Andriy Shevchenko
Andriy Mykolayovych Shevchenko é um treinador e ex-futebolista ucraniano que atuava como centroavante. Atualmente está sem clube.
Andriy Shevchenko nasceu em Dvirkivshchyna, uma aldeia no Oblast de Kiev, filho de Lyubov Mykolayivna e Mykola Hryhorovych Shevchenko, um soldado do Exército Vermelho. O jovem Shevchenko sempre destacou-se nos esportes, possuindo uma habilidade inata para praticar diversas modalidades. Antes de brilhar no futebol, já tinha praticado suas outras grandes paixões: o golfe e o hóquei no gelo. Logo aos nove anos de idade, um olheiro do Dínamo de Kiev observou suas enormes qualidades e fez-lhe um teste para ingressar nas categorias de base do melhor clube da Ucrânia, que superou sem problemas. Shevchenko tinha como ídolo o maior craque da equipe e da Ucrânia nos tempos de União Soviética, Oleg Blokhin, "O príncipe da bola". Nesse mesmo ano, iria sofrer uma tragédia que marcaria o resto da sua vida: a tragédia de Chernobil em 26 de abril de 1986. Um reator da central nuclear de Chernobil veio a ter problemas técnicos e liberou uma imensa nuvem radioativa. O governo soviético admitiu a morte de 15 mil pessoas, mas, pelas contas de organizações não governamentais foram pelo menos 80 mil vítimas. Isso obrigou Sheva a sair de casa muito arrasado, pois, perdeu vários amigos em meio a tragédia; crianças nasceram sem forma física de um ser humano e muitos nem chegaram a nascer. Mesmo transtornado, isso se tornou uma motivação de Sheva por dar mais valor ao seu dom com a bola, então continuou a jogar e a melhorar a cada dia que passou, jogando muito a ponto de ser conhecido a nível internacional: em um torneio amistoso Sub-14, denominado Copa Ian Rush, em homenagem a lenda do Liverpool, ele terminou como artilheiro, recebendo inclusive, um par de chuteiras do atleta. Ironicamente, Shevchenko viria a enfrentar o Liverpool em uma final europeia. Suas motivações e seu caráter eram muito fortes, pois sobreviveu a uma das maiores tragédias da história.
Shevchenko rescindiu seu contrato com o Dínamo de Kiev em julho de 2012, aos 35 anos, anunciando sua aposentaria para se dedicar à carreira política.
Dínamo de Kiev
Aos 18 anos, e já sendo uma das grandes promessas da Ucrânia, Shevchenko teve sua primeira chance na equipe principal do Dínamo em 1994, sob orientação de Yozhef Sabo, não desperdiçando-a. O técnico posterior, o mítico Valeriy Lobanovskiy, transmitiu-lhe toda a sua confiança, colocando-o desde o início como titular indiscutível, polindo dia a dia o seu diamante, e construindo à sua volta uma equipe que maravilharia na Liga dos Campeões da UEFA de 1998–99. O Dínamo eliminou o defensor do título, o poderoso Real Madrid, com Shevchenko marcando os três gols do placar agregado dos confrontos (1–1 em Madrid e 2–0 em Kiev), sendo o herói da classificação às semifinais. No jogo de ida, na Ucrânia, contra o adversário da vez, o Bayern de Munique, o atacante marcou dois gols, mas o Dínamo permitiu aos alemães empatarem em 3–3. Os bávaros acabariam avançando à final após vencerem por 1–0 em Munique.
Milan
A primeira temporada de Shevchenko no San Siro confirmou-o como uma estrela a nível mundial, já que alcançou a artilharia da Serie A. A partir de então, todos os anos marcou inúmeros gols para os milanistas, com quem festejou o título da Liga dos Campeões da UEFA de 2002–03, marcando além disso o pênalti decisivo contra a Juventus, na final. Emocionado após a partida, Sheva dedicou sua conquista a Lobanovskiy, falecido no ano anterior, deixando sua medalha no túmulo. Lobanovskiy foi o treinador de Shevchenko no início de sua carreira, e uma das pessoas que mais o motivaram a jogar desde o acidente nuclear de Chernobyl. No ano seguinte, recebeu a Bola de Ouro que o consagrou como o melhor jogador de futebol da Europa, superando craques como Deco e Ronaldinho. Muitos acharam que ele também ganharia o prêmio da FIFA pela maravilhosa temporada, onde o Milan conquistou o Scudetto. Ele tornou-se o terceiro ucraniano a receber o prêmio da France Football, depois de Oleg Blokhin e Igor Belanov, mas o primeiro a faturá-lo como jogador da Ucrânia independente.
Chelsea
Em maio de 2006, assinou por quatro temporadas com o Chelsea. Além do desejo do clube, a contratação foi um pedido da sua esposa, a modelo norte-americana Kristen Pazik, que queria a mudança para um país de língua inglesa, a fim de melhor educar o filho. No entanto, o jogador, que supostamente iria provocar um salto de qualidade no Chelsea, não conseguiu se adaptar de imediato. O ritmo pegado da Premier League e a competição com Didier Drogba foram adversários difíceis para o ucraniano, que marcou somente 13 gols na primeira temporada, sendo o último o mais importante: um gol na vitória por 2–1 contra o Valencia, no Estádio de Mestalla, válido pela Liga dos Campeões da UEFA. Os Blues, porém, seriam eliminados do torneio pelo algoz Liverpool. Shevchenko não conseguia se livrar da perseguição da imprensa britânica, além de ter sofrido com várias lesões e problemas com o treinador José Mourinho.
Volta a Milão
Após duas temporadas pouco marcantes no Chelsea, Shevchenko regressou ao Milan em agosto de 2008. Como seu tradicional número 7 já era usado pelo brasileiro Alexandre Pato, Sheva adotou um referente ao ano de seu nascimento, como também fizera Ronaldinho Gaúcho, passando a jogar com a camisa 76 (embora Pato tenha chegado a oferecer a 7 de volta ao ucraniano). Shevchenko não obteve nenhuma dificuldade para se adaptar novamente ao Milan, sendo ovacionado pela torcida e jogadores, especialmente por Ronaldinho. Quando Sheva havia deixado o clube em 2006, Ronaldo ficou encarregado de sua posição de centroavante, mas a lesão do brasileiro cedeu espaço para o ucraniano.
Fim do empréstimo e saída do Chelsea
Já aos 33 anos de idade, com um belo currículo e uma recente boa temporada no Milan, Sheva sentiu que era hora de dar adeus aos Blues. Posteriormente, o jogador declararia que a passagem pela Inglaterra foi um pesadelo em sua carreira.
Retorno ao Dínamo de Kiev
No dia 29 de agosto de 2009, insatisfeito com a falta de oportunidades no Chelsea, Shevchenko foi liberado para retornar ao seu clube de origem, o Dínamo de Kiev. Apenas dois dias após retornar ao clube ucraniano, fez sua reestreia contribuiu com vitória por 3–1, com Sheva marcando o terceiro gol, de pênalti. Suas frequentes lesões diminuíram na Primeira Liga, e o atacante foi essencial em torneios como a Liga Europa da UEFA e na conquista da Supercopa da Ucrânia no ano seguinte, que marcaria sua última partida pelo clube. Em excelente forma física, a conquista garantiu vaga na Seleção Ucraniana para a disputa da Euro 2012, sediada em seu país, a última que Sheva disputaria como jogador profissional.
Após eliminações nos caminhos a duas Eurocopas e duas Copas do Mundo FIFA (chegou perto da de 2002, mas a Alemanha venceu a repescagem), sua grande alegria com a Seleção Ucraniana finalmente chegou em 2005, no qual Shevchenko e a Ucrânia conseguiram a primeira classificação do país para um torneio oficial, a Copa do Mundo FIFA de 2006. Esperado como uma das estrelas do mundial da Alemanha, cumpriu seu sonho de participar do campeonato mais importante do futebol, embora tenha tido um desempenho individual aquém do esperado. Marcou apenas duas vezes, contra as fracas Arábia Saudita e Tunísia. Além disso, errou uma penalidade na decisão das oitavas de final contra a Suíça. Para sua sorte, o goleiro Oleksandr Shovkovskyi defendeu as três cobranças dos suíços, garantindo a classificação. Shevchenko estava a 24 jogos sem atuar na época, sendo um pouco difícil destacar-se sem sequer ter algum ritmo.[carece de fontes?]
Seleção Ucraniana
Inicialmente trabalhou como auxiliar da Seleção Ucraniana, entre fevereiro e julho de 2016. Com o fracasso de Mykhaylo Fomenko na Euro 2016, Shevchenko foi anunciado como treinador da Seleção no dia 15 de julho. Ele assinou um contrato de dois anos, com a possibilidade de renovação por mais dois. O ex-lateral Mauro Tassotti, ídolo do Milan, foi nomeado como seu auxiliar técnico. Shevchenko teve seu bom trabalho coroado no dia 14 de outubro de 2019, após a vitória por 2–1 sobre Portugal, então atual campeã da Eurocopa. Com o triunfo sobre os portugueses, a Ucrânia confirmou sua classificação para a Euro 2020. No entanto, a competição seria adiada por conta da pandemia de COVID-19.
Genoa
Foi anunciado pelo Genoa no dia 7 de novembro. O clube italiano, na 17ª posição na tabela da Serie A, firmou um contrato até 2024 com o treinador ucraniano. Pouco mais de dois meses depois, com seis derrotas e três empates em nove jogos, Shevchenko foi demitido no dia 15 de janeiro de 2022.


