Andrei Tarkovski
Andrei Arsênievitch Tarkóvski foi um premiado cineasta soviético. Tarkovski se graduou em Cinema na conceituada Universidade Estatal Pan-russa de Cinematografia S. A. Gerasimov (VGIK), a mais antiga universidade de cinema do mundo.
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Tarkóvski nasceu na aldeia de Zavraje no Oblast de Ivanovo, na Rússia. Seu pai, Arsêni Aleksandrovitch Tarkóvski, natural de Kirovohrad, na Ucrânia, foi um dos mais cultuados poetas russos modernos; sua mãe, Mariia Ivânovna Vischniákova, era atriz, graduada pelo Instituto de Literatura Maxim Gorky. Seu avô, Aleksander Tarkowski, foi um nobre polonês que trabalhou como bancário. Andrei Tarkóvski passou a infância em Iúrievets. Em 1937, seu pai deixou a família e, posteriormente, em 1941, apresentou-se ao exército e seguiu para o front, onde perdeu a perna. O menino Andrei ficou com a mãe, mudando-se com ela e sua irmã, Marina, para Moscou. Em 1939, Tarkóvski matriculou-se na escola de Moscou № 554. Porém, por ocasião da batalha de Moscou (outubro de 1941 a janeiro de 1942), já no contexto da II Grande Guerra, a população da cidade foi evacuada, e os três seguiram para Iúrievets, onde Andrei passou a viver com sua avó materna. Apenas em 1943, a família pode retornar a Moscou. Todas essas passagens e impressões de infância - a evacuação da cidade, sua mãe com dois filhos pequenos, o pai ausente, o tempo passado no hospital etc. - foram registradas no filme autobiográfico O Espelho.
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Ao retornar da expedição em 1954, Tarkóvski começou a estudar na conceituada Universidade Estatal Pan-russa de Cinematografia S. A. Gerasimov (VGIK) no curso de direção de cinema. Estava na mesma classe de Irma Raush, com quem se casou em abril de 1957. No início da Era Khrushchov, eram oferecidas oportunidades únicas para jovens cineastas. Antes de 1953, a produção anual de cinema era baixa, e a maioria dos filmes era dirigida por diretores veteranos. Depois de 1953, a produção de filmes cresceu, e os jovens diretores ganharam espaço. Khrushchov aliviou as restrições à importação de bens oriundos da indústria cultural capitalista e permitiu um pequeno fluxo de literatura, cinema e música da Europa e dos Estados Unidos para dentro da URSS. Isso permitiu que Tarkóvski conhecesse a produção do neorrealismo italiano, da nouvelle vague francesa e de diretores como Kurosawa, Buñuel, Bergman, Bresson, Andrzej Wajda (cujo filme Cinzas e Diamantes exerceu grande influência sobre o jovem Tarkóvski) e Mizoguchi.
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Tarkóvski dirigiu apenas sete longas-metragens, bem como três curtas de seu tempo na VGIK. Também escreveu vários roteiros. Dirigiu a ópera Boris Godunov, em Londres, e uma produção de rádio do conto Turnabout de William Faulkner. Além disso, escreveu Esculpir o Tempo , um livro sobre a teoria do cinema. O primeiro longa metragem realizado por Tarkóvski foi A Infância de Ivan em 1962. Tarkóvski assume o projeto do diretor Eduard Abalov, que abandonou a produção. O longa concedeu a Tarkóvski aclamação internacional e foi vencedor do Leão de ouro, na cidade de Veneza, em 1962. Em 1965 Tarkóvski dirigi o longa Andrei Rublev sobre a vida do pintor russo Andrei Rublev. O segundo Longa de Tarkóvski só foi exibido uma vez em moscou no ano de 1966, dado os problemas com as autoridades soviéticas. O filme viu a luz mais algumas vezes em 1969 no Festival de Cannes, onde ganha o prêmio FIPRESCI. E foi amplamente divulgado em uma edição não oficial nos anos 1971 na União Soviética. Com o apoio de algumas personalidades que apreciavam o trabalho do diretor uma versão é finalmente liberada em 24 de dezembro de 1971. Essa foi a primeira colaboração entre o diretor e o ator Anatoly Solonitsyn.
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Durante o verão de 1979, Tarkóvski viajou para a Itália, onde filmou o documentário Voyage in Time, juntamente com seu amigo de longa data, Tonino Guerra. Tarkóvski voltou à Itália em 1980 para uma viagem prolongada durante a qual ele e Guerra completaram o roteiro para o filme Nostalgia. O longa foi o primeiro realizado fora da União Soviética. O diretor deveria contar com o apoio da MOSFILM, mas a MOSFILM retirou seu apoio e Tarkóvski precisou contar com a ajuda da televisão italiana do estado e da companhia francesa Gaumont. Tarkóvski completou o filme em 1983. Nostalgia foi apresentado no Festival de Cinema de Cannes e ganhou o Prêmio FIPRESCI e o Prêmio do Júri Ecumênico. Tarkóvski também compartilhou um prêmio especial chamado Grande Prêmio do cinema de criação com Robert Bresson. Tarkóvski considerou o Sacrifício diferente de seus filmes anteriores porque comentava que, enquanto os anteriores haviam sido: "impressionistas em estrutura", mas neste caso, "tinha como objetivo [...] desenvolver seus episódios à luz da minha própria experiência. E das regras da estrutura dramática" mas também "construir o quadro num conjunto poético no qual todos os episódios estavam harmoniosamente ligados", e que "por isso [o filme] assumiu a forma de uma parábola poética".
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Tarkóvski desenvolveu a teoria de cinema chamada “esculpir no tempo”. Com isto ele pretende que a verdadeira caraterística do cinema é transmitir a nossa experiência de tempo e alterá-lo. A película não editada transcreve o tempo em tempo real. Com uso dos planos longos e poucos cortes nos filmes, ele pretende para dar aos espectadores a sensação de passar do tempo, do perder o tempo, e a relação entre um momento em tempo com o outro.
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Inúmeros prêmios foram concedidos à Tarkóvski ao longo de sua carreira. No Festival de Cinema de Veneza, foi premiado com o Leão de Ouro pelo filme "A Infância de Ivan". No Festival de Cannes, ganhou o prêmio FIPRESCI quatro vezes, o Prêmio do Júri Ecumênico três vezes (mais do que qualquer outro diretor), e o Grand Prix Spécial du Jury duas vezes. Também foi nomeado para a Palma de Ouro duas vezes. Em 1987, a Academia Britânica de Cinema e Televisão concedeu o prêmio BAFTA de Melhor Filme Estrangeiro para O Sacrifício. Sob a influência da Glasnost e Perestroika, Tarkovsky foi finalmente reconhecida na União Soviética no Outono de 1986, pouco antes de sua morte, por uma retrospectiva de seus filmes em Moscou. Após sua morte, uma edição inteira da revista de cinema Kino Iskusstvo lhe foi dedicada. Em seus obituários, o comitê filme do Conselho de Ministros da URSS e da União dos Diretores Soviéticos expressaram sua tristeza por Tarkóvski ter passado os últimos anos de sua vida no exílio.


