Ana Hatherly
Anna Maria de Lourdes Rocha Alves Hatherly GOIH,, foi uma professora, escritora, realizadora e artista plástica portuguesa.
Nasceu no Porto em 1929, tendo-lhe sido dado o nome de Maria de Lourdes Rocha Alves; filha de Jaime Constantino Alves, de 27 anos, solteiro, natural de Bragança, e de Celeste Rocha Pereira, de 24 anos, divorciada, natural de Viana do Castelo, moradores à época na rua do Bonjardim, 632, Porto. Na sua genealogia existe um antepassado austríaco, razão da sua aparência germânica. Os seus pais morreram quando era criança, tendo sido educada pela avó materna, Maria da Hora da Rocha Pereira.A avó, muito tradicional e católica, era cinéfila e desde cedo levava a neta a todas as sessões de cinema. Hatherly, mais tarde, contou que nesse tempo viu um filme que muito a impressionou, O Homem Invisível (1933) de James Whale. Com voz de soprano, tentou ser cantora lírica, chegando a ir à Alemanha para se especializar em música barroca. O seu sonho terminou por não ter suficiente capacidade física para suportar o esforço do canto. Acabou por sofrer uma lesão pulmonar, indo tratar-se num sanatório perto de Genebra, na Suíça, durante um ano. Aí começou a escrever por recomendação de um médico, que lhe dissera que a criatividade era como um prego dentro de um saco de pano, que haveria sempre de dar sinal, fosse qual fosse o canal. Ofereceu-lhe uma caneta de tinta permanente Parker para esse efeito.
Vida pessoal
Muito jovem, Hatherly teve um relacionamento com o pintor e gravador húngaro, radicado em Portugal, Attila Mendly de Vétyemy, de quem teve a sua única filha, Catarina Hatherly (1949-1970). Em 18 de setembro de 1952, casou com Henry Mário Frank Hatherly (empresário), em Kensington, Inglaterra, tendo mudado o nome para Anna Maria de Lourdes Rocha Alves Hatherly. Ficou viúva em 21 de Maio de 2000.
Hatherly inicia na década de 60 o percurso artístico, por esta altura conclui que a escrita «nunca foi senão representação: imagem». Começará então uma pesquisa em torno da caligrafia (actual e ancestral) e dos signos, cria então aquilo que na sua biografia pela Coleção de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian se chama de "escrita-imagem". Integra o Grupo Experimentalista Português e participa em diversas exposições com destaque em 1977 para a exposição Alternativa Zero. Em 1992 o CAM da Fundação Calouste Gulbenkian apresenta uma retrospectiva da sua obra, a seguir à qual Ana Hatherly continua a expor em exposições individuais onde apresentou "pinturas evocativas da sua viagem à India, séries inéditas de trabalhos feitos em Londres, neo-graffitis, ou ainda pinturas onde a inquirição da reciprocidade entre a escrita e a visualidade dão lugar a uma pintura despojada". Exemplo de despojamento e um reflexo do estilo gestualista, mas também da interligação entre a escrita, o desenho, a poesia e a pintura, é a obra Auto Retrato Obliterado, datada de 1996, dois anos antes da publicação do poema Auto Retrato onde Hatherly nos diz "Oculto nele e nele convertido / do tempo ido escusa o cruel trato, / que o tempo em tudo apaga o sentido.".
Imagem: Maria José Palla · BY-SA · Openverse
A 10 de Junho de 2009, foi feita Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.


