América Futebol Clube (Rio Grande do Norte)
América Futebol Clube é uma agremiação poliesportiva sediada na cidade de Natal, no Rio Grande do Norte, fundado em 14 de julho de 1915 por um grupo de jovens estudantes, comerciários e funcionários públicos.
Após o segundo bicampeonato de 1930/1931, o América amargou 15 anos sem vitórias locais, voltando a ser campeão só em 1946. Em 1931, um fato bastante curioso ocorreu: o América foi responsável pela primeira partida internacional de futebol da história do Rio Grande do Norte. O adversário foi a equipe inglesa Royal Navy Football Association (ou simplesmente Royal Navy FA). O time realizava sua primeira visita ao Brasil e Natal foi escolhida como primeira parada. Eles vieram no enorme cruzador inglês chamado "H.M.S Dauntless" e desembarcaram no Porto de Natal, às margens do Rio Potengi, na tarde do dia 27 de agosto de 1931. Atual bicampeão estadual na época, a equipe do América era considerada a melhor do Rio Grande do Norte. Logo que a partida foi anunciada, marcada para o dia 30 de setembro de 1931 (um domingo), criou-se um clima de euforia na tranquila cidade de Natal. Afinal, não era qualquer dia que acontecia um confronto desse porte. O jogo, então, foi marcado para o Estádio Juvenal Lamartine, recém inaugurado.
1915: Surge o América Futebol Clube
Um grupo de 38 jovens estudantes, comerciários e funcionários públicos da ainda pequena cidade de Natal se reúne, no dia 11 de julho de 1915, na Rua Nova (atual Avenida Rio Branco), no bairro de Cidade Alta, em reunião preparatória. Ali, surgiria a ideia de criar o América Futebol Clube. A reunião oficial para a criação do clube foi marcada para o dia 14 de julho de 1915, uma quarta-feira, na residência do juiz Joaquim Homem de Siqueira, situada na Rua da Palha (atualmente Rua Vigário Bartolomeu). Ficou decidido, então, o nome e as cores da equipe: America Foot Ball Club, cujas cores seriam azul e branco. A data 14 de julho foi escolhida em memória aos ideais da Revolução Francesa: Liberdade, Igualdade e Fraternidade. As cores azul e branco foram escolhidas para diferenciar do Sport Club Natalense, clube de vida efêmera fundado em 1904 pelos irmãos Fabrício e Fernando Pedroza, que já utilizava as cores alvirrubras. Com a extinção do referido clube, o América adota as cores vermelho e branco, que já tinha a preferência de seus fundadores desde antes do surgimento do clube.
A primeira partida
A primeira partida realizada pela nova equipe de Natal ocorreu no dia 26 de setembro de 1915, contra a equipe que seria posteriormente seu maior rival, o ABC. A partida se deu na Praça Pedro Velho, à época chamado de Vila Cincinati, em um campo improvisado, e a equipe alvinegra derrotou os rubros pelo placar de 4 a 0. Gols de Mousinho (2), Mandu e Babua para o ABC. Nessa partida, o Mecão atuou com: Oscar Siqueira; Lélio e Gato; Carvalho, Gallo e Barros; Antônio, Carlos Siqueira, Neco, Garcia e Pipiu. Já a primeira partida oficial foi realizada entre ABC e América, ocorreu em 15 de setembro de 1918, em jogo válido pelo Estadual. O América venceu a partida pelo placar de 3 a 0, com gols de Arnaldo, Pinheiro (contra) e Nilo Murtinho Braga.
1916-1918: tentativa de profissionalizar e criação da federação
No Rio Grande do Norte, as primeiras tentativas de criar uma liga de esportes - inclusive o futebol - ocorreram no ano de 1916. Segundo o pesquisador Luiz G. M. Bezerra, seis clubes da capital (América, ABC, Centro Esportivo, Atheneu SC, Cricket Club, Sport Club de Natal e Centro Náutico Potengi) fundaram a Liga Norteriograndense de Desportos Terrestres e empossaram um presidente, Luiz Potiguar Fernandes, em 27 de fevereiro de 1916. Porém, esta Liga não prosperou. Após idas e vindas, foi fundada, no dia 14 de julho de 1918 - coincidentemente, na data de aniversário de 3 anos do América -, a Liga de Desportos Terrestres do Rio Grande do Norte (atual Federação Norteriograndense de Futebol, a FNF), que sucedeu a Liga de Esportes Terrestres, fundada em 1916. O seu primeiro presidente foi o lider do movimento dos escoteiros no Rio Grande do Norte, Luiz Soares de Araújo. A Federação já foi também chamada de Associação Riograndense de Atletismo, e também de Federação Norteriograndense de Desportos (FND). Os clubes fundadores foram o América, o ABC e o Centro Esportivo Natalense, de acordo com o estatuto da própria FNF.
1918: o campeonato que não acabou
O ano era 1918. O mundo era afetado pela epidemia da gripe espanhola. No Brasil, não era diferente. O governador do Rio Grande do Norte à época, Ferreira Chaves, pediu o fechamento temporário dos estabelecimentos de instrução, cinemas, teatros e cancelamento de missas. Com isso, logo o futebol também foi afetado, com a suspensão do Estadual daquele ano, disputado apenas por três clubes: América, ABC e Centro Esportivo Natalense. Como os jogos aglomeravam multidões no campo improvisado da Vila Cincinati, houve o receio das autoridades em prosseguir com o campeonato. O Centro Esportivo Natalense era líder do certame e, por isso, tinha certo favoritismo para ser campeão. No entanto, mesmo sendo líder, como o campeonato não teve fim, não foi considerado campeão, diferente de outras paralisações no campeonato, como em 1936 e 1949, por exemplo, onde ABC e América, respectivamente, foram considerados campeões. A equipe de 1918, formada quase em sua totalidade apenas pelos fundadores do clube, numa era anterior ao profissionalismo do futebol no Brasil, foi a base das equipes campeãs dos anos seguintes.
1919-1922: os primeiros campeonatos potiguares e seus primeiros títulos
O primeiro título americano veio em 1919. Foi o segundo campeonato de futebol promovido pela Liga de Desportos Terrestres no estado, primeiro a ser concluído. Novamente, tal como em 1918, apenas três clubes participaram: América, ABC e Centro Esportivo Natalense. Na competição, o América conquistou duas vitórias, um empate e uma derrota. Teve como principal referência no seu elenco naquela época o atacante Nilo Murtinho Braga, que no futuro viria a ser um dos maiores ídolos da história do Botafogo e titular da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1930. Em 1920, venceu todos os torneios disputados pela Liga de Desportos Terrestres. Dois anos mais tarde, o clube conquistou mais um importante troféu, ao ganhar a intitulada Taça da Independência em 1922, em homenagem ao centenário da Independência. Na final, João Maria Furtado, conhecido como "De Maria" fez o único gol da partida frente aos eternos rivais americanos, o ABC.
Segunda metade da década de 1920: sequência de títulos e Era Juvenal Lamartine
Com a reestruturação da Liga de Desportos Terrestres, o América voltou a ganhar um título estadual em 1926, repetindo a façanha em 1927, tornando-se a primeira equipe a levantar duas taças consecutivas. Em outubro de 1928, foi inaugurado o Estádio Juvenal Lamartine, a primeira praça esportiva do Rio Grande do Norte. O jornalista Everaldo Lopes afirma, em seu livro "Da bola de pito ao Apito Final", que o governador do Estado, Juvenal Lamartine, foi convidado para uma partida no campo improvisado da Praça Cívica e ficou penalizado com as limitadas instalações do campo, surgindo, então, a decisão de construir um estádio. O jornalista Rubens Lemos Filho, autor de um livro sobre o estádio, declarou à Tribuna do Norte:
Nome
Existe uma versão extraoficial para a escolha do nome do América. A data escolhida por seus fundadores teria sido em homenagem ao feriado em comemoração a República, da liberdade e da independência dos povos americanos, comemorado em 14 de julho no Brasil. O feriado foi promulgado em 1890 e durou até 1930.
Escudo e cores
Inicialmente, o América tinha cores azul e branco, para diferenciar do Sport Club Natalense, de cores alvirrubras, fundado em 1904. Após a sua extinção, o Mecão adotou as cores vermelho e branco, que utiliza até hoje. O seu escudo é formado por um círculo vermelho com o acrônimo AFC inserido na parte interna e, nas bordas, o nome do clube, junto do nome da cidade e do estado onde se localiza: Natal, no Rio Grande do Norte.
Hino oficial
O hino oficial do América Futebol Clube tem letra de Behring Leiros e Hilton Acioli, que intitularam-no de "Eu sou América". É o América, América Vai conquistando o coração do povo no jogo, E na torcida eu sou América Eu sou América e tenho orgulho de ser, Porque o América em tudo é o melhor É alegria no esporte e no futebol América, América (Bis) Meu coração vibra nas suas cores Eu sou América, América É uma canção que canta mil amores, enfim, Cantou América, América Vamos em frente gente Americana Mostrar que o nosso time entrou pra valer Bola pra frente, quero ver jogando pra ganhar América, América (Bis) O clube ainda tem outro hino - muito pouco lembrado e praticamente inutilizado - composto por Claudiomiro Batista de Oliveira, o Dozinho, em 1956, intitulado de "Salve o América".
Uniforme
O tradicional uniforme do clube é a camisa vermelha, meiões vermelhos e calções brancos. O seu segundo uniforme é ao contrário, com camisas e meiões brancos e calções vermelhos. Ocasionalmente, podem ocorrer variações, como o uniforme todo vermelho ou todo branco. A produção de material esportivo, feito por uma empresa especializada, começou no América no ano de 1980, a empresa responsável por fazer as camisas do Mecão foi a Adidas. A grande maioria de empresas que produziu camisas foram nacionais, porém, empresas internacionais já foram responsáveis pela produção do material. Histórico de fornecedores de material esportivo
Mascote
O mascote do América é um dragão. Antigamente, quando o clube mandava seus jogos no Machadão e Nazarenão, a presença do mascote, geralmente representado pelo torcedor-símbolo Baé, era frequente durante pré-jogo e intervalo, animando a torcida rubra, sobretudo as crianças.
Loja Oficial
A Mecão Store, loja da marca própria do clube, foi inaugurada no dia 6 de julho de 2022, e fica localizada na área interna da Arena das Dunas.
Sede Social
Comprado por iniciativas do presidente José Gomes da Costa, em 1929, juntamente com Orestes Silva, o terreno foi adquirido junto ao estado, por 9 mil cruzeiros, com recursos próprios e doados ao América, todo o quarteirão onde hoje está plantado o seu maior patrimônio, o imponente edifício-sede do clube. Participaram também da transação o Tenente Júlio Perouse Pontes, Clóvis Fernandes Barros e Osmar Lopes Cardoso. O local, que no passado servia também de campo de treinamentos, era considerado muito distante. O América foi o primeiro clube de futebol do Estado do Rio Grande do Norte a possuir sede própria, construída na gestão do Presidente Humberto Nesi e levantada a primeira pedra no dia 14 de julho de 1945, à Avenida Maxaranguape, considerada a primeira e mais antiga sede própria do clube.
Centro de Treinamento
Foi comprado pelo então presidente Humberto Pignataro por Cr$ 60 mil, valor pago em 12 prestações, um amplo terreno em área nobre de Natal. Lá, foi construído a Pousada do Atleta, o primeiro centro de treinamento do clube, inaugurada em agosto de 1973. Na virada do século, de 1999 para 2000, o América entrou em uma grave crise financeira. Com isso, os dirigentes se viram obrigados a vender o então centro de treinamento do clube, a "Pousada do Atleta", localizada na Avenida Engenheiro Roberto Freire, em Capim Macio. Depois, transferiram as atividades esportivas do clube para Parnamirim, onde passou a funcionar o CT Dr. Abílio Medeiros. Inaugurado em 1999, em uma área de 22 hectares, o Centro de Treinamento Abílio Medeiros foi reformado recentemente. A reforma inclui a reorganização paisagística e urbanística, implementação de ares-condicionados tipo Splits nos alojamentos do time profissional, renovação do equipamento da academia, decoração com painéis em todo o centro, implementação de uma sala tecnológica, colocação de uma piscina com hidromassagem, reforma do piso dos vestiários e muitas outras melhorias do Centro de Treinamento do América.
A Arena América
Em 2012 iniciou-se o projeto para a construção do seu próprio estádio, a Arena América. A capacidade prevista é de 25.000 pessoas ao final de sua construção.
Em 2012, o América inaugurou o departamento de futebol feminino. No mesmo ano, sagrou-se campeão estadual, se classificando para a Copa do Brasil daquele ano. O grande destaque da equipe alvirrubra na temporada foi a multicampeã meia Formiga. Eliminou o Botafogo-PB na primeira fase e foi eliminado na segunda para o Vitória-PE. Porém, por falta de investimento, o projeto não seguiu adiante. Em 2020, voltou a ter uma equipe feminina após acordo firmado pelo então presidente Ricardo Valério com o grupo que defendia o Cruzeiro de Macaíba. Na categoria, o América é bicampeão estadual (2012 e 2020). No âmbito nacional, além da participação na Copa do Brasil em 2012, também participou do Campeonato Brasileiro Série A2 em 2021.
Futsal
No futsal, o América de Natal é vice-campeão brasileiro (Taça Brasil de Futsal), tricampeão do Nordeste e o maior vencedor do RN, com 40 estaduais e metropolitanos. Em 2024, retomou o projeto do futebol de salão profissional após mais de 10 anos licenciado, trazendo o multicampeão e renomado ala Joan como principal reforço para a temporada. Campeão também em 2024, o time conquistou o bicampeonato consecutivo em 2025. Esse foi o 40º título do América no futsal do Rio Grande do Norte, segundo levantamento do clube. São 28 campeonatos estaduais e 12 campeonatos metropolitanos.
Basquete
No basquete, em 2013, o clube conquistou o tricampeonato do Nordeste e garantiu o 3º lugar no Campeonato Brasileiro. Em 2014, o time de basquete alcançou as semifinais do Brasileirão. O América Tigres, maior clube de basquete paralímpico do Rio Grande do Norte, tem como objetivo fomentar o basquetebol em cadeira de rodas no Estado; representar o estado em competições locais, regionais, nacionais e internacionais; lutar por políticas de inclusão social de pessoas com deficiência física através do esporte; contribuir para uma melhora da saúde e qualidade de vida dos praticantes da modalidade do basquete em cadeira de rodas do clube; mostrar as marcas com responsabilidade social presentes no Estado do RN. Objetivo | TIGRES RN
Futebol Americano
O time de futebol americano do América, o América Bulls, conquistou a taça Aracaju, chegou duas vezes à final da Superliga do Nordeste e foi campeão da etapa regional do circuito nacional de Flag Football, uma versão do futebol americano que não conta com contato físico.
Futebol de Areia
Em 2016, o América iniciou o projeto para ter uma equipe de futebol de areia. Para isso, contratou jogadores experientes, como o ala Dunga e o atacante André Bigode. Em 2020, o América foi vice-campeão da Etapa Norte/Nordeste do Campeonato Brasileiro, perdendo a final para o Sampaio Corrêa.
Futebol Society
No futebol society, o América foi campeão da Superliga Parnamirim após derrotar o ABC por 5 a 3 e do Campeonato Potiguar ao golear o Benfica por 6 a 0. Ambos os títulos foram conquistados em 2019.
Voleibol
No voleibol masculino, o América, atualmente atuando como América/SSC, conquistou o Campeonato Potiguar de forma invicta em 2024, ao vencer o VôleiTerapia por 3 sets a 0. A equipe também foi campeã da etapa Nordeste da Superliga C em 2023, garantindo o acesso à Superliga B. Atualmente está na segunda divisão do campeonato brasileiro da modalidade.
Grandes treinadores que comandaram o América desde a sua fundação, em 1915.
O América Futebol Clube e sua torcida: história, clube, cultura e povo. Hoje, essa seria a melhor definição para a apaixonada torcida americana. Mas, nem sempre foi assim. Nos anos 1970 e 1980, o América já tinha uma enorme torcida, porém, pouco participativa, sobretudo nas arquibancadas. A relação de massas começou com a criação da Torcida Máfia Vermelha, que levou o América à periferia de Natal e trouxe o povo da periferia às arquibancadas do Estádio Machadão, em uma relação de reciprocidade. No Rio Grande do Norte, somando todas as competições desde que começou a vigorar a obrigatoriedade da divulgação de borderôs pelo Estatuto do Torcedor, em 2003, o América teve a maior média de público em doze ocasiões: 2004, 2005, 2006, 2009, 2014, 2015, 2016, 2017, 2018, 2019, 2020 e 2022. Em 2022, na campanha do título brasileiro da Série D, o Mecão levou mais de 125 mil pessoas ao estádio durante, apenas, o mata-mata da competição. A média de público do Alvirrubro nessa fase do certame foi de quase 26 mil torcedores por jogo.
Torcidas organizadas
O Grêmio Recreativo Sócio Cultural Torcida Máfia Vermelha (G.R.S.C TMV) foi fundado no ano de 1991 por Aécio Franklin de Albuquerque Júnior e por mais alguns jovens que naquela época sentiram a vontade de criar a torcida organizada e sempre nutriram grande sentimento de afeto pelo América Futebol Clube. "O que víamos nos estádios era uma grande torcida, que comparecia, mas que na maioria do tempo de jogo se postava de forma arredia, ou seja, torcedores que só sabiam cobrar de nossos jogadores, de nossa diretoria, mas que não incentivavam, não ajudavam, principalmente em jogos chamados clássicos" Após a sua fundação, a TMV se expandiu rapidamente nas arquibancadas do Machadão, atingindo um número significativo de associados. O próximo passo era a formação de alianças com outras torcidas, o que acabou por acontecer rapidamente. A primeira aliança que a TMV fez foi com a torcida Leões da TUF, quando em um jogo do Fortaleza Esporte Clube em Natal. Outras aliança foram formadas, como por exemplo com a torcida Inferno Coral, do Santa Cruz do Recife, dentre outras.


