Altivo Pacheco Ribeiro
Dom Altivo Pacheco Ribeiro foi um bispo católico brasileiro. Foi bispo diocesano de Barra do Piraí-Volta Redonda e de Araçuaí e bispo auxiliar de Juiz de Fora.
O jovem Altivo renunciou à vida bucólica que levava no seu ambiente rural, e abraçou o ideal do Sacerdócio, como toda a generosidade do seu coração jovem. Os exercícios de piedade, os estudos, a convivência de cordialidade com os mestres e colegas, as sessões literárias, os debates nos círculos de estudos - eram outros tantos elementos que empolgavam o ânimo do seminarista, e contribuíam para plasmar gradativamente na sua personalidade o suporte sólido das lides do ministério pastoral que o esperavam. Duas atividades extras atraiam as atenções de mestres e colegas em torno da pessoa de Altivo - as aptidões para o futebol e os pendores para o Teatro. Ninguém admitia a ausência de Altivo dos treinos e partidas de futebol. O rapaz tinha realmente pinta de craque. No palco estava no ambiente que dominava à vontade, como muito bem entendia. Aí pontificava. Tanto no estilo dramático como no cômico. Representava com expressão, naturalidade e talento. E, também, criava e adaptava peças teatrais ao ambiente do Seminário, seja em Juiz de Fora/MG, onde fez o curso de humanidades, seja em Mariana, onde cursou filosofia e teologia.
Foi ordenado sacerdote em 8 de dezembro de 1948 por Dom Justino José de Santana, na catedral metropolitana de Santo Antônio, em Juiz de Fora. Tinha então 32 anos de idade.
Desenvolveu suas atividades sacerdotais na Diocese de Juiz de Fora, que ainda não havia sido elevada à categoria de Arquidiocese. Igualmente, as Paróquias da Zona da Mata, inclusive Pirapetinga e Estrela Dalva, ainda não haviam sido desmembradas de Juiz de Fora, e incorporadas à Diocese de Leopoldina. Exerceu os cargos de Diretor Espiritual e Professor no Seminário de Santo Antônio, em Juiz de Fora/MG. Posteriormente, Vigário Paroquial, nas Paróquias de Pirapetinga, Bias Forte e Rio Preto. Quando esteve à frente da Paróquia de Pirapetinga e, simultaneamente, encarregado de Estrela Dalva, construiu a nova Matriz de Nossa Senhora da Conceição, nesta cidade.
Era pároco de Rio Preto/MG, quando papa João XXIII o nomeou bispo diocesano de Barra do Piraí, em 4 de abril de 1963. Recebeu a ordenação episcopal, no dia 11 de junho de 1963, na Catedral de Santo Antônio, em Juiz de Fora. Foi sagrante Dom Geraldo Maria de Morais Penido, então Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora. Foram consagrantes Dom José Lázaro Neves, então bispo de Assis, que fora seu professor no Seminário São José, em Mariana; e Dom José Eugênio Corrêa, então bispo de Caratinga, que fora pároco, antes dele em Rio Preto.
Dom Altivo Pacheco Ribeiro, no dia 7 de julho de 1963, chegava a Barra do Piraí, para tomar posse como quarto bispo diocesano de Barra do Piraí. Chegou no início da tarde, no Palácio Episcopal São José, no Bairro Santana. Esperava-o o bispo diocesano de Nova Iguaçu, Dom Honorato Piazera. Às 14 horas, iniciou na Catedral de Sant´Ana, a cerimônia de posse, do novo bispo diocesano. Pela primeira vez, falou ao povo de Barra do Piraí. Após os cumprimentos das delegações, foi se preparar para rumar à Igreja de São Benedito. O cortejo partiu às 17 horas. Depois do Pontifical, houve queima de fogos de artifícios e retreta. Nos anos de 1963, 1964 e 1965, participou das sessões do Concílio Ecumênico Vaticano II, ocasião em que teve oportunidade de visitar vários países da Europa e a Terra Santa. O pastoreio de Dom Altivo Pacheco Ribeiro foi uma solicitude constante e incansável em prol da difusão do Evangelho, no seio da comunidade diocesana. A preocupação primordial do Bispo era corresponder ao anseio das multidões pelo sobrenatural e saciar a fome do Evangelho que, tem o povo de Deus. A sua pregação era orientada pelos moldes da catequese objetiva, estruturada na base sólida da Escritura, da Tradição e da Teologia. Dotado de excelentes qualidades de comunicador, era incansável no afã de transmitir ao povo a mensagem evangélica, em estilo acessível, aplicada à vida atual do homem moderno. A sua atuação como Bispo Diocesano de Barra do Piraí, durante os três anos e um mês de sua permanência, foi caracterizada por incessantes visitas a todas as paróquias, dando apoio ao trabalho dos párocos e vigários paroquiais, com o objetivo de intensificar a vida religiosa no seio do povo. A ação pastoral de Dom Altivo Pacheco Ribeiro esteve sempre presente a todos os setores da vida pujante da sua Diocese. Era, por igual, pastor de pobres e ricos, de empregados e patrões, de operários e empresários, de subalternos e chefes, de súditos e governantes, de civis e militares. Era, para todos, o pastor sereno e disponível, doado de corpo e alma à causa do Evangelho, preocupado, acima de tudo, em ter com os irmãos parte no Evangelho. A mesma serenidade e cortesia mantinha inalterável com os familiares, os colaboradores imediatos, os empregados de casa e todas as pessoas do seu relacionamento na vida quotidiana. Nos momentos de lazer vibrava com o jogo de cartas ou uma partida de damas, geralmente em companhia de padres, ocasiões em que demonstrava a invejável arte de entreter e alegrar amigos, em ambiente saudável de cordialidade, pontilhada de fina ironia. Entre sacerdotes, particularmente de sua Diocese, Dom Altivo Pacheco Ribeiro era como um simples colega. Sem pose, sem ares de superioridade, a todos acolhia e tratava com a demonstração autêntica de sincera amizade, revelando interesse pelo bem estar de cada um. Nele, os padres tinham irrestrito apoio e incentivo aos seus planos de atuação em prol da pastoral.
No dia 27 de junho de 1966, o papa Paulo VI, transferiu Dom Altivo Pacheco Ribeiro, como novo bispo diocesano de Araçuaí, no nordeste de Minas Gerais.
O programa traçado foi literalmente cumprido. Ao encontro de Dom Altivo Pacheco Ribeiro, no município de Teófilo Otoni, representando o clero diocesano, foi o Revmo. Pe. Darly Gomes Soares, Pároco de Salto da Divisa e outros padres. Durante o trajeto, o sr. Bispo recebeu homenagens nos seguintes lugares: Três Barras, cidade de Padre Paraíso, festivamente engalanada; Ponto Volante; São João; Itaobim e Itinga. As 16 horas, do dia 7 de setembro de 1966, o carro em que viajava, estacionou em frente ao Aeroporto de Araçuaí, onde se formou o cortejo para a cidade, em cuja entrada, onde foi armado um arco de madeira, representando a fachada da Igreja Matriz, onde foi recebido pelas autoridades locais. Seguiu o cortejo até a praça da Matriz, chamada praça Belo Horizonte, a qual bem como as ruas principais da cidade, ostentava festivos adornos e faixas alusivas ao ato, e regorgitava o povo. No palanque oficial, armado ao alto da escadaria da igreja, encontrava-se o Exmo. e Revmo. Sr. Arcebispo de Diamantina, Dom Geraldo de Proença Sigaud. Compareceram igualmente outros Bispos da região. Depois de agradecer em empolgante discurso, e entre estrondosas aclamações, o Sr. Bispo rumou para a Residência Episcopal, cuja entrada, em grande extensão, estava alcatifada de pétalas de variadas flores, que, dispostas em artísticos desenhos, formava o brasão episcopal de Dom Altivo Pacheco Ribeiro.
Chegando na Arquidiocese de Juiz de Fora/MG, Dom Altivo Pacheco Ribeiro, recebeu por parte do Arcebispo de Juiz de Fora, Dom Geraldo Penido, o mais cordial e fraterno acolhimento. Sem atribuir-lhe tarefas de caráter obrigatório, deu-lhe a oportunidade de exercer o seu ministério, inclusive visitas pastorais no interior da Arquidiocese. Por determinação do Arcebispo Metropolitano, a Cúria Metropolitana de Juiz de Fora passou a dar a Dom Altivo Pacheco Ribeiro uma mesada, como subsídio para a sua manutenção. Nomeação como Bispo Auxiliar de Juiz de Fora Prova maior e mais excelente da fraternal amizade e dedicação que devotava a Dom Altivo Pacheco Ribeiro, foi o pleito feito pelo Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora, que conseguiu junto da Santa Sé, a nomeação do colega enfermo como Bispo Auxiliar de Juiz de Fora. Note-se que Dom Geraldo Penido não precisava de Bispo Auxiliar. O eminente Arcebispo tomou esta providência movido, tão somente, pelos seus elevados dotes de sensibilidade humana, e solidariedade fraterna e evangélica. Atendendo a solicitação de Dom Geraldo Penido, o Santo Padre, Papa Paulo VI, no dia 23 de dezembro de 1975, dispensou Dom Altivo Pacheco Ribeiro dos encargos da Diocese de Araçuaí, nomeando-o Bispo Titular de Aliezira, e Auxiliar de Juiz de Fora.
Com o agravamento de sua saúde, Dom Altivo Pacheco Ribeiro, foi internado na Clínica Geriátrica de Serro Azul, em Juiz de Fora/MG. Percebia-se que o seu estado de saúde era irreversível, e pior ainda, poderia agravar. Realmente foi se agravando aos poucos, a despeito de toda a desvelada assistência do competente neurologista. O clero de Juiz de Fora faziam-lhe diversas visitas, proporcionando-o indizível alegria. As visitas tinham o efeito de de uma solidariedade evangélica a aliviar as agruras da sua via-crucis.