América Futebol Clube (Belo Horizonte)
O América Futebol Clube, mais conhecido como América Mineiro, é um clube desportivo brasileiro da cidade de Belo Horizonte, Minas Gerais. Fundado em 30 de abril de 1912, o clube preserva o mesmo nome e escudo desde sua criação. Suas cores de jogo são o verde, branco e o preto, que foi incorporado ao uniforme, em 1913, um ano após a fundação. Hoje, as três cores fazem parte das variações dos uniformes do tricolor América. Entre 1933 e 1942, o time atuou com uniformes vermelhos, em protesto à introdução do profissionalismo no futebol.
O América fez história ao chegar a sua primeira semifinal de Copa do Brasil no dia 19 de novembro de 2020, após eliminar o Internacional pela fase de quartas-de-final. O jogo foi vencido pelo América nos pênaltis pelo placar de 6 a 5, após perder no tempo normal por 1 a 0 no Estádio Independência e tendo vencido a partida de ida no dia 11 de novembro de 2020 por 1 a 0 no Estádio Beira-Rio, vindo a terminar essa competição em terceiro lugar. Na Série B de 2020 terminou como vice-campeão, perdendo o primeiro lugar pelo saldo de gols, um gol a menos que a campeã Chapecoense, empatando em todos os outros critérios exceto no de números de gols, o América tinha um gol a mais e sagrava-se campeão até os 51 minutos do segundo tempo, quando a Chape marcou, de pênalti, o terceiro gol na vitória de 3 a 1 sobre o Confiança na última rodada, ficando o América com o acesso para a Série A. Em 2021 o América se destacou novamente, após ficar com o vice do Campeonato Mineiro em uma decisão com dois empates, definido no critério de desempate do primeiro turno, o time alcançou sua terceira melhor campanha no Brasileirão, atrás do 7º lugar em 1973 e do título em 1948, e com a sua melhor campanha no Campeonato Brasileiro por pontos corridos, conseguindo ainda quebrar o tabu de nunca ter se mantido por dois anos consecutivos na primeira divisão nesta modalidade de disputa.
Primeiros anos
O América foi fundado por um grupo de jovens da elite mineira em 30 de abril de 1912. Residentes, quase todos, nos arredores das Ruas Bahia e Timbiras, na bucólica Belo Horizonte de 1912, os rapazes empolgados com o novo esporte, que começava a virar mania, resolveram fundar um clube para a prática do futebol. Como não conseguiram chegar a um consenso sobre o nome da nova agremiação, decidiram então realizar um sorteio e, entre Arlequim, Guarany e Tymbiras, o nome contemplado foi América. Esta reunião foi realizada em maio, nos porões da casa de Adhemar de Meira. Os fundadores do clube foram: Ademar Meira, Afonso Silviano Brandão, Alcides Meira, Álvaro Moreira da Cruz, Augusto Pena, Aureliano Lopes Magalhães, Caetano Germano, César Gonçalves, Francisco Bueno Brandão, Fioravante Gonçalo Labruna, Gérson de Salles Coelho, Guilherme Halfed, Henrique Diniz Gomes, José Miranda Megale, Leonardo Gutiérrez, Leon Roussoulliéres Filho, Oscar Gonçalves e Waldemar Jacob.
Supremacia
O início de um período de glórias, jamais visto no futebol de Minas Gerais começou em 1 de novembro de 1915. O América venceu a até então imbatível Equipe dos Ingleses da Mina do Morro Velho, formada exclusivamente por jogadores ingleses, por 3 a 0. Jogaram pelo América: Didico, Mário Pena e Luiz Guimarães, Kainço, Otávio Pena e Henrique Diniz, Edson Jacob, João Brito, José Borges, Oscar Monte e Mimi. Em 1916, o América armou a poderosa equipe que conquistou o campeonato nesse ano e nos nove subsequentes até 1925. O América se sagrava assim decacampeão estadual. Um recorde somente igualado pelo ABC de Natal. Os heróis dessa conquista que engrandece o pavilhão americano: Didico e Gargalhada (Euclides e Celso Mascarenhas), Marute (Mário Pena), Luiz Guimarães, Kainço (Carlos Quadros), Otacílio Negrão de Lima, Francisco Mattos, Fausto Joviano, José Borges de Carvalho, Oscar Monte, Floriano Faria, Antônio Benjamim, Edson Jacob, Waldemar Jacob (Rato), Fausto Ferraz, Gérson de Salles Coelho, Lincoln Brandão, Augusto Pena, Honório Otoni, Manoel Hermeto, Augusto Pinto, Antônio Hermeto (Tonico), Mário Jungueira, Mário Pereira, Vicente Innéco, Camilo Pimentel, Bolívar Moreira de Abreu, Joel de Salles Coelho, Lucas Machado, Raimundo Duarte de Oliveira, Gilberto Dufles, Afonso Silviano Brandão, Geraldino de Carvalho, Henrique Den Dopper, Alcides Meira, Márcio Motta, Francisco Rodrigues da Silva, Satyro Taboada e Agenor Silva, sendo ainda vice-campeão mineiro no último ano da década de 1920, em 1930.
Décadas de 1930, 1940 e 1950 — O Estádio da Alameda e outros títulos
A década de 1930 foi marcada por ferrenhas disputas quanto aos rumos do futebol em Minas Gerais quando chegou a haver duas ligas atuando paralelamente: A AMET (Associação Mineira de Esportes Terrestres) e a LMDT (Liga Mineira de Desportos Terrestres). O América favorável a continuidade do amadorismo chegou a trocar de uniforme por 10 anos, adotando a cor vermelha em protesto. Na década de 1930 conquistou apenas dois títulos do Torneio Início e o Campeonato Extra da cidade de Belo Horizonte de 1939. Já na década de 1940, um grande acontecimento na vida americana ocorreu em 1948, quando as instalações do então Estádio da Alameda ou Octacílio Negrão de Lima foram reinauguradas com capacidade para 15 000 pessoas, no dia 27 de maio perante 12 500 torcedores presentes (10 652 pagantes) e renda de Cr$ 305 750,00, com a realização do Torneio Quadrangular de Belo Horizonte, que reuniu Vasco da Gama (o mesmo time que sagrou-se campeão sul-americano naquele ano), São Paulo (campeão paulista) e Atlético-MG (campeão estadual do ano anterior), tendo o Coelho se consagrado como campeão da competição.
Década de 1960 — Início da Era Mineirão
Um fato extremamente negativo para a história do clube ocorreu na década de 1960, com o fechamento do departamento de juvenil do América em 1964, por motivos até hoje desconhecidos (departamento reaberto logo no ano seguinte), tendo com isto o América perdido para o Cruzeiro diversos jovens e promissores atletas, entre eles jogadores do quilate de Tostão, Hilton Oliveira, Vanderlei, o que ajudou o clube rival a montar uma das mais brilhantes equipes do futebol brasileiro e decretou um profundo enfraquecimento do América em pleno início da Era Mineirão, que se daria em 1965. Apesar disso, o América ainda obteve o vice-campeonato mineiro em 1964, embora perdendo o título para o Siderúrgica por 3 a 1, em final realizada no Estádio da Alameda, tendo feito o artilheiro da competição: Jair Bala, com 25 gols. Foi vice novamente em 1965, perdendo o título de campeão para o Cruzeiro.
A reestruturação do América e novas conquistas relevantes
No final da década de 1980 e início da década de 1990, inicia-se uma fase de renascimento do clube, com forte retomada dos investimentos nas categorias de base e contratações de bons jogadores. Vice-campeão do Campeonato Brasileiro Série C em 1990, ano após ano, o América foi ganhando força, em 1992 obteve acesso a Série A do Campeonato Brasileiro, foi vice-campeão mineiro e finalmente voltou a conquistar o Campeonato Mineiro, em 1993, após 22 anos de espera. Em 18 jogos, o América obteve 11 vitórias, 6 empates e apenas 1 derrota, para o Valério, no primeiro turno. Em 1993, o América foi rebaixado no Campeonato Brasileiro, apesar de ter obtido a 16ª posição em um torneio com 32 equipes. A diretoria entrou na Justiça comum tentando reverter o rebaixamento e o clube foi punido pela CBF, ficando impedido de disputar os torneios por ela patrocinados de 1994 até 1996. Entretanto, em 1995 foi vice-campeão mineiro.
Momentos difíceis, recuperação e novos títulos nacionais
No primeiro ano do século XXI, o América vence o Campeonato Mineiro de 2001, a sua 15ª conquista nesta competição. Não consegue, no entanto, manter um time competitivo, apesar das inúmeras revelações de jogadores nessa época, nomes como Fabrício, Alessandro, Thiago Gosling, Ruy "Cabeção", entre outros, que brilhariam depois em outros clubes brasileiros e que no início de 2001 garantiram o título mineiro para o Coelho com uma sonora goleada sobre o rival Atlético. O América fica em 26º lugar na Série A do Campeonato Brasileiro em 2001, caindo para a Série B e nela permanecendo de 2002 a 2004, ano em que é rebaixado para a Série C. No ano de 2005, o América conquistou a Taça Minas Gerais e em 2006 foi eliminado nas semifinais desta mesma competição. O time completou 4 000 jogos em 3 de setembro de 2006, na vitória sobre o Atlético Goianiense por 1 a 0. Em 2007, o América obtém o pior desempenho de toda a sua história. Termina como último no Campeonato Mineiro, sendo rebaixado à disputa do Módulo II (segundo nível estadual), não obtendo qualificação para disputar nenhuma das séries do Campeonato Brasileiro.
Os dez maiores artilheiros da história do América.
Marcas históricas
O América conquistou não somente um, mas dois decacampeonatos, vencendo no primeiro e no segundo quadros. O Coelho conquistou a Tríplice Coroa em 1957, sendo campeão mineiro profissional, aspirante e juvenil. O América já forneceu quatro jogadores para a Seleção Brasileira principal, tendo eles um total de dez participações. Dos atletas formados pelo América e que disputaram jogos na seleção canarinho por outros clubes, são exemplos Fred e Gilberto Silva, que tiveram participação na Seleção Brasileira e disputaram a Copa do Mundo de 2006, na Alemanha. O América é o único clube do mundo que teve atletas saídos de suas categorias de base que participaram da Copa do Mundo de 2006 em duas seleções: Fred e Gilberto Silva na Seleção Brasileira e Yuji Nakazawa na Seleção Japonesa.
Pesquisas de institutos renomados de pesquisa (Gallup 1971, Perfil 1996 e Instituto Nexus 2004) indicam a torcida americana como sendo numericamente de 4% a 5% da população da Região Metropolitana de Belo Horizonte, o que representa mais de 200 000 torcedores, só nesta região, em geral de poder aquisitivo maior do que a média da população, até porque o América tem a sua imagem vinculada à elite mineira. A pesquisa Lance!–IBOPE 2010 confirma os números acima, pois apresenta a torcida americana como tendo 214 273 torcedores em seu estado, o equivalente a 1,1% dos habitantes de Minas Gerais, mesmo percentual encontrado pela pesquisa Lance!–IBOPE 2004 tendo ainda o Coelho torcedores principalmente em outros estados da Região Sudeste, para onde em décadas passadas migraram milhões de mineiros. O América foi apontado como a terceira maior torcida entre os clubes de Minas Gerais na maior parte das pesquisas de torcidas já realizadas neste estado,[carece de fontes?] e entre os consumidores de pacotes de jogos de TV fechada, a torcida do América aparece como a 23ª entre as torcidas brasileiras, o que comprova o grande poder aquisitivo de sua torcida.
Dia municipal americano
A Câmara Municipal de Belo Horizonte, através do Projeto de Lei nº 1.707/08, instituiu o dia 30 de abril, data da fundação do clube, como o Dia do Torcedor do América Futebol Clube, data que passou a integrar o calendário turístico de BH.
Clássicos do Coelho
São considerados clássicos envolvendo o América, os seguintes confrontos:
Hinos
Com várias músicas já tendo homenageando o Coelho em sua história centenária, o América tem como hino oficial obra do compositor Vicente Motta, torcedor do Atlético Mineiro, nascido na cidade de Montes Claros. Na década de 1990, Fernando Brandt e Tavinho Moura compuseram um segundo hino (não oficial) ao clube, mas que não obteve grande aceitação dentre os torcedores. Além destes, o América tem o Hino da torcida (O meu América), composto pelo comediante Fernando Ângelo.
Escudo e bandeira
O América é o único time profissional de Belo Horizonte que nunca trocou de escudo, bem como nunca mudou de nome. O América aceita duas versões do escudo como oficiais: uma com letras verdes e fundo branco, e outra com fundo verde com letras brancas. Ambas versões estilizadas, no ano de 2017 consistiam em: Em 2018 o América alterou as estrelas acima do escudo e seu significado, alegando a entrada do clube em um outro patamar no futebol brasileiro após a repetição de sua, até então, maior conquista: A bandeira oficial tem fundo em três listras horizontais: branca e verde (cores originais), e preta (referência ao uniforme verde e negro, marca do clube). Em destaque tem a versão do escudo em letras verdes e fundo branco.
Mascote
O primeiro mascote do América foi o Pato Donald. Entretanto, desde 1944, o mascote do América passou a ser um coelho (criação do cartunista Fernando Pieruccetti, O Mangabeira, por encomenda do jornal Folha de Minas, em 1943). Última atualização: 14 de fevereiro de 2025.


