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Guerra de Independência dos Estados Unidos

A Guerra de Independência dos Estados Unidos, Guerra Revolucionária Americana, Guerra Americana da Independência, Guerra da Revolução Americana, ou simplesmente Guerra Revolucionária nos Estados Unidos, foi um conflito armado entre o Reino da Grã-Bretanha e as Treze Colônias na América do Norte, que haviam declarado sua independência como os Estados Unidos da América. Logo após a Guerra dos Sete Anos, começou a crescer nas colônias britânicas na América um sentimento de descontentamento com a metrópole, baseado em diferenças filosóficas e políticas exacerbadas com o azedamento dos laços entre a Coroa e os povos da colônia. Após a introdução da Lei do selo de 1765, os Patriotas protestaram contra a ideia de "tributação sem representatividade" e iniciaram boicotes contra os ingleses; um grupo conhecido como "Filhos da Liberdade" acabou destruindo um carregamento de chá no ancoradouro de Boston. O governo britânico respondeu fechando os portos da cidade e passou medidas punitivas contra Massachusetts. Os colonos, por sua vez, instituíram as "Resoluções de Suffolk", estabelecendo um governo paralelo para tentar tirar dos ingleses o controle das áreas fora da cidade de Boston. Representantes das colônias americanas estabeleceram então o Congresso Continental para coordenar os esforços de resistência e estabelecer comitês e convenções para efetivamente tomar o poder.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 25/07/2026
01

Causas

Impostos

Ao fim da Guerra dos Sete Anos, em 1763 (e a Guerra Franco-Indígena), o Reino Unido da Grã-Bretanha emergiu triunfante contra a França na América do Norte, mas terminou muito endividado. Os impostos na Inglaterra já estavam muito altos e foi decidido que os colonos americanos deveriam contribuir mais. O Parlamento da Grã-Bretanha então aprovou a Lei do selo de março de 1765, que colocou uma taxação direta sobre as colônias que começou formalmente em 1 de novembro. O novo imposto irritou os colonos americanos, que argumentavam que os seus "direitos como ingleses" significavam que novos impostos não podiam ser cobrados deles, pois eles não tinham representação no Parlamento. Naquele momento, na verdade, muitos colonos rejeitavam a solução de representatividade afirmando que suas "circunstâncias locais" tornavam isso impossível.

Crise

Ninguém foi realmente punido pela "Festa do Chá de Boston", mas em 1774 o Parlamento Britânico ordenou que o porto de Boston fosse fechado até que o prejuízo do chá perdido fosse pago. Foi então aprovada a "Lei de Governo de Massachusetts" para punir e mandar uma mensagem para a Colônia. Com essa lei, a câmara alta da legislatura de Massachusetts seria apontada diretamente pela Coroa Britânica, como já era o caso das colônias de Nova Iorque e Virgínia. O governador real seria capaz de apontar e remover qualquer juiz, xerife e outros oficiais executivos, além de restringir as sessões do legislativo. Jurados seriam selecionados pelos xerifes e soldados britânicos acusados de crimes seriam julgados fora da colônia. Essas medidas, que também incluíam proibir manifestações públicas contrárias à Coroa e que atingiam outras liberdades individuais e coletivas, foram descritas como as "Leis Intoleráveis" pelos patriotas americanos (como eram chamados os revoltosos americanos pró-independência).

Política interna britânica

Durante este período, os britânicos não apresentaram uma postura unificada para lidar com os americanos revoltosos. O Parlamento da Grã-Bretanha era, nesse tempo, informalmente dividido entre os conservadores (Tory) e os liberais (Whig). Os Whigs favoreciam um tratamento mais brando para com os colonos (mas não independência) enquanto os Tories defendiam veementemente os direitos do Parlamento. Os Whigs acreditavam que os conservadores estavam empurrando os americanos para uma rebelião, enquanto os Tories diziam que a leniência dos Whig (como a campanha deles para revogar a Lei do Selo) estaria fazendo a mesma coisa. Muitos Whigs se identificavam com a causa dos rebeldes americanos, o que os Tories achavam que iria encorajar os colonos a se revoltar. O resultado foi que, apesar de o governo Tory do Lorde North ter maioria no parlamento, os Whigs sempre apareciam para se opor a todas as suas políticas. Enquanto isso, comandantes militares simpáticos aos Whigs na América, como Sir William Howe e seu irmão, o almirante Howe, eram questionados pelos Tories e lealistas (americanos leais à Coroa) por não apoiarem tão vigorosamente o esforço de guerra.

02

Primeira fase: 1775–1778

Começo da Guerra (1775–76)

Em fevereiro de 1775, o parlamento britânico declarou Massachusetts em estado de rebelião. O tenente-general Thomas Gage, o comandante-em-chefe das tropas inglesas na América do Norte, comandou quatro regimentos (cerca de quatro mil homens) para o seu quartel-general em Boston, mas o restante da zona rural estava nas mãos dos revolucionários. Em 14 de abril, ele recebeu ordens de desarmar os rebeldes e prender os seus líderes. No anoitecer de 18 de abril de 1775, o general Gage enviou setecentos homens para tomar paióis de munição da milícia colonial na cidade de Concord, Massachusetts. Um grupo de homens a cavalo, incluindo Paul Revere, partiu para a zona rural e foi alertar seus colegas revolucionários que os ingleses estavam chegando. Assim, quando as tropas britânicas se aproximaram de Lexington na manhã de 19 de abril, eles encontraram 77 milicianos americanos em uma posição defensiva. Um intenso, porém curto, tiroteio se seguiu, terminando na morte de diversos rebeldes. Os britânicos então partiram para Concord, onde uma força de três companhias do exército britânico enfrentou cerca de quinhentos colonos e acabou sendo repelido. Os ingleses recuaram para Boston, sendo emboscados ao longo do caminho pelos insurgentes americanos, que infligiu a eles severas perdas até que a chegada de reforços salvou o que sobrou da tropa britânica. Assim, no que ficou conhecido como as batalhas de Lexington e Concord, a guerra nas Colônias americanas havia começado.

Campanhas de 1776–77

Após se retirar de Boston, o general Howe focou em capturar a cidade de Nova Iorque. As tropas britânicas então chegaram a Staten Island e cruzaram o porto rumo a Manhattan em 30 de junho de 1776. A região foi tomada sem muito resistência. Para defender a cidade, o general George Washington espalhou suas forças ao longo do porto de Nova Iorque, concentrando-se em Long Island e Manhattan. Enquanto os soldados ingleses e tropas de Hesse-Kassel se reuniam, Washington leu aos seus homens e aos habitantes da região a Declaração de Independência do seu novo país, a fim de encorajá-los. A posição de Washington era particularmente perigosa, pois ele tinha que dividir suas tropas entre Manhattan e Long Island, sem que nenhuma delas fosse páreo numericamente ou em qualidade com os milhares de soldados ingleses que marchavam. Analistas militares afirmam que Howe poderia ter cercado e destruído o exército de Washington, mas o general inglês preferiu um ataque frontal a Long Island. Os britânicos desembarcaram 22 mil homens em Long Island ao fim de agosto de 1776 e impuseram então uma grande derrota ao Exército Continental, matando 300 rebeldes americanos e capturando outros mil, forçando a retirada dos que sobraram até o bairro de Brooklyn Heights (Nova Iorque). Ao invés de perseguir o inimigo em fuga, Howe se deteve, afirmando que queria poupar a vida dos seus homens de mais uma dura batalha ao bater de frente com as fortificações americanas. Washington reforçou então suas posições, mas pessoalmente organizou a retirada do seu exército inteiro e todos os suprimentos para além do rio East. Enquanto isso, ventos desfavoráveis preveniram a chegada de mais navios ingleses que poderiam bloquear a fuga de Washington.

Campanhas de 1777–78

Quando os britânicos começaram a planejar as campanhas de 1777, eles possuíam dois grandes exércitos na América do Norte: uma tropa em Quebec (sob comando de John Burgoyne) e as forças de Howe em Nova Iorque. Em Londres, George Germain, Secretário de Estado para as colônias, aprovou as ofensivas destes exércitos para convergir sobre Albany, Nova Iorque, com o propósito de dividir a Colônia em duas, mas nenhuma ordem expressa foi dada a Howe, que desenvolvia seus próprios planos. Em novembro de 1776, Howe pediu por muitos reforços para que ele pudesse atacar as cidades de Filadélfia e Albany, e a região da Nova Inglaterra. Como nenhum reforço chegou, o general Howe modificou sua estratégia e decidiu tomar apenas Filadélfia. Germain aprovou isso, acreditando que o sucesso de Howe daria tempo para coordenar os esforços com as tropas ainda no norte. Howe, por outro lado, optou por mandar seus homens sobre a Filadélfia pelo mar na baía de Chesapeake, em vez de pegar as rotas mais curtas por terra via Nova Jérsei ou ainda através da baía de Delaware. Assim, ele não seria capaz de ajudar Burgoyne quando necessário.

03

Intervenção estrangeira

Na primavera de 1776, a França e a Espanha começaram a informalmente se envolver na guerra de independência dos Estados Unidos. O almirante francês Latouche Tréville entregou suprimentos, armas e munições aos americanos. Thomas Jefferson encorajava as boas relações com os franceses. Armas como os canhões de Valliere foram importantes para os americanos em batalhas como as travadas em Saratoga. Após saber desta última vitória, a França temia que os britânicos fizessem as pazes com os americanos e então poderiam se voltar juntos contra os franceses. Em particular, o rei francês Luís XVI estava alarmado com relatórios que sugeriam que a Inglaterra estava pretendendo fazer enormes concessões às colônias e então poderia partir para dominar as terras francesas e espanholas nas Índias Ocidentais. Para contrariar isso, ele concluiu o Tratado de Aliança com os Estados Unidos a 6 de fevereiro de 1778, com os americanos se comprometendo com uma independência total com relação à Inglaterra. Naquela altura, os franceses estavam apenas dando ajuda indireta e em materiais aos Estados Unidos, com apoio dos espanhóis, mas com o novo tratado eles se comprometiam em ir à guerra. Os britânicos responderam retirando seu embaixador de Paris, com as hostilidades entre as duas nações europeias começando de fato em 17 de junho de 1778.

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Segunda fase: 1778–1781

Políticas britânicas

Após a notícia da rendição em Saratoga e preocupada com uma eventual intervenção francesa na guerra na América, a Grã-Bretanha decidiu aceitar as exigências iniciais feitas pelos rebeldes americanos. O Parlamento revogou a controversa taxação feita sobre o chá e declarou que nenhum novo imposto seria taxado nas colônias sem o consentimento dos habitantes das mesmas (com a exceção de taxas alfandegárias, das quais parte dos lucros iam para as colônias). Uma comissão foi formada para negociar diretamente com o Congresso Continental pela primeira vez. A comissão recebeu poderes para suspender todas as leis consideradas desagradáveis que o Parlamento havia passado desde 1763, dando perdões gerais e declarou encerrar as hostilidades. Os membros da comissão chegaram à América em junho de 1778 e ofereceram restabelecer o quadro legal da colônia como era em 1763, se os habitantes novamente declarassem lealdade ao rei. Além disso, os britânicos concordaram que não mandariam mais tropas à América. Contudo, o Congresso americano rejeitou todas as propostas e afirmou que uma condição para as negociações seria ou o reconhecimento da independência do país ou a retirada incondicional de todas as tropas britânicas. Em 3 de outubro de 1778, os ingleses publicaram uma anistia geral a toda a colônia e a todos os indivíduos que aceitassem a proposta da comissão, implicando que haveria sérias consequências em caso de recusa. Não houve nenhuma resposta significativa.

Teatro de Operações do Norte após Saratoga (1778–81)

A entrada dos franceses na guerra ao lado dos americanos forçou o Reino Unido a mudar sua estratégia. O general Clinton abandonou a Filadélfia e levou suas tropas para reforçar as defesas ao redor de Nova Iorque, que agora estava vulnerável a ataques pelo mar graças à marinha francesa. Washington seguiu Clinton na sua retirada até Nova Jérsei e então o atacou na Batalha de Monmouth em 28 de junho de 1778. O resultado desta luta foi inconclusivo, mas Clinton conseguiu quebrar o ataque e fugir para Nova Iorque. Esta foi a última grande batalha terrestre travada no norte. O exército de Clinton chegou ao seu destino em julho, chegando pouco antes de uma frota francesa, sob comando do almirante Charles Hector, que se aproximava da costa americana. Washington levou seus homens então para a cidade de White Plains, ao norte de Nova Iorque.

Fronteiras norte e oeste

A oeste dos montes Apalaches e ao longo da fronteira da província de Quebec, a guerra revolucionária americana teve um caráter maior de "Guerra contra os Índios". A maioria dos indígenas nativos americanos apoiava os britânicos, como a confederação Iroqueses. Tribos como os Shawnees se dividiram em facções, assim como os Chickamaugas, com vários preferindo fazer paz com os americanos. Os ingleses ajudavam seus aliados indígenas com mosquetes, pólvora e outros suprimentos, enquanto lealistas saqueavam assentamentos civis, especialmente em Nova Iorque, Kentucky e na Pensilvânia. Forças-tarefa de Iroqueses e lealistas lançaram-se em batalhas bem-sucedidas, como no vale de Wyoming e no vale de Cherry em 1778, provocando George Washington a ordenar uma expedição punitiva sob comando do general John Sullivan a oeste de Nova Iorque, no verão de 1779. Houve pouca luta, com os americanos incendiando terras indígenas e saqueando mantimentos, forçando os índios a fugir até Quebec ou para a região das Cataratas do Niágara.

Campanhas na Geórgia e nas Carolinas (1778–81)

Durante os primeiros três anos da guerra de independência dos Estados Unidos, as principais lutas aconteceram no norte, apesar de importantes combates contra lealistas terem acontecido na Carolina do Sul e contra tropas britânicas na Flórida Oriental. Quando os franceses entraram na guerra, os ingleses focaram suas atenções para as colônias do sul, onde eles esperavam tomar o controle da região e recrutar exércitos lealistas. A estratégia para o sul tinha a vantagem de a Marinha Real Britânica estar mais próxima para ajudar, a partir de suas bases no Caribe, que estavam ameaçadas pelos franceses e espanhóis. Em 29 de dezembro de 1778, um corpo do exército do general Clinton, que estava em Nova Iorque, partiu numa expedição e capturou Savannah, Geórgia. Os franceses e americanos tentaram retomar Savannah mas fracassaram após uma batalha em 9 de outubro de 1779. Clinton então partiu para tomar Charleston e depois de dois meses conquistou a cidade, fazendo mais de cinco mil prisioneiros. Na altura de 12 de maio de 1780, a maioria do exército continental na região também havia sido destruído. Com poucas baixas, Clinton tomou várias outras cidades e portos do sul, dando aos ingleses uma base para futuras operações na área.

Campanhas na Virgínia (1781)

Cornwallis partiu de Wilmington, na Carolina do Norte, para a província da Virgínia para tentar reorganizar suas tropas. Antes disso, em janeiro de 1781, um pequeno exército inglês, sob comando do desertor americano Benedict Arnold, havia chegado na região e avançou pela zona rural, destruindo suprimentos, moinhos e outros alvos econômicos importantes para os colonos rebeldes. Em fevereiro, George Washington despachou o General Lafayette para deter Arnold. Mais tarde, também enviou o general Anthony Wayne. Arnold recebeu reforços de Nova Iorque em março e suas tropas se uniram às de Cornwallis em maio. Lafayette lutou batalhas pontuais contra Cornwallis, evitando grandes confrontos, enquanto esperava a chegada de mais soldados para lutar ao seu lado.

Queda do governo de Frederick North

Notícias da derrota em Yorktown chegaram à Grã-Bretanha em novembro de 1781. O rei Jorge III recebeu a notícia com calma e fez um discurso desafiador, afirmando que a guerra iria continuar, recebendo apoio da Câmara dos Comuns. Contudo, novas notícias chegaram a respeito de outros retrocessos na América. Os franceses e espanhóis tinham conquistado algumas ilhas britânicas nas Índias Ocidentais e estavam no processo de expulsar os ingleses por completo da região. Na Europa, Minorca se rendeu a uma força franco-espanhola em 5 de fevereiro de 1782 e Gibraltar estava em perigo de cair também. Vendo isso, o Parlamento Britânico, a 27 de fevereiro de 1782, votou por encerrar todas as operações militares nas colônias americanas e iniciar conversações de paz. Enfrentando a ameaça de receber um voto de desconfiança do Parlamento, a 20 de março, o primeiro-ministro Frederick North renunciou e seu governo Tory foi substituído por políticos Whigs. Ironicamente, após a saída de North, os britânicos venceram a Batalha de Saintes, colocando um fim na ameaça francesa sobre as Índias Ocidentais. A ofensiva inimiga em Gibraltar também foi detida. Com essas vitórias, North poderia ter se segurado no poder e talvez a guerra contra os americanos poderia ter continuado por mais tempo, apesar do fracasso em Yorktown.

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Conflito naval

Quando a guerra começou, os britânicos tinham enorme superioridade naval sobre os colonos americanos, apesar de a frota já estar velha e em condições ruins, uma situação que foi imputada a John Montagu, o Primeiro Lorde do Almirantado. Durante os primeiros três anos do conflito, a marinha real britânica foi usada para transportar tropas para as operações terrestres e para proteger o comércio naval. Os americanos não tinham nenhum navio de linha e dependiam de corsários para lutar contra os ingleses. As ações de pirataria causavam uma preocupação desproporcional ao seu sucesso material. Mas alguns desses navios corsários americanos apoiavam os franceses, antes e depois da intervenção destes na guerra na América, operando inclusive perto do Canal da Mancha, o que deteriorou mais ainda as relações anglo-francesas. Cerca de 55 mil marinheiros americanos serviram a bordo de barcos corsários. Estes tinham pelo menos 1 700 navios, de vários tamanhos, e capturaram 2 283 embarcações inimigas. O Congresso Continental autorizou em outubro de 1775 a formação da Marinha Continental, que foi usada principalmente como uma força corsária no mar. O almirante John Paul Jones se tornou um dos primeiros heróis americanos da marinha do país ao capturar a embarcação inglesa HMS Drake, em 24 de abril de 1778, a primeira vitória militar americana em águas britânicas.

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A Grã-Bretanha contra França, Espanha, Mysore e Holanda (1778–1783)

Europa

Menos de seis meses após a França formalmente entrar na guerra, frotas de navios franceses e ingleses travaram uma batalha inconclusiva próximo à costa de Ouessant, em 27 de julho de 1778. A Espanha não tardou em entrar na guerra também, como uma aliada da França, com o objetivo de reconquistar Gibraltar e Minorca, que haviam sido capturadas pelos britânicos durante a Guerra Anglo-Holandesa em 1704. Entre 1779 e 1783, os espanhóis cercaram Gibraltar, mas a guarnição britânica resistiu de forma obstinada e não cedeu. Outras tentativas de retomar a península fracassaram nos anos posteriores. A 5 de fevereiro de 1782, forças espanholas e francesas capturaram Minorca e conseguiram mantê-la sob controle da Espanha. Foi até mesmo planejada uma ambiciosa invasão da Grã-Bretanha em 1779, mas o plano nunca se materializou.

Índias Ocidentais e Costa do Golfo

Houve muita ação nas Índias Ocidentais, especialmente na Pequenas Antilhas. Apesar de a França ter perdido uma batalha naval em Santa Lúcia no começo da guerra, sua marinha ainda dominava boa parte da região, capturando as ilhas de Dominica, Grenada, São Vicente, Montserrat, Tobago, St. Kitts e Turks e Caicos entre 1778 e 1782. As possessões holandesas nas Índias Ocidentais e na América do Sul foram tomadas pelos britânicos, mas depois reivindicadas pela França e restauradas para a República dos Países Baixos. Na batalha de Saintes, em abril de 1782, a frota do almirante inglês George Brydges Rodney derrotou os navios franceses sob comando do almirante François de Grasse, frustrando as esperanças franco-espanholas de tomar a Jamaica e outras colônias da área.

Índia

Quando a notícia de que a França havia entrado na guerra chegou à Índia em 1778, a Companhia Britânica das Índias Orientais se moveu rapidamente para tomar os postos coloniais franceses na região, capturando Puducherry depois de dois meses de cerco. A conquista do porto francês de Mahé, na costa oeste indiana, motivou o governante de Mysore, Hyder Ali (que estava irritado com os britânicos), a iniciar a Segunda Guerra Anglo-Mysore em 1780. Hyder, e depois o seu filho Fateh Ali Tipu, quase conseguiram expulsar os ingleses do sul da Índia, mas foram frustrados com a falta de apoio da França e a guerra terminou em um status quo ante bellum após a assinatura, em 1784, do Tratado de Mangalore. Os franceses tentaram se opor aos avanços britânicos, lançando ataques em 1782 e 1783, sob a liderança do almirante Pierre Suffren, capturando Trincomalee, no Sri Lanka. Depois foram travadas mais cinco batalhas navais, mas todas com resultados inconclusivos. As possessões coloniais francesas foram retornadas ao país após a guerra.

Guerra Anglo-Holandesa

A República Holandesa, embora nominalmente neutra, fazia comércio abertamente com os americanos, vendendo armas e munições aos colonos rebeldes nos Estados Unidos (em violação do chamado Ato de Navegação britânico), usando como base principalmente a ilha de St Eustáquio, antes de os franceses formalmente entrarem na guerra. Os ingleses consideravam este comércio como contrabando de suprimentos militares e tentaram impedir o tráfego de navios, primeiro diplomaticamente e depois abordando navios holandeses. A situação piorou quando os britânicos tomaram uma flotilha de navios holandeses perto da Ilha de Wight, em 17 de dezembro de 1779, fazendo assim com que os Países Baixos se juntassem à Liga da Neutralidade Armada. O Reino Unido reagiu declarando guerra à Holanda em dezembro de 1780, dando início à Quarta Guerra Anglo-Holandesa. O conflito foi um desastre econômico e militar para a República Holandesa. Paralisada por divisões internas, ela não podia responder adequadamente ao bloqueio britânico a sua costa e muitas de suas colônias ultramarinas foram tomadas. Em 1784 foi firmada uma paz entre as nações, com a Holanda abrindo mão de Negapatão (na Índia) e sendo obrigada a fazer várias concessões comerciais.

07

Tratado de Paris

Em Londres, o apoio político para a guerra minguou após a derrota britânica em Yorktown. O primeiro-ministro inglês, o Lorde North, renunciou em março de 1782. Em abril do mesmo ano, a Câmara dos Comuns votou uma moção para encerrar a guerra na América. Um acordo de paz preliminar foi firmado em Paris ao fim de novembro de 1782. A guerra chegou formalmente ao fim na assinatura do Tratado de Paris (para os americanos) e da Paz de Paris (entre as nações europeias), firmados em 3 de setembro de 1783. As últimas tropas britânicas deixaram os Estados Unidos em 25 de novembro de 1783, abandonando suas posições em Nova Iorque. O Congresso da Confederação ratificou os acordos de Paris em 14 de janeiro de 1784. Pelo tratado, a Inglaterra formalmente reconhecia os Estados Unidos como uma nação independente e soberana. O Reino Unido negociou o tratado de Paris sem consultar seus aliados nativos americanos e cedeu todo o território indígena entre as montanhas Apalaches e o rio Mississippi para os Estados Unidos. Os índios relutantemente cederam território aos americanos após vários tratados, mas a luta com os nativos recomeçaria na fronteira nos anos seguintes, enquanto os estadunidenses se expandiam para o oeste, começando a Guerra Indígena do Noroeste. Os britânicos buscaram estabelecer uma zona tampão com as tribos indígenas na fronteira americana do meio-oeste e continuaram com essa política até 1814, durante a Guerra de 1812.

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Análise dos combatentes

A população da Grã-Bretanha e da Irlanda em 1780 era de aproximadamente 12,6 milhões de pessoas, enquanto a população nas Treze Colônias americanas era de 2,8 milhões, incluindo 500 mil escravos. Teoricamente isso dava uma enorme vantagem numérica para os britânicos, uma vantagem em termos de recursos humanos maior do que a que a União tinha sobre a Confederação durante a Guerra de Secessão. Mas, na prática, os ingleses nunca conseguiram reunir uma força de combate tão grande e tinham apenas uma ligeira vantagem numérica, se comparada com o Exército Continental rebelde. Isso deveu-se a uma série de fatores, incluindo a necessidade de manter tropas fora da América do Norte, com o propósito de defender e preservar o seu vasto império ultramarino. Conscrição fora da marinha não existia no Reino Unido naquela época, com a infantaria sendo formada em boa parte por voluntários. Do outro lado, os americanos tinham muito mais cidadãos dispostos a lutar, ao contrário dos ingleses, que não tinham intenção de fazer uma longa viagem pelo oceano Atlântico para lutar na América. Uma estimativa diz que, antes de o conflito começar, os rebeldes poderiam mobilizar até 100 mil homens, mas a quantidade de colonos neutros ou lealistas tornaria este número inviável.

Patriotas

Os americanos começaram a guerra com grandes desvantagens, se comparada sua situação com a dos britânicos. Eles não tinham uma estrutura de governo nacional ou um exército ou marinha profissional, nenhum sistema formal de financiamento, nenhum banco, nenhuma linha de crédito e nenhum departamento governamental, como uma tesouraria. O Congresso Continental tentou tomar algumas ações administrativas através de comitês legislativos, algo que se provou ineficiente. Os governos estaduais eram novos também e os líderes não tinham muita experiência em administração. Em tempos de paz, a colônia dependia de viagens oceânicas e transportes, mas agora as rotas estavam fechadas devido ao bloqueio naval britânico e com isso os americanos tiveram de contar com rotas de suprimentos terrestres, que eram mais lentos.

Lealistas

Historiadores estimam que entre 40% e 45% da população das colônias apoiou a rebelião, enquanto 15% a 20% permaneceram leais à Coroa Britânica. O resto tentou permanecer neutro. Pelo menos 25 mil lealistas lutaram ao lado dos britânicos. Milhares serviram na marinha real. Em terra, os lealistas combateram ao lado do exército inglês na maioria das batalhas travadas na América do Norte. Muitos lealistas também lutaram como partisans, especialmente no sul. Os militares britânicos sofriam com diversas dificuldades ao tentar utilizar as facções lealistas. O historiador inglês Jeremy Black escreveu: "na Guerra Americana [...] estava claro que os lealistas precisavam muito da presença britânica". No sul, o uso de lealistas trouxe problemas estratégicos para os britânicos já que, embora necessários, os ingleses acabavam sendo forçados a se dispersar muito para ajudar a proteger áreas lealistas. Além disso, os britânicos também tinham que se assegurar que suas ações militares não iriam ofender a opinião pública lealista, tentando não se passar como uma força de ocupação, evitando destruição de propriedades ou abuso de colonos.

Britânicos

A Grã-Bretanha entrou na guerra com confiança. Os britânicos tinham uma das marinhas mais poderosas do mundo, um exército profissional bem treinado, um sólido sistema financeiro que podia suprir os gastos, um governo estável e liderança experiente. Contudo, eles foram assolados por vários desafios. Comparado com os americanos, os britânicos não tinham nenhum grande aliado. O único reforço estrangeiro foram soldados mercenários vindos da Alemanha. O contingente inglês na América do Norte também era pequeno. No início do conflito, o exército britânico tinha 48 mil soldados espalhados pelo vasto Império Britânico e sofria com o baixo recrutamento. Em 1778, as forças armadas ofereciam perdão a prisioneiros em troca de serviço militar e haviam estendido a idade para servir, ficando dos 16 a 50 anos. Apesar de os oficiais e suboficiais serem capacitados e experientes, esse profissionalismo era comprometido por indivíduos ricos de famílias aristocráticas, sem vocação militar, que compravam patentes e promoções de carreira. Como consequência, oficiais inexperientes acabavam subindo para cargos de chefia sem qualificação.

Afro-americanos

Afro-americanos — escravos ou livres — serviram em ambos os lados da guerra. Os britânicos recrutavam escravos pertencentes aos colonos e prometeram a eles liberdade, pela declaração feita por John Murray em 1775. Devido à falta de pessoal, George Washington aprovou o recrutamento de negros para o Exército Continental em janeiro de 1776. Unidades formadas apenas por negros foram criadas em Rhode Island e Massachusetts. A maioria destes eram escravos e muitos receberam a promessa de liberdade se servissem. Contudo, vários voltaram à condição de escravidão. Washington chegou a receber cartas de veteranos negros que pediam sua intervenção para libertá-los, mas ele os ignorou. Outra unidade formada apenas por negros veio de Saint-Domingue como parte das forças francesas. No geral, pelo menos cinco mil soldados negros lutaram pela causa da independência dos Estados Unidos.

Nativos americanos

A maioria dos povos nativos americanos indígenas a leste do rio Mississippi foram afetados pela guerra e muitas comunidades se dividiram a respeito de como responder a estes eventos. Apesar de algumas tribos indígenas estarem em bons termos com os colonos americanos, muitos nativos se opuseram aos Estados Unidos, principalmente por causa da ameaça destes ao seu território. Aproximadamente treze mil índios lutaram ao lado dos britânicos, sendo que a maioria vinha de tribos iroqueses. A poderosa Confederação Iroquesa foi destruída como resultado do conflito, apesar de sua liderança não ter tomado parte no conflito. Ainda assim, os senecas, os onondagas e os cayugas lutaram pelos britânicos. Membros das tribos Mohawk lutaram por ambos os lados. Muitos tuscaroras e oneidas preferiram ficar do lado dos colonos. O Exército Continental americano chegou a mandar uma expedição armada para a região de Nova Iorque para enfraquecer as tribos iroqueses que haviam se aliado aos ingleses. Tanto durante como depois do conflito, tensões entre os líderes Mohawk, Joseph Louis Cook e Joseph Brant, que se aliaram aos britânicos e americanos, respectivamente, aumentou a divisão ainda mais entre os líderes tribais.

Raça e classe

A historiadora Cassadra Pybus (2005) estimou que vinte mil escravos passaram para o lado dos britânicos, dos quais oito mil morreram de doenças, foram feridos ou recapturados pelos americanos. Os outros doze mil fugiram do país e buscaram refúgio no Canadá, Caribe ou até Londres. Alguns até foram reescravizados e mandados para as Índias Ocidentais britânicas. William Baller (2006) examinou dinâmicas familiares e a mobilização pela Revolução na região central de Massachusetts. Ele reportou que a guerra e a cultura de fazendeiros eram incompatíveis. Milicianos americanos vivendo e trabalhando em fazendas não se prepararam para operar máquinas de guerra, marchas ou o rigor da vida nos quartéis. Um individualismo inflexível entrou em conflito com a disciplina militar e com a regimentação. A ordem de nascimento dos homens na maioria das vezes influenciava em seu recrutamento militar, enquanto jovens iam para a guerra e os mais velhos ficavam nas fazendas. As responsabilidades familiares de uma pessoa e o prevalente patriarquismo poderia impedir a mobilização. Deveres com a colheita e emergências familiares forçavam homens a voltar para casa, independente se eram liberados ou não. Alguns parentes podiam também ser lealistas, o que criava tensões dentro das famílias. Como um todo, historiadores concluem que os efeitos da Revolução no patriarquismo e padrões de herança favoreceram o igualitarismo.

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Custo da guerra

Perdas em vidas

O número total de mortos no conflito ainda é incerto. Como era comum em conflitos naquela época, doenças acabaram matando mais do que combates de fato. Entre 1775 e 1782, uma epidemia de varíola varreu a América do Norte, matando 130 000 pessoas durante o período da guerra. O historiador Joseph Ellis sugeriu que a decisão de Washington de inocular suas tropas contra a varíola foi uma das suas decisões mais importantes na guerra, pois salvou a vida de milhares de soldados. Pelo menos 25 mil combatentes americanos morreram durante a guerra. Cerca de 6 800 destes morreram em batalha, com outros dezessete mil morrendo devido a doenças, incluindo 8 a 12 mil que morreram de fome ou de enfermidades adquiridas em campos de prisioneiros (a maioria destes nos infames navios-prisão ingleses na costa de Nova Iorque). Outras estimativas afirmam que mais de setenta mil americanos morreram, o que se for verdade faz este conflito proporcionalmente mais sangrento do que a Guerra Civil Americana. A incerteza quanto ao real número de fatalidades vem da taxa de mortes por causa de doenças, que foi bem alta, sendo pelo menos dez mil apenas em 1776. O número de militares americanos seriamente feridos ou incapacitados varia de 8,5 a 25 mil. Proporcionalmente ao número de habitantes no país na época, a guerra revolucionária foi o segundo conflito mais sangrento da história militar da nação, à frente da Segunda Guerra Mundial e atrás da Guerra Civil.

Custo financeiro

Os britânicos gastaram pelo menos 96 milhões de libras e terminaram com uma dívida pública de 439 milhões, que foi financiada a 8,5 milhões por ano em juros. Os franceses gastaram 1,3 bilhão de livres (cerca de 56 milhões de libras). Sua dívida pública nacional subiu para mais de 187 milhões; mais da metade da renda do Estado foi destinada a pagar a dívida durante toda a década de 1780. A crise fiscal e a recessão econômica resultante dos gastos neste conflito impulsionaram o descontentamento popular com a monarquia francesa, impelindo uma Revolução (1789-1799) que derrubou o velho regime e instaurou uma República no país. Os Estados Unidos gastaram 37 milhões de dólares (valores da época), adicionando 114 milhões na dívida dos estados. Esses gastos foram cobertos por diversos empréstimos feitos pela França e pela Holanda, além de contribuições da sociedade civil americana e a impressão de muito papel-moeda (o que gerou inflação e desvalorização da moeda). Os problemas financeiros trazidos por esta guerra foram sanados em meados da década de 1790, quando o Secretário do Tesouro, Alexander Hamilton, conseguiu aprovar uma legislação que dizia que o governo nacional assumiria as dívidas dos estados, além de criar o primeiro banco nacional e um sistema de financiamento baseado em tarifas e títulos para pagar a dívida externa.

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Legado

A Revolução Americana estabeleceu os Estados Unidos com suas inúmeras liberdades civis e deu o exemplo para derrubar tanto a monarquia quanto os governos coloniais. Os Estados Unidos têm a constituição escrita mais antiga do mundo e as constituições de outros países livres costumam ter uma semelhança notável com a Constituição americana - muitas vezes palavra por palavra em alguns lugares, inspirando as revoluções francesa, haitiana, latino-americana e outras na era moderna. Embora a Revolução tenha eliminado muitas formas de desigualdade, pouco fez para mudar o status das mulheres, apesar do papel que desempenharam na conquista da independência. Mais significativamente, não conseguiu acabar com a escravidão, que continuou a ser uma questão social e política séria e causou divisões que acabariam em uma guerra civil. Enquanto muitos se preocupavam com a contradição de exigir liberdade para alguns, mas negá-la a outros, a dependência dos estados do sul do trabalho escravo tornava a abolição um desafio muito grande. Entre 1774 e 1780, muitos dos estados proibiram a importação de escravos, mas a própria instituição continuou.

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Fontes consultadas

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