Amanita
Amanita é um gênero de fungos basidiomicetos da família Amanitaceae, compreendendo aproximadamente 600 espécies que apresentam um anel abaixo do píleo e esporos brancos; algumas espécies são comestíveis, mas muitas são tóxicas ou até mortais, incluindo algumas das espécies mais tóxicas de cogumelos de todo mundo.
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Este tipo de cogumelo é bastante conhecido na Europa, América do Norte e na Ásia incluindo Japão. No Brasil, foi constatado pela primeira em trabalhos do Padre Jesuíta Johannes Rick no Rio Grande do Sul. A espécie alucinógena Amanita muscaria foi relatada pela primeira vez no planalto riograndense pela micóloga Maria Homrich e publicado no periódico Sellowia em 1965. Nessa ocasião, a introdução desse cogumelo no Brasil foi atribuída a importação de sementes de Pinus de regiões onde ele é nativo. Os esporos do fungo teriam sido trazidos em mistura com as sementes importadas. Posteriormente, o cogumelo foi também encontrado no Rio Grande do Sul e, mais recentemente (1984) em São Paulo na região de Itararé, e (2013) em Mogi das Cruzes, em associação micorrízica com Pinus pseudostrobus. Espécies nativas de Amanita são citadas para a Amazônia pelo holandês C. Bas em 1978, que na ocasião descreve sete espécies novas para a ciência (A. campinaranae Bas, A. coacta, A. craseoderma Bas, A. crebresulcata Bas, A. lanivolva Bas, A. lanivolva Bas e A. sulcatissima Bas) e um nome provisório (A. phaea Bas). Também existem citações de Amanita no Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Rondônia e Pernambuco. Neste último Estado, pelo menos três espécies são referidas, A. lilloi Singer ocorrendo em gramados e jardins (provavelmente exótico), A. crebresulcata em área de Mata Atlântica, e A. lippiae Wartchow & Tulloss recentemente descrita para áreas de campo rupestre no semi-árido Brasileiro.
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Algumas espécies de Amanita são comestíveis - Amanita caesarea (Fr.) Mlady, Amanita ovoidea (Bull.:Fr.) Quil., Amanita valens Gilbert., Amanita giberti Beaus. entre outras.
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Este género é o responsável por 95% das fatalidades resultantes de envenenamento por cogumelos, sendo a toxina mais potente presente nestes cogumelos a alfa-amanitina. O conhecimento e o estudo constituem a melhor forma de evitar um envenenamento por um amanita, e é por isso necessário conhecer bem o cogumelo e os seus constituintes. Apesar disso, neste género existem também muitas espécies que formam cogumelos comestíveis, assim como outras usadas como corante. Cogumelos deste género também são usados como alucinógenos, apesar do risco de intoxicação e morte.
Amatoxinas e falotoxinas
De 90 a 95% das mortes ocorridas na Europa como resultado de micetismo (envenenamento por cogumelos) foram atribuídas a uma única espécie de Amanita, o Amanita phalloides, espécie conhecida popularmente como "taça da morte", "taça verde da morte" ou ainda por "cicuta verde". Esta espécie possui um píleo, ou "chapéu", de coloração verde oliva, com cerca de 12 cm de diâmetro e 10 a 15 cm de altura no estipe. O A. phalloides apresenta-se por vezes isento de cor e com volva pouco definida, podendo então ser facilmente confundido com Amanita mappa (Batsch) Pers. ou mesmo com Agaricus campestris, L. selvagens, que são espécies comestíveis e que não apresentam toxicidade. As espécies venenosas de Amanita contêm compostos ciclopeptídicos conhecidos como amatoxinas e falotoxinas, altamente tóxicos e mortais, para os quais não existem antídotos eficientes.
Ácido ibotênico
Cogumelos frescos contêm o ácido ibotênico, que tem efeito sobre o sistema nervoso, sendo os cogumelos secos muito mais potentes. Isso ocorre porque o ácido ibotênico, com a secagem, é degradado em muscimol, após descarboxilação, sendo 5 a 10 vezes mais psicoativo. Cogumelos secos são capazes de manter sua potência por 15 a 25 anos. Poucas mortes foram, até hoje, relacionadas com esse tipo de envenenamento e 10 ou mais cogumelos podem constituir-se em uma dose fatal. Na maioria dos casos o melhor tratamento é o não-tratamento, pois a recuperação é espontânea e completada em 24 horas. Dizem os relatos que pessoas sob os efeitos dos princípios ativos do cogumelo escarlate mosqueado, Amanita muscaria tornam-se hiperativas, fazendo movimentos compulsivos e descoordenados, falando sem parar e com a percepção de realidade totalmente alterada. Ocasionalmente, a experiência pode tornar-se altamente depressiva. A. muscaria parece conter uma ou mais substâncias que afetam especialmente o sistema nervoso central.


