Harry Potter
Harry Potter é uma série de sete romances de fantasia escrita pela autora britânica J. K. Rowling. A série narra as aventuras de um jovem chamado Harry James Potter, que descobre aos 11 anos de idade que é um bruxo ao ser convidado para estudar na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. O arco de história principal diz respeito às amizades de Harry com outros bruxos de sua idade, como Ron Weasley e Hermione Granger, e também com o diretor de Hogwarts Albus Dumbledore, considerado o maior dos magos, e seus conflitos com o bruxo das trevas Lord Voldemort, que pretende se tornar imortal, conquistar o mundo dos bruxos, subjugar as pessoas não-mágicas e destruir todos aqueles que estão em seu caminho, especialmente Harry Potter, a quem ele considera seu maior rival.
Os romances giram em torno de Harry James Potter, um órfão que descobre com 11 anos que é um bruxo, que vive no mundo comum de pessoas não-mágicas, conhecidas como "trouxas". O mundo bruxo é mantido em segredo, presumivelmente para evitar a perseguição de bruxas e bruxos. Tal habilidade é inata e essas crianças são convidadas a participar de uma escola de magia exclusiva, que ensina as habilidades necessárias para ter sucesso no mundo bruxo. Harry torna-se um estudante da Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts e é ali onde a maioria dos eventos da série acontecem. Enquanto Harry se desenvolve através da adolescência, ele aprende a superar os problemas que ele enfrenta: mágicos, sociais e emocionais, incluindo desafios adolescentes comuns, como amizades, paixões e provas, e o grande teste de preparar a si mesmo para o confronto no mundo real que temos pela frente. Cada livro narra um ano na vida de Harry, sendo que a narrativa principal se passa entre os anos de 1991 e 1998. Os livros também contêm muitos flashbacks, que são frequentemente vividos por Harry ao ver as lembranças de outros personagens em um dispositivo chamado penseira. O ambiente criado por Rowling é completamente separado da realidade mas também intimamente ligado a ela. Enquanto a terra da fantasia de Nárnia é um universo alternativo e a Terra Média de O Senhor dos Anéis é um passado mítico, o mundo mágico de Harry Potter existe em paralelo dentro do mundo real e contém versões mágicas de elementos comuns da vida cotidiana. Muitas de suas instituições e locais são reconhecíveis, tais como Londres. O mundo bruxo é composto por uma coleção fragmentada de ruas escondidas, bares antigos, mansões e castelos solitários e isolados, que permanecem invisíveis para a população trouxa.
Por ser uma série na qual cada livro equivale a cerca de um ano de vida do protagonista, seu conteúdo amadurece conforme Harry cresce. Os leitores que começaram a ler a saga ainda muito jovens também vão amadurecendo enquanto lêem. A estrutura da história, inclusive, torna-se mais complexa e sofisticada a cada volume. Os livros de Rowling se passam nos anos 1990, na Inglaterra "trouxa" moderna, com carros, telefones e videogames. Os problemas no mundo mágico são sólidos e reais como os do nosso mundo — preconceito, depressão, ódio, sacrifício, pobreza, morte. "Harry vai para seu mundo mágico, e este é melhor que o mundo que ele deixou? "Só porque ele encontra pessoas melhores", explica Rowling. Um dos temas mais recorrentes ao longo da série é o amor, retratado como uma poderosa forma de magia. Dumbledore acredita que a capacidade de amar permitiu que Harry resistisse às tentações de poder de Voldemort em seu segundo encontro, não permitiu que o vilão se apossasse do corpo de Harry em seu quinto ano, e será responsável pela derrota final de Voldemort.
Estrutura
A série Harry Potter é traçada sob uma longa tradição na literatura infantil inglesa — o ambiente dos internatos, um gênero da Era Vitoriana, no qual se destaca Tom Brown's Schooldays, de Thomas Hughes. Mais adiante, trabalhos similarmente influentes da Era Vitoriana incluem os livros de Edith Nesbit, da qual Rowling tem frequentemente dito ser fã, glorificando Nesbit pelos seus personagens muito realistas e inovadores. Há uma clara influência de elementos menos específicos a um autor, como a mitologia e as lendas. Muitas dessas influências são mais notadas nas criaturas que habitam o universo de Rowling, como por exemplo, os dragões, fênix e hipogrifos. Além disso também nota-se a influência da astronomia, história, geografia, e idiomas (principalmente Latim), freqüentemente vistos nos cuidadosos nomes de personagens, lugares e feitiços no mundo bruxo. Do complexo '"Voldemort" ao onomatopéico "Grawp" (ou "Grope", o meio irmão gigante de Hagrid), Rowling cria nomes que geralmente contém muitos significados.
Origem
Em 1990, J.K. Rowling estava em um trem indo de Manchester para Londres quando a ideia para Harry simplesmente "apareceu" em sua cabeça. Rowling conta sobre a experiência em seu website: Naquela noite, a autora começou a escrever seu primeiro romance, Harry Potter e a Pedra Filosofal, e um plano que incluía os enredos de cada uma dos sete livros, além de muita informação biográfica e histórica sobre seus personagens e universo. Nos seis anos seguintes, que incluíram o nascimento de sua primeira filha, o divórcio de seu primeiro marido e uma mudança para Portugal, Rowling continuou a escrever Pedra Filosofal.
Publicação
Quando finalmente terminou o volume, em 1996, ela enviou-o a um agente literário e, depois de oito editoras terem rejeitado o manuscrito, a Bloomsbury ofereceu a Rowling £ 3 mil adiantadas, e Pedra Filosofal foi publicado no ano seguinte. Apesar de Rowling declarar que não tinha nenhuma faixa etária em particular quando começou a escrever os livros de Harry Potter, suas editoras inicialmente direcionaram-nos a crianças com idade entre nove e onze anos. Às vésperas da publicação, as editoras pediram a Joanne Rowling que adotasse uma pseudônimo mais neutro em relação ao gênero, temendo que os meninos não se interessassem por um livro escrito por uma mulher. Ela escolheu usar J. K. Rowling (Joanne Kathleen Rowling), omitindo seu primeiro nome e usando o de sua avó com segundo nome.
Tradução
A série foi traduzida em 67 línguas, colocando Rowling entre os autores mais traduzidos na história. Os livros têm traduções para os mais diversos idiomas, como ucraniano, árabe, urdu, hindi, bengali, escocês, africâner, albanês, letão e vietnamita. O primeiro volume foi traduzido para o latim e o grego antigo, tornando-o o mais longo trabalho publicado em grego antigo desde os romances de Heliodoro de Emesa no século III dC. Alguns dos tradutores contratados para trabalhar nos livros eram autores bem conhecidos antes de seu trabalho em Harry Potter, como Viktor Golyshev, que supervisionou a tradução russa do quinto livro da série. Por razões de sigilo, a tradução de um determinado livro da série só pode começar depois de ele ter sido lançado em inglês, o que levava a um atraso de vários meses antes das traduções estarem disponíveis. Isto levou que mais e mais cópias de edições em inglês fossem vendidas para fãs impacientes em países que não falam inglês; por exemplo, tal era o clamor para ler o quinto livro que a edição em Inglês tornou-se o primeiro livro anglófono no topo da lista de best-sellers na França.
Conclusão
Em dezembro de 2005, Rowling afirmou em seu web site, "2006 será o ano em que eu vou escrever o livro final da série Harry Potter". O livro foi concluído em 11 de janeiro de 2007, no Balmoral Hotel, Edimburgo, Escócia, onde ela rabiscou uma mensagem na parte traseira de um busto de Hermes, dizendo: "J. K. Rowling terminou de escrever Harry Potter e as Relíquias da Morte neste quarto (552) em 11 de janeiro de 2007". A própria Rowling afirmou que o último capítulo do último livro (na verdade, o epílogo) foi concluído "em torno de 1990".
Críticas literárias
Cedo em sua história, Harry Potter recebeu muitas críticas positivas, que ajudaram a aumentar rapidamente o número de leitores da série. Seguindo o lançamento de Ordem da Fênix em 2003, entretanto, os livros receberam fortes críticas de autores e acadêmicos reconhecidos. A crítica A. S. Byatt escreveu um editorial no jornal The New York Times onde dizia que a série era "Uma colcha de retalhos inteligente de ideias recolhidas de todo o tipos de literatura infantil [...], escrita para pessoas cuja imaginação está confinada aos desenhos animados da TV, e aos exagerados [...] mundos-espelho das novelas, reality shows e fofoca de celebridades". Byatt afirma que a aceitação pelos leitores desta "manipulação derivativa de ideias anteriores" nos adultos provem do desejo de regressar aos seus "próprios desejos e esperanças infantis" e nos jovens, "o poderoso apelo da fantasia de escape e engrandecimento, combinados com o facto das histórias serem agradáveis, engraçadas, e assustadoras o bastante". O resultado final seriam "estudos culturais, que se interessam tanto com o êxito e popularidade como com o mérito literário".
Impacto cultural
Desde a publicação de Harry Potter e a Pedra Filosofal, algumas tendências sociais vêm sendo atribuídas à série. Em 2005, médicos do Hospital John Radcliffe, em Oxford, relataram que uma pesquisa realizada nos finais de semana de 21 de Junho de 2003 e de 16 de Julho de 2005, as datas de lançamento dos dois livros mais recentes, descobriu que apenas 36 crianças necessitaram de assistência médica por acidentes, ao contrário de outros finais de semana pesquisados. Evidências anedóticas como essa sugerem um aumento do hábito de ler entre crianças por causa de Harry Potter, que foram confirmadas em 2006 quando uma pesquisa do Kids and Family Reading Report (Relatório da leitura infantil e familiar) e da editora americana da série, Scholastic, revelou que 51% dos leitores de Harry Potter com idade entre 5 e 17 anos disseram que não liam livros por diversão antes de começarem a ler Harry Potter, e que agora o fazem. O estudo relatou ainda que, de acordo com 65% dos filhos e 76% dos pais, o desempenho escolar das as crianças melhorou desde que começaram a ler a série.
Prêmios e honrarias
A série Harry Potter tem recebido vários prêmios desde a publicação inicial de A Pedra Filosofal incluindo quatro Whitaker Platinum Book Awards (todos os quais foram concedidos em 2001), três Nestlé Smarties Book Prizes (1997–1999), dois Scottish Arts Council Book Awards (1999 e 2001), entre outros. Em 2000, Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban foi indicado para o Prêmio Hugo de Melhor Romance e, em 2001, Harry Potter e o Cálice de Fogo venceu. Honrarias incluem um elogio para a Medalha Carnegie (1997), o Children's Fiction Prize do The Guardian (1998), e inúmeras listas de melhores livros da American Library Association, The New York Times, Chicago Public Library e Publishers Weekly.
Controvérsias
Os livros têm sido alvo de uma série de processos judiciais, decorrentes de reivindicações de grupos cristãos estadunidenses que alegavam que a magia nos livros promove a Wicca e a bruxaria entre as crianças, ou por conta de vários conflitos sobre violações de direitos autorais e marcas registradas. O valor de mercado e a elevada popularidade da série levaram Rowling, seus editores e distribuidora de filmes Warner Bros a tomar medidas legais para proteger seus direitos autorais, que incluíram a proibição da venda de imitações de Harry Potter, tendo como alvo os proprietários de sites com o domínio "Harry Potter" e processou o autor Nancy Stouffer por suas acusações de que Rowling teria plagiado seu trabalho. Vários religiosos conservadores afirmaram que os livros promovem bruxaria e religiões como o Wicca e são, portanto, inadequado para crianças, enquanto críticos têm apontado que para a série promove diversas agendas políticas.
A enorme popularidade da série Harry Potter traduziu-se em um substancial sucesso financeiro para Rowling, suas editoras e outros proprietários de licenças relacionadas a Harry Potter. Os livros venderam mais de 450 milhões de cópias no mundo todo e também deram origem a adaptações cinematográficas muito populares, produzidas pela Warner Bros, sendo a primeira, Harry Potter e a Pedra Filosofal, na décima-quarta posição no ranking de filmes de maior bilheteria de todos os tempos, e Harry Potter e as Relíquias da Morte — Parte 2 em quarto neste mesmo ranking, com os outros seis filmes entre os 40 primeiros lugares. Os livros foram transformados em cinco vídeo games e, incluindo os jogos e filmes, deram origem a mais de 400 produtos adicionais de Harry Potter (incluindo um iPod), que fizeram, em Julho de 2005, a marca Harry Potter ser estimada em 4 bilhões de dólares e J. K. Rowling uma bilionária em termos de dólares americanos, tornando-a, segundo alguns, mais rica que a Rainha Elizabeth II.
Cinema
Em 1999, Rowling vendeu os direitos de filmagem do primeiro livro de Harry Potter para a Warner Bros. por cerca de 1 milhão de libras esterlinas. A maior exigência de Rowling foi que o elenco principal permanecesse estritamente britânico. Embora Steven Spielberg estivesse inicialmente nas negociações para dirigir o primeiro filme, ele se recusou. Ele queria o filme como uma animação, com Haley Joel Osment para a voz de Harry Potter. Por algum tempo, especulou-se que isto foi devido a um difícil relacionamento com Rowling e ao desgosto de Spielberg em relação a um elenco totalmente britânico. Contudo, Spielberg afirmou que, em sua opinião, seria "simples como retirar um bilhão de dólares e colocá-lo em um banco pessoal de contas. Não existe desafio".
Jogos
Há onze jogos eletrônicos de Harry Potter, oito dos quais correspondem aos filmes e livros e outros três spin-offs. Os jogos baseado nos filmes/livros são produzidos pela Electronic Arts, como era Harry Potter: Quidditch World Cup, com a versão do jogo da primeira entrada na série, Harry Potter and the Philosopher's Stone, lançado em novembro de 2001 e que se tornou um dos melhores jogos de PlayStation de todos os tempos. Os jogos eram liberados para coincidir com os filmes, contendo paisagens e detalhes dos filmes, bem como o tom e o espírito dos livros. Os objetivos geralmente ocorrem em torno Hogwarts, juntamente com várias outras áreas mágicas. A história e o design dos jogos segue a caracterização da série de filmes; a EA trabalhou em estreita colaboração com a Warner Bros para incluir as cenas dos filmes. O último jogo da série, Deathly Hallows, foi dividido entre a Parte 1, lançada em novembro de 2010, e a Parte 2, que estreou em consoles em julho de 2011. Os outros jogos spin-offs, Lego Harry Potter: Years 1–4 e Lego Harry Potter: Years 5–7 são desenvolvidos pela Traveller's Tales e publicados pela Warner Bros Interactive Entertainment. Em 25 de Abril de 2018 a desenvolvedora Jam City lançou o jogo Harry Potter: Hogwarts Mystery para dispositivos Android e iOS, trazendo uma novo proposta para o universo de jogos de Harry Potter, com uma mecânica Point and Click e uma história original que acompanha um jovem bruxo criado por você.
Audiolivros
Todos os sete livros de Harry Potter foram lançados em versões de audiolivros integrais, com Stephen Fry lendo para os ouvintes no Reino Unido e Jim Dale expressando a série para as edições dos Estados Unidos.
Teatro
Em 20 de dezembro de 2013, J. K. Rowling anunciou que estava trabalhando em uma peça de teatro baseada em Harry Potter para a qual ela seria uma das produtoras. Em seu depoimento, a autora disse que a peça vai "explorar a história anterior dos primeiros anos de Harry como um órfão". Os produtores teatrais britânicos Sonia Friedman e Colin Callender seriam os coprodutores. Em 26 de junho de 2015, no aniversário da estreia do primeiro livro, Rowling revelou via Twitter que a peça de teatro de Harry Potter seria chamada Harry Potter and the Cursed Child. A produção abriu no verão de 2016 no Palace Theatre, em Londres.


