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Nazismo

Nazismo, oficialmente nacional-socialismo, é uma ideologia associada a Adolf Hitler e ao Partido Nazista na Alemanha Nazi. Durante a ascensão de Hitler ao poder era frequentemente referido como hitlerismo. O termo relacionado "neonazismo" é aplicado a outros grupos de extrema-direita com ideias semelhantes que se formaram após o colapso do regime nazista.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 08/07/2026
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Etimologia

O nome completo do partido era Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei (em português: Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães) e oficialmente usavam a sigla NSDAP. O termo "nazista" já era usado antes do surgimento do NSDAP como uma palavra coloquial e depreciativa para um fazendeiro ou camponês retrógrado, caracterizando uma pessoa desajeitada. Nesse sentido, a palavra nazista era um hipocorístico do nome masculino alemão Igna(t)z (em si uma variação do nome Inácio). Igna(t)z era um nome comum na época na Baviera, a área de onde o NSDAP surgiu. Na década de 1920, oponentes políticos do NSDAP no movimento trabalhista alemão aproveitaram isso. Usando o termo "Sozi" para Sozialist por exemplo eles abreviaram o nome do NSDAP, Nationalsozialistische, para desdenhoso "Nazi", a fim de associá-los ao uso depreciativo do termo mencionado acima. O primeiro uso do termo "nazista" pelos nacional-socialistas ocorreu em 1926 em uma publicação de Joseph Goebbels chamada Der Nazi-Sozi ("O Nazi-Sozi"). No panfleto de Goebbels, a palavra "nazista" só aparece quando associada à palavra "Sozi" como uma abreviatura de "nacional-socialismo".

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Posição no espectro político

A grande maioria dos estudiosos identifica o nazismo, na prática, como uma expressão da extrema-direita. Entre os temas tipicamente defendidos pela extrema-direita incluídos no nazismo está o argumento de que pessoas "superiores" têm o direito de dominar outros indivíduos e que a sociedade deve expurgar elementos supostamente "inferiores" (vide darwinismo social, antissemitismo e racismo científico). Adolf Hitler e outros membros do partido descreviam oficialmente o movimento nazista como não sendo nem de esquerda e nem de direita, mas sincrético. Em Mein Kampf, Hitler atacava diretamente tanto os políticos de esquerda quanto os da direita na Alemanha, dizendo: Hoje nossos políticos de esquerda, em particular, estão constantemente a insistir que sua política externa covarde e obsequiosa resulta necessariamente no desarmamento da Alemanha, ao passo que a verdade é que esta é a política de traidores [...] Mas os políticos de direita merecem exatamente a mesma reprovação. Foi através de sua miserável covardia que esses rufiões de judeus que chegaram ao poder em 1918 foram capazes de roubar a nação de nossos braços.

Relação com o fascismo

O termo "nazismo" é frequentemente usado como sinônimo de "fascismo". Ao passo que o nazismo incorporou elementos estilísticos do fascismo, as semelhanças principais entre os dois foram o nacionalismo, o irredentismo territorial e a teoria econômica. O nazismo pode ser considerado uma forma extrema de fascismo, muitas vezes chamado de nazifascismo e também pode ser encarado como um subconjunto do fascismo. Ao mesmo tempo que o fascismo é uma ideologia antiliberal e antissocialista que defende a supremacia do Estado e o interesse da coletividade em detrimento dos direitos e vontades individuais, o Nazismo acredita que o povo é a realidade fundamental e que Estado (no caso o alemão) seria responsável por unificar e expandir a comunidade racial germânica.

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História

Origens

O filólogo Victor Klemperer associou as origens e os valores do nazismo provêm ao movimento romântico do início do século XIX. Segundo ele, tudo o que caracteriza o nazismo estava contido no Romantismo: a deposição da razão, a animalização do homem e a idealização do pensamento de poder. O escritor Max Blechman acreditava que existiam duas vertentes do romantismo: a revolucionária (inicial) e a conservadora (que surgiu por último). Também de acordo com Blechman, muitos pensadores nazistas usaram ideias do romantismo para tentar fortalecer o nazismo politicamente. Esses pensadores tentaram fazer o romantismo ser compatível com a doutrina nacional-socialista separando este em duas vertentes, assim como Blechman. A primeira delas era considerada subjetiva, antiga e decadente; a outra, associada ao romantismo alemão, era considerada objetiva e chegou a ser chamada de "Verdadeiro Romantismo".

Derrota da Alemanha na Primeira Guerra Mundial e consequências

Nas palavras de Karl Dietrich Bracher: "o nazismo, como Hitler, foi o produto da Primeira Guerra Mundial, porém, recebeu sua forma e sua força daqueles problemas básicos da história alemã moderna que caracterizaram a difícil caminhada do movimento democrático". Em 1917, a Alemanha havia derrotado a Rússia, que se retirou da guerra em meio à Revolução Bolchevique. Em 1918, tem início na Alemanha uma série de rebeliões populares, de trabalhadores e soldados, que, inspirados na Revolução Russa de 1917, pretendiam derrubar o governo e acabar com a guerra (ver: Revolução Alemã de 1918-1919). Os movimentos mais fortes eram justamente os socialistas, organizados pelo grupo chamado de Liga Espartaquista, liderados por Rosa Luxemburgo, que havia convivido com Lenin quando este morou na Alemanha.

O Programa de 25 pontos do NSDAP

O "Programa de 25 Pontos", oficialmente "Programa de 25 Pontos do Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães" (em alemão: Das 25-Punkte-Programm der Nationalsozialistischen Deutschen Arbeiterpartei) é o nome dado ao programa político do Partido dos Trabalhadores Alemães (DAP), tal como foi proclamado em 24 de fevereiro de 1920, em Munique, por Adolf Hitler. O programa foi aprovado por uma audiência de duas mil pessoas (segundo a descrição de Hitler em Mein Kampf), na Hofbräuhaus, uma das maiores cervejarias da cidade. Em 8 de agosto do mesmo ano, o DAP passou a se chamar Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alemães, mantendo o mesmo programa.

Holocausto

Holocausto é o nome geralmente utilizado para se referir tanto ao genocídio praticado pela Alemanha Nazista durante a Segunda Guerra Mundial quanto ao somatório de políticas antissemitas praticadas pelo Terceiro Reich entre 1933-1945. O termo "Holocausto", que originalmente veio da palavra grega romanizada holokauston (em grego: ὁλόκαυστος), foi histórica e inicialmente usado para designar uma oferta um sacrifício ao deuses (ou uma oferta de sacrifício dos judeus), na qual a vítima era queimada em um altar. O vocábulo é utilizado desde a década de 1980 para se referir ao assassinato de mais de dez milhões de pessoas, que vitimou principalmente os judeus.[nota 2]

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Base filosófica

A essência do nazismo: totalitarismo e racismo

A essência do fascismo e do nazismo está no totalitarismo, especificamente na noção de controle totalitário, ou seja, na ideia de que o Estado e, em última instância, o chefe de Estado (no caso da Alemanha, o Führer), deveria controlar tudo e todos. Para isso, a homogeneização da sociedade é fundamental (ver: Gleichschaltung). As formas de controle social em regimes totalitários geralmente envolvem o uso e a exacerbação do medo a um grau extremo. Todos passam a vigiar a todos e todos se sentem vigiados e intimidados. Cada indivíduo passa a ser cooperador do Führer no processo de construção de uma sociedade "homogênea". Nesse processo de homogeneização totalitária, os inúmeros festivais, atividades cívicas, como as mobilização das massas nas ruas, foram determinantes.

O papel da ideologia da superioridade racial no nazismo

De acordo com o livro Mein Kampf ("Minha Luta"), Hitler desenvolveu as suas teorias políticas pela observação cuidadosa das políticas do Império Austro-Húngaro. Ele nasceu como cidadão do Império e acreditava que a sua diversidade étnica e linguística o enfraquecera. Também via a democracia como "um canal através do qual o bolchevismo permite que seus venenos fluam para os diferentes países e trabalhe lá por tempo suficiente para que essas infecções conduzam a um enfraquecimento da inteligência e da força de resistência". O nazismo defende que uma nação é a máxima criação de uma raça. Consequentemente, as grandes nações (literalmente, nações grandes) seriam a criação de grandes raças. A teoria diz que as grandes nações alcançam tal nível devido aos seus poderios militar e intelectual e que estes, por sua vez, se originam em culturas racionais e civilizadas, que, por sua vez ainda, são criadas por raças com boa saúde natural e traços agressivos, inteligentes e corajosos.

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Economia

Os nazistas chegaram ao poder em meio à Grande Depressão, quando a taxa de desemprego alemã da época estava perto de 30%. De um modo geral, os teóricos e políticos nazistas atribuíram as falhas econômicas anteriores da Alemanha a causas políticas, como a influência do marxismo na força de trabalho, as maquinações sinistras e exploradoras do que eles chamaram de judaísmo internacional e as demandas de reparação de guerra dos líderes políticos ocidentais. Em vez dos incentivos econômicos tradicionais, os nazistas ofereceram soluções de natureza política, como a eliminação dos sindicatos organizados, o rearmamento (em violação do Tratado de Versalhes) e a política biológica. Vários programas de trabalho destinados a estabelecer o pleno emprego para a população alemã foram instituídos assim que os nazistas tomaram todo o poder nacional. Hitler encorajou projetos com apoio nacional, como a construção do sistema de rodovias Autobahn, a introdução de um carro popular acessível (Fusca) e, mais tarde, os nazistas fortaleceram a economia por meio dos negócios e empregos gerados pelo rearmamento militar. Os nazistas se beneficiaram no início da existência do regime com a primeira recuperação econômica pós-Depressão, e isso combinado com seus projetos de obras públicas, programa de aquisição de empregos e programa de conserto de casa subsidiado, reduziu o desemprego em até quarenta por cento em um ano. Esse desenvolvimento temperou o clima psicológico desfavorável causado pela crise econômica anterior e encorajou os alemães a marcharem em sintonia com o regime. As políticas econômicas dos nazistas foram, em muitos aspectos, uma continuação das políticas do Partido Nacional do Povo Alemão, um partido nacional-conservador e parceiro de coalizão nazista. Enquanto outros países capitalistas ocidentais se esforçaram para aumentar a propriedade estatal da indústria durante o mesmo período, os nazistas transferiram a propriedade pública e serviços públicos para o setor privado. Foi uma política intencional com objetivos múltiplos, em vez de ideologicamente orientada, e foi usada como uma ferramenta para aumentar o apoio das massas ao governo nazista e ao partido.

O antiliberalismo nazista

Os nazistas acreditavam que o capitalismo de livre mercado causava danos às nações pelo controle das finanças internacionais, pelo domínio econômico das grandes empresas e pela influência dos judeus. Cartazes de propaganda nazista, nos bairros de classe trabalhadora, possuíam elementos que associavam a ideologia ao anticapitalismo. Em um deles, estava escrito: "Manter um sistema industrial podre não tem nada a ver com nacionalismo. Eu posso amar a Alemanha e odiar o capitalismo". Hitler expressava, tanto em público como em privado, um profundo desprezo pelo capitalismo, acusando-o de tomar como reféns as nações para beneficiar os interesses de uma classe rentista de "parasitas cosmopolitas". Ele era contra a economia de mercado e a busca desenfreada do lucro e queria uma economia que respeitasse o interesse público. Não confiava no capitalismo e preferiu uma economia planificada. Hitler declarou em 1934, em um quadro do partido, que "o sistema econômico contemporâneo fora criação dos judeus".

O anticomunismo nazista

Os nazistas alegavam que o comunismo era perigoso para o bem-estar das nações por causa de sua intenção de dissolver a propriedade privada, por apoiar a luta de classes, sua agressão contra a classe média, sua hostilidade para com os pequenos empresários, e seu ateísmo. O nazismo rejeitava o conceito de luta de classes e também o igualitarismo, favorecendo uma economia estratificada, com as classes sociais definidas tendo por base critérios raciais e, em teoria, o mérito e o talento, mantendo propriedade privada, bem como criando uma espécie de solidariedade nacional que transcenderia a distinção de classe.Ao longo da década de 1920, Hitler apelou às diferentes facções nazistas para que se unissem em oposição ao "bolchevismo judeu". Hitler afirmava que os "três vícios" do "judeu marxista" foram a democracia, o pacifismo e internacionalismo. Em 1930, Adolf Hitler disse: "… Nosso termo adotado "socialista" não tem nada a ver com o socialismo marxista, Marxismo é antipropriedade; enquanto o verdadeiro socialismo não é!". Em conversas particulares datadas de 1942, Hitler afirmou: "Eu absolutamente insisto em proteger a propriedade privada; … nós devemos incentivar a iniciativa privada". Nos últimos anos da década de 30 e início dos anos 40, os grupos e regimes anticomunistas que apoiaram o nazismo incluíam a Falange Espanhola; o Regime Vichy na França e; na Grã-Bretanha foram apoiados por Lord Halifax, Cliveden Set, pela União Britânica de Fascistas de Sir Oswald Mosley, e por associados de Neville Chamberlain.

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Nazismo e religião

Relação com o Cristianismo

O historiador Laurence Rees, procurou analisar a relação entre o Cristianismo e o pensamento de Hitler no livro O Carisma de Adolf Hitler. Rees chegou a conclusão de que este procurou fortalecer o seu movimento associando-o, de forma oportunista, com a doutrina cristã. Ele diz que Hitler, com o passar dos anos, mudou a ênfase que dava para os preceitos tradicionais cristãos para uma ideia pouco precisa de "Providência" que, mesmo não se sabendo quem ou o que esta seria, muitos cristãos alemães associavam ao Cristianismo. Hitler também chegou a dar diversas declarações abertamente anticristãs em conversas privadas; em uma delas, ele chegou a dizer que o cristianismo teria sido a "religião errada" para a Alemanha, e em outra que ele era "uma invenção de cérebros doentes". Porém, mesmo que a visão de que Hitler era anticristão seja forte, o movimento nazista era bastante heterogêneo quanto ao cristianismo. Ao mesmo tempo que houve diversos líderes nazistas abertamente contrários a ele, tais como: Joseph Goebbels, Martin Bormann, Alfred Rosenberg e Heinrich Himmler; também existiram outros que eram favoráveis, como Erich Koch por exemplo.

Nazismo e paganismo

Foi por intermédio do nazismo que se deu no século XX a mais importante manifestação do paganismo. Uma denuncia da componente pagã do nazismo surgiu nos Estados Unidos, em 1934, logo após a vitória eleitoral e a subida ao poder de Adolf Hitler, como o livro "Nazismo: um assalto à civilização". Nesse livro, chamava-se a atenção para algo que se considerava inquietante: no dia 30 de julho de 1933, mais de cem mil nazistas tinham-se reunido em Eisenach para declarar querer tornar "a origem germânica a realidade divina", restaurando Odin, Baldur, Freia e os outros deuses teutônicos nos altares da Alemanha — Wotan deveria estar no lugar de Deus, Siegfried no lugar de Cristo.

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Neonazismo

Definição

O Neonazismo é a ideologia que faz o resgate de elementos do nazismo e surgiu após a Segunda Guerra Mundial. O neonazismo surgiu na Europa dentro das alas radicais de organizações de direita e foi formado por antigos nazistas que sobreviveram à derrota do nazismo em 1945. Essa ideologia proliferou-se com o tempo em muitos grupos e associações, que atuavam na clandestinidade, mas também adentrou na política profissional com a formação de partidos que aglomeravam os neonazistas. Após a reunificação alemã em 1990, ganharam ainda mais seguidores. Esses partidos utilizavam uma linguagem mais branda para mascarar a influência nazista. Esse movimento, adere ao negacionismo do holocausto dizendo que é "exagerado dizer que morreram mais de seis milhões de judeus em câmaras de gás". Alguns não negam o holocausto mas tentam justificá-lo falando de "sabotagens e terrorismos por parte dos judeus". Os principais revivalistas desse movimento são: George Lincoln Rockwell, Savitri Devi, Francis Parker Yockey, William Pierce, Eddy Morrison e David Myatt.

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Uso do termo

O termo "nazista" (no português do Brasil), ou "nazi" (no português europeu), é frequentemente utilizado para criticar grupos de pessoas que, de acordo com quem faz a crítica, tentam impor soluções impopulares ou extremistas à população em geral ou poderiam cometer crimes e outros tipos de violações sobre terceiros sem mostrar remorso. Esse tipo de crítica fez com que o filósofo Leo Strauss formasse, em 1951, a expressão Reductio ad Hitlerum.[nota 4] Ela é usada para designar uma estratégia argumentativa falaciosa que funciona da seguinte forma: quando ocorre uma discussão ou debate, um dos grupos envolvidos tenta desqualificar os argumentos do grupo oponente associando qualquer um dos dois alvos da estratégia (argumento ou grupo que o faz) ao nazismo, criando uma ideia de que uma opinião seria errada somente porque o nazismo ou Adolf Hitler consideravam essa opinião correta e vice-versa. Um exemplo do uso de Reductio ad Hitlerum é a seguinte sentença: "Os nazistas eram conservadores, então o conservadorismo é errado". Essa tática, muitas vezes, não é vista com bons olhos, pois acredita-se que o seu uso frequente tem como consequência a relativização e a banalização do Holocausto.

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Fontes consultadas

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