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Ornitorrinco

O ornitorrinco é um mamífero semiaquático natural da Austrália e Tasmânia. É o único representante vivo da família Ornithorhynchidae, e a única espécie do gênero Ornithorhynchus. Juntamente com as equidnas, formam o grupo dos monotremados, os únicos mamíferos ovíparos existentes. A espécie é monotípica, ou seja, não tem subespécies ou variedades reconhecidas.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 30/07/2026
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Nomenclatura e taxonomia

A espécie foi descrita pelo zoólogo George Shaw em 1799 como Platypus anatinus. O animal tinha sido descoberto pelos colonizadores europeus na Austrália em 1798 e uma gravura e uma pelagem tinham sido enviadas de volta ao Reino Unido pelo Capitão John Hunter, o segundo governador de Nova Gales do Sul. Os cientistas britânicos primeiramente estavam convencidos que se tratava de uma fraude. Shaw dizia que era impossível não se ter dúvidas quanto à sua verdadeira natureza, e outro zoólogo, Robert Knox, acreditava que ele podia ter sido produzido por algum taxidermista asiático. Pensou-se que alguém tinha costurado um bico de pato sobre o corpo de um animal semelhante a um castor. Shaw até mesmo tomou uma tesoura para verificar se havia pontos na pele seca. Independentemente, em 1800, a partir de uma amostra dada a ele por Sir Joseph Banks, Johann Friedrich Blumenbach descreveu a espécie como Ornithorhynchus paradoxus. O gênero Platypus descrito por Shaw já se encontrava pré-ocupado pelo Platypus descrito por Johann Friedrich Wilhelm Herbst em 1793 para um besouro coleóptero. Em 1800, Christian Rudolph Wilhelm Wiedemann cunhou um novo nome genérico para ornitorrinco, Dermipus, entretanto, Blumenbach já havia descrito o Ornithorhynchus. A espécie então foi recombinada para Ornithorhynchus anatinus.

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Distribuição geográfica e habitat

O ornitorrinco é endêmico da Austrália, onde é encontrado no leste de Queensland e Nova Gales do Sul no leste, centro e sudoeste de Vitória, Tasmânia, e ilha King. Foi introduzido no extremo oeste da ilha Kangaroo, entre 1926 e 1949, onde ainda mantém uma população estável. A espécie está extinta na Austrália Meridional, onde era encontrada nas Colinas de Adelaide e na Cordilheira do Monte Lofty. A espécie é dependente de rios, córregos, lagoas e lagos, podendo também ser encontrada em represas e diques para irrigação. A distribuição geográfica mostra considerável flexibilidade tanto na escolha do habitat quanto na adaptabilidade a uma variação de temperatura. A espécie é capaz de enfrentar tanto as altas temperaturas das florestas tropicais de Queensland, como áreas montanhosas cobertas por neve em Nova Gales do Sul. A distribuição atual do ornitorrinco mudou muito pouco desde a colonização da Austrália, e continua a ocupar grande parte de sua distribuição histórica.

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Características

O ornitorrinco tem corpo hidrodinâmico e comprimido dorsoventralmente. Os membros são curtos e robustos, e os pés possuem membrana interdigital. Cada pé tem cinco dígitos com garras. A cauda é semelhante à de um castor. O focinho, que lembra um bico de pato, é alongado e coberto por uma pele glabra, macia, úmida e encouraçada, inteiramente perfurado por poros com terminações nervosas sensitivas. As narinas também se abrem no focinho, na metade dorsal superior, e estão posicionadas lado a lado. Os olhos e as orelhas estão localizados em um sulco logo após o focinho, esse sulco é fechado por uma pele quando o animal está sob a água. Não tem orelhas externas. A ideia de que o ornitorrinco tinha um bico córneo como o das aves surgiu do exame de espécimes ressecados. Tanto o peso quanto o comprimento variam entre os sexos, sendo o macho maior que a fêmea. Há também uma variação substancial na média de tamanho de uma região a outra, esse padrão não parece estar relacionado a nenhum fator climático, e pode ser devido a outros fatores ambientais como predação e pressão humana.

Órgãos sensoriais

Os órgãos olfatórios não são tão desenvolvidos quanto nas equidnas. Embora os olhos da espécie sejam pequenos e não sejam utilizados sob a água, algumas características indicam que a visão teve um papel importante em seus ancestrais. Essas características sugerem que o ornitorrinco adaptou-se para um estilo de vida aquático e noturno, desenvolvendo seu sistema eletrossensorial ao custo do sistema visual. Estudos demonstraram que os olhos do ornitorrinco podem ser muito mais similares aos das lampreias e feiticeiras do que os dos tetrápodes. A pesquisa também demonstrou que os olhos desta espécie contém cones duplos, os quais a maioria dos mamíferos não possuem.

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Comportamento e ecologia

Ornitorrincos são animais semiaquáticos e primariamente noturnos ou crepusculares. Quando não estão mergulhando em busca de alimento, descansam em buracos feitos nas margens dos rios e lagos, sempre camuflados com vegetação aquática. Há dois tipos de tocas, uma serve como abrigo para ambos os sexos e é construída pelo macho na época de acasalamento; a outra, geralmente mais profunda e elaborada, é construída pela fêmea e serve como ninho para a incubação dos ovos e cuidados pós-natais. As aberturas das tocas ficam acima da água, estendem-se sob as margens de 1 a 7 metros acima do nível da água e até por 18 metros horizontalmente. O território dos machos tem cerca de sete quilômetros, sobrepondo a área de três a quatro fêmeas. É um excelente mergulhador e gasta boa parte do dia procurando por comida sob a água. Singularmente entre os mamíferos, ao nadar, impulsiona-se alternando remadas com as duas patas dianteiras; embora todas as quatro patas do ornitorrinco tenham membranas, as traseiras (mantidas contra o corpo) não auxiliam na propulsão, mas são usadas para manobrar em combinação com a cauda. Os mergulhos normalmente duram cerca de trinta segundos mas podem durar mais, não excedendo o limite aeróbico de quarenta segundos. Dez a vinte segundos são gastos para retornar à superfície.

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Dieta e hábitos alimentares

O ornitorrinco tem hábitos alimentares carnívoros, alimentando-se de anelídeos, larvas de insetos aquáticos, camarões de água doce, girinos, caramujos, lagostins de água doce e pequenos peixes, que escava com seu focinho, dos leitos dos rios e lagos ou apanha enquanto nada. As presas são guardadas nas bochechas à medida que são apanhadas. Quando um número suficiente é reunido, ou quando é necessário respirar, ele retorna à superfície para comê-las. A mastigação é feita pelas placas córneas que substituem os dentes. A areia contida junto com o alimento serve de material abrasivo, ajudando no ato de mastigar. O animal precisa comer 20% do seu peso todos os dias, essa necessidade faz com que ele gaste 12 horas diárias em busca de alimento. Em cativeiro, ele chega a comer metade do seu peso em um único dia. Um macho pesando 1,5 quilogramas pode ingerir 45 gramas de minhocas, 20-30 lagostins, 200 larvas de tenébrios, dois sapos pequenos, e dois ovos cozidos.

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Reprodução

A espécie exibe uma única estação de acasalamento, que ocorre entre junho e outubro, com algumas variações locais. Observações históricas, estudos de marcação e recaptura, e investigações preliminares de genética populacional indicam a possibilidade tanto de membros transitórios como residentes na população e sugerem um sistema de acasalamento polígeno. Ambos os sexos tornam-se sexualmente maduros no segundo ano de vida mas algumas fêmeas só se reproduzem com quatro anos ou mais tarde. Todos os monotremados apresentam baixa taxa reprodutiva, com não mais do que um período de acasalamento ao ano. Após o acasalamento, a fêmea constrói um ninho mais elaborado que a toca de descanso, e bloqueia-o parcialmente com material vegetal (que pode ser um ato de prevenção contra enchentes ou predadores, ou um método de regulação de temperatura e umidade). O macho não participa da incubação nem do cuidado com os filhotes. A fêmea forra o ninho com folhas, junco e outros materiais macios, para fazer uma cama confortável.

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Genética

Por causa da divergência inicial dos térios e do baixo número de espécies viventes, os monotremados são frequentes objetos de pesquisas moleculares. Em 2004, pesquisadores da Universidade Nacional da Austrália descobriram que o ornitorrinco tem dez cromossomos sexuais, comparados aos dois (XY) da maioria dos outros mamíferos (sendo assim o macho é representado por XYXYXYXYXY). Embora tenham a designação XY dos mamíferos, os cromossomos sexuais do ornitorrinco são mais similares aos cromossomos ZZ/ZW encontrados nas aves. A espécie também não possui o gene determinante sexual (SRY), significando que o processo de determinação sexual no ornitorrinco permanece desconhecido. Uma versão inicial da sequência genômica do ornitorrinco foi publicada na revista Nature em 8 de maio de 2008, revelando elementos reptilianos e mamíferos, como também dois genes encontrados previamente em aves, anfíbios e peixes. Mais de 80% dos genes do ornitorrinco são comuns aos demais mamíferos cujo genoma já foi sequenciado, demonstrando que o grupo dos monotremados foi um dos primeiros a divergir de seus ancestrais reptilianos.

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Conservação

O ornitorrinco é classificado pela União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN) como pouco preocupante. Exceto pela perda de habitat que ocorreu no estado da Austrália Meridional, ele ainda ocupa a mesma área de antes da chegada dos europeus. Entretanto, são documentadas alterações locais e fragmentação da distribuição devido a atividades humanas no seu habitat. Sua abundância atual e histórica, porém, é pouco conhecida e é provável que tenha diminuído em número, embora ainda considerado como uma espécie comum na maior parte da distribuição atual. A espécie foi extensivamente caçada pela sua pele até os primeiros anos de século XX e, embora protegida em toda Austrália em 1905, até cerca de 1950 ainda corria risco por afogamento nas redes de pesca nos rios. A espécie não parece estar em perigo iminente de extinção graças à medidas de conservação, mas pode ser afetada pela modificação do habitat causada por barragens, irrigação, poluição, redes de pesca e armadilhas. Sua abundância é difícil de ser medida e, portanto, o seu futuro status de conservação não é facilmente previsível. Vários estudos têm relatado a fragmentação da distribuição dentro de alguns sistemas fluviais, recentemente foi extinto da bacia do rio Avoca. Isso tem sido atribuído às más práticas de gestão, levando à erosão dos bancos dos rios, sedimentação dos corpos d'água e perda da vegetação em áreas adjacentes a cursos de água. Também existem evidências de efeitos adversos no fluxo dos rios, introdução de espécies exóticas, má qualidade da água e doenças em populações de ornitorrincos, mas esses fatores têm sido pouco estudados.

Cativeiro

O ornitorrinco foi primeiramente mantido em cativeiro em 1831 por Lauderdale Maule que capturou uma fêmea e dois filhotes os quais viveram por duas semanas. Em 1832 e 1833 George Bennett manteve vários animais que viveram por cinco semanas. Henry Burrell foi o primeiro a exibir a espécie para o público australiano em 1910, por três meses no Zoológico de Sydney. O Zoológico de Budapeste, em 1913, foi o primeiro zoológico fora da Austrália a receber dois animais da espécie. Em 1922 um animal foi transferido para o Zoológico de Nova Iorque onde viveu por 49 dias. Em 1947 e 1958 foram enviados 1 macho e 2 fêmeas em cada ocasião para o New York Zoological Society, sendo as últimas vezes que a espécie foi enviada para fora da Austrália.

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Aspectos culturais

A espécie tem um papel importante nas histórias dos aborígenes australianos, que acreditavam que o animal era um híbrido de um pato com um rato-d'água. De acordo com uma das histórias, todos os maiores grupos de animais, os terrestres, aquáticos e aves, competiam para que o ornitorrinco se juntasse a seus respectivos grupos, mas ele finalmente decidiu por não se juntar a nenhum deles, sentindo que não precisava ser parte de um grupo para ser especial. Sua aparência incomum fez com que aparecesse em diversos meios de comunicação, especialmente na Austrália, sua terra natal. A imagem do animal tem sido usada diversas vezes como mascote: Syd foi um dos três mascotes escolhidos para os Jogos Olímpicos de Sydney, em 2000, junto com uma equidna e um kookaburra, "Expo Oz" foi o mascote da Expo 88, que foi sediada em Brisbane em 1988, e "Hexley" é o mascote do computador da Apple que roda o sistema operacional Darwin BSD, o MAC OS X.

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Fontes consultadas

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