Saab JAS 39 Gripen
Saab JAS 39 Gripen, também designado como F-39 Gripen, é um caça multiuso leve monomotor de quarta geração e meia fabricado pela empresa aeroespacial Saab, da Suécia. Foi projetado para substituir o Saab 35 Draken e o 37 Viggen na Força Aérea Sueca (Flygvapnet). O Gripen tem uma configuração de asas em delta e canard, além de controles de voo fly-by-wire. Ele é alimentado por um Volvo RM12 e tem uma velocidade máxima de Mach 2. Tais aeronaves mais tarde foram modificadas para os padrões de interoperabilidade da OTAN e para o reabastecimento aéreo. "JAS" é a abreviatura de "Jakt, Attack, Spaning", e "Gripen" é o nome da criatura mitológica da antiguidade, meio leão, meio águia, cuja imagem também está presente no logotipo da própria marca Saab.
Início
No final da década de 1970, a Suécia procurou um avião para substituir os Saab 35 Draken e Saab 37 Viggen, que já estavam ficando antigos e ultrapassados. A Força Aérea da Suécia exigiu um avião que atingisse a velocidade de Mach 2 (duas vezes a velocidade do som), com bom desempenho para diferentes missões em caso de ataque imediato. O plano incluiu pistas rudimentares de oitocentos metros de comprimento por nove metros de largura, para que o avião conseguisse decolar e pousar com segurança. Um dos objetivos era que a aeronave fosse menor que o Viggen, ao mesmo tempo que as características da sua carga útil fosse igual ou melhor. As primeiras propostas apresentaram o Saab 38, também chamado B3LA, desenvolvido como uma aeronave de ataque e treinamento, e o A-20, um avião com as principais características do Viggen, que seria um avião de combate, ataque e reconhecimento marítimo. Diversos projetos de outros países também foram estudados, como o General Dynamics F-16, o McDonnell Douglas F/A-18 Hornet, o Northrop F-20 Tigershark e o Dassault-Breguet Mirage 2000. Em última análise, o governo sueco optou que o avião fosse desenvolvido pela indústria nacional Saab.
Testes, produção e melhorias
A Saab lançou o primeiro avião em 26 de abril de 1987, marcando o 50.º aniversário da empresa. Inicialmente planejado para 1987, o primeiro voo foi adiado em dezoito meses devido a problemas com o sistema de controle de voo. Em 9 de dezembro de 1988, o primeiro protótipo (número de série 39-1) voou pela primeira vez por 51 minutos, com o piloto Stig Holmström no comando. Durante o programa de teste, a preocupação surgiu sobre a aviónica da aeronave, especificamente o sistema de controle de voo fly-by-wire e o design de estabilidade. Em 2 de fevereiro de 1989, isso levou ao acidente de um dos protótipos durante uma tentativa de pouso em Linköping; o piloto de teste, Lars Rådeström, sofreu apenas ferimentos. O acidente foi causado pela perda de controle da aeronave, devido a problemas com o controle do sidestick.
Contratos
Durante o Show Aéreo de Paris de 1995, a Saab AB e a British Aerospace anunciaram a formação da joint-venture "Saab-BAe Gripen AB", com o objetivo de adaptar, fabricar, comercializar e apoiar o Gripen em todo o mundo. O acordo envolveu a conversão dos modelos A e B para os modelos C e D, o que adequou o Gripen com os padrões da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Esta cooperação foi ampliada em 2001, com a formação da "Gripen International" para promover as vendas de exportação. Em dezembro de 2004, foi anunciado que a BAE venderia uma grande parte da sua participação na Saab e que a mesma assumiria a total responsabilidade pela comercialização e exportação de pedidos do Gripen. Em junho de 2011, a Saab anunciou que uma investigação interna revelou atos de corrupção feitos pela BAE Systems, incluindo uma transferência suspeita de 24 milhões de rands para uma consultoria na África do Sul.
Controvérsias, escândalos e custos
O Saab 37 Viggen, apesar de ser menos avançado tecnologicamente e mais barato, havia sido criticado por ocupar grande parte do orçamento militar da Suécia em 1971. No Partido Social da Suécia, maior parte do Parlamento em 1973, uma moção foi aprovada para impedir futuros projetos de aviões militares no país. Em 1982, o projeto Gripen foi aprovado no Parlamento por 176 votos a favor e 167 votos contra, onde todos os membros do Partido Social-Democrata votaram contra a proposta. Um novo orçamento foi apresentado em 1983 e aprovado em abril de 1983, com a condição de que o projeto deveria ter um contrato de preço fixo pré determinado, uma decisão que mais tarde seria criticada devido ao excesso de custos.
Novos desenvolvimentos
Um avião com dois assentos, inicialmente designado "Gripen Demo", foi projetado em 2007 como um teste para próximas atualizações. Foi motorizado pelo General Electric F414G, semelhante ao utilizado no Boeing F/A-18E/F Super Hornet. O peso máximo de decolagem do Gripen NG aumentou de 14 000 para 16 000 quilogramas, a capacidade de combustível interna foi aumentada em 40%, após deslocar o trem de pouso, o que também permitiu adicionar dois pilones na parte inferior da fuselagem. Seu raio de combate era de 1 300 km (810 mi) em condições normais de operação. O radar PS-05 foi substituído pelo novo modelo ES-05, um radar de varredura eletrônica ativa (RVEA), baseado no radar Vixen, fabricado pela Finmeccanica. O primeiro voo do Gripen Demo foi realizado em 27 de maio de 2008. Em 21 de janeiro de 2009, o Gripen Demo voou na velocidade de 1,2 Ma (1 500 km/h), para testar sua capacidade como supersônico. O Gripen Demo serviu de base para o Gripen E/F, também conhecido como Gripen NG (Next Generation) e MS (Material Standard).
Visão geral
O Gripen é um caça multiuso, com aviónica avançada e adaptável para diferentes missões. Possui canards que, trabalhando com os elevadores, ajustam-se em altas velocidades, aumentando o arrasto induzido. Emprega controles de voo fly-by-wire, o que ajuda a estabilizar o avião, melhora a manobrabilidade e reduz o arrasto. O Gripen também tem bom desempenho de decolagem em pistas curtas. Um par de freios semelhantes aos spoilers estão localizados ao lado da fuselagem traseira. Os canards também se inclinam para baixo e atuam como freios para diminuir a distância de pouso. Pode voar em um ângulo de ataque de até 80 graus. Para permitir que o Gripen tenha muitos anos de operação, cerca de cinquenta anos, a Saab o projetou de modo que tivesse requisitos e custos de manutenção baixos. Os principais sistemas, como o motor RM12 e o radar PS-05/A são modulados para reduzir o custo operacional e aumentar a confiabilidade. O Gripen foi projetado para ser flexível, de modo que os sensores, computadores e armamentos recentemente desenvolvidos possam ser integrados à medida que a tecnologia avança. A composição dos componentes do avião é 67% proveniente de fornecedores suecos ou europeus e 33% dos Estados Unidos.
Aviônicas e sistemas
Toda a aviónica do Gripen é totalmente integrada usando cinco barramentos de dados digitais que atendem a norma MIL-STD-1553-B. A integração total da aviónica torna o Gripen uma aeronave programável, permitindo que as atualizações de software sejam introduzidas ao longo do tempo para aumentar o desempenho e permitir funções e equipamentos operacionais adicionais. A linguagem de programação Ada foi adotada para o Gripen, sendo utilizada para os controles de voo primários em todas as aeronaves produzidas a partir de 1996. O software do avião está sendo continuamente aprimorado para adicionar novas capacidades, em comparação com o Viggen, que foi atualizado em intervalos de dezoito meses.
Cockpit
Os controles de voo primários são baseados no modelo "Hands On Throttle-and-Stick" ("Mãos no Manete e Manche"), o manche montado centralmente, além de pilotar a aeronave, também controla as telas do cockpit e os sistemas de armas. O sistema digital fly-by-wire é utilizado nos controles de voo do Gripen, com um manete de empuxo para controlar a aceleração dos motores. Podem ser acessadas funções adicionais, como dados de comunicações, navegação e apoio à missão, através do painel de controle frontal, acima da tela central do cockpit. O Gripen possui o sistema de telas do cockpit EP-17, Desenvolvido pela Saab para fornecer aos pilotos um alto nível de consciência situacional e reduzir a carga de trabalho do piloto, através do gerenciamento inteligente de informações. O Gripen possui uma capacidade de fusão de sensores; a informação de sensores e bancos de dados integrados é combinada, analisada automaticamente, e os dados úteis são apresentados ao piloto através do head up display (HUD) de exibição de campo, três grandes monitores multifunções e opcionalmente, um sistema de exibição montado no capacete.
Motores
Todos os aviões em serviço a partir de janeiro de 2014 são equipados com um motor turbofan Volvo RM12, um derivado do General Electric F404, fabricado sob licença, alimentado por um duto em formato de "Y" com placas separadoras, as mudanças incluem o aumento do desempenho e a confiabilidade aprimorada para atender aos critérios de segurança do uso monomotor, bem como uma maior resistência aos incidentes de colisão com aves. Vários sistemas e componentes também foram reprojetados para reduzir as demandas de manutenção. Em novembro de 2010, o Gripen acumulou mais de 143 mil horas de voo sem nenhuma falha ou incidente relacionada aos motores. Rune Hyrefeldt, chefe do gerenciamento do Programa Militar da Volvo Aero, declarou que era um recorde único para aeronaves monomotoras.
Equipamentos e armamentos
O Gripen pode utilizar vários modelos de armamentos diferentes, como o canhão automático Mauser BK-27 de 27 mm, e mísseis ar-ar, como o AIM-9 Sidewinder, mísseis ar-terra, como o AGM-65 Maverick e mísseis antinavio, como o RBS-15. Em 2010, os Gripens da Força Aérea Sueca passaram por um processo de atualização, com a instalação de novos armamentos, incluindo o míssil de longo alcance MBDA Meteor, o míssil de curto alcance IRIS-T e a bomba guiada GBU-49. O diretor de campanhas da Saab na Índia, Edvard de la Motte, afirmou que os clientes poderão utilizar armamentos de todo o mundo no avião. Em voo, o Gripen pode transportar até 13 330 lb (6 050 kg) de armamentos e outros equipamentos, incluindo sensor externo para reconhecimento e designação de alvo, como o Litening, da empresa israelense Rafael Systems e o sistema de reconhecimento modular da Saab. Um sistema de alerta de aproximação de mísseis detecta e rastreia sinais de mísseis recebidos. Em novembro de 2013, foi anunciado que a Saab instalaria o bloqueador ativo BriteCloud. Em junho de 2014, um novo modelo de míssil defensivo, realizou seu voo de teste no Gripen.
Uso e manutenção
Durante a Guerra Fria, as Forças Armadas da Suécia estavam prontas para se defender contra uma possível invasão. Isto exigiu que os aviões de combate se espalhassem para manter uma capacidade de defesa aérea. Assim, um dos principais objetivos durante o desenvolvimento do Gripen foi a capacidade do avião de decolar de pistas de pouso cobertas de neve em apenas oitocentos metros. Além disso, o tempo no qual uma equipe pode rearmar, reabastecer e realizar inspeções básicas e serviços gerais para o avião retornar ao voo é de dez minutos. Durante o processo de desenvolvimento, outro objetivo foi fazer com que a aeronave tivesse uma manutenção simples e com poucos custos. As aeronaves estão equipadas com um sistema de monitoramento de uso e danos, que monitora o desempenho de vários sistemas e fornece informações aos técnicos para auxiliar na manutenção. O fabricante opera um programa de melhoria contínua do avião, utilizando as informações deste e de outros sistemas. De acordo com a Saab, o Gripen fornece custos de operação 50% menores do que o seu concorrente.
O primeiro voo da versão brasileira do F-39E Gripen ocorreu em 26 de agosto de 2019 nas instalações da Saab em Linköping, na Suécia. A primeira unidade foi entregue à Força Aérea Brasileira em 10 de setembro de 2019 para testes de voo. O F-39E desembarcou no Brasil no dia 20 de setembro de 2020, e em seguida foi transportado por via terrestre até o Aeroporto Internacional de Navegantes. No dia 24 de setembro decolou para a unidade da Embraer em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo, para o programa de testes de sistemas de controle de voo, integração de armas, sistemas de comunicação e outros. Os dois primeiros Gripen operacionais da FAB desembarcaram no dia 2 de abril de 2022 no Porto de Navegantes, e em seguida foram transportados por via terrestre até o Aeroporto Internacional de Navegantes. No dia 6 de abril decolaram em direção ao Centro de Ensaios em Voo do Gripen na unidade de Gavião Peixoto.
Suécia
Inicialmente, a Força Aérea da Suécia fez um pedido para 204 aviões, divididos em três lotes. A primeira entrega ocorreu em 8 de junho de 1993, quando o avião foi entregue à Flygvapnet durante uma cerimônia em Linköping. A última entrega do primeiro lote ocorreu em 13 de dezembro de 1996. A primeira entrega do segundo lote foi em 19 de dezembro de 1996. O Gripen entrou em serviço com o esquadrão "F-7 Wing" (F-7 Skaraborgs Flygflottilj, em sueco) em 1 de novembro de 1997. O último avião do terceiro lote foi entregue à Suécia em 26 de novembro de 2008. O custo dos aviões ficou 10% menor do que o acordado, colocando o custo da aeronave abaixo de trinta milhões de dólares. Este lote de aviões foi equipado para reabastecimento em voo através dos Lockheed C-130 Hercules especialmente equipados. Em 2007, um programa foi iniciado para atualizar 31 aviões dos modelos JAS 39A/B para os modelos JAS 39C/D. A Suécia possuía 134 Gripens em serviço até janeiro de 2013. Em março de 2015, a Suécia recebeu o seu último avião atualizado.
Chéquia
Quando a Chéquia tornou-se um membro da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) em 1999, foi necessário substituir os aviões Mikoyan-Gurevich MiG-21, construídos pela União Soviética, por aviões compatíveis com os padrões da OTAN. Em 2000, a Chéquia começou a avaliar uma série de aeronaves, incluindo o General Dynamics F-16, McDonnell Douglas F/A-18 Hornet, Dassault-Breguet Mirage 2000, Eurofighter Typhoon e o Gripen. Um dos principais critérios que foram avaliados era o de compensação industrial, fixado em 150% do valor de compra esperado. Em dezembro de 2001, após ter sido influenciado pelo generoso programa de financiamento e compensação da Gripen International, o governo checo anunciou que o Gripen havia sido selecionado. Em 2002, o acordo foi adiado até que as eleições parlamentares tivessem ocorrido. Meios alternativos de defesa aérea também foram estudados, incluindo o arrendamento de aviões.
Hungria
Após a entrada da Hungria na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) em 1999, o país foi obrigado a substituir seus aviões de combate para que se compatibilizasse com os padrões da OTAN. Foi considerado adquirir aviões usados, bem como substituir a frota MiG-29 do país. Em 2001, a Hungria recebeu ofertas de aeronaves novas e usadas de várias nações, incluindo a Suécia, Bélgica, Israel, Turquia e Estados Unidos. Embora o governo húngaro inicialmente considerou adquirir o General Dynamics F-16, em novembro de 2001 estava negociando um contrato de arrendamento de dez anos para doze aviões Gripen, com opção de compra dos aviões no final do contrato.
África do Sul
Em 1999, a África do Sul assinou um contrato com a Saab para a aquisição de 26 aviões dos modelos C/D com algumas modificações para atender aos seus requisitos. As entregas à Força Aérea da África do Sul iniciaram em abril de 2008. Em abril de 2011, dezoito aeronaves (nove de dois assentos e nove de um assento) foram entregues. Embora o estabelecimento de uma escola de treinamento para pilotos do Gripen na base da Força Aérea de Overberg estivesse em consideração, em julho de 2013 a Saab descartou a opção por falta de apoio do governo para a iniciativa, colocando em consideração a Tailândia, bem como a base aérea de Čáslav na Chéquia.
Tailândia
Em 2007, o governo tailandês autorizou a Força Aérea Real Tailandesa a gastar até 34 bilhões de bahts (1,1 bilhão de dólares) para substituir a frota de Northrop F-5E Tiger II utilizados. Em fevereiro de 2008, a Força Aérea da Tailândia encomendou seis Gripens (dois aviões do modelo C com um assento e quatro aviões do modelo D com dois lugares), as entregas começaram em 2011. A Tailândia encomendou mais seis aviões do modelo C em novembro de 2010, as entregas começaram em 2013. O país ainda estudava encomendar mais quarenta aviões. Em 2010, anunciou a Base Aérea de Surat Thani como a principal base operacional do Gripen. O primeiro dos seis aviões foi entregue em 22 de fevereiro de 2011.
Reino Unido
A Empire Test Pilots School (ETPS) do Reino Unido utiliza o Gripen para treinamento avançado de pilotos em jatos supersônicos desde 1999. Opera um avião do modelo D.
Até 2016, havia 158 aviões em serviço em seis países.
Até janeiro de 2017, o Gripen esteve envolvido em dez incidentes, incluindo nove acidentes com perda total e um com morte. Os dois primeiros acidentes, em 1989 e 1993, respectivamente, ocorreram durante exibições públicas do Gripen e resultaram em especulações negativas da mídia. O primeiro acidente foi filmado por uma equipe de notícias do canal Sveriges Television e fez com que críticos sugerissem que o desenvolvimento fosse suspenso. O segundo acidente ocorreu na ilha de Långholmen, durante o Festival da Água de Estocolmo em 1993, com milhares de espectadores presentes. A decisão de exibir o Gripen em grandes aglomerações de público foi criticada, e comparada com o acidente de 1989. Tanto os acidentes de 1989 como os de 1993 estavam relacionados a problemas no software de controle de voo. O último acidente ocorreu em 14 de janeiro de 2017, no Aeroporto Internacional Hat Yai, na Tailândia, durante um show aéreo realizado no Dia das Crianças, com a morte do piloto.
Fonte: Spick 2000, p. 431; Williams 2003, p. 90; Saab; Força Aérea da Chéquia.Atenção: Estes dados referem-se aos modelos C e D.


