Pesquisa · Mapa mental

Filippo Brunelleschi

Filippo Brunelleschi foi um arquiteto, matemático, ourives e escultor renascentista. Filippo Brunelleschi nasceu em uma família de classe média de Florença; era filho de Giuliana Spini e Brunellesco di Lippo, um advogado. Seu pai tentou influenciá-lo a ser também advogado, mas Filippo preferiu a arte e arquitetura. Começou a vida como ourives e foi, posteriormente, um arquiteto, o pioneiro desta arte na Renascença. Entrou para a história ao concluir a Santa Maria del Fiore, em Florença, uma das primeiras catedrais em estilo renascentista.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 23/07/2026
01

Trajetória

Em 1419, iniciou obras encomendadas pela Arte da Seda no Hospital dos Inocentes, o primeiro edifício construído segundo os cânones clássicos. Era um orfanato e Brunelleschi desenhou um conjunto que retomava a tradição de outros hospitais, como o San Mateo (de finais do século XIV). A planta incluía um pórtico exterior na fachada, que dava acesso a um pátio quadrado ao qual se acedia por dois edifícios de base rectangular de dimensões iguais, respectivamente a igreja e casebre, isto é, o dormitório; e na meia-cave encontravam-se as salas da oficina e da escola. A construção começou em 19 de agosto de 1419, e os pagamentos documentam a presença de Brunelleschi no local da obra até final de 1427. A partir de 1427, quem assumiu a obra foi provavelmente Francesco della Luna. Os acréscimos e modificações ao projeto original de Brunelleschi são hoje difíceis de identificar, mas certamente existiram e foram significativos, como testemunha Antonio Manetti, que relata várias críticas do mestre aos percursores da obra.

Primeiros anos e formação

Filippo Brunelleschi era filho do notário Ser Brunellesco de Filippo Lapi e Giuliana Spini. Mais ou menos da mesma idade de Lorenzo Ghiberti (nascido em 1378) e Jacopo della Quercia (cerca de 1371-1374), cresceu numa família abastada que, no entanto, não tinha qualquer parentesco com os nobres florentinos Brunelleschi, que hoje ainda têm uma rua dedicada a eles no centro de Florença. O seu pai era um profissional leal e estimado, que era frequentemente encarregado a representar embaixadas, como em 1364, quando foi enviado a Viena para se encontrar com o imperador Carlos IV. A casa da família localizava-se no final da via Larga (hoje via Cavour) na hoje desaparecida Via degli Agli, onde viveu e trabalhou, perto da Igreja dos Santos Miguel e Gaetano em Florença

Primeiros trabalhos

No final do século, a sua aprendizagem poder-se-ia considerar completa. Em 1398, Filippo inscreve-se e presta juramento como ourives e em 1404, ingressa na Guilda da Seda. Entre 1400 e 1401, foi para Pistoia e entrou na oficina de Lunardo di Mazzeo e Piero di Giovanni da Pistoia para trabalhar na conclusão do altar de São Tiago, um precioso altar-relicário de prata que ainda está conservado na catedral de San Zeno, em Pistoia. Na cessão de contrato, datado de 1399, aparecia citado como "Pippo da Firenze", a quem lhe foi confiado algumas obras em particular. As estatuetas de Santo Agostinho e o Evangelista sentado (talvez São João) e dois bustos dentro de quadrilóbulos dos profetas Jeremias e Isaías (este último não está claramente identificado): são as suas primeiras obras conhecidas. Nestas primeiras obras podemos já constatar uma execução requintada, com uma estrutura corporal bem modelada e firme, que comunica com o espaço circundante através de gestos e torsões eloquentes.

Viagem a Roma (1402-1404)

Desiludido com o resultado da competição, aproveitando o momento de relativa tranquilidade política que durou desde a morte de Gian Galeazzo Visconti (1402) até à de Bonifácio IX (1404) com a entrada do rei Ladislau de Nápoles na cidade, em 1402, Brunelleschi foi a Roma estudar "os vestígios antigos", com Donatello, que na altura tinha apenas vinte anos, e com quem estabeleceu uma intensa amizade. A estadia romana foi fundamental para as manifestações artísticas de ambos. Aqui puderam observar os abundantes vestígios antigos, copiá-los e estudá-los em busca de inspiração. Vasari conta como os dois vaguearam pela cidade despovoada em busca de "pedaços de capitéis, colunas, molduras e bases de edifícios", começando a escavá-los quando os viam brotar do solo. A dupla foi chamada "a dos tesouros", uma vez que se pensava que estavam a escavar em busca de tesouros enterrados e, de facto, ocasionalmente encontravam materiais preciosos, como alguns camafeus ou pedras duras esculpidas ou mesmo um jarro cheio de medalhas. Em 1404, Donatello já tinha regressado a Florença para colaborar com Ghiberti na criação dos modelos de cera para a porta do batistério, enquanto Filippo ainda permanecia em Roma, pagando o seu alojamento com trabalhos esporádicos de ourivesaria. Entretanto, o seu interesse versava tanto na escultura como na arquitectura, dedicando-se, segundo Manetti, ao estudo dos edifícios romanos, tentando compreender os seus segredos e pormenores estruturais. Brunelleschi concentrou-se principalmente nas proporções dos edifícios e na recuperação de técnicas de construção antigas. Nos anos seguintes regressou a Florença, onde a sua presença está documentada, mas não de forma permanente porque é provável que tenha regressadi a Roma em diversas ocasiões.

Regresso a Florença (1404-1409)

A partir de 1404, foi consultado em Florença para assuntos artísticos importantes, primeiro a obra de Santa Maria del Fiore, para a qual prestou aconselhamento técnico, e modelos, como o de um contraforte (1404). Os anos da primeira década do século XV são descritos por biógrafos com diversas anedotas, como a do sarcófago romano visto na catedral de Cortona de Donatello, que Brunelleschi foi copiar, ou o da Novella del Grasso legnaiuolo (narrativa ou conto em que Brunelleschi arranca o cabelo a um marceneiro de alcunha Il Grasso (o Gordo), que por vergonha decidiu emigrar para Hungria seguindo Pippo Spano), e cujos biógrafos dataram de cerca de 1409.

A invenção da perspectiva linear (c. 1416)

Brunelleschi foi o inventor da perspectiva do ponto de fuga único, que foi o elemento mais típico e característico das representações artísticas do Renascimento florentino e italiano em geral. Durante a sua formação juvenil, teve certamente de lidar com noções de óptica, incluindo a perspectiva, que na época indicavam um método para calcular distâncias e comprimentos confrontando-o com as dimensões conhecidas. Talvez graças à sua amizade com Paolo dal Pozzo Toscanelli, Brunelleschi conseguiu alargar os seus conhecimentos, formulando até as regras da "perspectiva" geométrica linear-cêntrica tal como a entendemos hoje; é um método de representação para criar um mundo ilusionista aparentemente real.

O concurso para a cúpula de Santa Maria del Fiore (1418)

Já na primeira década do século XV, Brunelleschi recebeu encomendas da República de Florença para a construção ou renovação de fortificações, como as de Staggia (1431) ou Vicopisano, que são os mais bem conservados da sua arquitetura militar. Pouco depois começou a estudar o problema da cúpula de Santa Maria del Fiore, que foi a obra exemplar da sua vida, onde também existem intuições que mais tarde se concretizaram em obras futuras. Brunelleschi foi também várias vezes consultado sobre a construção da Sé: em 1404 com a encomenda final de um contraforte, em 1410 para o fornecimento de tijolos, e em 1417 para "obras à volta da cúpula" não especificadas. Entretanto, entre 1410 e 1413 foi construído o tambor octogonal, com treze metros de altura a partir do tecto da nave principal, com nada menos de 42 metros de largura e com paredes de quatro metros de espessura , o que complicou ainda mais o projeto original de Arnolfo di Cambio. Uma cúpula deste tamanho nunca tinha sido erguida desde a época do Panteão e as técnicas tradicionais, com estadas e Cimbras, pareciam impraticáveis ​​devido à altura e largura do buraco que deveria ser tapado. Nenhuma variedade de madeira poderia suportar o peso de um telhado tão grande, mesmo temporariamente, até que a cúpula fosse fechada pela lanterna.

02

O cenógrafo

— Vasari, As Vidas dos Mais Excelentes Pintores, Escultores e Arquitectos, edição de 1550. (traduzido) Segundo Giorgio Vasari, Brunelleschi foi o inventor do maquinismo cénico para a reencenação anual da Anunciação realizada na San Felice na Piazza e, de acordo com atribuições mais recentes, foi responsável, directamente ou através de colaboradores do seu círculo, como il Cecca, pelo "ingegni" cénico para a Ascensão, comemorado todos os anos em Santa Maria del Carmine, e pela famosa anunciação viva encenada em 1439, talvez na Santissima Annunziata ou em São Marco, por ocasião do Concílio de Florença. Testemunha ocular destas duas últimas apresentações foi o prelado ortodoxo Abraham de Souzdal que, tendo vindo na comitiva do Metropolitano de Kiev, deixou uma descrição detalhada em eslavo antigo. A Anunciação de 1439, por exemplo, apresentava a passagem de um anjo ao longo de toda a nave da igreja, suspenso acima dos espectadores. Corria por uma corda que ia da "tribuna do Empíreo", por cima do portal da igreja onde se encontrava a representação do Pai Eterno, até ao cimo da divisória, onde se encontrava Maria numa cela. Depois de dar o anúncio, regressava em direção ao Empíreo, alternando com um fogo de artifício vindo em sentido contrário e representando o Espírito Santo. O efeito cenográfico destas representações sobrevive ainda hoje na celebração pascal da explosão da carroça onde a colombina, suspensa por cabos, atravessa rapidamente a Catedral de Florença, desde a carroça colocada no cemitério até ao altar-mor e vice-versa.

03

Características de Brunelleschi

Conhecemos a aparência de Filippo Brunelleschi através de vários retratos. Temos ainda a máscara funerária de estuque branco que, retirada imediatamente após a sua morte, se conserva hoje no Museo dell'Opera del Duomo. Buggiano inspirou-se nela para esculpir o busto "clipeado" que ainda hoje se encontra na parede da nave esquerda da Catedral de Florença. O mestre é retratado sem as ferramentas típicas do ofício de arquiteto (compasso, desenhos de projeto), para sublinhar a sua superioridade intelectual em relação à prática artesanal, como também indica o epitáfio abaixo em latim, ditado por Carlo Marsuppini. Os seus restos mortais, descobertos em 1972, testemunham a sua baixa estatura e constituição frágil, confirmando a descrição de Vasari, que o recorda como "magro em pessoa". A cabeça era grande, acima da média, e a partir dos retratos foram reconstruídos o crânio calvo, as orelhas pronunciadas, o nariz largo e os lábios finos.

Vídeos recomendados

Fontes consultadas

Continue pesquisando