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Catarina de Médici

Catarina Maria Rômula de Médici, filha de Lourenço II de Médici e de Madalena de La-Tour de Auvérnia, foi uma nobre italiana que se tornou rainha consorte da França de 1547 até 1559, como esposa do rei Henrique II.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 08/07/2026
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Nascimento e educação

Catarina nasceu em Florença, Itália, como Catarina Maria Rômula de Lourenço de Médici (em italiano: Caterina Maria Romula di Lorenzo de' Medici). A família Médici era na época de facto a governante de Florença: originalmente banqueiros, chegaram a grande riqueza e poder, financiando as monarquias da Europa. Seu pai, Lourenço II de Médici, foi feito duque de Urbino pelo seu tio, o papa Leão X, mas o título voltou a Francisco Maria I Della Rovere após a sua morte. Assim, ainda que seu pai fosse um duque, ela teve um nascimento relativamente inferior. No entanto, sua mãe, Madalena de La Tour de Auvérnia, a condessa de Bolonha, vinha de uma das mais importantes e antigas famílias nobres francesas e esta prestigiada herança foi um benefício para o seu futuro casamento com um Filho da França. Segundo um cronista contemporâneo, quando Catarina de Médici nasceu, seus pais ficaram "tão felizes como se ela fosse um menino".[nt 2] Madalena morreu em 28 de abril de febre puerperal e Lourenço morreu logo em seguida, em 4 de maio. O jovem casal havia se casado no ano anterior em Amboise como parte da aliança entre o rei Francisco I (r. 1515–1547) e o papa Leão contra o imperador Maximiliano I (r. 1508–1519). Francisco queria que Catarina, uma italiana, fosse elevada à corte francesa, mas o papa Leão tinha outros planos: ele pretendia casá-la com o filho ilegítimo de seu irmão, Hipólito de Médici, e colocá-los para governar Florença.

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Casamento

Em sua visita a Roma, o embaixador veneziano descreveu Catarina como "pequena de estatura, magra e sem feições delicadas, mas tinha os olhos salientes peculiares da família Médici". Pretendentes, no entanto, enfileiraram-se para tentar a mão dela, incluindo Jaime V da Escócia (r. 1513–1542), que enviou João Stuart, Duque de Albany para que Clemente concluísse um casamento com ele em abril ou novembro de 1530. Quando Francisco I propôs seu segundo filho, Henrique, duque de Orleães, no início de 1533, Clemente aproveitou a oferta. Henrique foi um prêmio para ela, que, apesar de rica, era de origens mais modestas. O casamento, um grande evento marcado pela troca de presentes e exibição extravagante, teve lugar em Marselha em 28 de outubro 1533.[nt 3] O príncipe Henrique dançou e justou para Catarina. O casal, de apenas quatorze anos de idade, deixou o casamento à meia-noite para desempenhar seus deveres nupciais. Henrique chegou no quarto com o pai, que disse ter ficado até o casamento ser consumado. Ele observou que "cada um tinha mostrado valor na justa". Clemente visitou os recém-casados na cama na manhã seguinte e acrescentou suas bênçãos aos procedimentos da noite.

Delfina

Em 1536, o irmão mais velho de Henrique, Francisco, pegou um resfriado depois de um jogo de tênis, contraiu uma febre e morreu, deixando o irmão mais novo como herdeiro. Como delfina, Catarina estava agora na espera de proporcionar um futuro herdeiro ao trono. De acordo com o cronista da corte, Pierre de Brantôme, "muitas pessoas aconselharam o rei e o delfim a renegá-la, já que era necessário continuar a linhagem da França". O divórcio foi discutido. Em desespero, Catarina tentou todos os truques conhecidos na época para engravidar, como colocar esterco de vaca e pó de chifres de veados em sua "fonte da vida", e ainda beber urina de jumento. Em 19 de janeiro de 1544, ela finalmente deu à luz um filho, nomeado em honra ao rei Francisco.

Rainha da França

Henrique não permitiu quase nenhuma influência política à rainha Catarina. Embora às vezes ela atuasse como regente em suas ausências da França, seus poderes eram estritamente nominais. Henrique deu o Castelo de Chenonceau, que a rainha queria para si, a Diana de Poitiers, que tomou seu lugar no centro do poder, distribuindo e aceitando favores. Um embaixador imperial relatou que, na presença de convidados, Henrique se sentava no colo de Diana e tocava violão, conversava sobre política ou acariciava seus seios. Diana nunca considerou a rainha como uma ameaça. Ela ainda incentivou o rei a dormir com ela para ser pai de mais filhos. Em 1556, Catarina quase morreu ao dar à luz duas filhas gêmeas, mas os cirurgiões salvaram sua vida quebrando o braço de uma das duas bebês, que morreu em seu ventre. A filha sobrevivente morreu sete semanas depois. A rainha nunca mais teve filhos. O reinado de Henrique também viu a ascensão dos irmãos Guise, Carlos, que se tornou cardeal, e de Henrique, amigo de infância de Francisco, que se tornou duque de Guise. A irmã deles, Maria, tinha se casado com Jaime V da Escócia em 1538 e foi a mãe da rainha Maria da Escócia. Com cinco anos e meio de idade, Maria foi levada para a corte francesa e prometida ao delfim, Francisco. Catarina a criou junto com os seus próprios filhos na corte, enquanto Maria de Guise governava a Escócia como regente de sua filha.

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Rainha mãe

Henrique contratou tropas suíças para ajudá-lo a se defender em Paris. Os parisienses, no entanto, reivindicaram o direito de defender a cidade. Em 12 de maio de 1588, eles montaram barricadas nas ruas e se recusaram a receber ordens, exceto o Duque de Guise.[nt 21] Quando Catarina tentou ir à missa, encontrou seu caminho barrado, mas foi autorizada a passar através das barricadas. O cronista L'Estoile relatou que ela chorou durante todo o almoço naquele dia. Ela escreveu a Bellièvre, "Nunca me vi em tal dificuldade ou com tão pouca luz pela qual escapar". Como de costume, Catarina aconselhou o rei, que havia fugido da cidade em cima da hora, a aceitar uma solução de compromisso e viver para lutar outro dia. Em 15 de junho de 1588, Henrique obedientemente assinou o Ato de União e cedeu a todas as novas exigências da Liga. Em 8 de setembro de 1588, em Blois, onde a corte se reuniu para uma reunião dos Estados, Henrique demitiu todos os seus ministros sem aviso prévio. Catarina, na cama com uma infecção pulmonar, não sabia de nada.[nt 22] As ações do rei efetivamente terminaram os seus dias de poder. Na reunião dos Estados, o rei agradeceu à sua mãe por tudo que ela tinha feito. Ele a chamou não só de a mãe do rei, mas de a mãe do estado. Henrique não contou a Catarina o seu plano para solucionar seus problemas. Em 23 de dezembro de 1588, ele pediu ao duque de Guise para encontrá-lo no Castelo de Blois. Quando Guise entrou no aposento do rei, os Quarenta e cinco mergulharam suas espadas em seu corpo e mataram-no aos pés da cama do rei. No mesmo momento, oito membros da família Guise foram presos, incluindo o irmão do duque de Guise, o cardeal Luís II, a quem os homens de Henrique agrediram até a morte no dia seguinte nas masmorras do palácio. Imediatamente após o assassinato de Guise, Henrique entrou no quarto de Catarina no andar de baixo e anunciou: "Por favor, me perdoe. Monsieur de Guise está morto. Ele não vai falar de novo. Eu tive que matá-lo. Eu fiz com ele o que ele ia fazer comigo".[nt 23] A reação imediata de Catarina não é conhecida, mas, no dia de Natal, ela disse a um frade, "Ó, homem miserável! O que ele fez? ... Ore por ele ... Eu o vejo correndo em direção a sua ruína". Ela visitou seu velho amigo, o cardeal de Bourbon, em 1 de janeiro de 1589, para dizer-lhe que tinha certeza de que em breve ele seria libertado. Ele gritou para ela: "Suas palavras, minha senhora, nos levaram todos a esta carnificina". Ela saiu em lágrimas.

Reinado de Francisco II

Francisco II tornou-se rei com quinze anos de idade. No que tem sido chamado de um Golpe de Estado, o cardeal de Lorena e duque de Guise — cuja sobrinha, Maria, rainha da Escócia, havia se casado com Francisco no ano anterior — tomou o poder um dia depois da morte de Henrique II e rapidamente mudou-se para o Palácio do Louvre, com o jovem casal. O embaixador inglês relatou alguns dias depois que "a casa de Guise dominava e fazia tudo sobre o rei da França". Por ora, Catarina trabalhou com os Guise por necessidade, mas não recebeu oficialmente um papel no governo do filho, que foi considerado velho o suficiente para governar por conta própria. No entanto, todos os seus atos oficiais começaram com as palavras: "Sendo este o beneplácito da rainha, minha senhora e mãe, e eu também aprovando todas as opiniões que ela tenha, estou contente e comando que [....]" Catarina não hesitou em explorar sua nova autoridade: um de seus primeiros atos foi forçar Diana de Poitiers a entregar suas joias e devolver o Castelo de Chenonceau à coroa. Mais tarde, ela fez o possível para apagar ou superar os trabalhos de construção lá feitos por Diana.

Reinado de Carlos IX

A princípio Catarina manteve o rei de nove anos de idade e que chorou em sua coroação, perto dela, e dormia em seu quarto. Ela presidia o conselho, decidia política e controlava os negócios estatais e os patrocínios. No entanto, ela nunca esteve em posição de controlar o país como um todo, que estava à beira da guerra civil e, em muitas partes da França, os nobres dominavam em lugar da coroa. Os desafios enfrentados por ela eram complexos e de certa forma de difícil compreensão para uma estrangeira. Ela convocou os líderes da Igreja de ambos os lados para tentar resolver suas diferenças doutrinárias. Apesar de seu otimismo, o Colóquio de Poissy terminou em fracasso em 13 de outubro de 1561, dissolvendo-se sem a sua permissão. A rainha falhou ao enxergar a divisão religiosa só em termos políticos. Nas palavras do historiador R. J. Knecht, "ela subestimou a força da convicção religiosa, imaginando que tudo ficaria bem se ela pudesse convocar os líderes partidários a se conciliarem". Em janeiro de 1562, Catarina emitiu o tolerante Édito de Saint-Germain, em mais uma tentativa de construir pontes com os protestantes.[nt 8] Em 1º de março de 1562, no entanto, em um incidente conhecido como o Massacre de Vassy, o duque de Guise e seus homens atacaram fiéis huguenotes em um celeiro em Wassy, matando 74 e ferindo 104 pessoas. Guise, que chamou o massacre "de um acidente lamentável", foi aplaudido como herói nas ruas de Paris, enquanto os huguenotes clamavam por vingança. O massacre acendeu o estopim que desencadeou as guerras religiosas francesas. Pelos 30 anos seguintes, a França se veria mergulhada em um estado de guerra civil ou de trégua armada.

Huguenotes

Em 17 de agosto de 1563, Carlos IX foi declarado maior de idade no parlamento de Ruão, mas ele nunca foi capaz de se pronunciar por conta própria e mostrou pouco interesse no governo. Catarina decidiu lançar uma campanha para impor o Édito de Amboise e reavivar a lealdade à coroa e, com este objetivo, ela partiu com Carlos e a corte em um progresso por toda a França que durou de janeiro 1564 a maio de 1565. Ela se reuniu com a rainha protestante Joana III de Navarra em Mâcon e Nérac. Ela também se reuniu com a filha dela, Isabel, em Baiona, perto da fronteira espanhola, em meio a luxuosas festividades da corte. Filipe II escusou-se da ocasião e enviou o duque de Alba para pedir a Catarina que acabasse com o Édito de Amboise e partisse para soluções punitivas para o problema da heresia.

Massacre de São Bartolomeu

Três dias depois, o almirante Gaspar II de Coligny estava caminhando de volta para seus aposentos no Louvre quando um tiro foi disparado a partir de uma casa e o feriu na mão e no braço. O fumo de um arcabuz foi descoberto em uma janela, mas o culpado tinha fugido pela parte traseira do edifício em um cavalo que o aguardava.[nt 14] Coligny foi levado para seus aposentos no Hôtel de Béthisy, onde o cirurgião Ambroise Paré removeu uma bala de seu cotovelo e amputou um dedo danificado com um par de tesouras. Catarina, que disse ter recebido a notícia sem emoção, fez uma visita chorosa para Coligny e prometeu punir o agressor. Muitos historiadores têm culpado Catarina pelo ataque ao almirante, enquanto outros apontam para a família Guise ou para uma trama hispano-papal para acabar com a influência de Coligny sobre o rei.[nt 15][nt 16][nt 17] Seja qual for a verdade, o banho de sangue que se seguiu estava muito além do controle de Catarina ou qualquer outro líder.

Reinado de Henrique III

Dois anos depois, Catarina enfrentou uma nova crise com a morte de Carlos IX aos vinte e três anos de idade. Suas últimas palavras foram "ó minha mãe ...". Um dia antes de morrer, ele nomeou Catarina regente, uma vez que seu irmão e herdeiro, Henrique, o Duque de Anjou, foi para a República das Duas Nações, onde ele havia sido eleito rei no ano anterior. No entanto, três meses após sua coroação na Catedral de Wawel, Henrique abandonou o trono e retornou à França a fim de tornar-se rei de seu país. Catarina escreveu a Henrique: "Estou agoniada em ter presenciado tal cena e o amor que ele me mostrou no fim [...] Meu único consolo é vê-lo aqui em breve, como o seu reino requer, e de boa saúde, porque, se eu fosse te perder, teria me enterrado viva com você".

Liga católica

Muitos líderes católicos ficaram horrorizados com as tentativas de Catarina de apaziguar os huguenotes. Após o Édito de Beaulieu, eles tinham começado a formar ligas locais para proteger sua religião. A morte do herdeiro do trono em 1584 levou o duque de Guise a assumir a liderança da Liga católica. Ele planejava bloquear a sucessão de Henrique de Navarra e colocar o seu tio católico, o cardeal Carlos de Bourbon, no trono em seu lugar. Nesta causa, ele recrutou os grandes príncipes católicos, nobres e prelados, assinou o tratado de Joinville com a Espanha e se preparou para a guerra contra os "hereges". Em 1585, Henrique III não teve escolha senão declarar guerra contra a Liga. Como a rainha citou, "a paz é carregada em um porrete" (bâton porte paix). "Tome cuidado", ela escreveu para o rei, "especialmente com sua pessoa. Há tanta traição rondando que eu morro de medo".

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Patrona das artes

Catarina acreditava no ideal humanista do príncipe erudito renascentista, cuja autoridade dependia tanto das armas quanto das letras. Ela foi inspirada pelo exemplo de seu sogro, o rei Francisco I, que acolheu os principais artistas da Europa em sua corte, e por seus antepassados Médici. Em uma época de guerra civil e declínio do respeito pela monarquia, ela procurou reforçar o prestígio real através de exposições culturais luxuosas. Uma vez no controle do erário real, ela lançou um programa de patrocínios artísticos que duraram três décadas. Durante este período, ela presidiu uma cultura renascentista francesa tardia em todos os ramos das artes. Um inventário elaborado no Hôtel de la Reine após sua a morte mostra que ela tinha sido uma colecionadora. Obras de arte listadas incluíam tapeçarias, mapas desenhados à mão, esculturas, tecidos ricos, móveis de ébano embutidos em marfim, conjuntos de porcelana e cerâmica de Limoges. Havia também centenas de retratos, que entraram na moda na época de Catarina. Muitos deles eram de Jean Clouet (1480-1541) e seu filho, François Clouet (c. 1510-1572). François desenhou e pintou retratos de toda família de Catarina e de muitos membros da corte. Após sua morte, iniciou-se um declínio na qualidade dos retratos franceses. Em 1610, a escola patrocinada no final do governo dos Valois - que teve seu auge com François Clouet - extinguiu-se.

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Posteridade

Catarina de Médici casou-se com Henrique, duque de Orleães, o futuro Henrique II, em Marselha em 28 de outubro 1533. Ela deu à luz dez filhos, sete dos quais sobreviveram até a idade adulta. Seus três filhos mais velhos tornaram-se reis da França; duas de suas filhas casaram-se com reis, e uma se casou com um duque. Catarina sobreviveu aos seus filhos, exceto Henrique III, que morreu sete meses depois dela, e Margarida, que herdou sua saúde robusta.

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