontaram que o cardeal, tentando aproximar-se de Maria Antonieta, havia sido enganado pela condessa Jeanne de La Motte-Valois, que também foi presa e levada para a Bastilha. Durante algum tempo, a condessa fez ver ao cardeal que ela era amiga íntima da rainha, graças a uma longa correspondência falsa e um encontro, ocorrido durante a noite nos jardins de Versalhes, com uma prostituta chamada Nicole D'Oliva, vestida como Maria Antonieta. Sabedora da existência do colar de Boehmer, a condessa de La Motte fez com que o cardeal o comprasse e o entregasse a ela. A joia, desmontada em várias peças, foi vendida em Londres pelo marido da condessa.

A infância

Nascida no Palácio Imperial de Hofburg, Maria Antonieta era a penúltima dos dezesseis filhos da imperatriz Maria Teresa da Áustria e de Francisco I do Sacro Império Romano-Germânico. Batizada Maria Antônia Josefa Joana, era tratada em família e na corte pelo apelido afrancesado de Antoine (mais tarde, na França, passaria a ser chamada Marie Antoinette). Aos dois anos de idade, ela contraiu uma forma branda de varíola, mas recuperou-se sem ter na pele as marcas características da doença. Apesar da rigidez de sua educação e da etiqueta da corte, a arquiduquesa foi descrita como bastante espontânea. Teve uma infância despreocupada, bastante mimada por sua governanta, a condessa Brandeiss, que lhe fazia todas as vontades e lhe dava o amor maternal que a imperatriz, sempre envolvida nos assuntos de Estado, não teve tempo de dedicar-lhe. A condessa comprazia-se em transmitir à menina os princípios religiosos e morais adequados às arquiduquesas, mas também reduziu seu período de estudos diários.[nota 1] Como resultado, aos 12 anos, Antônia não falava nem escrevia corretamente os idiomas francês e alemão e só falava elegantemente o italiano graças aos esforços de seu professor Pietro Metastasio. Teve como professor de música o compositor Christoph Willibald Gluck, que a ensinou a tocar harpa, mas destacou-se especialmente por sua forma graciosa e refinada de dançar.

Casamento político

Maria Teresa usou Antônia como um "peão" no jogo político para cimentar uma nova aliança com o arqui-inimigo secular da Áustria: a França. Após longas negociações, comandadas pelo francês Étienne, Duque de Choiseul e pelo austríaco príncipe de Starhemberg, acertou-se o compromisso da jovem com Luís Augusto, delfim de França. Em novembro de 1768, o abade de Vermond partiu para Viena, como tutor de Antônia. A arquiduquesa, embora bela e inteligente, também era descrita como preguiçosa e indisciplinada e não tinha o conhecimento necessário para desempenhar o papel de rainha. O abade submeteu Antônia a um programa educacional projetado especialmente para ela, onde substituiu o estudo de livros por longas palestras que versavam sobre história, religião e literatura francesa. O programa obteve bons resultados e o tutor ficou encantado com os progressos de Antônia.[nota 3]

Madame la Dauphine

Devido ao ódio cultivado pela Áustria, Maria Antonieta não era vista com bons olhos pela maior parte da corte francesa. As Mesdames Tantes (tias de Luís Augusto), a quem a delfina se aproximou por conselhos de sua mãe, foram as primeiras a chamá-la pelas costas de "A Austríaca".[nota 4] Até mesmo o delfim tinha ódio pelos austríacos e seu tutor, o duque de La Vauguyon, alimentava esse sentimento contra a entourage de Maria Antonieta, composta unicamente por amigos do ministro Choiseul: o abade Vermond, a condessa de Noailles e o embaixador austríaco conde de Mercy-Argenteau. As Mesdames e o delfim exultaram quando o ministro foi demitido, em 24 de dezembro de 1770, enquanto Maria Antonieta se dava conta de que seu marido havia se casado sob coação e que a aliança franco-austríaca, que Maria Teresa procurava por todos os meios manter, não era bem-vista por todos em Versalhes. Provavelmente, era devido aos seus preconceitos que Luís Augusto, mesmo muitos meses após o casamento, ainda não havia tocado a delfina. Ele sentia um estranho sentimento de repulsa contra ela: segundo um relatório do primeiro cirurgião de Luís XV, o delfim não sofria de qualquer deformidade, mas de uma barreira psicológica devido a sua educação preconceituosa.

Primeiros anos de reinado

Logo, o comportamento e a falta de respeito dos cortesãos afastaram Maria Antonieta da antiga nobreza da corte. Tais condutas não seriam toleradas por uma rainha francesa, especialmente se ela nascera como altiva arquiduquesa da Áustria. A popularidade da rainha começou lentamente a declinar: começaram a circular panfletos escandalosos, principalmente pornográficos, contra ela, que passou a ser chamada de Madame Scandale. Maria Antonieta também foi acusada de influenciar a política de seu marido, embora os ministros escolhidos por Luís XVI, Jean-Frédéric de Maurepas e o conde de Vergennes, fossem fortemente antiaustríacos e muito determinados em não permitir a interferência da rainha e da Casa de Habsburgo na política francesa. Em sua vida privada, Maria Antonieta estava insatisfeita: seu casamento, para grande desagrado da imperatriz, não tinha sido consumado e as esperanças de nascimento de um herdeiro para o trono desapareciam. Sob a fachada de frivolidade e alegria da rainha estava a melancolia de uma mulher frustrada e insatisfeita. Neste período, ela sentia necessidade de se entregar a divertimentos dispendiosos, como os caros e extravagantes vestidos da modista Rose Bertin, os colossais penteados de Léonard e até mesmo os jogos de azar.

A maternidade

No início de 1778 estourou a guerra de sucessão da Baviera. A rainha, sofrendo pesada chantagem psicológica pela mãe e habilmente manipulada pelo embaixador Mercy, esforçou-se para promover os interesses austríacos junto ao marido, mas isso despertou a oposição dos ministros do rei e a desconfiança de parte dos súditos. A partir de então, Maria Antonieta passou a ser chamada "a austríaca".[nota 7] Na primavera desse ano, seguindo os conselhos de Mercy, a rainha retomou a vida conjugal com seu marido e ficou grávida. Como a situação política não se alterava, sua família austríaca acusava-a de ser inútil aos interesses da aliança; mas sua única preocupação era com o bem-estar do herdeiro que estava gerando. Em 19 de dezembro de 1778, Maria Antonieta deu à luz, sendo seu parto assistido por toda a corte, como determinava a etiqueta. Devido a algumas complicações pós-parto, a soberana teve uma hemorragia e perdeu a consciência. Somente mais tarde ela foi informada que havia dado à luz uma menina, que recebeu o nome de Maria Teresa Carlota.

A hostilidade popular

No final do verão de 1782, estourou o escândalo da falência Guéménée,[nota 8] levando a princesa de Guéménée, governanta dos Fils de France, a pedir demissão do cargo. A tarefa foi então assumida por Yolande de Polignac, aumentando os boatos sobre as duas amigas e a antipatia contra a soberana. Enquanto isso, entre 1782 e 1783, Maria Antonieta iniciou, próximo ao Petit Trianon, uma pequena vila de doze casas (nove dos quais ainda estão de pé). Baseada em uma pintura de Hubert Robert e projetada por Richard Mique, a vila ficou conhecida como Hameau de la Reine. Essa busca por uma vida simples, inspirada no mito da Arcádia de Virgílio e Teócrito, foi considerada escandalosa e inadequada para uma rainha.[nota 9]

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A "Rainha-mártir"

Após a execução, os restos mortais de Maria Antonieta foram enterrados em uma vala comum no Cimetière de la Madeleine, na rue d'Anjou. Quando a notícia de sua morte se espalhou pela Europa, todos as cortes decretaram luto. A rainha Maria Carolina de Nápoles sofreu de maneira particular pela morte de sua irmã favorita, tentando, inclusive, abandonar o idioma francês (o mais falado na época). Luís Carlos (aclamado pelos monarquistas europeus como Luís XVII) teve sua cela lacrada em 19 de janeiro de 1794, vivendo em condições desumanas no meio de detritos, ratos e parasitas, o que piorou os seus problemas de saúde. Libertado após a queda de Robespierre, Luís Carlos morreu em 8 de junho de 1795. Maria Teresa, por sua vez, foi libertada em dezembro de 1795, aos dezessete anos de idade, graças a uma troca de prisioneiros entre a França e a Áustria. Em 1799, ela casou-se com seu primo, o duque d'Angoulême, mas não teve filhos. Vivendo no exílio desde a revolução de 1830, Maria Teresa morreu em 1851, em Frohsdorf. Durante o reinado de Napoleão, outra arquiduquesa austríaca viria a ocupar o cargo de soberana-consorte: Maria Luísa de Áustria.

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A relação com Luís XVI

Apesar de terem sido completamente diferentes, tanto no comportamento quanto no físico, o casamento entre o rei e a rainha da França foi descrita como agradável e feliz. Em geral, a "covardia física" de Luís XVI e a "preguiça de alma" de Maria Antonieta eram suficientes para evitar atritos entre ambos. A única sombra que pesava sobre a vida do casal foi a não consumação do casamento em seus primeiros sete anos. Esse doloroso fardo exibido pelos cônjuges diante de toda a corte que, à época, debochava dos insucessos sexuais do casal, deixou uma marca indelével. Não sendo capaz de satisfazê-la sexualmente, Luís XVI permitiu que Maria Antonieta se entregasse ao luxo e aos prazeres frívolos. Havia, entretanto, muitas ações e comportamentos da esposa que contrariavam o rei: suas vultosas despesas consideráveis​​, suas amizades, o excesso de festas, entre outros. Maria Antonieta, no entanto, conseguia tudo o que exigia do marido (exceto na política), que tinha uma complacência ilimitada nos confrontos com a esposa, como a pedir desculpas por seus pecados, que o faziam sofrer tanto.

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A relação com o conde Fersen

Diversos panfletos contrários à Maria Antonieta atribuíam-lhe inúmeros amantes, tanto homens quanto mulheres. Porém, a única relação plausível, platônica ou física passível de ter existido seria com o conde sueco Hans Axel von Fersen que, no entanto, nunca foi mencionado em nenhum dos famosos panfletos. Fersen, segundo filho de um destacado diplomata sueco, tinha dezoito anos quando conheceu Maria Antonieta, em um baile de máscaras. Desde então, o conde passou a visitar Versalhes regularmente, onde era recebido com especial cortesia, mas não mencionou em seu diário com a então delfina, que se empenhava na montagem de Iphigénie en Aulide, de Gluck. Em 12 de maio de 1774, dois dias após a morte de Luís XV, Fersen partiu para a Inglaterra, interessado em contratar um casamento com uma herdeira. Malogrado esse possível casamento, Fersen decidiu, em 1778, dedicar-se à vida militar e, como seu pai tivesse servido na corte de Luís XV, o conde tentou a sorte com Luís XVI. Em 25 de agosto, a rainha reconheceu entre as várias pessoas que lhe eram apresentadas, o jovem que conhecera quatro anos antes. Fersen começou a frequentar a corte e o carinho entre ele e Maria Antonieta, então grávida da Madame Royale, tornou-se evidente e no palácio começou a espalhar-se maledicências sobre a inclinação da soberana pelo conde. Este, apesar dos favores de que gozava, pretendia perseguir suas ambições militares e resolveu embarcar para a América e combater na Guerra de Independência Americana, que contava com o apoio francês, retornando a Versalhes somente quatro anos depois, em 1783. Todos os possíveis casamentos de conveniência foram deixados de lado e Fersen declarou, em carta à irmã, que jamais iria se casar porque nunca teria a única mulher que realmente desejava, Maria Antonieta. A rainha conseguiu que Luís XVI criasse o regimento dos Suédois Regals (Suecos Reais) e, desde 1785, Fersen fixou-se permanentemente na França. Permaneceu ao lado da família real até a revolução e teve um papel fundamental nos preparativos para a Fuga de Varennes.

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Preservação da memória

Quando ocorreu a restauração da monarquia e da dinastia dos Bourbon na França, após a derrota de Napoleão, o rei Luís XVIII, cunhado de Maria Antonieta, transferiu seus restos mortais para a Basílica de Saint-Denis, perto de Paris, local de sepultura dos reis franceses. Por ordem dele, foram erguidas duas capelas: a primeira, na Praça Luís XVI, foi projetada como um mausoléu e marcou o lugar onde os restos mortais de Luís XVI e Maria Antonieta foram originalmente enterrados, chamada de Chapelle Expiratoire, hoje um monumento nacional da França. A segunda capela foi erguida na cela de Maria Antonieta na Conciergerie, onde, na parede estão escritos os nomes dos três mártires reais: Luís XVI, Maria Antonieta e Madame Isabel. Há também, nesta capela, a transcrição de um trecho do testamento de Maria Antonieta, no qual ela lembra, aos filhos, o que disse seu esposo Luís XVI, sobre perdoar a todos por todo o mal que fizeram à sua família.

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Joias

Um pingente de pérola e de diamante que pertenceu a Maria Antonieta foi vendida em leilão em novembro de 2018 pela quantia recorde de 32 milhões de euros num leilão em Genebra, na Suíça. O anterior recorde era referente ao pagamento de um colar que pertenceu a Elizabeth Taylor e que foi vendido em 2011 por quase 10,5 milhões de euros.

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