Antipapa Bento XIII
O Antipapa Bento XIII, originalmente Pedro Martínez de Luna, conhecido como Papa Luna, foi uma figura central no Grande Cisma do Ocidente. Eleito em 1394 pelos cardeais de Avinhão, sua eleição visava suceder o Antipapa Clemente VII e, idealmente, resolver a divisão da Igreja Católica. Sua trajetória, no entanto, tornou-se complexa e controversa.
Pontos-chave
- Bento XIII, o Papa Luna, nasceu Pedro Martínez de Luna no reino de Aragão.
- Estudou direito e lecionou na Universidade de Montpellier, alcançando posições importantes na Igreja.
- Foi criado cardeal e participou de conclaves cruciais durante o Cisma do Ocidente.
- Eleito antipapa em 1394, prometeu abdicar para acabar com o cisma, mas depois recusou.
- Perdeu apoio de importantes reinos como a França, sendo até preso, mas conseguiu recuperar parte de seu poder.
Nascido em Illueca, Saragoça, Pedro Martínez de Luna pertencia a uma proeminente família feudal aragonesa. Sua linhagem o conectava a figuras influentes da época, como o cardeal Gil Álvarez de Albornoz. Sua formação acadêmica foi sólida, com doutorado em direito pela Universidade de Montpellier, onde posteriormente atuou como professor de direito canônico. Antes de sua eleição como antipapa, ocupou cargos eclesiásticos importantes, como cônego, arquidiácono e reitor em diferentes catedrais, além de ter recebido o subdiaconato em 1352.
Sob a proteção do Papa Gregório XI, Pedro de Luna foi elevado à posição de cardeal-diácono em 1375. Sua participação no conclave de 1378, que elegeu o Papa Urbano VI, foi marcada por turbulências. A personalidade difícil de Urbano VI o afastou do papa, e Luna foi o último cardeal a deixá-lo. Posteriormente, aderiu à obediência do antipapa Clemente VII, participando do conclave que o elegeu. Como legado no reino de Aragão, desempenhou um papel crucial ao garantir a adesão de Aragão, Castela, Navarra e Portugal à obediência de Avinhão. Também promoveu reformas na Universidade de Salamanca e presidiu sínodos.
Ordenado sacerdote e consagrado bispo em 1394, Bento XIII foi coroado em Avinhão. Durante seu pontificado, criou dezenove pseudocardeais. Uma das condições para sua eleição foi a promessa de abdicar, se necessário, para sanar o cisma. No entanto, Bento XIII quebrou essa promessa em 1395, recusando-se a colaborar com as negociações para o fim do cisma. Como consequência, a França retirou seu apoio em 1398, e Bento XIII foi preso em Avinhão. Em 1403, conseguiu fugir e retomar parte de sua influência. A perda do apoio francês levou Portugal e Navarra a deixarem de reconhecê-lo, restando-lhe apenas cinco cardeais leais. Seu papado passou a ser reconhecido apenas por Castela, Aragão, Sicília e Escócia.


