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Alto do Moura

O Alto do Moura é um bairro do município de Caruaru, principal cidade do agreste pernambucano, localizado a cerca de 135 km do Recife. O bairro é considerado um dos maiores centros de arte figurativa das Américas, destacando-se por meio do artesanato figurativo em barro, tradição inaugurada por Mestre Vitalino (1909-1963) que retrata personagens e cenários cotidianos da região. Boa parte da produção de artesanato é vendida na famosa Feira de Caruaru e também exportado para o mundo, há registro das obras do Mestre Vitalino em mais de 20 países, incluindo até o Vaticano. No bairro há um complexo industrial, destinado à fabricação ou distribuição de produtos de vários gêneros, incluindo o ramo alimentício, além de um Aeroporto Regional, que oferta dois voos comerciais diários de segunda à sexta com destino à cidade de Recife.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 15/07/2026
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Vitalino e a cerâmica do Alto do Moura

Imagem: Patrick - Patrick · BY-SA · Openverse

Vitalino Pereira dos Santos nasceu em 10 de julho de 1909 em Ribeira dos Campos, sítio rural próximo a Caruaru, filho de Marcelino Pereira dos Santos e Josefa Maria da Conceição, que tinham como ocupação a agricultura e a criação de utensílios domésticos em cerâmica respectivamente. Apesar de Marcelino também participar da produção de louças, é com Josefa que Vitalino aprende a manusear o barro. Quando começa a fazer suas primeiras cerâmicas, já em estilo figurativo, passa a comercializá-las na Feira de Caruaru junto aos utensílios feitos por seus pais, acompanhando-os desde os nove anos de idade. Vitalino continua a produzir e vender suas peças, retratando personagens e cenas de seu cotidiano, como atividades e animais rurais. Augusto Rodrigues (1913-1993), artista pernambucano radicado no Rio de Janeiro, encontra Vitalino em uma viagem a Caruaru, quando visita a feira e conhece seu trabalho. A exposição Cerâmica Popular Pernambucana (1947), organizada por Augusto na Biblioteca Castro Alves no Rio de Janeiro, refletia o interesse crescente pela autêntica arte brasileira, que comunicasse a identidade do país, e é considerada o momento de “descobrimento” de Vitalino. Após o evento, materiais jornalísticos e literários passam a comentar seu trabalho, incluindo o livro “Vitalino”, lançado pela Fundação Joaquim Nabuco de Pesquisas Sociais em 1959, e o artesão é chamado para participar de outras exposições voltadas para a arte popular.

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O circuito de ateliês e museus

Imagem: Patrick - Patrick · BY-SA · Openverse

O Alto do Moura conta atualmente com variados estabelecimentos voltados para a preservação e difusão do artesanato desenvolvido na região. Além dos memoriais em homenagem a artesãos ilustres, como A Casa-Museu Mestre Vitalino e o Memorial Mestre Galdino, diversos ceramistas em atividade mantêm seus ateliês abertos para a visitação. Entre eles, destacam-se os seguintes:

Casa-museu Mestre Vitalino

A Casa-Museu é o principal patrimônio material do Alto do Moura, sendo um dos principais cartões postais do bairro e do município de Caruaru. Foi a última residência de Mestre Vitalino e mantém a mesma estrutura de sua construção, em 1959. Após a sua morte, a casa foi incorporada ao patrimônio municipal pela lei Nº 2,070 de 26 de abril de 1969 e transformada em museu em 1971, onde a história do Mestre é preservada por meio da exposição de seus objetos pessoais e de trabalho, fotos de família e instrumentos musicais. Além das visitas guiadas, a programação do museu conta com exibição de documentários e curtas sobre a vida e técnica de Vitalino, assim como oficinas de cerâmica.

Memorial Mestre Galdino

Manoel Galdino de Freitas (1929-1996) nasceu em São Caetano (PE) e se mudou para o Alto do Moura em meados de 1970, quando abandona o serviço público como pedreiro e começa a se dedicar ao ofício em cerâmica. Contemporâneo de Vitalino, o estilo de Mestre Galdino se diferenciava por romper com a representação do cotidiano da região criando um repertório próprio de figuras híbridas e fantásticas, as quais não necessariamente faziam referência a personagens clássicos do imaginário regional, acompanhadas por um poema autoral. Além de ter conquistado lugar de destaque em uma cultura visual profundamente orientada pelo trabalho de Vitalino, sua carreira também foi legitimada por críticos de arte, que viam em suas obras um forte caráter surrealista.

Memorial Mestre Manuel Eudócio

Manuel Eudócio (1931-2016) foi um artesão nascido no Alto do Moura e contemporâneo de Vitalino, com quem aprendeu o ofício na cerâmica. Seu repertório retrata temas de seu cotidiano, recriando brincantes do reisado e do maracatu, carroças e animais, além de renovar imagens tradicionais, como Lampião e Maria Bonita. Eudócio também moldou em barro a figura de Mestre Vitalino. Recebeu o título de Patrimônio Vivo em 2004, de acordo com a Lei nº 12.196, de 2 de maio de 2002, que instituiu o Registro no estado de Pernambuco (RPV-PE). O objetivo dessa política é proteger a preservar as manifestações populares e tradições do estado, assegurando condições para a transmissão de “conhecimentos, valores, técnicas e habilidades” dos mestres e grupos para novas gerações, concedendo uma bolsa mensal de cerca de R$2.500 aos selecionados (valor atualizado em 2026). O edital do concurso destaca prioridade para agentes culturais e expressões populares ameaçadas pela falta de suporte financeiro.

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Mudanças na paisagem e na prática em barro

Imagem: raulherbster · BY · Openverse

Projeto Revitalino

Em decorrência do crescente fluxo de visitação ao Alto do Moura e dos novos residentes, a prefeitura de Caruaru, com financiamento do Ministério do Turismo e da Caixa Econômica Federal, elaborou em 2011 um projeto de revitalização do bairro focado em melhorias em infraestrutura e serviços básicos voltados para a recepção de turistas. O plano inicial inclui projeto paisagístico, um grande estacionamento, área de lazer e alimentação, uma nova Casa da Mulher Artesã, caixas eletrônicos, um anfiteatro, um novo portal de acesso ao bairro e mudanças no tráfego. As adaptações pretendem manter e ressaltar as características “tradicionais” do bairro. A atuação das imobiliárias na região ocasionou o aumento do custo de vida na região, com a alta no valor de terrenos que dificultam a construção residencial de moradores antigos do Alto do Moura. A fim de garantir que esses moradores não abandonem o local, o projeto Revitalino prevê uma área reservada para que as novas gerações construíssem suas casas de modo a permanecerem envolvidos na produção em barro.

As bonecas

A tradição em cerâmica do Alto do Moura tem como referência a técnica de Mestre Vitalino de criação de bonecos, que se mantém ativa até hoje pelas novas gerações de artesãos que ali moram e trabalham. Entretanto, com as novas dinâmicas sociais e as transações de conhecimento surgiu uma nova categoria técnica no manuseio do barro, com processos produtivos e valor atribuído distintos. Enquanto a singularidade dos bonecos, produzidos manualmente por um artesão, conferiu valor artístico às peças, as bonecas são feitas em uma linha de produção que envolve inúmeros artesãos, cada um especializado em partes específicas, reproduzidas em série e com auxílio do torno elétrico. O uso do torno é motivado principalmente por interesses econômicos, visto que ele reduz o tempo despendido na modelagem à mão. A reprodução em larga escala também amplia a empregabilidade, mobilizando um maior número de pessoas para a fabricação de uma única boneca.

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