Angels with Dirty Faces
Angels with Dirty Faces é um filme de drama policial americano de 1938, dirigido por Michael Curtiz para os estúdios da Warner Brothers. Estrelado por James Cagney, Pat O'Brien, The Dead End Kids, Humphrey Bogart, Ann Sheridan e George Bancroft. O roteiro foi escrito por John Wexley e Warren Duff, baseado na história no romance homônimo de Rowland Brown. O filme narra o relacionamento do notório gângster William "Rocky" Sullivan com seu amigo de infância e agora padre, Padre Jerry Connolly. Depois de passar três anos na prisão por assalto à mão armada, Rocky pretende receber US$ 100.000 de seu cúmplice Jim Frazier, um advogado da máfia. Enquanto isso, o Padre tenta impedir que um grupo de jovens caia sob a influência criminosa de Rocky.
William 'Rocky' Sullivan e Jerome 'Jerry' Connelly foram criados no mesmo bairro violento. O primeiro se tornou gângster, e o segundo se tornou um padre que administra um orfanato para meninos.
Desenvolvimento
O roteirista Rowland Brown contruiu o roteiro de Angels with Dirty Faces em agosto de 1937. Ele era conhecido em Hollywood por escrever e dirigir vários filmes policiais no início da década de 1930, incluindo The Doorway to Hell (1930) e Quick Millions (1931). Ele apresentou a história a Mervyn LeRoy, que estava ansioso para filmar um "veículo" estrelado pelos Dead End Kids, um grupo de jovens atores de Nova York. Brown e LeRoy tentaram negociar uma taxa pelo roteiro porém não tiveram sucesso. Brown então começou a mandar o roteiro para outros estúdios e eventualmente, fez um acordo com a Grand National Pictures, que queria o James Cagney estrelando o papel principal. No final de 1935, tornou-se evidente para William Cagner (irmão e empresário de James Cagney), que a Warner Bros estava interessada apenas em pagar a Cagney uma "porcentagem muito pequena" considerando seu enorme esforço. Portanto, ele não teve escolha e foi embora até que um acordo melhor com a Warner pudesse ser feito. Depois de entrar com uma ação judicial para "retificar as desigualdades", Cagney começou a trabalhar para a Grand National Pictures, um pequeno estúdio comparado à Warner.
Escolha de Elenco
Embora James Cagney estivesse convencido de que nunca concordaria em interpretar o papel de um covarde sendo arrastado para sua execução, ele ficou entusiasmado em interpretar Rocky, vendo isso como uma oportunidade de provar que seu alcance de atuação se estendia além dos papéis de bad boys. Para incorporar bem em seu personagem, o ator se baseou em suas memórias de crescer nas ruas da Yorkville de Manhattan, Nova York. Sua principal inspiração foi um cafetão viciado em drogas, que ficava em uma esquina o dia todo puxando as calças, torcendo o pescoço e repetindo: "Whadda ya hear! Whadda ya say!". Esses maneirismos voltaram a assombrar Cagney, que mais tarde escreveu em sua autobiografia: "Eu fiz esses gestos talvez seis vezes no filme. Isso foi há mais de trinta anos - e os impressionistas têm me feito fazê-lo desde então". A outra inspiração para o intérprete foi seu amigo de infância, Peter "Bootah" Hessling, um condenado por assassinato e executado na cadeira elétrica em 21 de julho de 1927. Na noite em que Bootah foi executado, o ator estava atuando em uma apresentação da Broadway e chorou ao saber de sua morte.
Filmagem
A filmagem começou em junho de 1938 nos estúdios da Warner em Burbank, e concluída uma semana atrasada em agosto, principalmente devido ao tempo que levou para filmar as cenas do tiroteio de Rocky com a polícia e a sua morte. A sequência de abertura do Cagney com os Dead End Kids aconteceu no porão de um prédio abandonado. A essa altura, os Dead End Kids "já vinham se impondo bastante com [outros] diretores e atores". Enquanto a cena era filmada, Leo Gorcey improvisou falando: "Ele é vidente!", jogando o ritmo da cena pela janela, azedando tudo muito bem. Então, na tomada seguinte, pouco antes de dizer "venha cá, otários", Cagney "deu um soco em Gorcey bem acima do nariz. Sua cabeça foi para trás [e atingiu] o garoto atrás dele, atordoando os dois momentaneamente". Huntz Hall viu a agressão e em 1978, relembrou: "Leo odiou [Cagney] pelo resto da vida" após o incidente.
Nos Cinemas
O filme estreou em 26 de novembro de 1938, no Majestic Theatre em Reno. Angels with Dirty Faces arrecadou US$ 1,7 milhão nas bilheterias mundiais e é considerado um sucesso financeiro. Analistas afirmam que se não fosse por ele e mais duas outras produções dirigidos por Curtiz naquele ano (The Adventures of Robin Hood e Four Daughters), a Warner Bros. teria perdido uma quantia considerável de dinheiro, resultando em um faturamento negativo no ano fiscal de 1938 da empresa. A Angels with Dirty Faces foi boicotado pelo Departamento de Censura do Quebec entre 1938 e 1945 por "invocar o mau exemplo que pode oferecer aos jovens".
Em mídias domésticas
Em 1983, Angels with Dirty Faces foi lançado em VHS e Betamax pela CBS/Fox Video. Em fevereiro de 2005, uma versão remasterizada digitalmente do filme foi publicada no formato de DVD. O lançamento fez parte da "James Cagney Collection", na qual uma série de recursos bônus especiais foram disponibilizados, incluindo: comentários em áudio da historiadora de cinema Dana Polan, um featurette "Angels with Dirty Faces: Whaddya Hear? Whaddya Say?", uma produção de rádio, trailers de filmes e um curta-metragem intitulado "Warner Night at the Movies" com a participação do crítico de cinema e historiador Leonard Maltin. Em dezembro de 2021, a Warner Archive Collection lançou uma versão Blu-ray do filme, recentemente restaurada em HD usando uma digitalização 4K do negativo original da câmera, acompanhada por todo o mesmo material bônus do lançamento em DVD de 2005.
Reações Iniciais
Angels with Dirty Faces foi recebido com aclamação da crítica após o lançamento. Frank Nugent do The New York Times, compareceu à estreia mundial em Nevada e chamou o filme de um "melodrama selvagem", oferecendo "[James] Cagney no seu melhor". O extinto Harrison's Reports teve opiniões semelhantes. Em uma crítica datada de 5 de novembro de 1938, eles classificaram o longa-metragem de um "poderoso melodrama de gangster" e disseram que é "um dos filmes mais emocionantes produzidos em algum tempo". A "atuação, particularmente a de James Cagney, é brilhante". Por outro lado, Hobe Morrison da Variety, estava menos entusiasmado, afirmando: "Com base na força da combinação Cagney-O'Brien, Angels deve ter um bom investimento, mas o filme em si não é uma fogueira. Aquela história do garoto 'Dead End' já foi contada muitas vezes" e "Embora a cena da casa da morte em si seja angustiante, aquele ângulo de covardia simulada parece completamente implausível... É uma reviravolta inovadora para uma história comum, mas é completamente piegas".
Análises Contemporâneas
A reputação de Angels with Dirty Faces cresceu com o tempo, no website agregador de críticas Rotten Tomatoes, relata que 100% dos críticos deram ao filme uma crítica positiva com base em 21 avaliações coletadas retrospectivamente, com uma classificação média de 8,05/10 sob o consenso de que: "O carisma explosivo de James Cagney e a decência inabalável de Pat O'Brien formam uma combinação perfeita nesta batalha tocante pela alma de uma comunidade". Em 2005, a Slant Magazine elogiou Angels with Dirty Faces por ser o "melhor filme de gangster" da Warner. Premiando quatro de quatro estrelas, Jeremiah Kipp disse: "Rocky Sullivan incorpora todas as qualidades que amamos nos bandidos." Cagney "oferece uma intensidade real e um senso de ludicidade", mesmo quando atira em "companheiros gangsters" mortos. A cena final, "climática" de "covardia é incomparável em filmes de gangster, e quanto mais Cagney implora e grita, mais [ficamos] surpresos com a forma como ele reduz a adoração do herói dos gangsters a nada. [O filme marca] o melhor momento de Cagney em uma carreira repleta de grandes atuações". Mark Bourne considerou o filme bem encenado com sua abordagem religiosa sobre a criminalidade.
Angels with Dirty Faces teve grande impacto no cinema de gângsters ao humanizar o criminoso, criando o arquétipo do anti-herói carismático. O contraste moral entre Rocky e o Padre Jerry introduziu dilemas éticos profundos no gênero. O filme influenciou o estilo sombrio e urbano dos filmes posteriores e trouxe à tona o papel social do cinema, mostrando que o crime pode ser fascinante, mas também trágico. Sendo então considerado um dos melhores filmes de seu período e também da carreira do diretor. Ao incluir Angels with Dirty Faces em 16° lugar em sua lista dos 30 maiores filmes de gângsters, o portal Studiobinder afirma: "O filme condena o estilo de vida gangster ainda mais do que antes. É também um dos primeiros filmes de gangster a envolver fortemente a fé católica, que se tornaria uma característica importante dos filmes de máfia". Em 2008, foi selecionado pelo American Film Institute para seleção em sua lista dos 100 melhores filmes dos últimos 100 anos. Steven Van Zandt o nomeou como um de seus "filmes de máfia favoritos" em um artigo para a revista Rolling Stone. Enquanto a Slant Magazine o classificou 67º lugar em uma lista dos "100 melhores filmes noir de todos os tempos", embora o longa-metragem não seja considerado pertencente ao gênero.


