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Marie Curie

Marie Skłodowska-Curie, nascida Maria Salomea Skłodowska, foi uma física e química polonesa naturalizada francesa, que conduziu pesquisas pioneiras sobre radioatividade. Foi a primeira mulher a ganhar o Prêmio Nobel, sendo também a primeira pessoa e a única mulher a ganhá-lo duas vezes, além de ser a única pessoa a ter ganhado o Prêmio Nobel em dois campos científicos diferentes. Teve papel fundamental no legado da família Curie, de cinco prêmios Nobel. Também foi a primeira mulher a se tornar professora na Universidade de Paris e, em 1995, se tornou a primeira mulher a ser sepultada por seus próprios méritos no Panteão de Paris.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 04/07/2026
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Vida

Curie visitou a Polônia pela última vez no início de 1934. Poucos meses depois, em 4 de julho de 1934, ela morreu no sanatório de Sancellemoz em Passy, Alta Saboia, por anemia aplástica que se acredita ter sido contraída por sua exposição prolongada à radiação. Os efeitos nocivos da radiação ionizante não eram conhecidos na época de seu trabalho, que haviam sido realizados sem as medidas de segurança desenvolvidas posteriormente. Ela carregava tubos de ensaio contendo isótopos radioativos no bolso e os guardava na gaveta da mesa, observando a fraca luz que as substâncias emitiam no escuro. Curie também foi exposta a raios-X de equipamentos não blindados enquanto servia como radiologista em hospitais de campanha durante a guerra. Embora suas décadas de exposição à radiação tenham causado doenças crônicas (incluindo uma quase cegueira devido a uma catarata) e, finalmente, sua morte, ela nunca reconheceu realmente os riscos à saúde da exposição à radiação.

Primeiros anos

Marie Skłodowska nasceu em Varsóvia, na Polônia do Congresso do Império Russo, em 7 de novembro de 1867, a quinta e mais nova dentre os filhos dos conhecidos professores Bronisława e Władysław Skłodowski. Os irmãos mais velhos de Marie (cujo apelido era Mania) eram Zofia (nascida em 1862, apelidada de Zosia), Jósef (nascido em 1863, apelidado de Józio), Bronisława (nascida em 1865, apelidada de Bronia) e Helena (nascida em 1866, apelidada de Hela). Tanto no lado paterno quanto no materno, a família perdeu suas propriedades e fortúnio devido a envolvimentos patrióticos em levantes nacionais poloneses que buscavam restaurar a independência da Polônia (o mais recente foi a Revolta de Janeiro, de 1863 a 1865). Isto condenou a geração subsequente, incluindo Marie e seus irmãos mais velhos, a uma difícil luta para progredir na vida.

Nova vida em Paris

No final de 1891, ela deixou a Polônia para ir para a França. Em Paris, Maria (ou Marie, como seria conhecida na França) alojou-se brevemente com sua irmã e cunhado, antes de alugar um sótão mais próximo da universidade, no Quartier Latin. Ela prosseguiu com seus estudos de física, química e matemática na Universidade de Paris, onde se matriculou. Por essa época, ela sobrevivia com escassos recursos; durante os invernos frios, mantinha-se quente ao vestir todas as roupas que possuía. Ela se concentrou tanto em seus estudos que às vezes se esquecia de comer. Marie estudava durante o dia e dava aulas particulares à noite, mal conseguindo se sustentar. Em 1893, formou-se em física e começou a trabalhar em um laboratório industrial do professor Gabriel Lippmann. Enquanto isso, ela continuou estudando na Universidade de Paris e, com a ajuda de uma bolsa, conseguiu um segundo diploma em 1894.[nota 2]

Novos elementos

Em 1895, Wilhelm Roentgen descobriu a existência dos raios-X, embora o mecanismo por trás de sua produção tenha permanecido desconhecido. Em 1896, Henri Becquerel descobriu que sais de urânio emitem raios que se assemelham aos raios-X em seu poder penetrante. Ele demonstrou que essa radiação, diferentemente da fosforescência, não dependia de uma fonte externa de energia, mas parecia surgir espontaneamente do próprio urânio. Influenciada por essas duas importantes descobertas, Curie decidiu considerar os raios de urânio como um possível campo de pesquisa para uma tese. Ela usou uma técnica inovadora para investigar amostras. Quinze anos antes, seu marido e o irmão deste haviam desenvolvido uma versão do eletrômetro, um dispositivo sensível para medir a carga elétrica. Usando o eletrômetro do marido, ela descobriu que os raios de urânio faziam com que o ar em torno de uma amostra conduzisse eletricidade. Usando essa técnica, seu primeiro resultado foi descobrir que a atividade dos compostos de urânio dependia apenas da quantidade de urânio presente. Ela levantou a hipótese de que a radiação não era o resultado da interação de moléculas, mas seria proveniente do próprio átomo. Essa hipótese foi um passo importante para refutar a suposição de que os átomos eram indivisíveis.

Prêmios Nobel

Em dezembro de 1903, a Academia Real Sueca de Ciências concedeu a Pierre Curie, Marie Curie e Henri Becquerel o Prêmio Nobel de Física, "em reconhecimento aos serviços extraordinários que prestaram por suas pesquisas conjuntas sobre os fenômenos de radiação descobertos pelo professor Henri Becquerel". Inicialmente, o comitê pretendia homenagear apenas Pierre Curie e Henri Becquerel, mas um membro do comitê e defensor de mulheres cientistas, o matemático sueco Magnus Gösta Mittag-Leffler, alertou Pierre sobre a situação e, após uma reclamação sua, o nome de Marie foi adicionado à nomeação. Marie Curie foi a primeira mulher a receber um Prêmio Nobel.

Primeira Guerra Mundial

Durante a Primeira Guerra Mundial, Curie reconheceu que os soldados feridos eram mais bem socorridos quando eram operados o mais rapidamente possível. Ela viu a necessidade de centros radiológicos de campo perto das linhas de frente para ajudar os cirurgiões do campo de batalha. Após um rápido estudo de radiologia, anatomia e mecânica automotiva, ela adquiriu equipamentos de raios-X, veículos, geradores auxiliares e desenvolveu unidades móveis de radiografia, que passaram a ser popularmente conhecidas como petites Curies ("Little Curies"). Ela se tornou diretora do Serviço de Radiologia da Cruz Vermelha e criou o primeiro centro militar de radiologia da França, operacional no final de 1914. Assistida inicialmente por um médico militar e sua filha de 17 anos, Irène, Curie dirigiu a instalação de 20 veículos radiológicos móveis e outras 200 unidades radiológicas em hospitais de campanha no primeiro ano da guerra. Mais tarde, ela começou a treinar outras mulheres como auxiliares.

Anos do pós-guerra

Em 1920, pelo 25º aniversário da descoberta do rádio, o governo francês ofereceu-lhe uma bolsa, sendo que quem recebia tal benefício anteriormente era Louis Pasteur (1822-1895). Em 1921, ela foi muito bem-vinda quando visitou os Estados Unidos para arrecadar fundos para pesquisas em rádio. A sra. William Brown Meloney, depois de entrevistar Curie, criou o Marie Curie Radium Fund e levantou dinheiro para comprar rádio, divulgando sua viagem.[nota 3] Em 1921, o presidente estadunidense Warren G. Harding recebeu-a na Casa Branca para apresentar-lhe um grama de rádio coletado nos Estados Unidos, e a primeira-dama elogiou-a como um exemplo de empreendedora profissional que também era uma esposa solidária. Antes da reunião, reconhecendo sua crescente fama no exterior e envergonhado pelo fato de ela não ter distinções oficiais francesas para usar em público, o governo francês ofereceu-lhe um prêmio da Legião de Honra, que ela recusou. Em 1922, tornou-se membro da Academia Francesa de Medicina. Ela também viajou para outros países, aparecendo publicamente e dando palestras na Bélgica, Brasil, Espanha e Tchecoslováquia.

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Legado

Os aspectos físicos e sociais do trabalho dos Curies contribuíram para moldar o mundo dos séculos XX e XXI. O professor da Universidade Cornell L. Pearce Williams observa: O resultado do trabalho dos Curie marcou época. A radioatividade do rádio era tão grande que não podia ser ignorada. Parecia contradizer o princípio da conservação de energia e, portanto, forçou uma reconsideração dos fundamentos da física. No nível experimental, a descoberta do rádio forneceu a homens como Ernest Rutherford fontes de radioatividade com as quais eles puderam sondar a estrutura do átomo. Como resultado dos experimentos de Rutherford com radiação alfa, o átomo nuclear foi postulado pela primeira vez. Na medicina, a radioatividade do rádio parecia oferecer um meio pelo qual o câncer poderia ser atacado com sucesso. Se o trabalho de Curie ajudou a derrubar ideias estabelecidas na física e na química, teve um efeito igualmente profundo na esfera social. Para alcançar suas conquistas científicas, ela teve que superar barreiras, tanto em seu país natal quanto em seu país de adoção, que foram colocadas em seu caminho apenas por ser mulher. Esse aspecto de sua vida e carreira é destacado em Marie Curie: A Life, de Françoise Giroud, que enfatiza o papel de Curie como precursora feminista.

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Honrarias

Como uma das mais famosas cientistas de sua época, Marie Curie se tornou um ícone no mundo científico e recebeu homenagens de todo o mundo, mesmo no campo da cultura pop. Em uma pesquisa de 2009 realizada pela New Scientist, ela foi eleita a "mulher mais inspiradora da ciência". Curie recebeu 25,1% de todos os votos expressos, quase o dobro do segundo colocado Rosalind Franklin (14,2%). A Polônia e a França declararam 2011 o Ano de Marie Curie e as Nações Unidas declararam que este seria o Ano Internacional da Química. Uma instalação artística comemorando "Madame Curie" encheu a Galeria Jacobs no Museu de Arte Contemporânea de San Diego, nos Estados Unidos. Em 7 de novembro, o Google comemorou o aniversário de seu nascimento com um Doodle especial. Em 10 de dezembro, a Academia de Ciências de Nova York comemorou o centenário do segundo Prêmio Nobel de Marie Curie na presença da princesa Madeleine da Suécia.

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