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Anilina

A anilina, também conhecida como fenilamina ou aminobenzeno, é um composto orgânico líquido, incolor com um leve tom amarelado. Possui um odor característico e um sabor aromático cáustico. É obtida a partir do nitrobenzeno e não se evapora facilmente à temperatura ambiente, sendo também facilmente inflamável, queimando com uma chama que produz muita fumaça. A anilina se dissolve bem em éter, álcool e na maioria dos solventes orgânicos e inorgânicos.

Fonte: Wikipédia (pt)Texto didático por IAAtualizado em 30/06/2026

Pontos-chave

  • A anilina é um composto orgânico líquido, incolor a levemente amarelado, com odor e sabor característicos.
  • É inflamável e se dissolve em diversos solventes orgânicos e inorgânicos.
  • Sua produção industrial parte do benzeno, passando por etapas de nitração e hidrogenação.
  • A anilina é fundamental na fabricação de corantes, espumas de poliuretano, produtos agrícolas e explosivos.
  • É uma base fraca devido à deslocalização de elétrons no anel benzênico.
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Aplicações da Anilina

Imagem: Jim Morefield · BY-SA · Openverse

A anilina é um componente essencial na fabricação de uma vasta gama de produtos. Ela é utilizada na produção de espumas de poliuretano, agroquímicos, tintas sintéticas, antioxidantes e estabilizadores para a indústria de látex. Além disso, é empregada na síntese de herbicidas, vernizes, explosivos e até mesmo na fabricação de preservativos masculinos e femininos. Sua importância como matéria-prima para inúmeros corantes é notável, sendo o termo 'anilina' por vezes erroneamente usado como sinônimo de corante.

Combustível de Foguete

No passado, alguns dos primeiros foguetes americanos, como o Aerobee e o WAC Corporal, utilizavam uma mistura de anilina e álcool furfurílico como combustível, com ácido nítrico atuando como oxidante. Essa combinação era hipergólica, o que significa que entrava em combustão instantaneamente ao entrar em contato. Além disso, a mistura era densa e podia ser armazenada por longos períodos. Posteriormente, a anilina foi substituída pela hidrazina como componente de combustível.

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Estrutura e Síntese

Imagem: Tu Foto con el Presidente · BY · Openverse

Composta por um grupo fenila ligado a um grupo amino, a anilina é produzida industrialmente em duas etapas a partir do benzeno. Primeiramente, o benzeno é nitrado com uma mistura concentrada de ácido nítrico e ácido sulfúrico a temperaturas entre 50 e 60 °C, formando o nitrobenzeno. Em seguida, o nitrobenzeno é hidrogenado a cerca de 600 °C, na presença de um catalisador de níquel, resultando na anilina. Uma rota alternativa envolve a preparação da anilina a partir do fenol e amônia, onde o fenol é derivado do cumeno.

Derivados Comerciais

Existem três tipos de anilina comercialmente diferenciados. O 'óleo de anilina para azul' é anilina tecnicamente pura. O 'óleo de anilina para vermelho' é uma mistura em proporções iguais de anilina e toluidinas (orto- e para-toluidina). Já o 'óleo de anilina para safranina' contém anilina e orto-toluidina, sendo obtido pela destilação de escórias da fusão da fucsina.

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Propriedades Químicas

Imagem: Biblioteca de Arte-Fundação Calouste Gulbenkian · BY-NC-ND · Openverse

A anilina participa de diversas reações químicas importantes. Ela reage com nitrobenzeno na reação de Wohl-Aue, produzindo fenazina. Seu acetato é empregado no teste do acetato de anilina para a identificação de carboidratos, especificamente pentoses, através de sua conversão em furfural.

Oxidação

Embora incolor, a anilina oxida lentamente em contato com o ar, adquirindo uma coloração castanho-avermelhada com o tempo. A oxidação da anilina é um processo bem estudado. Em meio alcalino, forma-se azobenzeno. Com ácido arsênico, surge a coloração violeta conhecida como violanilina. O ácido crômico a converte em quinona. O uso de cloratos, na presença de sais metálicos como os de vanádio, resulta na formação do negro de anilina. A reação com ácido clorídrico e clorato de potássio produz cloranil. Já o permanganato de potássio, em solução neutra, oxida a anilina a nitrobenzeno; em solução alcalina, forma azobenzeno, amônia e ácido oxálico; e em solução ácida, gera negro de anilina. O ácido hipocloroso resulta em 4-aminofenol e para-amino-difenilamina.

Basicidade

A anilina é classificada como uma base fraca. Aminas aromáticas, como a anilina, são geralmente bases mais fracas que as aminas alifáticas. A anilina reage com ácidos fortes para formar o íon anilinium (C6H5-NH3+). O sulfato de anilina forma cristais brancos em forma de placas finas. Apesar de sua basicidade fraca, a anilina precipita sais de zinco, alumínio e ferro, e sob aquecimento, libera amônia de seus sais. Essa fraca basicidade deve-se a um efeito indutivo negativo, onde o par de elétrons solitários no nitrogênio é parcialmente deslocalizado no sistema pi do anel benzênico.

Acilação

A anilina reage com ácidos carboxílicos ou, de forma mais eficiente, com cloretos de acila, como o cloreto de acetila, formando amidas. As amidas derivadas da anilina são frequentemente chamadas de anilidas. Por exemplo, a CH3-CO-NH-C6H5 é conhecida como acetanilida. A acetanilida, também chamada de Antifebrina, é um fármaco antipirético e analgésico obtido pela reação entre ácido acético e anilina.

Derivados de N-Alquila

A anilina pode se combinar diretamente com iodetos de alquila para formar aminas secundárias e terciárias. A metilanilina e a dimetilanilina são líquidos incolores preparados pelo aquecimento de anilina, cloridrato de anilina e metanol em um autoclave a 220 °C. Essas substâncias são de grande importância na indústria de corantes, assim como a N,N-dietilanilina, utilizada na produção de corantes específicos. A metilanilina tem ponto de ebulição entre 193-195 °C, e a dimetilanilina, a 192 °C.

Derivados de Enxofre

Ao ser fervida com dissulfeto de carbono, a anilina produz sulfocarbanilida (difenil tioureia), CS(NHC6H5)2. Esta pode ser decomposta em fenil isotiocianato, C6H5CNS, e trifenil guanidina, C6H5N=C(NHC6H5)2. Assim como os fenóis, os derivados da anilina são altamente suscetíveis a reações de substituição eletrofílica. Por exemplo, a reação da anilina com ácido sulfúrico a 180 °C gera o ácido sulfanílico, NH2C6H4SO3H, que pode ser convertido em sulfanilamida. A sulfanilamida pertence à classe das sulfonamidas ou 'sulfas', amplamente utilizadas como antibacterianos no início do século XX.

Diazotização

Através da diazotização ou reações de transferência de grupo diazo, a anilina e seus derivados substituídos no anel reagem com ácido nitroso, formando sais de diazônio. Esses sais permitem que o grupo -NH2 da anilina seja convenientemente substituído por -OH, -CN ou um halogênio, por meio das reações de Sandmeyer. Esta é uma reação crucial na produção de compostos conhecidos como azo-compostos, incluindo muitos corantes, que por sua vez são chamados de corantes azóicos.

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Toxicologia da Anilina

Imagem: Jane S. Richardson (talk · contribs) · BY · Openverse

A anilina apresenta uma DL50 (dose letal mediana) de 440 mg/kg em ratos, indicando sua toxicidade. A absorção pode ocorrer por via dérmica, oral e pulmonar.

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