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Keiko Fujimori

Keiko Sofía Fujimori Higuchi é uma administradora de empresas e política peruana. Líder do partido Força Popular desde 2010, foi eleita presidente do Peru em junho de 2026, com posse prevista para 28 de julho do mesmo ano. Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, desempenhou as funções de primeira-dama após o divórcio de seus pais, integrou o Congresso entre 2006 e 2011 e foi candidata à presidência quatro vezes, chegando ao segundo turno em todas as ocasiões.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 29/06/2026
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Primeiros anos, educação, carreira e família

Imagem: Keiko_Fujimori.jpg: Congreso de la República del Perú derivative work: Athenchen (talk) · BY · Openverse

Início de vida, educação e primeira-dama do Peru

Keiko Sofía Fujimori Higuchi (em japonês 藤森 恵子) nasceu em 25 de maio de 1975 no distrito Jesús María, em Lima, a capital do Peru. É a filha primogênita de Alberto Fujimori e Susana Higuchi, ambos descendentes de imigrantes japoneses. Além dela, seus pais tiveram outros três filhos: Hiro Alberto (nascido em dezembro de 1976), Sachi Marcela (março de 1979) e Kenji Gerardo (maio de 1980). Keiko e seus irmãos estudaram no colégio Sagrados Corazones Recoleta, uma instituição de ensino privada administrada pela Igreja Católica. Neste educandário, Keiko cursou o ensino primário e secundário. Em 1990, seu pai foi eleito presidente. Em 1992, Alberto deu um autogolpe que dissolveu o Congresso, interveio no Poder Judiciário e na imprensa e perseguiu opositores. Posteriormente, com a aprovação de uma nova constituição, Alberto pôde ser candidato à reeleição. No mesmo ano, Keiko terminou o ensino secundário e, em 1993, mudou-se para os Estados Unidos, onde estudou inglês e cursou administração de empresas na Universidade Estadual de Nova Iorque em Stony Brook.

Investigações, continuação dos estudos, casamento e família

Em janeiro de 2001, a Comissão Waisman, formada por congressistas, investigou os Fujimori por suspeitas de corrupção. A comissão chegou a evidências consistentes de que os estudos no exterior de Keiko e seus irmãos foram pagos com dinheiro não declarado às autoridades fiscais. Vladimiro Montesinos, um dos principais assessores de Alberto, afirmou que tais recursos originaram-se de fundos do Serviço de Inteligência Nacional. Durante as audiências em que foi ouvida, Keiko assegurou que o financiamento de seus estudos havia sido feito de forma legal, com recursos da família provenientes da venda de uma propriedade. Ao contrário de seus familiares que fugiram do país para escaparem da justiça, ela permaneceu no Peru e colaborou com as autoridades. A Comissão Waisman acabou não indiciando penalmente Keiko e seus irmãos. Uma década depois um fiscal reabriu o caso, que foi arquivado pelo Ministério Público. Ao todo, o Congresso instaurou oito comissões de inquérito sobre o caso, mas nenhuma concluiu pela existência de um crime.

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Congressista

"Se tivessem mostrado evidências concretas contra meu pai, nenhum peruano teria votado em mim, e eu tive a votação mais alta nas últimas eleições de abril de 2006, com 602 mil votos. Se as pessoas acreditam que meu pai é culpado, não teriam votado em Keiko Fujimori." — Keiko Fujimori, em 25 de setembro de 2007 Durante a década em que esteve no poder, Alberto conseguiu estabilizar a economia e derrotar o grupo terrorista Sendero Luminoso. No entanto, seu legado foi marcado por pontos negativos: um alto nível de corrupção, sendo considerado por muitos como um dos governos mais corruptos da história do país; violações de direitos humanos; e o autogolpe de 1992. Após sua prisão no Chile, em 2005, ficou impedido de candidatar-se à presidência, bem como teve indeferida sua aliança Sí Cumple. Por este motivo, partidários de agremiações políticas que deram sustentação ao governo Fujimori criaram a Aliança pelo Futuro. Com o ex-presidente legalmente impedido de presidir o novo partido, Keiko foi registrada como a presidente. Neste contexto, voltou ao país com a missão de defender as aspirações presidenciais do pai e concorrer ao Congresso nas eleições gerais de 2006. Como ela própria admitiu, sua candidatura foi ideia de seu pai.

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Campanha presidencial de 2011

Após coletar um milhão de assinaturas, o Fuerza 2011 obteve o registro como partido em 9 de março de 2010. Em 19 de maio, Keiko lançou oficialmente o novo partido. Em 7 de dezembro, oficializou sua candidatura à presidência durante um ato de campanha em um bairro de Lima. Rafael Rey Rey, ministro da Defesa e membro do partido conservador Renovação Nacional, foi candidato à primeira vice-presidência, e Jaime Yoshiyama, ex-ministro do governo de Alberto, à segunda. Ao longo da campanha, Keiko defendeu sua proposta de aplicação da pena de morte para estupradores e autores de latrocínios, a criação de empregos, a redução da pobreza, o controle das contas públicas, o livre-comércio, o combate ao crime, uma "ofensiva contra a corrupção", a melhoria da formação dos professores e a premiação dos que se destacam, e a criação de mecanismos de avaliação da qualidade do ensino. Sua campanha também baseou-se na defesa do governo de seu pai. Na opinião da candidata, o governo Alberto foi responsável pelo fim do terrorismo e por estabilizar a economia. No entanto, buscou desvincular-se dos escândalos que envolveram a presidência do pai, tentando creditar a Montesinos a autoria dos crimes de violação de direitos humanos e corrupção, e comprometeu-se a não dar indulto a Alberto, um poder constitucional do presidente da República. Keiko também reconheceu os "erros" e "excessos" cometidos durante aquele governo, e recordou que se opôs à terceira reeleição dele em 2000.

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Atuação política e reorganização (2011–2015)

Após a derrota, Keiko passou a trabalhar para concorrer novamente à presidência na próxima eleição. Sua estratégia iniciou com uma revisão em seu partido que, em julho de 2012, mudou o nome para Fuerza Popular (Força Popular, em português). Em sua opinião, o novo partido "poderia durar por um longo tempo." O logo da agremiação, laranja e com um grande "K" que refere-se a Keiko, continuou o mesmo, bem como a manteve como presidente. O novo partido não apresentou uma declaração de princípios ideológicos às autoridades eleitorais, mas suas principais bandeiras continuaram sendo o fujimorismo, o que incluiu defender as políticas econômicas liberais, a estabilidade financeira e uma rigidez na segurança. Apesar disso, procurou sutilmente afastar-se do legado de seu pai. Em outubro de 2012, Keiko e seus irmãos pediram um "indulto humanitário" ao pai que, segundo a defesa, estava com problemas de saúde. Na ocasião, declarou: "Vamos entregar uma carta ao presidente Ollanta Humala para informar-lhe que foi apresentada esta solicitação. Será uma carta pessoal dos quatro filhos para que tenha conhecimento que o procedimento foi apresentado." Em junho de 2013, Humala negou o pedido, alegando que estava seguindo recomendações de um relatório técnico que indicou que o ex-presidente não possuía uma doença terminal e não possuía transtornos mentais graves ou incuráveis. Em 2015, Alberto foi condenado a oito anos de prisão pela acusação de que desviou recursos públicos para comprar tabloides que apoiassem sua reeleição em 2000.

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Campanha presidencial de 2016

Imagem: Presidencia de la República del Perú · BY · Openverse

Em 4 de dezembro de 2015, Keiko anunciou oficialmente sua candidatura à presidência na eleição de 2016. Os seus companheiros de chapa foram o ex-ministro da agricultura José Chlimper Ackerman para a primeira vice-presidência e Vladimiro Huaroc Portocarrero, ex-governador, para a segunda. Seu plano de governo baseou-se em seis "pilares", entre os quais defendeu o fortalecimento das instituições do Estado de Direito, a independência dos poderes, uma "proteção efetiva dos direitos humanos", um apoio limitado das forças do Exército ao contingente policial, o livre-mercado, a redução de impostos, os incentivos a pequenas empresas, o uso de fundos emergenciais estatais para reativar a economia, a emissão de títulos da dívida pública, e a expansão da eletricidade e da internet nas comunidades rurais. Em janeiro de 2016, haviam dezenove postulantes à presidência. Todavia, até a data do primeiro turno, nove foram expulsos ou desistiram. César Acuña e Julio Guzmán, dois dos principais concorrentes, foram excluídos da disputa pelo Júri Nacional de Eleições. Acuña teve sua candidatura interrompida por ter entregue valores monetários a pessoas durante a campanha, e Guzmán foi retirado devido a questionamentos referentes a democracia interna de seu partido. Keiko também foi alvo de ações no JNE, que pediam a exclusão de sua candidatura por ter estado presente em um evento onde foram feitas doações maiores do que o permitido pela legislação eleitoral. Keiko argumentou que as denúncias contra ela eram "irresponsáveis" e sua defesa alegou insuficiência de provas. O JNE julgou todas as ações improcedentes, declarando que ela "não incorreu na conduta proibida de oferecer nem entregar dinheiro ou presentes com a finalidade de obter votos." O desfecho levantou suspeitas de que tais exclusões foram feitas para favorecer sua candidatura, o que motivou críticas pela falta de critérios claros na aplicação das normas.

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Líder da oposição

Após sua segunda derrota presidencial, Keiko se manteve como a principal líder da oposição ao mesmo tempo em que se defendia das acusações de que teria mantido relações espúrias com a construtora Odebrecht. Nos anos seguintes, fez uma oposição muito agressiva; conforme relatos de pessoas próximas, acreditava que lhe haviam roubado as eleições de 2016. Em 2017, apoiou o processo de afastamento de PPK. Seu irmão, o agora congressista Kenji, manifestou-se contra, acentuando a disputa pelo legado fujimorista e pela liderança da oposição. A maior parte da bancada da Força Popular seguiu a orientação de Keiko, mas a dissidência de Kenji levou outros dez congressistas do partido a se absterem. Consequentemente, PPK permaneceu no cargo por apenas oito votos. Em março de 2018, PPK renunciou após ser acusado de comprar votos de congressistas para impedir seu afastamento. Na época, Kenji foi gravado negociando votos em apoio ao presidente que, em troca, concederia um perdão a Alberto; de fato, PPK perdoou o ex-presidente em dezembro de 2017. Quando as gravações vieram a público, Keiko, acusada de estar entre os responsáveis por sua divulgação, condenou as atitudes do irmão que, ao ser afastado pelo Congresso em junho de 2018, afirmou: "Keiko, parabéns, aqui tens a minha cabeça em uma bandeja." Em 2018, Kenji criou um novo partido, o Cambio 21, que contudo foi extinto no ano seguinte.

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Operação Lava Jato

Imagem: Presidencia Perú · BY-NC-SA · Openverse

Em 10 de outubro de 2018, Keiko foi presa preventivamente no âmbito da Operação Lava Jato, sob a acusação de lavagem de dinheiro. A prisão foi solicitada pelo Ministério Público, que a acusou de receber ilegalmente dinheiro da Odebrecht em sua campanha à presidência em 2011. A ordem de prisão emitida pelo juiz Richard Concepción Carhuancho afirmou que Keiko liderava uma "organização criminosa no interior do partido Força 2011 [hoje Força Popular]", bem como que tal organização "tinha como objetivo obter poder político e, por consequência, ter um nível de influência e interferência no Poder Legislativo e no Poder Judiciário." A defesa de Keiko questionou a decisão, reiterando que estava cumprindo com as ordens judiciais e que a determinação de sua prisão era "uma resolução arbitrária e abusiva." Keiko arguiu ainda que se tratava de "perseguição política sem provas contra mim, estou privada de minha liberdade, com a cabeça erguida e o espírito intacto."

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Campanha presidencial de 2021

"Não há melhor exemplo de governo eficiente do que o de uma mãe que cria seus filhos com amor e firmeza, porque o que mais amamos é o que mais cuidamos. É por isso que inspirada em ti, mãe lutadora, resumo minha proposta de governo em duas palavras: mão de ferro." — Keiko apresentando seu plano de governo, em 2021 Depois de alguns meses longe do foco da mídia e de seu partido, Keiko anunciou em setembro de 2020 seu retorno integral à agremiação, reiterando que estava trabalhando por sua renovação. Através da Escola Laranja, procurou preparar uma "nova geração de líderes" com a exposição de conteúdos sobre o governo Fujimori, a Constituição e os "desafios do bicentenário." Em outubro, anunciou sua pré-candidatura à presidência para o pleito do ano seguinte, acompanhada por Luis Galarreta, como candidato para a primeira vice-presidência, e Patricia Juárez, à segunda. Keiko propôs um plano de "resgate e reconstrução", o Rescate 2021 ("Resgate 2021", em português), que previu o fortalecimento da segurança pública, o rastreio dos contatos como forma de combater a pandemia de COVID-19, a reativação econômica, a promoção do empreendedorismo, a realização de obras, o fim da quarentena e o aumento de benefícios sociais. Declarou-se favorável à união patrimonial entre pessoas do mesmo sexo, mas contrária ao casamento e à adoção homoparental, afirmando temer que as crianças adotadas pudessem estar expostas ao bullying.

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Atividades pós-eleição de 2021

Imagem: Teresa Stanton · BY-NC-ND · Openverse

Durante a presidência de Pedro Castillo (2021–2022), o Força Popular integrou a oposição no Congresso. Keiko apoiou iniciativas parlamentares de vacância presidencial contra Castillo ainda no primeiro semestre de seu governo, argumentando que o presidente era moralmente incapacitado. Em dezembro de 2022, após o anúncio de Castillo de dissolução do Congresso e decretação de estado de exceção, pronunciou-se publicamente contra a medida, classificando-a como uma ruptura da ordem constitucional e defendendo a atuação do Congresso e das Forças Armadas em sua manutenção. O presidente Castillo foi rapidamente destituído pelo Congresso e sucedido pela vice-presidente Dina Boluarte. No governo Boluarte, o Força Popular integrou o conjunto de bancadas que sustentaram a presidente no Congresso, especialmente em votações relacionadas à estabilidade institucional, incluindo a rejeição de moções de vacância e iniciativas de censura ministerial. A bancada manteve alinhamento legislativo com o governo em votações chave até outubro de 2025, quando manifestou-se a favor do impeachment de Boluarte, argumentando que, enquanto o país passava por uma crise sem precedentes de segurança, justiça e confiança, o governo "permanece alheio ao sofrimento dos cidadãos."

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Imagem cultural e política

Imagem: Presidencia Perú · BY-NC-SA · Openverse

Keiko foi descrita como uma política conservadora, populista e autoritária. Ideologicamente, foi caracterizada como de centro-direita até a extrema-direita. Além disso, é uma figura polarizadora. Em 2016, se por lado os fujimoristas possuíam o apoio de um terço da população e transformaram-se no populismo de direita mais forte da América Latina, havia também o antifujimorismo, um grupo de pessoas que rechaçavam o governo Fujimori e viam em sua filha um retrocesso e uma ameaça à democracia, apesar dela ser considerada uma representante do "fujimorismo moderado." De acordo com um levantamento do Ipsos de 2016, 27% dos eleitores "definitivamente não votariam" nela, e seu índice de rejeição chegou a 66% em 2021, segundo o mesmo instituto de pesquisas. Por outro lado, foi considerada a mulher mais poderosa do país em 2019, conforme dados coletados pelo Ipsos. Derrotado na eleição presidencial de 1990 por Alberto, o escritor Vargas Llosa era uma das vozes críticas a Keiko. Na opinião dele, elegê-la seria "validar uma ditadura" e um "grande erro." No segundo turno de 2021, contudo, Vargas Llosa endossou Keiko por vê-la como o "menor de dois males" frente a Pedro Castillo. Discorrendo sobre Keiko, o professor Michael Shifter, presidente do Inter-American Dialogue, afirmou que tinha "certa habilidade política" e "construiu uma base de apoio." No entanto, ele acreditava que a permanência de funcionários do governo Fujimori em sua equipe "gera resistências em setores da sociedade que possuem más lembranças dos anos de violações aos direitos humanos, corrupção e de um ambiente muito polarizado."

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