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Casas romanas do Célio

Casas romanas do Célio é um conjunto de antigas casas romanas de variados períodos — hoje transformado em um museu — localizado abaixo da basílica de Santi Giovanni e Paolo, no Clivo di Scauro, no rione Celio de Roma.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 25/07/2026
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História

O Clivo de Escauro é uma das mais importantes vias do antigo monte Célio e provavelmente deve seu nome a Marco Emílio Escauro, censor em 109 a.C.. Ela representa um extraordinário exemplo de persistência de um elemento urbano da Antiguidade Clássica através de toda a Idade Média até hoje. A entrada para o complexo das "Casas romanas do Célio" era a entrada para o pórtico com lojas que originalmente ficava no piso térreo. A primeira fase corresponde ao domus, a residência romana. No começo do século II, a área onde a igreja está atualmente localizada era ocupada por um opulento edifício residencial com dois pisos de frente para uma alameda paralela ao Clivo di Scauro. Esta casa contava com uma terma no piso térreo e quartos no piso superior. O restante dos edifícios residenciais existiam nas imediações. A fase seguinte corresponde à ínsula. No começo do século III, durante a era severa, foi construído em frente um bloco de apartamentos. A ínsula tinha uma planta trapezoidal e era composta por pequenos apartamentos nos pisos mais altos. Ali viviam as classes sociais mais pobres da cidade e eram acessíveis diretamente a partir das lojas no piso térreo através da entrada no Clivo di Scauro. Na parede à direita fica a entrada retangular que antes dava acesso a uma loja e que foi incorporada pela parede da fundação da basílica. No topo está um espaço para a uma janela que antes iluminava o conjunto. No final do século III e início do século IV iniciou-se a terceira fase, quando um rico proprietário comprou o complexo inteiro e transformou a ínsula e a residência, separados por uma viela, em uma única e elegante residência. Este novo projeto provavelmente precedeu a utilização dos pisos superiores da ínsula como unidades de aluguel ao passo que a transformação do piso térreo foi adaptada para o uso de uma única família.

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Descrição

Os muitos altares e inscrições presentes em todas as salas das "Casas Romanas" são evidências das atividades de papas e da comunidade passionista da basílica acima no final do século XIX. Esta era originalmente uma sala (em latim: Cella Vinaria) com uma elegante decoração no segundo piso que foi transformada numa despensa ou adega. Como tal, foi utilizada até o século VII como indicam diversas ânforas encontradas no local e atualmente expostas no Antiquário. Atestam esta utilização ainda a presença de vasilhas, de uma ânfora enterrada no piso e um poço. O altar, as inscrições e mobília de madeira são parte da decoração do século XIX. À direita está a entrada paras termas mais abaixo. Atualmente estes ambientes estão fechados para o público. Através da estreita passagem e descendo uns poucos degraus está o vicus, uma longa e estreita viela pavimentada com pedras irregulares. Ela separava originalmente a rica residência do século II à direita do edifício de apartamentos populares do século III à esquerda. Ela foi incorporada na reorganização do complexo no século III e se tornou um elemento de ligação interior entre duas zonas da nova residência ampliada com um pátio ao ar livre. Este pátio, que tinha um ninfeu, está logo adiante. Seguindo pela viela está uma escadaria à esquerda, no local onde, segundo a tradição, os corpos dos mártires João e Paulo foram enterrados e onde escavações encontraram, no início do século II, três sepulturas.

Loja

Esta era originalmente uma das muitas lojas localizadas no piso térreo da ínsula que dominava o pórtico. Cada uma tinha uma sala no fundo que servia como oficina ou depósito. Num canto, a base do suporte para uma escadaria da mesma fase que este edifício ainda é visível. O pavimento é composto por peças irregulares de mármore e é da época da transformação da residência no final do século III. A sala seguinte, conhecida como "Sala dos Gênios", era originalmente uma despensa.

Sala dos Gênios

O nome da Sala dos Gênios (em italiano: Stanza dei Geni) é uma referência aos gênios, uma espécie de espírito guardião que, segundo a mitologia romana, todas as pessoas e locais tinham. Ela foi envolvida nas transformações realizadas durante o século III e foi transformada de sua função original, despensa de uma loja, em uma sala elegante que levava a um pátio interno conhecido como ninfeu. Atualmente esta abertura está fechada pela parede da fundação da basílica. A parede do térreo e dos dois primeiros metros acima era decorada com um luxuoso revestimento de mármore em opus sectile incrustado que foi removido depois que as salas foram abandonadas. Ainda visível estão as marcas das lajes de mármore do piso original. No canto direito perto da entrada estão traços de uma moldura de mármore. A parte superior da parede conta com uma delicada decoração com temas da natureza disposta em dois registros distintos. No inferior, jovens figuras aladas nuas — os gênios — seguram guirlandas com frutas e flores do verão. No superior, uma cena da colheita de uvas no outono com putti. Estes elementos sugerem uma decoração inspirada pela troca das estações. Além disto há muito tipos de pássaros exóticos do norte da África representados.

Sala da Imitação de Mármore

A Sala da Imitação de Mármore (em italiano: Stanza dei Marmore Finiti) tem este nome por causa da colorida decoração pintada imitando um revestimento de mármore em opus sectile do século IV. Na parte superior da decoração há traços visíveis de temas da natureza. O ralo no canto é reminiscente do uso original da sala como oficina.

Sala da Orante

A Sala do Orante (em italiano: Stanza dell'Orante) é uma das mais impressionantes do complexo e seu nome é uma referência à "orante" ("aquela que adora"), uma das personagens representadas na decoração, que remonta ao século IV. Na parte inferior há painéis que imitam um trabalho em opus sectile de alabastro; sobre ele, um registro de folhas de acanto. A abóbada, apenas parcialmente preservada, nos permite entender o clima cultural da sociedade romana entre os séculos III e IV, quando elementos cristãos na decoração refletem a crescente popularidade do cristianismo. Ela está dividida em segmentos com pares alternados de bodes e cabras de cada lado de figuras masculinas, que podem ser interpretadas como sendo filósofos, segurando rolos nas mãos. Praticamente intacto é a famosa imagem de uma orante feminina que empresta seu nome à sala.

Sala do Deus Ápis e as Bacantes

A Sala do Deus Ápis e as Bacantes (em latim: Sala del Bue Api e Saltatrices) tem este nome por preservar na decoração do teto duas imagens pagãs, do deus Ápis e de duas bacantes. À esquerda, depois de uma pequena sala pintada com um falso trabalho isódomo, se chega a um conjunto de ambientes não caracterizados por revestimentos preciosos ou afrescos, provavelmente salas de serviço da casa.

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Fontes consultadas

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