Ana da Áustria, Rainha da França
Ana Maria Maurícia de Habsburgo, foi a esposa do rei Luís XIII e Rainha Consorte da França e Navarra de 1615 até 1643, além de regente durante a menoridade de seu filho Luís XIV, entre 1643 e 1651.
Quando menina, Ana tinha cabelos claros e levemente ondulados, pele branca e um nariz pequeno e elegante. O lábio inferior era saliente, como era típico dos Habsburgos. Os olhos eram verdes escuros. A historiadora francesa Claude Dulong, referindo-se a um retrato de Rubens no Louvre, decreve-a como: "A mesma luz solar brilhante que doura a pintura também irradiava de Ana da Áustria. Não há nada de espanhol nessa infanta espanhola. Seus olhos verdes, seu corpo rosado, sua pele de lírio e rosa, para usar o idioma da época, eram tão deslumbrantes quanto o volume de seu cabelo. Ela tinha talvez um nariz ligeiramente irregular e um lábio inferior grosso, que sugeria sangue Habsburgo, mas era essa sugestão que tornava sua boca sensual. Ana tinha um corpo pequeno, mas perfeitamente modelado, que permaneceu assim por muito tempo. Quanto às suas mãos, elas eram tão delicadas que são até mencionadas em sua oração fúnebre."
Batizada como Ana Maria Maurícia, era filha mais velha do rei Filipe III da Espanha, da casa de Habsburgo, oriunda da Áustria, isto fazia de Ana uma infanta da Espanha e arquiduquesa da Áustria. Ela também era uma infanta de Portugal durante o domínio espanhol sobre Portugal. Ana foi criada principalmente no Palácio Real de Alcázar em Madrid. Ao contrário do que era comum na época, Ana era muito próxima dos seus pais que eram muito religiosos. Estes deram-lhe uma educação bastante religiosa e era comum levarem-na a ela e aos irmãos a visitar mosteiros. Em 1611, a mãe de Ana morreu poucos dias depois de dar à luz o seu filho mais novo, Afonso (este morreu pouco antes de completar um ano de idade). Apesar do luto, Ana fez o seu melhor para cuidar dos seus irmãos mais novos e a família permaneceu unida até o final da sua vida.
Quando Ana tinha 10 anos, a corte espanhola iniciou as negociações de um casamento duplo entre as famílias reais da França e Espanha. O irmão de Ana, Filipe, Príncipe das Astúrias (futuro Filipe IV da Espanha), se casaria com a filha de Henrique IV da França, Isabel, e o filho e herdeiro do rei francês, Luís (futuro Luís XIII da França), desposaria Ana. No entanto, Henrique IV considerava os Habsburgos seus arqui-inimigos e descartou quaisquer planos de matrimónio. No entanto, cerca de um ano após a morte de Henrique IV, em 1612, sua viúva Maria de Médici, com o apoio do partido católico, em um reviravolta política, procurou uma aliança matrimonial com a Espanha afim de solidificar a paz entre as duas potências católicas. Finalmente, o contrato de casamento foi assinado em Fontainebleau em 22 de agosto de 1612. Filipe III, esperando que a presença da sua filha na corte francesa estimulasse os interesses espanhóis, deu-lhe instruções secretas.
Na França, Ana se estabeleceu no Louvre com sua comitiva, recebeu todas as honras apropriadas, mas teve dificuldade em se conectar com sua nova família. Sua sogra, Maria de Médici, ainda detinha o título de rainha e não demonstrava respeito pela nora. Seu marido, Luís XIII, era introvertido, inclinado a homossexualidade e preferia a caça à esposa. A personalidade do marido contrastava com a de Ana, extrovertida e amante do teatro e da dança, de modo que ela preferia viver isolada em sua própria pequena corte, cercada por damas espanholas, não conseguindo melhorar seu francês. Esse cenário só começou a se desenvolver em 1617, após Luís XIII expulsar sua mãe e o conselho católico da corte francesa. O novo favorito do rei, o duque de Luynes, ciente dos problemas diplomáticos e dinásticos que a indiferença do rei para com a rainha estava causando, tentou mediar a situação. Luynes fez com que Ana expulsasse as damas espanholas de sua corte e as substituísse por francesas. Depois, sob a influência da esposa do duque, Maria de Rohan, a rainha começou a se vestir e a se comportar como uma francesa, chegando a ser coagida a usar roupas decotadas. Diz-se que o casamento só foi consumado na primavera de 1619, quando Luynes forçou o rei a dormir com a rainha.
Nascimento dos filhos
Após vinte-e-três anos de casamento em conflito, Ana teve um encontro fatídico com o marido em 5 de dezembro de 1637. Este último estava a caminho de seu pavilhão de caça em Versalhes ou Saint-Maur, mas teve que interromper a viagem devido ao mau tempo e passar a noite no Louvre, onde a rainha havia se instalado para o inverno. Naquela época, apenas os aposentos dos senhores, onde eles viviam, eram aquecidos nos castelos. O rei foi então forçado a dormir no único quarto aquecido, que pertencia à rainha. Nove meses depois, em 5 de setembro de 1638, Ana, de 38 anos, deu à luz seu primeiro filho saudável, o delfim Luís–Dieudonné, mais tarde rei Luís XIV da França. Algum tempo depois, em 21 de setembro de 1640, Ana deu à luz um segundo filho, Filipe. Com isso, sua posição na corte estava finalmente garantida. Mesmo após estes nascimentos, Luís XIII tentou impedir que Ana conseguisse a regência da França após sua morte, o que aconteceu em 11 de maio de 1643, pouco tempo depois da morte do Cardeal de Richelieu.
Foi regente em 1643, obtendo do Parlamento cassar o testamento do marido, que limitava seus poderes. Morto em 1642 Richelieu, ela entregou o poder como ministro a Jules Mazarin, cardeal Giulio Mazarino, que se tornou seu favorito, no difícil período da Fronda. Quando terminou a Fronda parlamentar, em 11 de março de 1649, em Rueil, Ana e Mazarino concluíram a paz com o Presidente do Parlamento de Paris, Mathieu Molé. Na época da monarquia, os magistrados exerciam a justiça, tendo também por missão registrar os editos reais. Em 1648, Ana governava como regente por ser mãe do jovem rei Luís XIV, uma criança de nove anos, e se beneficiava dos úteis conselhos do cardeal. O país teve guerras externas contra os Habsburgos, que forçaram ao aumento dos impostos. Bastou isso para que os privilegiados se rebelassem. Em 13 de maio de 1648, o Parlamento de Paris convidou seus colegas provinciais a reformar o que estimava serem abusos do Estado. Ana fingiu submeter-se, depois mandou prender o chefe dos rebeldes, como se conhecia, os frondeurs, que era o popular Pierre Broussel. Paris se levantou em armas, o conselheiro teve que ser libertado.


