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André Gide

André Paul Guillaume Gide foi um escritor francês.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 10/07/2026
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Biografia

É neste período que Gide começa a escrever Corydon, um ensaio socrático que tem por objectivo combater os preconceitos sobre a homossexualidade e a pederastia. A sua decisão de escrever este ensaio é subsequente ao processo Renard, em que um homem é acusado de morte, menos pelos factos existentes contra si que pelos seus "costumes inenarráveis". Os amigos a quem Gide submete o rascunho do tratado assustam-se com o possível escândalo e advertem-no em relação ao impacto que poderá ter tanto na sua vida pública como privada, de tal forma que Gide apenas manda imprimir os dois primeiros capítulos anonimamente e discretamente, em 1910. Completará a sua obra em 1917-18, mas apenas a publicará no seu nome em 1924. O ano de 1913 é marcado pelo nascimento de uma nova e profunda amizade, unindo Gide a Roger Martin du Gard, após a publicação de Jean Barois pela Gallimard. Amigo fiel e crítico desprovido de indulgência, Roger Martin du Gard manter-se-á no círculo de relações próxima de Gide até à morte deste.

Infância

André Gide nasceu no dia 22 de Novembro de 1869 em Paris, filho de Paul Gide, um professor de direito na Universidade de Paris, e de Juliette Rondeaux. O pai, natural de Uzés, descendia de uma austera família protestante. A mãe era filha de burgueses ricos de Rouen, originalmente católicos, mas convertidos ao protestantismo. A infância de Gide foi marcada por uma alternância de residência entre a Normandia (em Rouen) e La Roque, junto da família materna, e Uzés, na casa da sua avó paterna, onde se apaixona fortemente pela paisagem campestre. Gide atribuirá grande importância a estas influências contraditórias, exagerando o seu carácter de antitético.

As vocações

Durante uma das suas estadas em Rouen, no Outono de 1882, descobre a mágoa secreta da sua prima Madeleine em relação às relações adúlteras da sua mãe. Afundado em emoção, Gide descobre "um novo oriente para a (sua) vida". Nasce então uma relação longa e tortuosa. Gide deixa-se fascinar por esta rapariga, pela sua consciência do mal, pelo seu feito rígido e conformista; um conjunto de diferenças que o fascina. Constrói da sua prima, pouco a pouco, uma imagem de perfeição pela qual se apaixona, de forma puramente intelectual, mas não menos ardente. A partir de 1883, tem aulas particulares com Madame Bauer, com quem descobre, entre outros, o Journal d'Amiel, que o incentiva a escrever o seu próprio diário intimo. O seu primo, Albert Démarest, pela sua atenção bondosa e aberta, tem também um papel importante junto de Gide, conseguindo que a a sua mãe reticente lhe conceda acesso à biblioteca paternal.

A "tentação de viver"

Em 1891, pouco depois de ter escrito o Traité du Narcisse, conhece Oscar Wilde, personalidade que tanto o assusta como o fascina. Para Gide, que começa a afastar-se de André Walter, do seu ideal ascético, da rejeição da vida, Wilde é o exemplo vivo de uma alternativa. Na Primavera de 1892, uma viagem pela Alemanha, sem a sua mãe, é a ocasião para aprofundar o seu conhecimento sobre Goethe. Gide começa então a pensar que "é um dever ser feliz". Nas Élégies romaines, Gide descobre a legitimidade do prazer — em oposição ao puritanismo que sempre havia conhecido — que resulta para ele numa "tentação de viver". É então que começam as tensões com a sua mãe, que continua decidida em defender as pretensões do filho em relação a Madeleine, contra o resto da família Rondeaux e da própria, determinados em não permitir o casamento entre os primos.

O casamento

O ano de 1895 inicia-se para André Gide com uma segunda viagem à Argélia, onde encontra de novo Wilde acompanhado de Lord Alfred Douglas ("Bosie") e onde acontece uma outra noite decisiva na companhia de um jovem músico. A correspondência com a sua mãe regista uma oposição entre ambos cada vez mais veemente. No entanto, no seu regresso a França, a situação está tranquila. Madeleine, que revê nessa altura, reaproxima-se finalmente dele e a morte da sua mãe, Juliette, em 31 de Maio de 1895 — que marca simultaneamente um momento de grande dor mas também de libertação — precipita os acontecimentos. O noivado é anunciado em Junho e o casamento, que nunca será consumado, é marcado para Outubro. Durante a viagem de núpcias de sete meses, André, apesar de bem de saúde, sente-se incessantemente travado pela esposa doentia. Na Suíça, trabalha em Les Nourritures terrestres, que havia começado em Biskra. Escreve também um pósfacio para Paludes, declarando encerrado, de forma satírica, o período simbolista e considerando as Nourritures a nova via. Gide manterá futuramente o hábito de imaginar as suas obras como balizas no seu caminho, escritas em reacção umas às outras e impossíveis de compreender completamente senão através de uma leitura conjunta.

Teatro e crónicas

Durante o Inverno de 1898, Gide começa a interessar-se pelo caso Dreyfus. Subscreve a petição de apoio a Zola, mas recusa romper o diálogo com os que, de entre os que o rodeiam, tomam o partido contrário. Sem transigir, esforça-se por compreender, senão mesmo convencer, os seus adversários. Uma estadia de dez semanas em Roma — de que ele finalmente começa a gostar — é marcado pela descoberta de Nietzsche, onde revê os seus pensamentos mais secretos: "O grande reconhecimento que lhe devoto é o de ter aberto uma estrada real onde eu não ousei, talvez, traçar mais que uma vereda". Trabalha na peça de teatro Saül. Contraponto de Nourritures, esta obra deve revelar o perigo de uma disposição exagerada à abertura, o risco da dissolução da personalidade. Uma vez terminada a peça, Gide tenta obstinadamente, mas em vão, levá-la à cena, o que explica a sua publicação tardia em 1903.

De L'immoraliste a Porte étroite

Em 1902, L'immoraliste obtém maior sucesso mas o autor, rapidamente associado pela crítica ao personagem Michel, sente-se incompreendido. Segundo ele, Michel não passa de uma virtualização dele próprio, de que ele se purga escrevendo. Depois de L'Immoraliste, segue-se um período vazio que se prolonga até à publicação de La Porte étroite en 1909. Nesse período, tem dificuldade em escrever, publicando apenas Prétextes (colectânea de críticas, em 1903), 'Amyntas (em 1906, sem nenhum impacto na crítica) e o Retour de l'enfant prodigue (1907). Publica igualmente uma homenagem a Oscar Wilde em 1902: a batalha assim iniciada para preservar a memória do romancista contra as críticas hipócritas de Bosie prosseguirá com Si le grain ne meurt.

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