História do Irão
A história do Irão (português europeu) ou Irã (português brasileiro) registra os acontecimentos históricos no território correspondente aos atuais Irã, Afeganistão, Tadjiquistão, Uzbequistão, Azerbaijão e outras áreas vizinhas, ao longo de um período de tempo que começa com as primeiras civilizações pré-arianas, perpassa os Império iranianos e prossegue até os dias atuais, com a República Islâmica do Irã. Em suas diversas formas, trata-se de uma das mais antigas entre as grandes civilizações de existência contínua.
Antes dos persas
Os mais antigo sítios arqueológicos do Irão são encontrados no Kashafrud e Ganj Par. Anteriormente aos aquemênidas, o planalto Iraniano era ocupado pelo Elão (cerca de 2 700 a.C. - 539 a.C.), cuja capital era a cidade de Ansã e, posteriormente, Susa. Elão conviveu com o reino Jiroft - estabelecido no que são hoje as províncias orientais do Irã, enquanto que os elamitas controlavam a porção ocidental, na região da Cordilheira de Zagros - e posteriormente sucedeu-o, estendendo-se pelo planalto Iraniano. A cultura elamita desempenhou um papel essencial no posterior Império Persa, durante o período aquemênida, que manteve a língua elamita como idioma oficial. A civilização elamita é tradicionalmente considerada o ponto inicial da história do Império Persa.
Império Aquemênida (648-330 a.C.)
O princípio do primeiro milênio a.C. testemunhou a segunda grande invasão do planalto Iraniano por tribos indo-arianas provenientes da Transoxiana e do Cáucaso, entre as quais os medos e os persas. O primeiro registro a respeito dos persas vem de uma inscrição assíria de c. 844 a.C., que se refere aos parsu (Parsuash, Parsumash), localizando-os na área do lago Úrmia, juntamente com outro grupo, estes os madai (medos). Os medos fixaram-se no norte do planalto Iraniano (Ecbátana, atual Hamadã), e os persas, até então nômades, estabeleceram-se ao sul, em Parsa (atual província iraniana de Fars) e na cidade de Ansã, onde Teispes (reg. c. 675-640), filho de Aquêmenes (semilendário, c. 700-675), teria fundado um novo reino, intitulando-se "rei da cidade de Ansã". Sucederam a Teispes Ciro I e Cambises I. Este último casou-se com a neta do líder medo Ciaxares e foi pai de Ciro II. O reino de Ansã, tributário dos medos, continuou a usar o elamita como idioma oficial por algum tempo, embora a dinastia governante falasse persa, uma língua indo-europeia. A posterior expansão do reino da cidade de Ansã resultaria na criação do Império Persa.
Pérsia helenística (330-150 a.C.)
Os últimos anos da dinastia aquemênida foram marcados pela decadência. O maior império da antiguidade desmoronou em apenas oito anos, quando atacado por um jovem rei macedônio, que a história viria a chamar de Alexandre, o Grande. A decadência da Pérsia ficou evidente para os gregos em 401 a.C., quando o sátrapa de Sardes contratou 10 000 mercenários gregos para ajudá-lo a reivindicar o trono imperial, o que demonstrava a instabilidade política e a fraqueza militar dos aquemênidas. Filipe II da Macedônia, governante da maior parte da Grécia, e seu filho Alexandre decidiram aproveitar esta fraqueza. Após a morte de Filipe, Alexandre invadiu a Pérsia, desembarcando seu exército na Ásia Menor em 334 a.C. Suas tropas rapidamente tomaram a Lídia, a Fenícia e o Egito, derrotaram as forças de Dario III em Isso e por fim capturaram a capital persa de Susa. O último foco de resistência aquemênida foi nas proximidades do palácio real em Persépolis. O Império Persa estava enfim nas mãos dos gregos.
A Pérsia sob os partas (150 a.C. - 226 d.C.)
A Pártia era uma região ao norte da Pérsia, no que é hoje o nordeste do Irã. Seus governantes, a dinastia arsácida, pertenciam a uma tribo iraniana que havia se instalado na área na época de Alexandre, o Grande. Declararam-se independentes dos selêucidas em 238 a.C., mas somente lograram expandir-se às custas do Império Persa após a ascensão de Mitrídates I ao trono parto, em c. de 170 a.C. Anexaram várias regiões na fronteira leste, conquistaram a Babilônia e a Média e, por fim, vencem Antíoco VII em 130 a.C., tomando dos selêucidas todos os seus domínios a leste do Eufrates. O Império Parta estendia-se, então, desde o Eufrates até quase o Indo, com numerosos reinos vassalos.
A Pérsia sassânida (226-650)
Durante o domínio parta, a Pérsia era apenas uma província de um império extenso e descentralizado. O então rei da Pérsia, Artaxes I, chefiou uma rebelião contra o governo imperial da Pártia. Em dois anos, tornou-se o xá de um novo Império Persa. A dinastia sassânida (cujo nome vem do bisavô de Artaxes I) foi a primeira dinastia reinante verdadeiramente persa desde a era dos aquemênidas. Considerava-se, pois, como a sucessora de Dario I e Ciro II. Empreenderam uma política agressivamente expansionista, recuperando a maior parte do território oriental que o Império Cuchana havia tomado no período parta. Os sassânidas continuaram a guerrear contra Roma. Um exército persa chegou a capturar o imperador romano Valeriano, em 260 d.C.
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Pérsia e Islã (650-1219)
A rápida expansão do califado árabe coincidiu com o caos causado pelo fim da dinastia sassãnida. A maior parte do país foi conquistada de 643 a 650. A conquista da Pérsia pelos exércitos árabes islâmicos marcou a transição para a Pérsia medieval. Isdigerdes III, último xá, morreu dez anos após perder o seu império para o califado. Tentou recuperar algo do que havia perdido, com o auxílio dos turcos e dos tártaros, mas estes foram facilmente derrotados pelos muçulmanos. Este império árabe, governado pela dinastia Omíada, foi o maior Estado da história até aquele momento, estendendo-se desde a Península Ibérica até o rio Indo, e do mar de Aral até a ponta sul da Península Arábica. Os Omíadas serviram-se dos sistemas administrativos persa e bizantino e transferiram a capital para Damasco, no centro de seu império. A dinastia reinaria sobre a Pérsia por cem anos.
A Pérsia sob o domínio turco (1037–1219)
O mundo islâmico foi abalado em 1037 pela invasão dos turcos seljúcidas, vindos de nordeste. Estes criaram um enorme império no Oriente Médio que deu continuidade ao florescimento da cultura islâmica medieval: construiu-se a Mesquita da Sexta-Feira em Ispaão; Omar Caiame, o poeta persa mais famoso de todos os tempos, escreveu nos Rubaiyat a sua poesia de amor. No início do século XIII, os seljúcidas perderam o controle da Pérsia para outro grupo turco, proveniente da Corásmia, próximo ao mar de Aral. Os xás do Império Corásmio governaram por pouco tempo, pois viram-se defronte ao mais temido conquistador da história: Gêngis Cã.
A Pérsia sob os mongóis e seus sucessores (1219-1500)
Em 1218, Gêngis Cã enviou embaixadores e comerciantes à cidade de Otrar, no nordeste do reino corásmio. Como o governador de Otrar os mandou executar, Gêngis Cã saqueou a cidade e avançou sobre Samarcanda e outras cidades da região, destruindo e matando. O neto de Gêngis, Hulagu Cã, completou a conquista do Império Corásmio, tomando Bagdá (e matando o último califa abácida) e a maior parte do restante do Oriente Médio no período entre 1255 e 1258. A Pérsia tornou-se um Ilcanato (província) do vasto Império Mongol. Com a conversão do ilcã Gazã ao islamismo em 1295, este renunciou aos laços com o o Imperador Chengzong da China da dinastia Yuan, que havia sucedido seu pai Cublai como Grande Cã. Os ilcãs promoveram as artes e o conhecimento na melhor tradição da Pérsia islâmica.
Os Safávidas: um novo Império Persa (1500-1722)
A dinastia safávida era proveniente da cidade de Ardabil, na região do Azerbaijão. O xá safávida Ismail I derrubou o governo dos turcomenos da Ovelha Branca e fundou um novo Império Persa - o primeiro com uma dinastia local em 800 anos. Embora os primeiros governantes safávidas falassem uma língua turcomana, as gerações seguintes adotaram o persa, o que permitiu à identidade persa florescer mais uma vez. O período safávida é visto pelos historiadores como uma ponte entre a antiga Pérsia e o Irã moderno, devido à adoção da denominação xiita do islamismo e à renascença cultural e política empreendidas pela dinastia reinante. Ismail expandiu as fronteiras da Pérsia de modo a incluir todo o território dos atuais Azerbaijão, Irã e Iraque, bem como grande parte do Afeganistão. A expansão foi detida pelo Império Otomano na batalha de Chaldiran, em 1514. Os conflitos com os otomanos se tornariam comuns no período safávida.
A Pérsia e a Europa (1722-1799)
Em 1722, o Estado safávida desmoronou. Aquele ano assistiu à primeira invasão europeia da Pérsia desde o tempo de Alexandre: Pedro, o Grande, imperador da Rússia, invadiu o noroeste do país numa tentativa de controlar a Ásia Central. Para piorar a situação, forças otomanas acompanhavam os russos, o que permitiu o cerco bem-sucedido de Ispaão. O país logrou opor-se à invasão; nem os russos, nem os turcos ganharam território às expensas da Pérsia. Entretanto, os safávidas foram seriamente enfraquecidos e, naquele ano, os seus súditos afegãos iniciaram uma rebelião sangrenta, em reação às tentativas de convertê-los à denominação xiita pela força. O último xá safávida foi executado, o que pôs fim à dinastia.
Expansão Europeia (1779-1914)
O atual Irã estava despreparado para a expansão mundial dos impérios coloniais europeus no fim do século XVIII e ao longo do XIX. Sob a dinastia Cajar (1779-1925), a Pérsia recuperou uma relativa estabilidade, mas sem esperanças de competir com as novas potências industriais da Europa. A Pérsia viu-se espremida entre os cadas vez maiores impérios russo na Ásia Central e britânico na Índia. Cada um destes tirou do Irã territórios que se tornariam Barém, Azerbaijão, Quirguistão, Turcomenistão, Tajiquistão, Uzbequistão e partes do Afeganistão. Embora a Pérsia não tenha sido invadida diretamente, aos poucos tornou-se economicamente dependente da Europa. A Convenção Anglo-Russa de 1907 formalizou as esferas de influência da Rússia e do Reino Unido sobre o norte e o sul do país, respectivamente, onde a potência colonial detinha a decisão final em assuntos econômicos.
A Pérsia na Primeira Guerra Mundial (1914-1918)
O atual Irã foi envolvido na Primeira Guerra Mundial devido a sua posição estratégica entre o Afeganistão e os conflitantes impérios otomano, russo e britânico. Em 1914, o Reino Unido enviou uma força militar à Mesopotâmia para negar aos otomanos o acesso aos campos de petróleo persas. O Império Alemão retaliou em nome de seu aliado, ao espalhar o rumor de que o cáiser Guilherme II havia se convertido ao islamismo, e infiltrou agentes na Pérsia para atacar os campos petrolíferos e provocar uma jiade contra o governo britânico na Índia. A maioria destes agentes alemães foi capturada por tropas persas, britânicas ou russas que patrulhavam a fronteira afegã, e a rebelião perdeu força. Seguiu-se uma tentativa alemã de sequestrar o xá Amade Xá Cajar, envolvendo os seus guarda-costas, frustrada na undécima hora.
O Irã após a Primeira Guerra (1919-1935)
Após a guerra, o norte do Irã foi ocupado pelo general britânico William Edmund Ironside com o objetivo de garantir os termos do armistício turco e auxiliar o general Dunsterville e o coronel Bicherakhov na contenção da influência bolchevique. O Reino Unido também assumiu de maneira mais efetiva o controle sobre os lucrativos campos petrolíferos. Entre 1921 e 1925, um oficial do exército persa, Reza Câ, tomou o poder das mãos dos cajares e estabeleceu a nova dinastia Pahlavi, passando a chamar-se Reza Xá Pahlavi. Reza Xá transformou a Pérsia num país urbano, por meio da adoção de diversos projetos de desenvolvimento, industrialização, educação, infraestrutura (inclusive ferrovias), saúde e educação. Surgiram uma classe média profissional e uma classe operária industrial. O poder foi fortemente centralizado no monarca.
O Irã na Segunda Guerra Mundial
Em 1941, durante a Segunda Guerra Mundial, o Irã foi invadido por dois países que naquela época eram considerados grandes potências mundiais, a Inglaterra e a União Soviética. Estes, ao se apoderar de parte dos recursos petrolíferos do Irã, fizeram o "xá" (título iraniano) abdicar em nome do seu filho: Mohammad Reza Pahlavi, ao ver que ele poderia ser um governante que lhes seria mais favorável. Em 1953, após a nacionalização da Anglo-American Oil Company (Em inglês, Companhia de Óleo Anglo-Americana), um conflito entre o xá e o primeiro-ministro Mohammed Mossadegh (no poder de 1951 - 1953) levou à deposição e prisão deste ministro.
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O reinado do xá Pahlavi tornou-se progressivamente ditatorial, especialmente no final dos anos 1970. Com o apoio da Inglaterra e dos Estados Unidos, Reza Pahlavi continuou a modernizar o país, mas insistia em oprimir a oposição do clero xiita e dos defensores da democracia. Os problemas econômicos, agravados pela queda do preço do petróleo, trouxeram à tona as divergências entre os aiatolás. A ala mais moderada - os chamados "pragmáticos" - pregavam o abandono da política isolacionista e a aproximação com o Ocidente, visando obter recursos para desenvolver o país. A corrente radical opunha-se às influências externas. O predomínio dos radicais expressou-se na sentença de morte decretada pelo aiatolá Khomeini, em 20 de fevereiro de 1989, contra o escritor anglo-indiano Salman Rushdie, cujo livro, "Versos Satânicos", foi considerado ofensivo ao Islã. Com a morte de Khomeini, em 3 de junho de 1989, houve favorecimento dos pragmáticos. Um líder religioso moderado, Ali Hashemi Rafsanjani, foi eleito presidente. Entrou em choque com Ali Khamenei, aiatolá radical escolhido por Khomeini para sucedê-lo. Apoiado por uma Assembleia de Sábios, Khamenei mostrou força ao renovar, em 1990, a sentença de morte contra Rushdie. Rafsanjani, de sua parte, fecha contratos para investimentos alemães, franceses e ingleses. Rafsanjani foi reeleito presidente em 13 de junho de 1993, com 63% dos votos, e prometeu manter a abertura para o exterior, principalmente na área econômica.
Era Pahlavi
Mohamed Reza Pahlavi procurou modernizar rapidamente o país, através de sua chamada "Revolução Branca". Em 1963, uma campanha de modernização incluiu a reforma agrária e o direito de voto às mulheres, ao mesmo tempo em que procurava laicizar a sociedade iraniana inclusive através de medidas coercitivas. A oposição era tratada com dureza por seu governo de caráter ditatorial, sustentado por considerável poderio militar e apoiado por sucessivos governos dos Estados Unidos da América. Os laços militares com os Estados Unidos aprofundaram-se em 1971, quando os norte-americanos concederam ao Irã crédito para a compra de armas no valor de US$ 1 bilhão. Entretanto a aliança com o Ocidente não impediu o governo iraniano de assumir o controle da indústria petrolífera nem de aderir ao embargo decretado pela OPEP em 1973.
Rompimento com o Reino Unido
Em 1953, o intenso nacionalismo levou o país a conflitos com os interesses do Reino Unido, em consequência da decisão do parlamento iraniano, sob o primeiro-ministro Mohammad Mosaddeq, de nacionalizar as companhias petrolíferas estrangeiras, quase todas britânicas. O Irã rompeu, então, relações diplomáticas com o Reino Unido. A União Soviética apoiou o Irã e começou a comprar seu petróleo para compensar o boicote decretado pelos países ocidentais. A crise atingiu o ápice em agosto de 1953, com a deposição de Mosaddeq por um golpe militar realizado com a ajuda do serviço secreto do Reino Unido e dos Estados Unidos. O xá Reza Pahlevi, que havia fugido do país, retornou e assumiu poderes ditatoriais. Mosaddeq foi preso.
Revolução islâmica
Em 1979 ocorreu a revolução islâmica, na qual as diversas correntes de oposição ao xá (esquerdistas, liberais e muçulmanos tradicionalistas) uniram-se sob a liderança do aiatolá Ruhollah Khomeini, exilado na França. O governo não conseguiu controlar a insurreição e, em janeiro de 1979, o xá Reza Pahlevi fugiu do país. O poder foi transferido ao primeiro-ministro Shapur Bakhtiar. As Forças Armadas aderiram aos revoltosos. Khomeini regressou triunfalmente a Teerã em 1 de fevereiro de 1979 e, dez dias depois, assumiu o poder, com a renúncia e fuga de Bakhtiar. Em 1 de abril, o Irã foi declarado oficialmente uma república islâmica, cuja autoridade suprema é um chefe religioso (o próprio Khomeini). Para a chefia executiva do governo foi eleito presidente da República, em janeiro de 1980, Abolhasan Bani-Sadr, um dos líderes da oposição laica ao governo do xá. Os chefes da polícia política do xá (a Savak) foram executados.
Invasão da embaixada americana em Teerã
Em 4 de novembro de 1979, um grupo de militantes islâmicos ocupou a embaixada dos Estados Unidos em Teerã e tomou 64 norte-americanos como reféns. O governo iraniano apoiou a ocupação da embaixada e fez várias exigências, entre as quais a extradição do xá, que na ocasião estava nos EUA. O governo norte-americano congelou os bens iranianos no país. Em abril de 1980, os EUA empreenderam uma fracassada incursão militar em território iraniano para tentar libertar os reféns. O impasse não se resolveu nem mesmo com a morte do xá, em 27 de julho de 1980, no Egito. Os reféns norte-americanos foram libertados somente em janeiro de 1981, depois de um acordo para a devolução dos bens do Irã nos EUA.
Guerra Irã-Iraque
Em 1980, o país entrou em guerra com o Iraque, cujo governo havia ocupado áreas em litígio às margens do Chatt El-Arab. O conflito causou grande destruição em ambos os países e foi encerrado apenas em 1988. As fronteiras, objeto da disputa, permaneceram inalteradas. Estima-se que morreram 400 mil iranianos e 300 mil iraquianos.
A instabilidade política
A Revolução Islâmica logo degenerou numa luta pelo poder em que se confrontaram os aiatolás, partidários da instalação de um regime teocrático, e as forças civis, defensoras da separação entre Estado e Mesquita. Em julho de 1981 ocorreram combates entre a Guarda Revolucionária, milícia ligada aos aiatolás, e os Combatentes do Povo (mujahedin), de esquerda. O presidente Bani-Sadr, que se havia aliado aos mujahedin, foi destituído pelo Parlamento e se exilou na França. Os mujahedin tentaram uma insurreição e foram esmagados num conflito em que morreram 13 mil pessoas. Os rebeldes reagiram com uma campanha terrorista na qual foram assassinadas altas autoridades. Em 1983, a repressão atingiu o Partido Comunista (Tudeh), com o qual o regime de Khomeini convivia pacificamente. Os principais dirigentes comunistas foram presos e o partido foi declarado ilegal.


