Analfabetismo funcional
Analfabetismo funcional é a incapacidade que uma pessoa demonstra ao não compreender textos simples. Tais pessoas, mesmo capacitadas a decodificar minimamente as letras, geralmente frases, textos curtos e os números, não desenvolvem habilidade de interpretação de textos e de fazer operações matemáticas. Também é definido como analfabeto funcional o indivíduo maior de quinze anos possuidor de escolaridade inferior a quatro anos letivos.
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UNESCO
Analfabetismo, assim como analfabetismo funcional, foram definidos na 20ª sessão da UNESCO de 2018 da seguinte forma: A definição de alfabetização da UNESCO de 1978 é ainda hoje largamente utilizada. Porém, tem sido fortemente criticada a noção de "alfabetização funcional" como instrumental ou funcionalista e relacionada a atividades econômicas. A UNESCO argumenta que a alfabetização é "sempre “funcional”, uma vez que capacita as pessoas com competências que lhes permitem funcionar, por isso não há necessidade de tal qualificação. Essas definições foram elaboradas no contexto de estatísticas de educação, por isso em sua maioria são definições operacionais para fins de medição."
IBGE
Para o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a fins de pesquisa, a definição de alfabetização é a mesma da UNESCO e a taxa de analfabetismo funcional é a "porcentagem de pessoas de uma determinada faixa etária que tem escolaridade de até 3 anos de estudo em relação ao total de pessoas na mesma faixa etária".
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Existem três níveis distintos de alfabetização funcional, a saber:
De acordo com o Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) de 2018, produzido pela Ação Educativa e do Instituto Paulo Montenegro, o analfabetismo funcional atinge cerca de 27% da população brasileira. O índice não deixa de estar associado à desigualdade socioeconômica. Em 2018, cerca de 3 em cada 10 brasileiros possuíam "muita dificuldade para fazer uso da leitura e da escrita e das operações matemáticas em situações da vida cotidiana, como reconhecer informações em um cartaz ou folheto ou ainda fazer operações aritméticas simples com valores de grandeza superior às centenas". O Censo 2010 mostrou que uma entre cinco pessoas (20,3%) são analfabetas funcionais. O problema maior está na região Nordeste, onde a taxa de analfabetismo funcional chega a 30,8%. Em 2012, o Inaf divulgou indicador de analfabetismo funcional entre estudantes universitários do Brasil e este chega a 38%. Um relatório de 2006 na Suíça sobre habilidades básicas dos adultos menciona que 16% dos suícos tinham grandes dificuldades de leitura e escrita.
Programa para Avaliação Internacional das Competências de Adultos
Trata-se do Programme for the International Assessment of Adult Competencies (PIAAC) da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) realizado em 2011-2012 em 33 países através de texto em prosa de nível 1, com pessoas dos 16 aos 65 anos de idade:
Chile
O Chile, único país da América Latina a participar do Programa para Avaliação Internacional das Competências de Adultos (PIAAC) da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), ficou, em estudo de 2011-2012 com pessoas entre 16 e 65 anos de idade a partir de testes com textos em prosa de nível 1, no topo, ou seja, no pior nível dentre os demais, com 58% de analfabetismo funcional, abaixo apenas da cidade de Jacarta.
Portugal
Segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) relativo a dados de 2005 em Portugal, 48% dos portugueses não percebem o que leem ou têm dificuldade em entender parte da informação. A taxa de analfabetismo funcional em 2010 de adolescentes portugueses de 15 anos era de 17,6%.
Estados Unidos
Nos Estados Unidos, de acordo com a revista Business, cerca de 15 milhões de adultos analfabetos funcionais tinham emprego no país no início do século 21. O American Council of Life Insurers (Conselho Americano de Seguradoras de Vida) relatou que 75% das empresas da Fortune 500 oferecem algum nível de treinamento corretivo para seus trabalhadores. Em 2003, 30 milhões (14% dos adultos) nos EUA não conseguiam realizar atividades de alfabetização simples e cotidianas. O Centro Nacional de Estatística Educional dos EUA (National Center for Education Statistics) fornece mais detalhes ao dividir a alfabetização em três parâmetros: prosa, documentos (mapas, tabelas) e alfabetização quantitativa (cálculos). Cada parâmetro tem quatro níveis: abaixo do básico, básico, intermediário e proficiente. Para a alfabetização em prosa, por exemplo, o nível de alfabetização "abaixo do básico" significa que uma pessoa pode olhar um pequeno trecho de texto para obter um pedaço de informação descomplicada, enquanto que uma pessoa que está "abaixo do básico" em alfabetização quantitativa seria capaz de fazer simples adição.
Reino Unido
Em 2006, o Departamento de Educação do governo do Reino Unido informou que 47% das crianças britânicas em idade escolar abandonaram a escola aos 16 anos sem ter alcançado um nível básico em matemática funcional e 42% não conseguiram atingir um nível básico de inglês funcional. Todos os anos, 100.000 alunos deixam a escola como analfabetos funcionais no Reino Unido.
França
Em 1995, um estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico - OCDE intitulado "Alfabetização, Economia e Sociedade", realizado em vários países desenvolvidos, mostrou que a proporção de pessoas com idade entre 16 e 65 anos com dificuldades em escrever, ler ou usar informações seriam de 40,1% na França (penúltimo lugar do estudo, logo à frente da Polônia), mas tal pesquisa, que não enfoca exatamente o analfebetismo funcional, mas sim a alfabetização informacional, ou seja, de forma mais geral e, segundo a OCDE, sobre "compreender e usar informações escritas na vida cotidiana, em casa, no trabalho e na comunidade para atingir objetivos pessoais e expandir conhecimentos e habilidades", não foi à época divulgado por autoridades públicas da França.
Em países ditos desenvolvidos, o nível de analfabetismo funcional tem sido proporcional ao nível de renda e inversamente proporcional ao risco de cometer certos tipos de crime. Por exemplo, de acordo com o National Center for Educational Statistics (Centro Nacional de Estatísticas Educacionais) dos Estados Unidos:


