André Baniwa
André Fernando Baniwa é um professor, escritor, político e ativista indígena brasileiro, uma liderança do povo Baniwa.
Pouco depois de nascer sua família saiu da aldeia nativa e se fixou na aldeia de Ipadu Ponta, no rio Negro, onde permaneceram até a década de 1980. Neste período André estudou por dois anos em uma escola evangélica, e em 1988 foi estudar em Manaus na escola agrícola Rainha dos Apóstolos. Voltando à sua aldeia, foi contratado pela prefeitura e passou a lecionar na escola comunitária, a Escola Pamáali Baniwa-Koripako. Em 1992 participou da criação da Organização Indígena da Bacia do Içana (OIBI), assumindo na primeira diretoria a função de segundo tesoureiro. Em 1996 foi eleito presidente da OIBI, sendo reeleito em 2000 e 2004, e vice-presidente em 2019. Neste meio-tempo foi bolsista da Fundação Ashoka entre 2001 e 2003, e desde janeiro de 2005 é vice-presidente da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), com sede em São Gabriel da Cachoeira, onde mora atualmente com a esposa e cinco filhos. Foi assistente técnico da FUNAI, um dos fundadores da Organização Baniwa e Koripako e um dos fundadores da Coordenadoria das Associações Baniwa e Koripako, sendo eleito coordenador em 2002. Foi eleito vice-prefeito de São Gabriel da Cachoeira em 2008 e em 2012 foi candidato a prefeito.
André foi um dos principais idealizadores e coordenador do projeto de implantação da Escola Pamáali, da qual nunca se afastou. Situada na Terra Indígena Alto Rio Negro, no município de São Gabriel da Cachoeira, foi planejada a partir de 1996 e inaugurada em 2000, contando com o apoio da OIBI, da FOIRN e do Instituto Socioambiental. Oferece ensino fundamental e médio, projetos de pesquisa e cursos profissionalizantes em Manejo Agroflorestal, Artes e Administração. A instituição é reconhecida pelo sistema municipal, tem Projeto Político Pedagógico aprovado e recebe financiamento do governo, mas sua gestão é comunitária e seus professores são nativos. Tem desempenhado um importante papel na preservação da cultura dos povos Baniwa e Koripako, duas etnias muito próximas. Muitos dos seus alunos se tornaram professores universitários, em seu redor foi desenvolvido um projeto de fomento e comercialização da arte indígena, um projeto de cultivo da pimenta Baniwa, elemento tradicional da sua cultura, foram publicados livros sobre a pesca, manejo ambiental e seu modo de vida, e foi criado um projeto de fixação da língua Baniwa, a partir do qual foi unificada a grafia e elaborada uma gramática, contribuindo para a adoção da língua como co-oficial do município de São Gabriel da Cachoeira. Outros projetos incluem laboratório de informática com internet, laboratório de produção de alevinos de peixes nativos, criação de animais e radiofonia. O ensino dado na escola integra o conhecimento ocidental com os conhecimentos tradicionais do povo indígena, incluindo política, política e educação para a saúde, direitos e movimentos indígenas, ética Baniwa e desenvolvimento sustentável.


