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Quaker

Quakers são pessoas que pertencem à Sociedade Religiosa dos Amigos, um conjunto de denominações cristãs historicamente protestantes. Os membros destes movimentos estão geralmente unidos pela crença na capacidade de cada ser humano de experimentar a luz interior ou de "responder à luz de Deus em cada um". Alguns professam um sacerdócio de todos os crentes inspirado na Primeira Epístola de Pedro. Eles incluem aqueles com entendimentos evangélicos, de santidade, liberais, e tradicionais quakers do cristianismo. Existem também quakers não-teístas, cuja prática espiritual não depende da existência de Deus. Em diferentes graus, os Amigos evitam credos e estruturas hierárquicas. Em 2017, havia cerca de 377.557 Quakers adultos, 49% deles na África.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 04/07/2026
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História

A teoria da evolução, conforme descrita em On the Origin of Species (1859), de Charles Darwin, foi contestada por muitos quakers no século XIX, particularmente por quakers evangélicos mais antigos que dominavam a Sociedade Religiosa dos Amigos na Grã-Bretanha. Esses quakers mais velhos suspeitavam da teoria de Darwin e acreditavam que a seleção natural não poderia explicar a vida por si só. O influente cientista quaker Edward Newman disse que a teoria "não era compatível com nossas noções de criação entregue pelas mãos de um Criador". No entanto, alguns jovens Amigos tais como John Wilhelm Rowntree e Edward Grubb apoiaram as teorias de Darwin, usando a doutrina da revelação progressiva. Nos Estados Unidos, Joseph Moore ensinou a teoria da evolução no Quaker Earlham College já em 1861. Isso fez dele um dos primeiros professores a fazê-lo no Centro-Oeste. A aceitação da teoria da evolução tornou-se mais difundida nos Encontros Anuais que avançaram em direção ao Cristianismo liberal nos séculos XIX e XX. No entanto, o criacionismo predomina nas Igrejas evangélicas dos Amigos, particularmente na África Oriental e em partes dos Estados Unidos.

Início na Inglaterra

Durante e após a Guerra Civil Inglesa (1642–1651), surgiram muitos grupos cristãos dissidentes, incluindo os Seekers e outros. Um jovem homem, George Fox, estava insatisfeito com os ensinamentos da Igreja da Inglaterra e dos não conformistas. Ele afirmou ter recebido uma revelação de que "há alguém, mesmo Cristo Jesus, que pode falar sobre a tua condição", e ficou convencido de que era possível ter uma experiência direta de Cristo sem a ajuda do clero ordenado. Em 1652 ele teve uma visão em Pendle Hill, em Lancashire, Inglaterra, na qual acreditava que "o Senhor me deixou ver em que lugares ele tinha um grande povo para ser reunido". Depois disso, ele viajou pela Inglaterra, Países Baixos, e Barbados pregando e ensinando com o objetivo de converter novos adeptos à sua fé. O tema central da sua mensagem evangélica era que Cristo veio para ensinar ele mesmo o seu povo. Fox considerava estar restaurando uma igreja cristã verdadeira e "pura".

Migração para a América do Norte

A perseguição aos quakers na América do Norte começou em julho de 1656, quando as missionárias quakers inglesas Mary Fisher e Ann Austin começaram a pregar em Boston. Elas foram consideradas hereges por causa da sua insistência na obediência individual à luz interior. Elas foram presas por cinco semanas e banidas pela Colônia da Baía de Massachusetts. Seus livros foram queimados, e a maior parte de suas propriedades confiscadas. Elas foram presas em condições terríveis e depois deportadas. Em 1660, a quaker inglesa Mary Dyer foi enforcada perto de Boston Common por desafiar repetidamente uma lei puritana que bania os quakers da colônia. Ela foi uma das quatro quakers executadas, conhecidas como mártires de Boston. Em 1661, o rei Charles II proibiu Massachusetts de executar qualquer pessoa por professar o quakerismo. Em 1684, a Inglaterra revogou a carta de Massachusetts, enviou um governador real para fazer cumprir as leis inglesas em 1686 e, em 1689, aprovou uma ampla Lei de Tolerância.

Quietismo

O quakerismo inicial tolerava um comportamento turbulento que desafiava a etiqueta convencional, mas por volta de 1700, os seus adeptos já não apoiavam o comportamento perturbador e indisciplinado. Durante o século XVIII, os quakers entraram no período quietista na história de sua igreja, tornando-se mais introspectivos espiritualmente e menos ativos na conversão de outros. Casar fora da Sociedade era motivo para a revogação da filiação. Os números diminuíram, caindo para 19.800 na Inglaterra e no País de Gales em 1800 (0,21% da população), e 13.859 em 1860 (0,07% da população). O nome formal "Sociedade Religiosa dos Amigos" data deste período e provavelmente foi derivado das denominações "Amigos da Luz" e "Amigos da Verdade".

Separações

Na época da Guerra Revolucionária Americana, alguns quakers americanos se separaram da principal Sociedade dos Amigos por questões como o apoio à guerra, formando grupos como os Quakers Livres e os Amigos Universais. Mais tarde, no século XIX, houve uma diversificação das crenças teológicas na Sociedade Religiosa dos Amigos, e isto levou a várias divisões maiores dentro do movimento. A divisão Hicksita–Ortodoxa surgiu de tensões ideológicas e socioeconômicas. Os Hicksitas do Encontro Anual da Filadélfia tendiam a ser agrários e mais pobres do que os Quakers Ortodoxos mais urbanos e ricos. Com o crescente sucesso financeiro, os Quakers Ortodoxos queriam "tornar a Sociedade um órgão mais respeitável – para transformar sua seita em uma igreja – adotando a ortodoxia protestante dominante". Os Hicksitas, embora tivessem uma variedade de pontos de vista, geralmente viam a economia de mercado como corruptora e acreditavam que os Quakers Ortodoxos haviam sacrificado sua espiritualidade cristã ortodoxa pelo sucesso material. Os Hicksitas viam a Bíblia como secundária em relação ao cultivo individual da luz de Deus dentro de si.

Declaração de Richmond

Em 1887, um quaker gurneyita de ascendência britânica, Joseph Bevan Braithwaite, propôs aos Amigos uma declaração de fé conhecida como Declaração de Richmond. Esta declaração de fé foi acordada por 95 dos representantes em um encontro do Encontro de Cinco Anos dos Amigos, mas inesperadamente a Declaração de Richmond não foi adoptada pelo Encontro Anual de Londres porque uma minoria vocal, incluindo Edward Grubb, se opôs a ela.

Missões para Ásia e África

Seguindo os reavivamentos cristãos em meados do século XIX, os Amigos na Grã-Bretnha procuraram também iniciar atividades missionárias no exterior. Os primeiros missionários foram enviados para Benares (Varanasi), na Índia, em 1866. A Associação Missionária Estrangeira dos Amigos foi formada em 1868 e enviou missionários para Madhya Pradesh, na Índia, formando o que hoje é o Encontro Anual da Índia Central. Mais tarde, espalhou-se para Madagáscar a partir de 1867, China a partir de 1896, Sri Lanka a partir de 1896 e Ilha de Pemba a partir de 1897. A Missão Síria dos Amigos foi fundada em 1874, que entre outras instituições administrava as Escolas de Amigos de Ramallah, que ainda existem hoje. O missionário suíço Theophilus Waldmeier fundou a Escola de Brummana no Líbano em 1873, as Igrejas Evangélicas dos Amigos de Encontro Anual de Ohio enviou missionários para a Índia em 1896, formando o que hoje é o Encontro Anual de Bundelkhand. Os Amigos de Cleveland foram para Mombasa, no Quênia, e iniciaram o que se tornou a missão de maior sucesso dos Amigos. O seu quakerismo espalhou-se pelo Quênia e pela Uganda, Tanzânia, Burundi, e Ruanda.

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Crenças

Os quakers, apesar de rejeitarem um credo formal, crêem emː

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Culto

Existem duas formas de culto nas Reuniões da Sociedade Religiosa dos Amigos: Rejeitando qualquer forma exterior de religião, os quakers não praticam o batismo com águas nem a Ceia do Senhor, diferentemente da maioria das denominações cristãs. Creem que o indivíduo seja batizado "com fogo" (pelo Espírito Santo), falando na consciência; e relembram a obra de Cristo dando graças em toda refeição.

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