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Antártida

Antártida ou Antártica (ver questão do nome) é o mais meridional e o segundo menor dos continentes, com uma superfície de 14 milhões de quilômetros quadrados. Rodeia o polo Sul, e por esse motivo está quase completamente coberta por enormes geleiras (glaciares), exceção feita a algumas zonas de elevado aclive nas cadeias montanhosas e à extremidade norte da península Antártica. Sua formação se deu pela separação do antigo supercontinente Gondwana há aproximadamente 100 milhões de anos e seu resfriamento aconteceu nos últimos 35 milhões de anos.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 22/06/2026
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Toponímia

O topônimo Antártica tem sua origem no latim tardio antarctĭcus que, por sua vez, deriva do grego antigo ανταρκτικός, que significa, literalmente, "oposto ao Ártico" (antiártico). Todavia, convencionalmente adotou-se a forma Antártida, tanto em Portugal como no Brasil, mesmo que contraditória quanto à origem etimológica do topônimo. Uma explicação possível seria a analogia com a mítica Atlântida, algo que ocorre da mesma forma em castelhano, em que também convivem as duas formas, Antártida e Antártica, sendo a primeira de uso mais difundido. Em francês também se alternam as formas Antarctique e Antarctide, enquanto na língua italiana usa-se Antartide, também cunhada sobre o modelo de Atlantide (Atlântida). Em Portugal, Antárctida era a forma mais usual antes do Acordo Ortográfico de 1990 (atualmente Antártida), embora a forma Antártica também tenha uso. No Brasil, era preferida a forma Antártida até meados da década de 1970, quando a forma Antártica passou a ganhar força após ser usada em obras acadêmicas sobre o continente, como o livro Rumo à Antártica da geógrafa Teresinha de Castro, publicado em 1976.

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História

Como não há povos nativos da Antártida, a sua história é a da sua exploração. É muito provável que os povos de regiões próximas ao continente tenham sido os primeiros a explorá-lo: os povos Aush da Terra do Fogo, por exemplo, falam sobre o "país do gelo" e um chefe māori de nome Ui-Te-Rangiora teria atingido a região em 650 d.C.. No entanto, esses povos não deixaram vestígios de sua presença. As primeiras expedições documentadas começam no século XVI. Américo Vespúcio relatou o registro visual de terras a 52°S. Várias expedições aproximaram-se gradativamente do continente sem, no entanto, ter-se a certeza de que se tratava realmente de um continente ou de um conjunto de ilhas, até às expedições de James Cook, o primeiro a circum-navegá-lo entre 1772 e 1775 sem o avistar, devido à névoa e aos icebergs. A primeira pessoa que avistou o continente Antártico foi o explorador russo Fabian Gottlieb Thaddeus von Bellingshausen em 28 de janeiro de 1820.

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Geografia

A maior parte do continente austral está localizada ao sul do Círculo Polar Antártico e circundada pelo oceano Antártico. É a massa de terra mais meridional e compreende mais de 14 milhões de quilômetros quadrados, tornando-se o quinto maior continente. Sua costa mede 17 968 quilômetros e é caracterizada por formações de gelo, como mostra a tabela: Fisicamente, ela é dividida em duas partes pelos montes Transantárticos perto do estreitamento entre o mar de Ross e o mar de Weddell: a Antártida Oriental, ou Maior, e a Antártida Ocidental, ou Menor, porque correspondem aproximadamente aos hemisférios ocidental e oriental em relação ao meridiano de Greenwich. Aproximadamente 98% da Antártida está coberta por um manto de gelo, que possui em média dois quilômetros de espessura, sendo 4 776 metros sua espessura máxima. Essa cobertura de gelo tem um volume estimado em 25,4 milhões de quilômetros cúbicos, contendo 70% de toda a água doce do planeta sendo assim o continente de maior altitude média. O gelo advindo do manto forma barreiras que se estendem para além da costa, conhecidas como plataformas de gelo, a maior das quais é a de Ross (com 800 km de largura e estendendo-se por 1 000 km em direção ao polo Sul). Os icebergs são blocos de gelo flutuante formados pela neve, desprendidos das geleiras ou das plataformas de gelo. Embora a maior parte da massa continental da Antártida se encontre acima do nível do mar, uma grande parte da pequena Antárctica Ocidental encontra-se abaixo do nível do mar.

Clima

A Antártida é o continente mais frio e seco da Terra, um grande deserto. A precipitação média anual fica entre 30 e 70 mm. Devido à influência das correntes marítimas, as zonas costeiras apresentam temperaturas mais amenas, com uma média anual de -10 °C (atingindo valores entre 10 °C no verão e -40 °C no inverno). Por outro lado, no interior do continente, a média anual é -30 °C, com temperaturas variando entre -30 °C no verão até abaixo de -80 °C no inverno. A menor temperatura do mundo, -93,2 °C, foi registrada entre Domo Argurs e Domo Fuji no dia 10 de agosto de 2010. No entanto, estima-se que seja a Cordilheira A (ou Ridge A) seja o local mais frio da superfície terrestre, que fica localizada nas seguintes coordenadas: 81° 30′ S, 73° 30′ L.

Flora

As principais dificuldades para o crescimento dos vegetais na Antártida são os fortes ventos, a curta espessura do solo e a limitada quantidade de luz solar durante o inverno austral. Por isso, a variedade de espécies de plantas na superfície é limitada a plantas "inferiores", como musgos e hepáticas. Além disso há uma comunidade autotrófica, formada por protistas. A flora continental consiste em líquens, briófitas, algas e fungos. O crescimento e a reprodução ocorrem geralmente no verão. Há mais de 200 espécies de líquens e aproximadamente 50 espécies de briófitas, tais como musgos. No continente existem 700 espécies de algas, a maioria das quais forma o fitoplâncton. Diatomáceas e algas da neve, algas microscópicas que crescem na neve e no gelo dando-lhes coloração, são abundantes nas regiões costeiras durante o verão. Há ainda duas espécies de plantas que florescem e são encontradas na Península Antártica.

Fauna

O krill é muito importante para a maior parte das teias alimentares, servindo de alimento para lulas, baleias, focas, como a foca-leopardo, pinguins e outras aves. As aves mais comuns são os pinguins, os albatrozes e os petréis. No entanto, somente 13 espécies fazem seus ninhos em terra firme, geralmente no litoral, e partem para regiões mais quentes no inverno. Enquanto todas as demais migram, duas espécies de pinguim permanecem e migram para o interior: o pinguim-imperador, a maior espécie, e o pinguim-de-adélia. Por volta de abril, machos e fêmeas dos pinguins-imperador migram cem quilômetros para o sul, as fêmeas voltam para o litoral para se alimentar, só voltando em julho e os machos se agrupam para se aquecerem.

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Geologia

Há mais de 100 milhões de anos a Antártida fazia parte da Gondwana. Ao longo do tempo, a Gondwana dividiu-se e a Antártida como é conhecida hoje formou-se por volta de há 25 a 23 milhões de anos, ao se separar da América do Sul e tornar-se totalmente circundada pelo oceano Antártico.

Paleozoico

No período Cambriano, há entre 540 e 250 milhões de anos, o clima na Gondwana era ameno. A Antártida Ocidental estava parcialmente no Hemisfério Norte, e durante este período grandes quantidades de arenito, calcário e xisto foram depositados. A Antártida Oriental estava no Equador, onde invertebrados e trilobitas floresciam no fundo dos mares tropicais. Por volta do início do período Devoniano (416 milhões de anos) a Gondwana estava em latitudes mais ao sul e o clima era mais frio, embora sejam conhecidos fósseis de plantas deste período. Areia e siltes assentaram-se no que são agora os montes Ellsworth, Horlick e Pensacola. A glaciação começou no fim do período Devoniano (360 milhões de anos) movendo-se em direção ao polo Sul e o clima esfriou, embora ainda houvesse flora. Durante o período Permiano, pteridófitas que cresciam em pântanos dominavam a paisagem. Com o tempo estes pântanos transformaram-se em depósitos de carvão nos montes Transantárticos. Um aquecimento contínuo ao fim do Permiano tornou o clima quente e seco na maior parte da Gondwana.

Mesozoico

Como resultado do aquecimento contínuo, há entre 250 e 65 milhões de anos, a cobertura de gelo polar derreteu e grande parte da Gondwana transformou-se em um deserto. Na Antártida Oriental pteridospermatophytas, espécie de pteridófita atualmente extinta, tornaram-se comuns, e grandes quantidades de arenito e de xisto assentaram-se. A península Antártica começou a se formar durante o período Jurássico (há entre 206 e 146 milhões de anos), e as ilhas subantárticas emergiram gradualmente do oceano. Nogueiras-do-japão e cicadáceas eram abundantes durante este período, bem como répteis. No período Cretáceo (há entre 146 e 65 milhões de anos), a Antártida Ocidental foi dominada por florestas de coníferas, embora notofagáceas tenham começado a dominar no fim deste período. Amonites eram comuns nos mares em torno da Antártida, e também havia dinossauros, embora somente quatro espécies antárticas tenham sido encontradas até agora (Cryolophosaurus e Glacialisaurus do Jurássico, Antarctopelta e Trinisaura do Cretáceo). Foi durante esse período que a Gondwana começou a separar-se. A Antártica abrigava florestas tropicais, há quase 90 milhões de anos. O solo da floresta descoberto no período Cretáceo, a 900 km do Polo Sul, os pesquisadores descobriram que os níveis de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera eram mais altos do que o esperado durante o período intermediário do Cretáceo, há 115-80 milhões de anos, desafiando modelos climáticos do período.

Divisão da Gondwana

A África separou-se da Antártida por volta de há 160 milhões de anos, seguida pelo subcontinente indiano no início do Cretáceo (aproximadamente há 125 milhões de anos). Há 65 milhões de anos, a Antártica (ainda conectada à Austrália) tinha um clima entre tropical e subtropical, somado a uma fauna de marsupiais. Há 40 milhões de anos, o continente australiano, então unido à atual ilha da Nova Guiné separou-se da Antártida e o gelo começou a aparecer. Por volta de há 23 milhões de anos, o surgimento da passagem de Drake entre a Antártida e a América do Sul resultou no aparecimento da Corrente Circumpolar Antártica. O gelo propagou-se, substituindo as florestas que cobriam o continente. O continente está coberto de gelo desde há 15 milhões de anos.

Geologia atual

Os estudos geológicos da Antártida foram dificultados por quase todo o continente ser coberto permanentemente por uma grossa camada de gelo. Entretanto, novas técnicas como o sensoriamento remoto (deteção remota) começaram a revelar as estruturas por debaixo do gelo. Geologicamente, a Antártida Ocidental assemelha-se aos Andes. A península Antártica foi formada pela elevação e metamorfismo de sedimentos do leito do mar durante o final da era Mesozoica. Esta elevação de sedimentos foi acompanhada de intrusões ígneas e vulcanismo. As rochas mais comuns na Antártida Ocidental são o andesito e o riolito formadas durante o período Jurássico. Há evidências de vulcanismo, mesmo depois da formação do manto de gelo, na Terra de Marie Byrd e na Ilha Alexandre I. A única área atípica da Antártida Ocidental é a dos montes Ellsworth, a região onde a estratigrafia é mais parecida com a da parte oriental do continente.

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Demografia

Embora a Antártida não tenha residentes permanentes, alguns governos mantêm estações de pesquisa permanentes por todo o continente. A população de cientistas no continente e nas ilhas subantárticas varia de aproximadamente quatro mil no verão a mil no inverno. Muitas das estações de pesquisa mantêm pessoal durante todo o ano. Os primeiros habitantes semipermanentes das áreas subantárticas eram marinheiros da Inglaterra e Estados Unidos que costumavam passar um ano ou mais na Geórgia do Sul, desde 1786. Durante a era da caça à baleia, que durou até 1966, a população da ilha variava de mil no verão (ou dois mil em alguns anos) a duzentas no inverno. A maioria dos baleeiros era norueguesa, com crescente proporção de britânicos. Os povoados incluíam Grytviken, Leith Harbour, Ponto Rei Eduardo, Stromness Harbour, Husvik Harbour, Prince Olav Harbour, Ocean Harbour e Godthul. Os administradores e outros oficiais encarregues das estações baleeiras muitas vezes viviam junto com suas famílias. Entre eles estava o fundador de Grytviken, o capitão Carl Anton Larsen, um importante baleeiro norueguês e explorador que adotou a cidadania britânica em 1910 junto com a família. No entanto, após o fim da caça às baleias na década de 1960, a população reduziu-se drasticamente para menos de cem pessoas.

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Política

Como único continente desabitado, a Antártida não tem nenhum governo e não pertence a nenhum país. Vários países reivindicam áreas, mas estas reivindicações não são reconhecidas por outros. A área entre os meridianos 90° O e 150° O é a única parte da Antártida e da Terra não reivindicada por nenhum país. O Tratado da Antártida é o documento assinado em 1 de dezembro de 1959 pelos países que reclamavam a posse de partes do continente da Antártida, em que se comprometem a suspender suas pretensões por período indefinido, permitindo a liberdade de exploração científica do continente, em regime de cooperação internacional. Desde 1959, as reivindicações na Antártida estão suspensas e o continente é considerado politicamente neutro. Sua situação é regulada pelo Tratado da Antártida e por outros acordos relacionados, chamados em seu conjunto de Sistema do Tratado da Antártida. Para as finalidades do Sistema de Tratados, a Antártida é definida como toda a terra e plataformas de gelo em torno do paralelo 60° S. O tratado foi assinado por 12 países, incluindo a União Soviética e os Estados Unidos, e transformou o continente numa área de preservação científica, estabeleceu a liberdade de investigação científica, a proteção ambiental e baniu exercícios militares no continente. Este foi o primeiro acordo para o controlo de armas estabelecido durante a Guerra Fria.

Reivindicações territoriais

Os seguintes países possuem reivindicações territoriais na Antártida. As reivindicações argentina, britânica e chilena sobrepõem-se. A Austrália tem a maior reivindicação de território na Antártida (42% do continente). Os Estados Unidos e a Rússia não reconhecem nenhuma reivindicação territorial na Antártida, reservando-se o direito de fazer suas próprias reivindicações. Nenhuma das reivindicações antárticas é reconhecida pela comunidade internacional. Nos termos do Artigo IV do Tratado da Antártida, que regula as atividades humanas ao sul do paralelo 60°S, nenhuma atividade durante a vigência do Tratado pode ser considerada reconhecimento, reforço ou negação das reivindicações territoriais.

Países com bases na Antártida

Hoje, 29 países possuem bases científicas na Antártida: África do Sul, Alemanha, Argentina, Austrália, Brasil, Bélgica, Bulgária, Chile, República Popular da China, Coreia do Sul, Equador, Espanha, Estados Unidos, Federação Russa, Finlândia, França, Índia, Itália, Japão, Nova Zelândia, Noruega, Peru, Polônia, Reino Unido, República Checa, Romênia, Suécia, Ucrânia e Uruguai.

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Economia

Ainda que o carvão, os hidrocarbonetos, o minério de ferro, a platina, o cobre, o crômio, o níquel, ouro e outros minerais tenham sido encontrados, eles existem em quantidades pequenas demais para a exploração. O Protocolo de Proteção Ambiental para o Tratado da Antártida (ou Protocolo de Madri) de 1991 também restringe disputas por recursos. Em 1998 estabeleceu-se um compromisso pela proibição da mineração por 50 anos até o ano 2048, e decidiram-se desenvolvimento econômico e exploração mais limitados. A atividade primária básica é a captura e comércio de peixe. A pesca entre 2000 e 2001 chegou a 112 934 toneladas. O turismo em pequena escala existe desde 1957 e é atualmente autorregulado pela Associação Internacional das Operadoras de Turismo Antártico (IAATO, em inglês). Entretanto, nem todas as embarcações uniram-se à IAATO. Muitos navios transportam pessoas para locais turísticos específicos. Um total de 27 950 turistas visitou a Antártida no verão de 2004 a 2005, quase todos vindos de navios comerciais. Esse número deverá aumentar para 80 mil em 2010.

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Infraestrutura

Comunicação

As comunicações na Antártida já foram dificultadas pelo isolamento do continente, mas no presente as comunicações por satélite possibilitam a conversação de cientistas com suas famílias pela internet. Embora não haja cabos telefónicos para o continente, os telefones via satélite também são utilizados e os telefones convencionais são utilizados para comunicações internas nas bases, aviões e navios da região. Há pelo menos uma estação de televisão transmitindo no continente, para a Estação McMurdo dos Estados Unidos, além de estações de rádio, AM e FM, e de comunicação através de ondas curtas como o radioamadorismo. O correio chega à Antártida através de helicópteros e navios.

Transportes

Os transportes na Antártida evoluíram desde os trenós puxados por cães na época de Shackleton (o uso de cães foi banido pelo Protocolo de Madri, retirados definitivamente do continente em 1994) aos veículos motorizados atuais. Os meios de transporte em áreas remotas como a Antártida têm que lidar com as baixas temperaturas e os fortes ventos para garantir a segurança dos passageiros. Devido à fragilidade do ecossistema antártico, poucos deslocamentos podem ser feitos e a utilização de transportes sustentáveis é necessária para minimizar os efeitos no espaço ecológico. A infraestrutura em água, solo e ar precisa ser segura. Presentemente, milhares de turistas e cientistas utilizam o sistema de transportes da Antártida.

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Pesquisas

Anualmente, cientistas de 29 nações conduzem experimentos de reprodução impossível em outros lugares do mundo. No verão mais de quatro mil cientistas operam estações de pesquisa e este número diminui para quase mil no inverno. A estação McMurdo é capaz de abrigar mais de mil cientistas, visitantes e turistas. Entre os cientistas, incluem-se biólogos, geólogos, oceanógrafos, físicos, astrônomos, glaciólogos e meteorologistas. Geólogos estudam em geral o tectonismo das placas na região antártica, meteoritos do espaço e vestígios do período da divisão da Gondwana; mais de nove mil fragmentos de meteoritos já foram recolhidos na Antártida, dentre eles um meteorito de 4 mil milhões de anos que, aparentemente, se desprendeu de Marte. Glaciólogos ocupam-se com o estudo da história e da dinâmica do gelo flutuante, da neve, das geleiras, e dos mantos de gelo. Já os biólogos, além de estudar os animais selvagens, estão interessados em como as baixas temperaturas e a presença dos seres humanos afetam a sobrevivência de uma grande variedade de espécies. Médicos fizeram descobertas a respeito da propagação de viroses e da resposta do corpo às temperaturas extremas. Astrofísicos da Estação Pólo Sul Amundsen-Scott podem estudar o céu e a radiação cósmica de fundo em micro-ondas por causa do buraco na camada de ozônio e do ambiente seco. O gelo antártico serve como meio de proteção para o maior telescópio de detecção de neutrinos do mundo, construído dois quilômetros abaixo da estação Amundsen-Scott.

Meteoritos

Os meteoritos que caem na Antártida são uma importante área de estudo do material formado no início do sistema solar, acredita-se que a maioria são originários de asteroides, mas alguns podem ter se originado de planetas maiores. Os primeiros meteoritos foram encontrados em 1912. Em 1969, uma expedição japonesa descobriu nove meteoritos. A maioria desses meteoritos caíram sobre o manto de gelo nos últimos milhões de anos. O movimento do manto de gelo concentra os meteoritos em locais inacessíveis, tais como cadeias de montanhas, com a erosão do vento trazendo-os para a superfície depois de séculos sob a neve acumulada. Em comparação com meteoritos recolhidos em regiões mais temperadas da Terra, os meteoritos antárticos são mais bem preservados.

Erupção vulcânica

Em janeiro de 2008, cientistas da British Antarctic Survey (BAS), liderados por Hugh Corr e David Vaughan, relataram (na revista Nature Geoscience) que há 2 200 anos um vulcão entrou em erupção sob o manto de gelo da Antártida (com base no levantamento aéreo com imagens de radar). A maior erupção na Antártida nos últimos 10 000 anos, as cinzas vulcânicas foram encontradas depositadas na superfície de gelo sob as montanhas Hudson, perto do Glaciar de Pine Island.

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Problemas ambientais

Depleção do ozônio

A cada ano uma grande área de baixa concentração de ozônio ou "buraco de ozônio" cresce sobre a Antártida. Este buraco abrange todo o continente. Em 2008 houve o mais duradouro registro do buraco, que se manteve até o final de dezembro. O buraco foi detectado por cientistas em 1985 e tendeu a aumentar ao longo dos seguintes anos de observação. O buraco de ozônio é atribuído à emissão de clorofluorcarbonetos, ou CFCs, para a atmosfera, que decompõem a camada de ozônio em outros gases. Alguns estudos científicos sugerem que a depleção do ozônio pode ter um papel preponderante nas mudanças climáticas recentes na Antártida (e uma área maior do Hemisfério Sul). O ozônio absorve grandes quantidades de radiação ultravioleta na estratosfera. A depleção do ozônio sobre a Antártida pode causar um resfriamento de cerca de 6 °C na estratosfera local. Esse resfriamento tem o efeito de intensificar o fluxo de ventos de oeste de todo o continente (o vórtice polar) e, portanto, impede saída do ar frio próximo ao polo sul. Como resultado, a massa continental da camada de gelo do leste da Antártida recebe temperaturas mais baixas, e as áreas periféricas da Antártida, em especial na península Antártica, está sujeita a temperaturas mais elevadas, que promovem acelerado derretimento. Os modelos recentes também sugerem que o esgotamento de ozônio/efeito vórtice polar reforçado também explica o aumento recente no gelo do mar perto da praia do continente. No entanto, o problema tem se reduzido ao passar dos anos, devido a proibição de produtos com CFC.

Efeitos do aquecimento global

Algumas partes da Antártida estão se aquecendo, um aquecimento particularmente forte foi notado na península Antártica. Um estudo realizado por Eric Steig publicado em 2009 observou pela primeira vez que a tendência da temperatura média da superfície da Antártida é ligeiramente positiva em > 0,05 °C por década entre 1957 e 2006. Este estudo também observou que a Antártida Ocidental foi aquecida em mais de 0,1 °C por década nos últimos 50 anos e esse aquecimento é mais acentuado no inverno e na primavera. Isto é em parte compensado pela queda do resfriamento na Antártida Oriental. Há evidências de um estudo que a Antártida está se aquecendo como resultado das emissões humanas de dióxido de carbono. No entanto, a pequena quantidade de aquecimento da superfície na Antártida Ocidental não afeta diretamente a contribuição do manto de gelo da Antárctida Ocidental para o nível do mar. Em vez disso, acredita-se que os recentes aumentos no degelo glacial ocorreram devido a um influxo de água quente do oceano, ao largo da plataforma continental. A contribuição ao nível do mar a partir da península Antártica é mais provável que seja um resultado direto de um aquecimento maior da atmosfera nessa região.

Gás metano

Pela primeira vez, os cientistas detectaram um vazamento ativo de gás metano, um gás de efeito estufa com 25 vezes mais potencial de aquecimento do que o dióxido de carbono. Enquanto vazamentos submarinos de metano foram detectados anteriormente em todo o mundo, os micróbios ajudam a manter esse vazamento sob controle devorando o gás antes que muito possa escapar para a atmosfera. O vazamento - localizado a cerca de 10 metros abaixo da superfície do Mar de Ross, perto da Plataforma de Gelo Ross do sul da Antártida - foi descoberto por acaso quando mergulhadores civis nadaram em 2011. O estudo mostrou que os micróbios que consomem metano levaram aproximadamente cinco anos para responder ao vazamento na Antártica e, mesmo assim, não consumiram o gás completamente. O vazamento subaquático quase certamente fez com que o gás metano penetrasse na atmosfera nesses cinco anos - um fenômeno que os modelos climáticos até 2020 não levam em conta ao prever a extensão do futuro aquecimento atmosférico.

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Fontes consultadas

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