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Anorexia nervosa

Anorexia nervosa, muitas vezes referida simplesmente como anorexia, é um distúrbio alimentar caracterizado por peso abaixo do normal, receio de ganhar peso, uma vontade intensa de ser magro e restrições alimentares. Muitas pessoas com anorexia veem-se a si próprias com sobrepeso, apesar de na realidade apresentarem baixo peso. Ao serem confrontadas, geralmente negam existir um problema de baixo peso. Em muitos casos pesam-se frequentemente, ingerem pequenas quantidades de alimentos e comem apenas determinados alimentos. Algumas realizam exercício de forma excessiva, forçam o vómito ou ingerem laxantes para perder peso. Entre as complicações da doença estão, entre outras, osteoporose, infertilidade e problemas cardíacos.. As mulheres muitas vezes deixam de ter períodos menstruais.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 26/06/2026
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História

Rudolph Bell comparou formas religiosas de jejum extremo, que descreveu em mulheres posteriormente canonizadas, como Catarina de Siena, com a anorexia nervosa moderna. Outros evitam essa equiparação e descrevem as transformações do jejum extremo no processo de secularização. Outros autores salientam a importância, do ponto de vista do diagnóstico diferencial, do medo do excesso de peso apesar do peso abaixo do normal, descrito pela primeira vez na segunda metade do século XIX por Jean Martin Charcot e outros psiquiatras franceses em pacientes que praticavam jejum extremo, e datam o início da anorexia apenas a partir desse período. Por outro lado, alguns autores anglo-saxónicos consideram uma casuística do médico inglês Richard Morton, de 1689, como uma das primeiras descrições médicas. . O inglês William Gull e o francês Ernest-Charles Lasègue são amplamente considerados os dois autores que deram início ao estudo da anorexia nervosa no século XIX. William Gull publicou em 1868 três relatos de caso ainda sob a designação de anorexia histerica. Nesse contexto, concentrou-se na descrição de alterações somáticas (físicas). Ernest-Charles Lasègue descreveu em 1873, com base em oito casos, a ‘'Anorexia histérica’' como um quadro clínico uniforme. Ao fazê-lo, Lasègue distinguiu os sintomas do jejum extremo, salientando a hiperatividade e a falta de consciência da doença por parte dos doentes. Lasègue distinguiu esses sintomas do jejum extremo, salientando a hiperatividade e a falta de consciência da doença por parte dos doentes. Ambos os autores salientaram a relação psicogénica da doença.

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Causas

No caso dos jovens adolescentes de ambos os sexos, poderá estar ligada a problemas de autoimagem, dismorfia, dificuldade em ser aceito pelo grupo, ou em lidar com a sexualidade genital emergente, especialmente se houver um quadro neurótico (particularmente do tipo obsessivo-compulsivo) ou história de abuso sexual ou de bullying. Tem sido enfatizada, em debates populares, a importância da mídia para o desenvolvimento de desordens como anorexia e bulimia, por alegadamente promover ela uma identificação da beleza com padrões físicos de magreza acentuada. Qualquer papel a ser exercido pela cultura de massa na promoção dessas desordens, no entanto, está ainda para ser demonstrado. Na busca da etiologia de perturbações da saúde mental, inclusive da anorexia nervosa, comumente são procuradas causas de ordem intrapsíquico, ambiental e genético. Até agora, os seguintes fatos têm emergido na busca das causas desse transtorno:

Anorexia e bulimia

Uma pessoa anoréxica não pode ser, ao mesmo tempo, bulímica. O diagnóstico de um anula o outro, embora seja possível que uma pessoa com antigo quadro anoréxico venha a desenvolver um quadro posterior de bulimia. A anorexia está mais associada a traços ansiosos e obsessivos como perfeccionismo, enquanto a bulimia está associada a traços depressivos e baixa autoestima. Em Portugal, a prevalência foi de 4 em cada 1000 habitantes (0,4%), sendo mais comum aos 19 anos, mas com 12,5% da população apresentando mais de dois sintomas de anorexia e 7% possuindo uma autoimagem corporal distorcida. Esse índice é menor do que o de outros países desenvolvidos, mas ainda bastante sério pelo alto risco de mortalidade (5 a 20%) da doença.

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Diagnóstico

Imagem: by Janine · BY-NC-ND · Openverse

Durante os exames, é importante descartar primeiro outras possíveis causas para a perda de peso, como problemas endócrinológicos, intestinais ou de outros transtornos psicológicos. Na lista de exames médicos utilizados para diagnosticar a anorexia estão: Além disso, existe uma série de testes psicológicos associados a entrevistas com um psicólogo para identificar o caso e os transtornos que poderam estar associados ao caso do paciente.

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Tratamento

Deve-se ter duas vertentes, a não farmacológica e a farmacológica. Entretanto deve-se ter em mente a importância de uma relação médico-paciente satisfatória, uma vez que a negação do tratamento pelo paciente é comum. Dependendo da gravidade da situação do paciente, pode-se recorrer ao internamento para o devido restabelecimento da saúde. A correção de possíveis alterações metabólicas e a estruturação de um plano alimentar bem definido são peças fundamentais para o tratamento.

Tratamento farmacológico

Os medicamentos usados no tratamento da depressão e da ansiedade como fluoxetina e topiramato têm mostrado resultados aceitáveis no tratamento de transtornos alimentares, provavelmente por minimizarem os pensamentos obsessivos e compulsivos, a baixa autoestima, a instabilidade e o stress que frequentemente estão associados ao quadro de anorexia. Outra opção é a olanzapina, remédio para transtorno bipolar pelo seu efeito como estabilizante de humor. Em relação à abordagem farmacológica, têm-se utilizado principalmente os antidepressivos, mesmo que seja uma área que careça de muitos resultados satisfatórios tendo em vista a multicausalidade da doença e a resistência dos pacientes. Desta forma, é importante a existência de uma abordagem multidisciplinar, apoio da família e aderência do paciente ao tratamento. É comum os pacientes abandonarem os medicamentos que os façam reter líquidos e/ou aumentem o apetite, e tais são efeitos colaterais possíveis para grande parte dos remédios psiquiátricos. Antidepressivos e estabilizantes de humor podem também ter o efeito contrário do desejado pelo paciente, causando perda do apetite e de massa corporal, agravando ainda mais a anorexia ao invés de ajudar.

Psicoterapia

Dentre as psicoterapias mais eficientes estão a terapia cognitivo comportamental e psicoterapia familiar.

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Prognóstico

Imagem: matt666 · BY-NC · Openverse

Mesmo com tratamento, cerca de 30% dos pacientes voltam a desenvolver anorexia em menos de 5 anos. Mesmo nesses casos o tratamento é útil para melhorar a saúde geral de 76% dos pacientes. Em 42 pesquisas, cerca de 6% dos pacientes com anorexia morreram antes da conclusão dos estudos em decorrência de problemas relacionados ao o desequilíbrio na quantidade de eletrólitos em sangue (sódio, potássio, cloro e cálcio) e nas células, causando arritmias cardíacas.

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