Amon Göth
Amon Leopold Göth foi um oficial austríaco nazista e comandante do campo de concentração de Płaszów, na região de Cracóvia, na Polônia ocupada pelos alemães durante a Segunda Guerra Mundial. Ele foi julgado por crimes de guerra após o conflito pelo Tribunal Supremo Nacional polonês e foi condenado por crimes contra a humanidade por ter ordenado a prisão, tortura e execução de milhares de indivíduos. Ele foi enforcado no campo de Płaszów, o mesmo local onde cometeu seus crimes. Göth se tornou conhecido internacionalmente quando foi interpretado pelo ator Ralph Fiennes no filme A Lista de Schindler (1993).
Começo da vida e carreira
Göth nasceu a 11 de dezembro de 1908 em Viena, então capital do Império Austro-Húngaro, em uma família que trabalhava na indústria de publicação de livros. Ele se juntou a um grupo da juventude nazista aos 17 anos e foi membro da organização paramilitar antissemita Heimwehr de 1927 a 1930. Ele então se filiou ao braço do Partido Nazista na Áustria. Göth se juntou a SS austríaca ao fim de 1930 com a patente de soldado (SS-Mann) com a matrícula de número 43 673. Amon serviu em duas unidades da SS em Viena até janeiro de 1933, até que ele foi apontado como líder de pelotão de um regimento. Ele foi logo promovido a SS-Scharführer ("Líder de Esquadrão"). Contudo, ele teve que fugir para a Alemanha quando ele passou a ser procurado por tentar contrabandear explosivos para os nazistas. O Partido Nazista austríaco foi declarado ilegal na Áustria em junho de 1933, forçando a maioria dos seus membros a se exilar na cidade alemã de Munique. De lá, Göth contrabandeou rádios e armas para o território austríaco e trabalhou como mensageiro para a SS. As autoridades da Áustria acabaram por prende-lo em outubro de 1933 mas ele foi solto em dezembro. Ele foi novamente preso após o assassinato do chanceler Engelbert Dollfuss, após uma tentativa de golpe fracassada feito por nazistas austríacos em 1934. Ele escapou da prisão e foi para um campo de treinamento da SS em Dachau. Ele temporariamente deixou o partido nazista em 1937 para ajudar seus pais que estavam tentando abrir uma editora de livros em Munique. Nesse meio tempo ele se casou, mas logo depois se divorciou.
Płaszów
Göth foi logo transferido para a SS-Totenkopfverbände (uma unidade militar nazista que administrava os campos de concentração pela Europa). Sua primeira tarefa foi, em fevereiro de 1943, supervisionar a construção dos campos de trabalho forçado de Kraków-Płaszów, o qual o comando seria dado a ele. O campo levou um mês para ser construído (com trabalho escravo). A 13 de março de 1943, o gueto judeu de Cracóvia foi liquidado e fechado, com todos aqueles aptos para trabalhar sendo enviados para Płaszów. Milhares de pessoas foram consideradas inaptas para servir nos campos e foram então enviadas para campos de extermínio e executadas. Outras centenas de indivíduos foram mortos nas ruas durante a liberação do gueto pelos nazistas.
Dispensa e captura
Em 13 de setembro de 1944, Göth foi dispensado de sua posição e acusado pela SS de roubar propriedade de judeus (que pertencem ao Estado, segundo a legislação nazista), falha em fornecer comida e provisões adequadas para os prisioneiros sob seu cuidado, violações das regras dos campos de concentração quanto ao tratamento e punição de prisioneiros e por permitir que os presos e oficiais não comissionados tivessem acesso a materiais administrativos. A chefia do campo de trabalhos forçados de Płaszów foi passada então para o SS-Obersturmführer Arnold Büscher. Amon deveria comparecer a uma audiência feita pelo juiz da SS Georg Konrad Morgen, mas devido ao progresso ruim da guerra e a inevitável derrota da Alemanha, as acusações contra ele foram retiradas no começo de 1945. Um médico alemão o diagnosticou com uma doença mental e diabetes e o enviou para um sanatório em Bad Tölz, onde foi preso pelo exército dos Estados Unidos em maio de 1945.
Julgamento e execução
Göth foi logo identificado pelos militares americanos e extraditado para a Polônia. Lá ele foi julgado pelo Supremo Tribunal Nacional, em Cracóvia, entre 27 de agosto e 5 de setembro de 1946. Amon foi acusado de ser filiado ao partido nazista (agora uma organização criminosa) e de ter pessoalmente ordenado o aprisionamento, tortura e execução de milhares de pessoas. Ele foi eventualmente condenado a morte por crimes contra a humanidade e enforcado a 13 de setembro de 1946 na prisão de Montelupich, perto do antigo campo de Płaszów, local onde cometera a maioria dos seus crimes. Segundo relatos de testemunhas, suas últimas palavras teriam sido "Heil Hitler". Seu corpo foi cremado e suas cinzas jogadas no rio Vístula.
Além dos dois casamentos, Göth teve um relacionamento de dois anos com Ruth Irene Kalder, uma esteticista e uma aspirante a atriz de Breslávia (ou Gleiwitz, segundo fontes). Kalder conheceu Amon em 1942 ou no começo de 1943, quando ela trabalhou como secretária na fábrica de Oskar Schindler em Cracóvia. Ela chegou a se mudar para a casa de Göth e os dois tiveram um caso. Ela assumiu o nome dele logo após a sua morte. A última filha de Göth, Monika Hertwig, fruto do seu relacionamento com Kalder, nasceu em Bad Tölz em novembro de 1945.
Na época da sua captura pelos americanos, em 1945, Göth afirmou ter sido promovido a Sturmbannführer (major), algo não condizente com sua folha de serviço na SS. Mesmo assim, vários transcritos dos americanos dos interrogatórios o listavam como "SS-Major Goeth". O Obersturmbannführer Rudolf Höss, comandante do campo de concentração de Auschwitz, afirmou que Amon foi mesmo promovido a major durante seu tempo de serviço. Devido a falta de dados da época, é possível que ele realmente tenha recebido essa promoção. Contudo, historiadores afirmam que ele realmente não passou da patente de Hauptsturmführer (capitão).
A Lista de Schindler
As ações de Amon Göth no campo de trabalho forçado de Płaszów ficaram conhecidas internacionalmente quando o ator britânico Ralph Fiennes o interpretou no filme A Lista de Schindler. Em uma entrevista, Fiennes falou: "As pessoas acreditam que se você fizer um trabalho você precisa assumir uma ideologia que eles tem para viver na vida; elas tem que sobreviver, ter um trabalho a fazer, é cada dia centímetro por centímetro, pequenas concessões, pequenos jeitos de dizer a si mesmo que assim é o jeito de você viver a sua vida e de repente essas coisas acontecem. Quero dizer, eu posso fazer uma decisão privada, isso é um homem horrível, mau e terrível. Mas o trabalho era representar o homem, o ser humano. Há um tipo de banalidade, no dia-dia, que eu acho que é muito importante. E estava no roteiro. De fato, uma das primeiras cenas com Oskar Schindler, com Liam Neeson, era uma cena em que eu dizia: 'Você não entende o quão difícil é, eu tenho que pedir vários metros de arame farpado e tantas cercas, mover tantas pessoas de A para B'. E, você sabe, ele estava liberando a pressão sobre as dificuldades do trabalho.
Monika Hertwig
Em 2002, a filha de Göth, Monika Hertwig, publicou suas memórias intituladas Ich muß doch meinen Vater lieben, oder? ("Mas eu tenho que amar meu pai, não?"). Hertwig descreveu a subsequente vida de sua mãe, Ruth Kalder Göth, que glorificava incondicionalmente o seu noivo até ser confrontada com o papel dele no Holocausto. Ruth cometeu suicídio em 1983, logo após dar uma entrevista para o documentário Schindler de Jon Blair. A experiência de Hertwig em lidar com os atos e crimes de seu pai são detalhados também no documentário Inheritance de 2006, dirigido por James Moll. No filme aparece Helen Jonas-Rosenzweig, uma das empregadas domésticas de Amon. O documentário detalha o encontro dessas duas mulheres no memorial de Płaszów, na Polônia. Foi Hertwig quem requireu a reunião, mas Jonas-Rosenzweig hesitou, pois as memórias dela no campo de concentração e de Göth eram traumáticos. Ela eventualmente concordou depois que Monika escreveu para ela, "você precisa fazer isso, em memória das pessoas assassinadas". Jonas se sentiu tocada pelo que ela falou e concordou com o encontro.
Jennifer Teege
Jennifer Teege, filha de Monika Hertwig e um nigeriano, descobriu que Göth era seu avô através das memórias escritas por Hertwig em 2002. Ela falou sobre como aceitar esta descoberta em seu livro de 2013 intitulado Amon. Mein Großvater hätte mich erschossen ("Meu avô teria atirado em mim").


