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Amaury Kruel

Amaury Kruel GCA foi um militar e político brasileiro, tendo servido como oficial de Estado-Maior da Força Expedicionária Brasileira (FEB) em 1944–1945, chefe do Departamento Federal de Segurança Pública (DFSP) em 1957–1959 e ministro da Guerra em 1962–1963. À frente do II Exército de 1963 a 1966, foi um dos principais participantes do golpe de Estado no Brasil em 1964. Atingiu a patente de general-de-exército, sendo promovido a marechal ao passar para a reserva. Em seguida foi deputado federal pela Guanabara de 1967 a 1971.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 12/07/2026
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Família e posses

Descendente de imigrantes alemães,[b] Amaury era filho do fazendeiro José Carlos Kruel e de Ana Weber Kruel. Seu irmão Riograndino (1898–1989) e sobrinho Vinícius também foram generais. Riograndino Kruel participou do tenentismo, liderando a revolta no 10º Regimento de Cavalaria Independente em Bela Vista, atual Mato Grosso do Sul, à época da Revolta Paulista de 1924. Terminou a carreira chefiando o Departamento de Polícia Federal em 1964–1966. Vinícius Kruel era major em 1964, servindo no QG do II Exército, e general-de-brigada em 1981, quando dispôs-se a comandar a investigação do Atentado do Riocentro com a condição de que não aceitaria pressões. A investigação não ficou com ele e sua carreira terminou naquela patente. Casou-se com Cândida Cezimbra Kruel, com quem teve um filho (Nei Kruel), e posteriormente com Maria Helena Kruel. Quando Jango (João Goulart) era presidente, conseguiu um emprego no Lloyd Brasileiro em Nova Orléans para o filho de Kruel. Conforme depoimentos de Ernesto Geisel e do general Rubens Restell ao jornalista Elio Gaspari, Jango também conseguiu financiamento público para uma fazenda de café no Espírito Santo. Kruel possuía a fazenda Piraquê em Linhares, às margens do rio Doce, onde plantava cacau. Em 2014, seus herdeiros indenizaram um trabalhador mantido em condições análogas à escravidão na fazenda de 1949 a 1963, quando a ação foi ajuizada. O processo arrastou-se por 50 anos.[c] Kruel também teria duas fazendas na Bahia. Trabalhou no setor empresarial, fazendo parte da Eletrônica Kruel S.A.

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Carreira político-militar

Com a queda de Goulart, Kruel viajou ao Rio de Janeiro em 3 de abril. Sua posição no momento era que os militares não deveriam ocupar o poder. Porém, quando a sucessão de um militar à Presidência tornou-se clara, foi discutido como candidato, embora o favorito fosse Castelo Branco. Ademar de Barros endossou seu nome, como era de praxe dos governadores proporem os generais de seus estados, antes de apoiar Castelo. Era considerado um general centrista. Costa e Silva era favorável à candidatura anticastelista. Setores do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), sigla de Goulart, defendiam sua candidatura como uma forma, ainda que ineficaz, de reunir o que sobrava da esquerda militar, e alguns poucos políticos viam-no como forma de preservar o poder da aliança do PTB com o Partido Social Democrático (PSD). Por outro lado, justamente por sua associação a Goulart sua candidatura era malvista entre muitos oficiais, que também não o aceitavam por ter um posto de comando de tropas. Os apoiadores de Kruel ofereceram a união de forças a Eurico Gaspar Dutra, outro candidato alternativo a Castelo, mas ele recusou. Kruel abandonou sua candidatura em nome da unidade militar.

Décadas de 1910 a 1930

Estudou no Colégio Militar de Porto Alegre a partir de quando tinha ao redor de 11–12 anos. Amaury e Riograndino estavam entre os melhores amigos de Humberto Castelo Branco no Colégio, onde também conheceram Arthur da Costa e Silva. Castelo e os irmãos Kruel integravam a diretoria da Sociedade Cívica Literária, agremiação de alunos que promovia saraus e uma tendência política moralizadora, contrária ao continuísmo e mandonismo associados ao governo de Borges de Medeiros. Nas folgas, Amaury e Castelo frequentavam a Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, onde vaiavam os governistas e aplaudiam a oposição. Nas ruas, juntavam-se a protestos de operários e estudantes, num dos quais Kruel foi baleado na perna pela Brigada Militar, deixando uma cicatriz para o resto da vida.

Segunda Guerra Mundial

O Brasil entrou na Segunda Guerra Mundial em 1942 e iniciou o preparo da Força Expedicionária Brasileira. Kruel foi um de onze oficiais brasileiros enviados em 1943 a um estágio de três meses em Fort Leavenworth, nos Estados Unidos. Enquanto estava no exterior, foi promovido a tenente-coronel. Os brasileiros aprenderam a substituir a doutrina francesa pela guerra de movimento americana, e Kruel também participou de debates com agentes americanos sobre a reforma da polícia. O general Mascarenhas de Morais, comandante da 1ª Divisão de Infantaria Expedicionária (1ª DIE), designou os integrantes de seu Estado-Maior (EM) para participar da Campanha da Itália: Aguinaldo José Sena Campos à 1ª Seção (Pessoal), Kruel à 2ª (Informações), Castelo Branco à 3ª (Operações) e Thales Ribeiro da Costa à 4ª (Logística). O chefe do EM era o coronel Floriano de Lima Brayner. Desembarcando em 1944, Kruel participou da ofensiva contra a Linha Gótica. Os primeiros ataques na Batalha de Monte Castello, de novembro a dezembro, foram derrotas custosas. A operação, planejada por Castelo, havia sido anteriormente criticada por Brayner e Kruel. Baseado em depoimentos de prisioneiros alemães, a Seção de Informações havia advertido sobre as fortificações inimigas, mas Castelo conseguiu convencer Mascarenhas. O plano usou uma estimativa da reação inimiga feita pela Seção de Operações, não da de Informações; Kruel atacou Castelo por invadir suas atribuições, e Castelo respondeu que Kruel havia se omitido a fazer a estimativa.

Décadas de 1940 a 1950

Após a guerra, serviu como adido militar em Londres até sua promoção a coronel em 1947. A posição de adido era prestigiosa e oferecia uma vida mais cosmopolita e isolada da caserna e burocracia. Na diplomacia, Kruel foi também assessor militar do Brasil na Organização das Nações Unidas em 1960. Em 1958 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Avis de Portugal. Responsável em janeiro de 1949 pela 2ª Seção da 1ª Subchefia do Estado-Maior do Exército, fez um curso especial de informações e foi encarregado de um inquérito sobre atividades comunistas no Exército. Nelson Werneck Sodré acusa Kruel como um dos oficiais que abusaram de suas posições na eleição da direção do Clube Militar em 1952, perseguindo os partidários da Chapa Amarela. Kruel apoiava a Chapa Azul, da direita militar (a “Cruzada Democrática”), contra os autodenominados “nacionalistas”. Em julho um dos promotores, Amador Cisneiros de Amaral, protestou que prisioneiros eram mantidos incomunicados por mais do que o período legal máximo de três dias. Kruel chamou Amaral de comunista e ordenou sua prisão, uma decisão revertida pelo juiz Adalberto Barreto. Alguns dos presos eram febianos, e seu prestígio poderia ter fortalecido o lado “nacionalista”. Muitos dos oficiais foram absolvidos em julho, mas suas carreiras foram arruinadas e os internacionalistas da “Cruzada Democrática” ganharam o domínio do Exército.

Segurança Pública (1957–1959)

Em 1957 foi nomeado pelo presidente Juscelino Kubitschek (JK) como Chefe de Polícia do Departamento Federal de Segurança Pública. Na prática, o cargo era responsável apenas pelas forças policiais no Distrito Federal, com alguma cooperação com as polícias estaduais na repressão política. Kruel tentou centralizar seu poder com uma Conferência Nacional de Polícia em 1958, mas os estados poderosos não aceitavam a interferência federal nas suas polícias. Para ganhar um trunfo sobre os estados, solicitou equipamentos e assistência técnica dos Estados Unidos através da USAID. Contatos de militares brasileiros com americanos na área policial existiam desde a Segunda Guerra, e havia convergência de ambições (manutenção da ordem, combate ao comunismo e modernização) de parte da elite brasileira com os fornecedores da assistência americana. Para assegurar o apoio americano, Kruel insistiu-se anticomunista. A assistência começou a ser implantada após sua gestão.

Governo João Goulart

Em 1961 foi nomeado embaixador na Bolívia pelo presidente Jânio Quadros, mas antes de assumir Jânio renunciou em 25 de agosto e os ministros militares impediram a posse do vice-presidente Goulart. Kruel recusou o posto e apoiou a Campanha da Legalidade, iniciada por Leonel Brizola no Rio Grande do Sul, para garantir a posse. Nesse momento não tinha comando de tropas. Conforme o jornalista Jorge Otero, Kruel foi clandestinamente a Porto Alegre para assumir o comando do III Exército se seu comandante, o general José Machado Lopes, não aceitasse a posse de Goulart. Machado Lopes mudou para o lado de Brizola em 28 de agosto. Kruel participou no Rio de Janeiro de uma reunião de generais, exigindo do ministro da Guerra Odílio Denys que aceitasse qualquer que fosse a solução do Congresso Nacional para a crise. Para Emílio Neme, subchefe da Casa Militar de Brizola, Kruel só desembarcou clandestinamente em setembro, ainda assim à disposição de Brizola.

Golpe de Estado de 1964

Às 07:00 da manhã de 31 de março Kruel recebeu um telefonema do general Lindolfo Ferraz, de férias em São Lourenço, Minas Gerais. A Polícia Militar de Minas Gerais saía da cidade. Na mesma hora, outro telefonema de Riograndino, informado por Castelo Branco, confirmava o início do golpe. De manhã um emissário foi enviado ao 5º e 6º Regimentos de Infantaria (RIs), no vale do Paraíba, para transmitir a informação e instruí-los a só obedecer ordens do comando do II Exército. O II Exército foi posto de prontidão às 14:30, mas sua posição era uma incógnita. Alguns subordinados já preparavam seus regimentos. Kruel não acreditava no sucesso da revolta iniciada em Minas Gerais. Houve contato telefônico com o Rio de Janeiro, incluindo com Goulart, que tentou várias vezes o contato, só conseguindo às 17:00. Eles tiveram três conversas no restante do dia. O presidente convidou Kruel ao Rio de Janeiro, mas ele recusou.

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Fontes consultadas

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