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Helen Keller

Helen Adams Keller foi uma escritora, conferencista e ativista social norte-americana. Foi a primeira pessoa surdo-cega da história a conquistar um bacharelado.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 30/07/2026
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Anne Sullivan

A história sobre como sua professora, Anne Sullivan, conseguiu romper o isolamento imposto pela quase total falta de comunicação, permitindo à menina florescer enquanto aprendia a se comunicar, tornou-se amplamente conhecida através do roteiro da peça The Miracle Worker, que virou o filme O Milagre de Anne Sullivan (1962), dirigido por Arthur Penn (em Portugal, O Milagre de Helen Keller). Seu aniversário em 27 de junho é comemorado como o Helen Keller Day no estado da Pensilvânia, e foi autorizado em nível federal por meio da proclamação presidencial de Jimmy Carter em 1980, no centenário de seu nascimento. Tornou-se uma célebre e prolífica escritora, filósofa e conferencista, uma personagem famosa pelo extenso trabalho que desenvolveu em favor das pessoas com deficiência. Keller viajou muito e expressava de forma contundente suas convicções. Membro do Socialist Party of America e do Industrial Workers of the World, participou das campanhas pelo voto feminino, direitos trabalhistas, socialismo e outras causas progressistas. Ela foi introduzida no Alabama Women's Hall of Fame em 1971.

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Infância, doença e as primeiras palavras

Nascida na cidade de Tuscumbia, Alabama, em 27 de junho de 1880, Helen era filha de Kate Adams Keller e do Coronel Arthur Keller (capitão do Exército dos Estados Confederados da América). Helen ficou cega e surda aos 18 meses de idade devido a uma doença diagnosticada então como "febre cerebral" (hoje acredita-se que possivelmente tenha sido escarlatina ou meningite). Já nessa época ela conseguia comunicar-se com a filha da cozinheira da família, através de sinais. Aos 7 anos, Keller já tinha mais de 60 sinais com os quais se comunicava com sua família. Em 1886, sua mãe, inspirada pelo relato de Charles Dickens em American Notes a respeito da educação bem-sucedida de outra mulher surda, Laura Bridgman, despachou a jovem Keller, acompanhada de seu pai, para ver o médico J. Julian Chisolm, especialista em olhos, ouvidos, nariz e garganta, em Baltimore, em busca de aconselhamento. Chisolm encaminhou os Kellers para Alexander Graham Bell, que estava trabalhando com uma criança surda à época. Bell, por sua vez, os aconselhou a contratar a Perkins Institute for the Blind, escola onde Laura Bridgman havia sido educada, localizada em South Boston. Michael Anagnos, diretor da escola, solicitou à ex-aluna, Anne Sullivan, ela própria uma pessoa com deficiência visual, para tornar-se instrutora de Helen. Este foi o início de uma relação de 49 anos durante a qual Sullivan tornou-se professora e acompanhante de Keller.

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Formação, trabalho literário e atuação política e social

Em 1902 estreou na literatura publicando sua autobiografia A História da Minha Vida. Depois iniciou a carreira no jornalismo, escrevendo artigos no Ladies Home Journal. A partir de então não parou de escrever. Em 1904 graduou-se bacharel em filosofia, como membro da Phi Beta Kappa do Radcliffe College, instituição que a agraciou com o prêmio Destaque a Aluno, no aniversário de cinquenta anos de sua formatura, tornando-se a primeira pessoa surdo-cega da história a conquistar um bacharelado. Keller se tornou uma palestrante e escritora mundialmente famosa. Ela é lembrada como uma defensora das pessoas com deficiência, em meio a inúmeras outras causas. A comunidade surda foi amplamente impactada por ela. Ela viajou para vinte e cinco países diferentes, dando palestras motivacionais sobre as condições dos surdos. Ela era sufragista, pacifista, socialista radical, defensora do controle de natalidade e oponente de Woodrow Wilson. Keller viajou para mais de 40 países com Sullivan, fazendo várias viagens ao Japão e se tornando a favorita do povo japonês. Keller conheceu todos os presidentes dos Estados Unidos, de Grover Cleveland a Lyndon B. Johnson, e foi amiga de muitas figuras famosas, incluindo Alexander Graham Bell, Charlie Chaplin e Mark Twain. Keller e Twain foram considerados radicais políticos aliados da política de esquerda.

Luta pela defesa dos Direitos Humanos

Em 1915, ela e George A. Kessler fundaram a instituição Helen Keller International (HKI). Organização dedicada à pesquisa em visão, saúde, nutrição e ao combate à fome. Em 1916, ela enviou doações para a NAACP, envergonhada do tratamento desigual, que ela considerou não-cristão, do sul norte-americano para as "pessoas de cor". Em 1920, ela ajudou a fundar a União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU), que se tornou uma referência para a defesa da liberdade de expressão e da democracia nos Estados Unidos.

Censura Nazista

Durante a Queima de livros na Alemanha Nazista de 1933, Helen Keller teve seus livros queimados por universitários do regime. Keller, ao tormar conhecimento do ocorrido em Berlim, redigiu uma carta aberta aos estudantes envolvidos naquele grande crematório da cultura e do pensamento crítico. Expressando sua incredulidade sobre aquele fato ocorrer justamente numa terra marcada pela popularização dos livros e da universalidade das ideias, ela escreveu: "Se vocês acham que podem matar as ideias, a história não lhes ensinou nada. (…) Os tiranos muitas vezes tentaram fazer isso antes, e as ideias se ergueram com toda a força e os destruíram. (…) Vocês podem queimar meus livros e os livros das maiores mentes da Europa, mas as ideias neles contidas já se infiltraram através de milhões de canais e continuarão a estimular outras mentes".

Indicações ao Nobel da Paz

Após uma viagem ao Oriente Médio no qual se encontrou com líderes locais para defender os direitos de pessoas com deficiências, Keller garantiu uma promessa do ministro da Educação do Egito para a criação de escolas secundárias voltadas para cegos. Em Israel, uma escola foi batizada em sua homenagem. Por sua atuação internacional no apoio as pessoas com deficiências e seu empenho em prol dos direitos humanos, foi nomeada ao Nobel da Paz por duas vezes, em 1953 e 1958.

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Vida posterior

Depois de ser nomeada embaixadora em Relações Internacionais pela Fundação Americana para Cegos no exterior, ela começou uma turnê pelo mundo. Entre 1946 e 1957, Keller visitou 35 países na América do Sul, Europa e África, com estadias financiadas pela Fundação Americana para Cegos. Em 1948, três anos após os atentados atômicos de Hiroshima e Nagasaki, ela visitou Hiroshima e Nagasaki como parte de seu programa de oposição à guerra e ficou encantada com as calorosas boas-vindas que recebeu de dois milhões de pessoas nessas regiões. Com o término da Segunda Guerra Mundial, visitou soldados que haviam perdido a visão ou a audição durante a luta, a fim de oferecer-lhes apoio e incentivo. Em 1954, ela participou da filmagem do documentário 'Helen Keller in Her Story', dirigido por Nancy Hamilton e narrado por Katharine Cornell, que ganhou o Oscar de melhor documentário de longa metragem no ano de 1956.

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Últimos anos e morte

Juntamente com Polly Thomson, ela viajou por todo o mundo e levantou fundos para surdos e cegos. Em 1957, Thomson sofreu um derrame do qual nunca se recuperou e morrera em 1960. Após sua morte, Winnie Corbally acompanhou Helen pelo resto da vida. Em 1961, Keller sofreu uma série de derrames que a forçaram a usar uma cadeira de rodas e reduzir suas atividades sociais e aparições públicas. Por isso, em 1964, ela não pôde comparecer à cerimônia em que recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade, um dos mais prestigiados prêmios civis dos Estados Unidos, pelo presidente Lyndon Johnson. Em 1965, ela foi incluída no National Women's Hall of Fame durante a Feira Mundial de Nova Iorque. Keller morreu aos 87 anos, enquanto dormia, às 3h35 de 1º de junho de 1968, em sua residência em Easton, Connecticut, dias após sofrer um ataque cardíaco. Após a realização do funeral, seu corpo foi cremado e suas cinzas foram depositadas na Catedral Nacional de Washington próxima as de Sullivan e Thomson. Pouco antes de morrer, Keller exclamou: "Nestes anos sombrios e silenciosos, Deus tem usado minha vida para um propósito que eu não conheço, mas um dia eu o entenderei e depois ficarei satisfeita".

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Legado

Helen Keller tornou-se um exemplo de superação e coragem, bem como um símbolo da luta pelos direitos das pessoas com deficiência. Um jornalista do The Journal of Southern History publicou que "... Keller é vista como um ícone nacional que simboliza o triunfo das pessoas com deficiência". Os editores do livro General Psychology ressaltaram a importância do caso Keller: "Ela é a única do gênero incentivada por uma professora de talento excepcional, uma grande observadora que descreveu o desenvolvimento gradual de sua aluna muito talentosa, uma garota genial, ao qual a natureza havia colocado um teste cruel, fechando totalmente as duas áreas principais do sistema sensorial". Ao mesmo tempo, o General Psychology relatou que Sullivan não recebeu inicialmente apoio da comunidade científica, pois parecia improvável que sua aluna se adaptasse ao ensino tão rapidamente. O aprendizado de Keller significou um avanço importante na educação especial, embora existam outros casos semelhantes não conhecidos como os de Laura Bridgman. No entanto, o ensino de Keller foi o primeiro a ser registrado com confiabilidade em vários trabalhos escritos e originou muitos novos métodos na área da educação especial.

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Obra

Keller escreveu um total de 12 livros publicados e vários artigos. Uma de suas primeiras obras, aos 11 anos, foi The Frost King (1891). Houve alegações de que esta história foi plagiada de The Frost Fairies, de Margaret Canby. Uma investigação sobre o assunto revelou que Keller pode ter experimentado um caso de criptomnésia, em que a história de Canby teria sido lida para ela, mas ela se esqueceu, enquanto a memória permaneceu em seu subconsciente. Aos 22 anos, Keller publicou sua autobiografia, The Story of My Life (1903), com a ajuda de Sullivan e do marido de Sullivan, John Macy. Ele conta a história de sua vida até os 21 anos e foi escrito durante seu tempo de faculdade. Keller escreveu The World I Live In em 1908, dando aos leitores uma ideia de como ela se sentia em relação ao mundo. Out of the Dark, uma série de ensaios sobre socialismo, foi publicada em 1913. Quando Keller era jovem, Anne Sullivan a apresentou a Phillips Brooks, que apresentou-a ao cristianismo, com a famosa frase de Keller: "Eu sempre soube que Ele estava lá, mas não sabia Seu nome!".

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