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Antoine Barnave

Antoine-Pierre-Joseph-Marie Barnave, nascido em Grenoble no dia 22 de Outubro de 1761 e guilhotinado em Paris no dia 29 de Novembro de 1793, era um político francês.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 20/07/2026
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Primeiros anos

Oriundo de uma antiga família protestante da alta burguesia de Grenoble, filho de Jean-Pierre Barnave, advogado ligado ao Parlamento de Grenoble, e de Marie-Louise de Pré de Seigne de Presle, o jovem Antoine segue o curso de Direito em Grenoble, obtém o diploma de bacharel, e completa a licenciatura em Direito na Universidade de Orange (1780). Em 1783, é escolhido entre os demais jovens advogados para proferir o discurso de encerramento do Parlamento de Grenoble. Destaca-se por sua independência de espírito discorrendo sobre a divisão de poderes. Como a maior parte dos representantes da burguesia, deseja que "uma nova distribuição de riquezas leve a uma nova distribuição de poder". No mesmo ano, sofre a perda de seu irmão mais novo. No dia seguinte à Jornada das Telhas ("Journée des Tuiles"), em 7 de Junho de 1788, Barnave redige o libelo "O Espírito dos Éditos", conclamando ao apoio ao Parlamento de Grenoble, suspenso pelo Poder Central, e aproxima-se de outro advogado, também predestinado a um belo futuro, Jean-Joseph Mounier. Barnave e Mounier vão conseguir reunir os deputados das três ordens do Delfinado no castelo de Vizille, em 21 de Julho. A resolução de Mounier, reclamando o restabelecimento dos parlamentos provinciais e a convocação dos Estados Gerais é adotada. Em 7 de Janeiro de 1789, Mounier e Barnave são eleitos representantes do Terceiro Estado.

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A Assembléia Nacional

Barnave logo vai desempenhar um papel importante na Assembléia Nacional, primeiramente no seio da delegação do Delfinado, sustentando Mounier. Este último fica em desacordo com a radicalização dos acontecimentos que começam a tomar conta da Revolução Francesa e pende para um comprometimento monárquico. Barnave distancia-se então deste e vai constituir com Adrien Duport e os irmãos Charles e Alexandre de Lameth um grupo de ação política denominado o « Triunvirato », postando-se à extrema esquerda da Assembléia e servindo de ponta de lança da Revolução. Em 22 de Julho de 1789, no dia seguinte ao linchamento pela populaça do Intendente Geral Foullon e de seu genro Berthier de Sauvigny, sobe à tribuna e replica aos deputados acalorados por este fato : "Senhores, querem nos enternecer em favor do sangue derramado ontem em Paris. Este sangue era assim tão puro? ", frase terrível que passaria para a posteridade.

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A Fuga do Rei

Após sua tentativa de fuga (21 e 22 de Junho de 1791), o Rei Luís XVI é detido em Varennes. Barnave é enviado pela Assembleia, em companhia de Pétion e de Latour-Maubourg, para trazer a família real de volta a Paris. Os três deputados juntam-se à berlinda real no local chamado "Carvalho Fendido", na Comuna de Boursault. Durante os três dias que dura a viagem de volta, Barnave fica tocado pelos infortúnios da Rainha Maria Antonieta. Ele inicia uma troca de correspondência secreta com ela (por intermédio do Cavaleiro de Jarjayes). Junta-se então aos monarquistas constitucionais do Clube dos Feuillants, o que lhe vale o ódio do povo parisiense e da Montanha, que denunciam "Barnave negro por trás e branco pela frente". Em 15 de Julho de 1791, pronuncia diante da Assembléia um discurso sobre "a inviolabilidade real, a separação dos poderes e o término da Revolução Francesa". Ele aconselha o rei, através da correspondência mantida com Maria Antonieta, a se aliar sinceramente à Constituição, a condenar as atitudes dos emigrados e a obter de Leopoldo II, irmão da rainha, o reconhecimento do novo regime.

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O Armário de Ferro

Barnave permanece em Paris até o dia 5 de janeiro de 1792. Ele continua a dar seus conselhos à Corte, através da correspondência e das entrevistas secretas que tem com Maria Antonieta. Aconselha o rei a usar seu direito de veto aos decretos sobre os emigrados e os padres refratários. Retira-se a seguir para Grenoble mas, na sequência à Jornada de 10 de Agosto de 1792, é descoberta uma correspondência bastante comprometedora sobre ele numa secretária do gabinete do rei, no Palácio das Tulherias.

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O fim

Preso em 19 de Agosto em sua casa de Saint-Egrève, Barnave é encarcerado nas prisões da cidadela da Bastilha de Grenoble e depois no Convento de Sainte-Marie-d’en-Haut, transformado em prisão política. Em Junho de 1793, fica isolado no Forte Barraux. A aproximação das tropas sardas, próximas à fronteira, causam sua transferência para a prisão de Saint-Marcellin. Fica aí por pouco tempo ; a Convenção exige seu comparecimento frente ao Tribunal Revolucionário. Ele é encarcerado na Conciergerie no dia 18 de Novembro. Seu processo dura de 27 a 28 de Novembro. Apesar de uma defesa brilhante feita por ele mesmo, é condenado à morte e guilhotinado em 29 de Novembro de 1793, juntamente com o antigo Guarda dos Selos, Duport-Dutertre.

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A obra

Imagem: Jean-Antoine Houdon · BY-SA · Openverse

Na prisão, Barnave escreveu "Da Revolução e da Constituição", obra marcante de inteligência e visão, que só foi publicada em 1843, sob o título de "Introdução à Revolução Francesa". Seus manuscritos foram publicados por M. Bérenger, sob o título de "Obras de Barnave" e reeditadas diversas vezes após 1960. A obra de Barnage mostra que a Revolução é a resultado uma longa evolução desde a Idade Média, que a propriedade agrária levou à formação de governos aristocráticos, depois que o desenvolvimento do comércio e da indústria que se seguiu ocasionou a transformação das sociedades agrárias tradicionais, o progresso da burguesia e seu desejo cada vez mais irresistível de participar do governo. O livro de Barnave influenciou Jean Jaurès e Albert Mathiez.

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