Oswald de Andrade
José Oswald de Sousa de Andrade, apelidado de Oswald de Andrade, foi um poeta, escritor, advogado, ensaísta e dramaturgo brasileiro. Figura-chave do modernismo no Brasil, escreveu o Manifesto da Poesia Pau-Brasil e o Manifesto Antropófago.
Primeiros anos
Em 11 de janeiro de 1890 nasceu, em São Paulo, José Oswald de Sousa de Andrade, sendo sobrinho do escritor (por parte materna) e membro da Academia Brasileira de Letras, Inglês de Sousa. Iniciou seus estudos, em 1900, na Escola Modelo Caetano de Campos. Em 1901, ingressa no Ginásio Nossa Senhora do Carmo. De 1903 a 1908 estudou no Colégio São Bento, onde concluiu seus estudos com o diploma de bacharel em humanidades. Em 1909 iniciou carreira no jornalismo como redator e crítico teatral do Diário Popular, assinando a coluna Teatro e Salões. Iniciava assim a carreira jornalística que, salvo alguns momentos de exceção, fez parte de toda sua vida. No mesmo ano, ingressou na Faculdade de Direito, na qual logo se decepcionou com os estudantes veteranos e a violência do trote que realizavam.
Década de 1910
Conheceu o Rio de Janeiro em 1910, onde ficou hospedado na residência de seu tio avô, o escritor Inglês de Sousa. Em uma das viagens à cidade, Oswald presenciou as movimentações nas ruas durante a Revolta da Chibata, evento que registrou posteriormente de diversas formas em Marco Zero II. No ano seguinte, passou a frequentar o círculo boêmio do poeta Emílio de Menezes, que contava com a presença de escritores importantes como João do Rio, Olegário Mariano e Olavo Bilac. Apesar de ter se entusiasmado pelo poeta líder do grupo, Oswald depois perdeu o interesse e até o criticou em Serafim Ponte Grande e entrou em atrito com Olegário Mariano. Com relação a João do Rio, Oswald continuou admirando seus contos por ter um estilo decadista que se distanciava de Olavo Bilac e Coelho Neto, o que o tornava um dos poucos escritores que propunha uma renovação literária nacional alinhada às tendências europeias da época.
Década de 1920
Em 1920, Oswald começa a editar sua nova revista, Papel e Tinta, contando com a colaboração de Mário de Andrade, Leo Vaz, Menotti del Picchia e Monteiro Lobato. No segundo número da revista, sob o pseudônimo de Ivan, Oswald de Andrade publica um artigo intitulado Victor Brecheret, no qual enaltece o escultor após imagens de duas imagens de suas obras terem sido publicadas na Revista do Brasil. Tal como fizera na nota sobre Anita Malfatti, Oswald aproveita os elogios a Brecheret para sair em defesa da negação da cópia da arte europeia em favor da valorização da inovação de elementos nacionais e da releitura brasileira das vanguardas europeias, características que farão parte da estética modernista.
Década de 1930
No dia 1º de abril de 1930 casa-se com Pagu, em uma cerimônia pouco convencional: O acontecimento foi simbólico, realizado no Cemitério da Consolação, em São Paulo. O fato apareceu em diversos noticiários. Casaram-se oficialmente no civil e na igreja apenas no mês seguinte, com Pagu já grávida de seis meses. Em 25 de setembro do mesmo ano nasceu o filho do casal, Rudá Poronominare Galvão de Andrade. Seu casamento com Patrícia o faz se aproximar da política, e ele tornou-se militante do Partido Comunista Brasileiro, e o casal fundou juntos o jornal O Homem do Povo, que durou até 1945, quando Oswald rompeu com o partido comunista. Em junho de 1934 desquitou-se de Pagu, devido as constantes traições de Oswald, que assumiu um relacionamento com sua nova amante, a pianista Pilar Ferrer, com quem já estava há dois anos. Após um mês, separou-se de Pilar, e iniciou um namoro com Julieta Bárbara Guerrini, uma jovem poetisa, de família tradicional piracicabana, de origem italiana. Em dezembro o casal passou a viver juntos. O casal separou-se em 1940.
Morte
Ele faleceu aos 64 anos, em seu quarto, vítima de um infarto. Ele foi sepultado no jazigo da família, no Cemitério da Consolação, junto aos seus pais e avós.
Modernismo brasileiro
Um dos mais importantes introdutores do Modernismo no Brasil, foi o autor dos dois mais importantes manifestos modernistas, o Manifesto da Poesia Pau-Brasil e o Manifesto Antropófago, bem como do primeiro livro de poemas do modernismo brasileiro afastado de toda a eloquência romântica, Pau-Brasil. Muito próximo de Mário de Andrade no princípio de sua carreira literária, os dois autores atuaram como dínamos na introdução e experimentação do movimento, unidos por uma profunda e duradoura amizade. Porém, possuindo profundas distinções estéticas em seu trabalho, Oswald de Andrade foi também mais provocador que o seu colega modernista, podendo hoje ser classificado como um polemista. Nesse aspecto não só os seus escritos como as suas aparições públicas serviram para moldar o ambiente modernista da década de 1920 e de 1930.
Manifesto da Poesia Pau-Brasil
O Manifesto da Poesia Pau-Brasil é do mesmo ano que o Manifesto Surrealista de André Breton, o que reforça a tese de que o Brasil estava a acompanhar plenamente o movimento das vanguardas mundiais. Tinha deixado definitivamente de ser uma forma de expressão pós-portuguesa para se afirmar plena e autonomamente. Neste manifesto Oswald defende uma poesia que seja ingênua, mas ingênua no sentido de não contaminada por formas preestabelecidas de pensar e fazer arte. “Poetas. Sem reminiscências livrescas. Sem pesquisa etimológica. Sem ontologia.” O manifesto desenvolve-se num tom de paródia e de festa, de prosa poética pautada com frases aforísticas. Nele se expressa que o Brasil passe a ser uma cultura de exportação, à semelhança do que foi o produto pau-brasil, que a sua poesia seja um produto cultural que já não deve nada à cultura europeia e que antes pelo contrário pode vir a influenciar esta. Oswald defende uma poética espontânea e original, as formas de arte estão dominadas pelo espírito da imitação, o naturalismo era uma cópia balofa. "Só não se inventou a máquina de fazer versos — já havia o poeta parnasiano". Afirma assim uma poesia que tem que ser revolucionária. "A poesia existe nos fatos". “O trabalho contra o detalhe naturalista — pela síntese, contra a morbidez romântica. — pelo equilíbrio geômetra, e pelo acabamento técnico, contra a cópia, pela invenção e pela surpresa”.
Manifesto Antropófago
O Manifesto Antropófago foi publicado no primeiro exemplar da Revista de Antropofagia. Os exemplares desta publicação eram numerados como primeira dentição, segunda dentição, etc. Este manifesto constitui-se numa síntese de alguns pensamentos do autor sobre o Modernismo Brasileiro. Inspirou-se explicitamente em Marx, Freud, André Breton, Montaigne e Rousseau e atacava explicitamente a missionação, a herança portuguesa e o padre Antônio Vieira: "Antes de os portugueses descobrirem o Brasil, o Brasil tinha descoberto a felicidade; Contra Goethe [que simboliza a cultura clássica europeia]". Neste sentido, assina o manifesto como tendo sido escrito em Piratininga (nome indígena para a planície de onde viria a surgir a cidade de São Paulo), datando-o esclarecedoramente como "ano 374, da Deglutição do Bispo Sardinha", o que denota uma recusa radical, simbólica e humoristicamente, do calendário gregoriano vigente.


