Jeffrey Dahmer
Jeffrey Lionel Dahmer foi um assassino em série americano. Assassinou dezessete homens e garotos, entre 1978 e 1991, a maioria entre os anos de 1989 e 1991. Seus crimes eram particularmente hediondos, envolvendo estupro, necrofilia e canibalismo.
Imagem: Chicago Crime Scenes · BY-NC · Openverse
Dahmer nasceu em Milwaukee, Wisconsin, no dia 21 de maio de 1960, filho de Lionel e Joyce Dahmer. Sua família por parte de pai tinha ascendência alemã e galesa, enquanto sua mãe era descendente de noruegueses e irlandeses. Quando ainda era criança, seus pais se mudaram com ele para Bath, Ohio, onde estudou na Revere High School. Lá, jogava tênis e tocava clarinete. Dahmer foi inicialmente descrito como uma criança "enérgica e feliz" mas seu temperamento mudou quando passou por uma cirurgia de hérnia inguinal, pouco antes do seu aniversário de quatro anos. Paralelo a isso, o casamento dos seus pais se deteriorou, com as brigas e gritarias se tornando frequentes ao longo dos anos. Assim, conforme foi crescendo, passou a se tornar um solitário e sem receber muito afeto em casa, com seu pai ocupado com suas conquistas acadêmicas e sua mãe sofrendo com várias doenças que a tornaram viciada em remédios. Em 1970, aos 10 anos, Dahmer perguntou ao seu pai Lionel o que aconteceria se ossos de galinha, que eles estavam comendo no jantar, fossem banhados em alvejante. Lionel, acreditando que isso era apenas uma curiosidade normal de criança, demonstrou como usar alvejante e outros produtos químicos e preservar com segurança ossos de animais. Dahmer incorporaria essas técnicas para preservar os ossos de suas vítimas no futuro.
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1987 a 1989
Em 20 de novembro 1987, Dahmer — que na época ainda morava com a avó em West Allis — se encontrou com Steven Tuomi, um rapaz de 25 anos natural de Ontonagon, Michigan, em um bar e o persuadiu a retornar com ele para o Hotel Ambassador, em Milwaukee, onde havia alugado um quarto para a noite. De acordo com Dahmer, ele não tinha intenção de o matar, mas simplesmente de o drogar e violar. Na manhã seguinte, ao acordar, Dahmer encontrou Tuomi abaixo dele na cama, morto com o peito esmagado e o corpo cheio de contusões. Os punhos de Dahmer estavam machucados também. Posteriormente, ele afirmou não ter qualquer lembrança de ter matado Tuomi mas não nega tê-lo feito enquanto estava inconsciente. Dahmer então comprou uma mala grande e a utilizou para transportar o corpo de Tuomi de volta para a casa da avó. Uma semana depois, ele desmembrou o corpo, removendo as pernas, braços e cabeça do torso, e depois removeu a carne dos ossos, colocando os pedaços de carne em pequenos sacos plásticos e os ossos dentro de um lençol e então os esmagou com uma marreta. Todo o processo durou duas horas e então jogou os restos mortais dele no lixo. Nas próximas duas semanas, Dahmer manteve a cabeça de Tuomi embrulhada em um cobertor. Posteriormente, ele ferveu a cabeça da vítima em soilex (um detergente industrial alcalino) e alvejante para tentar preservar o crânio, que ele usou como um estimulo para se masturbar. Algum tempo depois, o crânio acabou perdendo consistência e Dahmer o destruiu e o descartou.
1990
Uma semana após se mudar para o apartamento 213, Dahmer matou sua sexta vítima, Raymond Smith, um prostituto de 32 anos. O modus operandi era o mesmo, com Dahmer drogando a bebida da vítima e estrangulando ele. Com uma câmera polaroide, Dahmer tirou várias fotos do corpo de Raymond em posições sugestivas no banheiro do apartamento. Ele cozinhou as pernas, braços e pélvis em uma chaleira de aço com Soilex, o que lhe permitiu enxaguar os ossos na pia. O restante do esqueleto de Raymond foi dissolvido em ácido dentro de um recipiente grande, a exceção do crânio. Dahmer pintou o crânio de Raymond e o guardou ao lado do de Anthony. Em 27 de maio, ele levou outra vítima para seu apartamento, mas acidentalmente tomou a bebida com drogas e acabou inconsciente. Quando acordou, a vítima havia sumido, tendo antes roubado roupas, 300 dólares e um relógio. Dahmer nunca reportou o crime a polícia mas citou o roubo ao seu oficial de condicional.
1991
Em fevereiro de 1991, Dahmer observou o jovem Curtis Straughter, de 17 anos, numa parada de ônibus. Ele o levou ao apartamento com a promessa de remuneração financeira caso posasse nu para ele, além de incentivos sexuais. Assim como nos outros oito assassinatos, Dahmer drogou a bebida de Curtis e o estrangulou. Após desmembrar seu corpo, ele manteve para si o crânio, as mãos e a genitália de Curtis, tirando várias fotos do processo com sua polaroide. Dois meses depois, em abril, Dahmer encontrou com Errol Lindsey, sua décima vítima, um garoto de 19 anos. Mesmo com Errol sendo heterossexual, Dahmer conseguiu atrai-lo para o seu apartamento, onde o drogou. Enquanto sua vítima estava drogada, Dahmer abriu um buraco na cabeça dele e injetou ácido clorídrico no seu cérebro. Em depoimento posterior, Jeffrey afirmou que fez isso pois queria criar um estado mental de "zumbi" na sua vítima, para deixa-lo completamente submisso e controlável (a fantasia sexual que mais procurava satisfazer). Errol acordou de seu torpor reclamando de dor de cabeça e perguntando que horas eram. Vendo que seu experimento havia falhado, Dahmer então o drogou novamente e o estrangulou. Assim como a maioria das vítimas de Dahmer, Errol Lindsey teve o corpo desmembrado e então foi decapitado, com Dahmer mantendo o crânio para si. O corpo dele foi esfolado e sua pele foi colocada uma solução de água fria e sal por várias semanas, na esperança de retê-la permanentemente. Relutantemente, ele descartou a pele de Errol quando notou que ela havia se tornado muito desgastada e quebradiça.
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Captura e confissão
Em 22 de julho de 1991, Jeffrey Dahmer se aproximou de três homens e ofereceu 100 dólares para que um deles o acompanhasse até seu apartamento para um ensaio fotográfico nu, tomar umas bebidas e lhe fazer companhia. Um dos homens, Tracy Edwards, de 32 anos, aceitou a oferta. Ao entrar no apartamento de Dahmer, Edwards notou o cheiro horrível que impregnava o lugar e também viu várias caixas de ácido clorídrico no chão, com Dahmer justificando isso afirmando que estava "limpando tijolos". Depois de os dois conversarem um pouco, Dahmer pediu para Edwards virar a cabeça para ver seu aquário com peixes tropicais e quando ele distraiu o olhar, Dahmer colocou uma algema no seu pulso. O rapaz então perguntou o que estava acontecendo e Dahmer tentou, sem êxito, algemar ambos os pulsos dele juntos. Depois pediu para o acompanhar até ao quarto e se despir para tirar as fotos. Uma vez no quarto, Edwards reparou nas fotos polaroides de homens nus coladas nas paredes e uma televisão onde passava O Exorcista III, numa fita de vídeo. Ele também notou um tambor azul de 215 litros, que era a origem do fedor no apartamento. Brandindo uma faca contra ele, Dahmer afirmou que pretendia tirar fotos dele. Para tentar acalmar Dahmer e mostrar cooperação, Edwards desabotoou sua camisa, afirmando que ele faria o que estava sendo pedido se Dahmer removesse a algema dele e guardasse a faca. Dahmer, contudo, voltou sua atenção para a televisão. Dahmer ficava balançando para a frente e para trás enquanto falava alguma coisa baixo antes de voltar a sua atenção de novo para Edwards. Ele colocou o ouvido contra o peito de Edwards para ouvir a batida do seu coração, afirmando que ia comê-lo.
Indiciamentos e julgamento
Em 25 de julho de 1991, Dahmer foi oficialmente indiciado por quatro acusações de assassinato em primeiro grau. Em 22 de agosto, foram adicionadas mais onze acusações de homicídio cometidos em Wisconsin. Em 14 de setembro, investigadores de Ohio, tendo descoberto centenas de fragmentos de ossos na mata perto da casa de infância de Dahmer quando ele confessou seu primeiro crime, identificaram dois molares e uma vértebra que o raio-X ajudou a identificar como sendo de Steven Hicks. Três dias mais tarde, Dahmer foi formalmente acusado do assassinato de Hicks, em Ohio. Dahmer não foi acusado de tentativa de assassinato de Tracy Edwards, ou foi acusado do homicídio de Tuomi. A justificativa para este último foi que o promotor do Condado de Milwaukee estava apenas trazendo acusações onde podia-se provar a intenção além da dúvida razoável, já que no caso de Tuomi, Dahmer não tinha memória do ocorrido e não havia evidências físicas que o crime existiu. Na audiência preliminar, que aconteceu em 13 de janeiro de 1992, Dahmer se declarou culpado, mas legalmente insano, nas quinze acusações de assassinato.
Encarceramento
Após a sentença, Dahmer foi enviado para o Instituto Correcional de Colúmbia, uma penitenciária de segurança máxima em Portage, Wisconsin. Ele foi imediatamente colocado na solitária por quase um ano devido a preocupações com sua segurança caso ele tivesse contato com outros presos. Em 1993, ele foi transferido (com seu consentimento) para uma ala menos segura da prisão, onde foi designado para uma turma de trabalho de duas horas por dia responsável por lavar os banheiros compartilhados. Na prisão, Dahmer se voltou para a religião. Durante sua confissão, em 1991, ele pediu ao detetive Murphy por uma bíblia. Dahmer, que já vinha de um lar cristão, se voltou de vez para o cristianismo e se tornou um "cristão nascido de novo". A pedido do seu pai, ele começou a ler literatura criacionista do Institute for Creation Research. Em maio de 1994, Dahmer foi batizado na prisão por Roy Ratcliff, um ministro da Igreja de Cristo. Até novembro do mesmo ano, Ratcliff visitou Dahmer pelo menos uma vez por semana onde conversaram sobre o prospecto da morte, com ele perguntando se estava "pecando contra Deus ao continuar vivo". Em uma entrevista com Stone Phillips, da Dateline NBC, Dahmer afirmou: "Se uma pessoa não pensa que existe um Deus responsável, então qual é o sentido de tentar modificar seu comportamento para mantê-lo dentro de limites aceitáveis? É assim que eu penso, de qualquer maneira."
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Jeffrey Dahmer é considerado um dos assassinos em série mais notórios da história dos Estados Unidos. A crueldade e sadismo dos seus assassinatos, somado ao fato de praticar necrofilia e canibalismo, chocou o público. Dahmer escolhia vítimas que viviam a margem da sociedade, cujo desaparecimento não chamaria muita atenção das autoridades. De fato, alguns dos assassinados não foram sequer reportados como desaparecidos até algum tempo depois. Com exceção de uma vítima heterossexual e outra bissexual, todos os alvos de Dahmer eram gays como ele. Ativistas de direitos LGBT afirmaram que um dos motivos para as autoridades não se importarem em pegar Dahmer ou pôr ele como prioridade foi o fato de suas vítimas serem homossexuais. Havia também um componente racial. Das suas dezessete vítimas, apenas dois eram brancos (os dois primeiros), com um sendo nativo americano, um era multi-racial, outros quatro eram de diferentes raças e nove deles eram afro-americanos. Em entrevistas depois de preso, Dahmer negou que havia em seus ataques qualquer aspecto racial. "Eu simplesmente escolhia a pessoa que achava mais atraente, independente da raça", Jeffrey falou em um programa da CBS em 1993.
Vítimas conhecidas
Ao todo, Jeffrey Dahmer confessou ter assassinado dezessete vítimas, mas foi condenado pela morte de dezesseis delas (a exceção foi Tuomi).


