Louis Althusser
Louis Althusser foi um filósofo do Marxismo Estrutural de origem Francesa nascido na Argélia.
Imagem: Arturo Espinosa from barcelona, Cataluña (España) · BY · Openverse
Diversas posições teóricas de Althusser permaneceram muito influentes na filosofia marxista . O ensaio Sur le jeune Marx, constante de Pour Marx, faz uso de um termo do filósofo da ciência Gaston Bachelard ao propor um "corte epistemológico" (coupure épistémologique) entre os escritos do jovem Marx, inspirados em Hegel e Feuerbach, e seus textos posteriores, propriamente marxistas. Seu ensaio Marxisme et Humanisme, também de Pour Marx, é uma forte afirmação de anti-humanismo na teoria marxista, condenando ideias como o "potencial humano" e o "ser-da-espécie" (Gattungswesen), que são frequentemente apresentadas por marxistas como uma superação da ideologia burguesa de humanidade. No ensaio Contradiction et surdétermination, Althusser usa o conceito de sobredeterminação, oriundo da psicanálise (Überdeterminierung), a fim de substituir a ideia de "contradição" por um modelo mais complexo de casualidade múltipla, em situações políticas (uma ideia muito próxima do conceito de hegemonia de Antonio Gramsci).
Imagem: Arturo Espinosa from barcelona, Cataluña (España) · BY · Openverse
Althusser é considerado um dos principais nomes do estruturalismo francês dos anos 1960, juntamente com Claude Lévi-Strauss, Jacques Lacan, Michel Foucault ou Jacques Derrida. Marxista, filiou-se ao Partido Comunista Francês em 1948. No mesmo ano, tornou-se professor da École Normale Supérieure. Autor de obras lidas e traduzidas no mundo inteiro como Lire Le Capital (1965), Pour Marx (1965) ou Positions (1976). Muitos manuscritos foram publicados após a sua morte dando uma imagem completa dessa obra. Sua principal tese é o anti-humanismo teórico que consiste em afirmar a primazia da luta de classes e criticar a individualidade como produto da ideologia burguesa. Sua fama se deve também ao fato de ter cunhado o termo "aparelhos ideológicos de Estado" e analisado a ideologia como espécie de prática em toda e qualquer sociedade e não somente como erro ou engano que o suposto iluminismo eliminaria. Uma excelente mas incompleta biografia foi publicada em francês por Yan Moulier-Boutang. A melhor apresentação de sua obra em inglês foi feita por Gregory Elliot.
Os Aparelhos Ideológicos de Estado
A tradição marxista concebe o estado como um aparelho repressivo, uma máquina de repressão que permite às classes dominantes assegurar a sua dominação sobre a classe operária, extorquindo desta última a mais-valia. O Estado é, antes de qualquer coisa, o Aparelho de Estado, termo que compreende não somente o aparelho especializado, mas também o exército (que intervém como força repressiva de apoio em última instância), o Chefe de Estado, o Governo e a Administração, definindo o Estado como força de execução e de intervenção repressiva a serviço da "classe dominante". O Estado (e sua existência em seu aparelho) só tem sentido em função do poder de Estado (manutenção ou tomada do poder de Estado), muito embora eles sejam duas coisas distintas entre si. O Aparelho de Estado pode permanecer de pé sob acontecimentos políticos que afetem a posse do poder de Estado.
Teoria
Althusser foi o primeiro crítico-reprodutivista no qual a teoria crítico-reprodutivista foi proposta (em suas várias vertentes) por teóricos franceses de esquerda, identificados com o marxismo, críticos da sociedade capitalista, defensores do ideário de Maio de 1968. Os crítico-reproduvistas denunciam o caráter perverso da escola capitalista, onde a escola da maioria reduz-se totalmente à inculcação da ideologia dominante, enquanto as elites se apropriam do saber universal nas escolas particulares de boa qualidade, reproduzindo, assim, as contradições inerentes e necessárias ao capitalismo. O enfoque crítico-reprodutivista enfatiza o aspecto político em detrimento da técnica, denunciando o caráter reprodutor da escola. A escola é vista como reprodutora porque fornece às diferentes classes e grupos sociais, formas de conhecimento, habilidades e cultura que não somente legitima a cultura dominante, mas também direcionam os alunos para postos diferenciados na força do trabalho (Giroux, 1988).
Espetáculo Teatral
Althusser foi interpretado, em 1995, pelo ator Rubens Corrêa no espetáculo " O Futuro Dura Muito Tempo" com direção de Marcio Viana. Em 2000 o ator John Vaz interpretou Althusser no espetáculo " Os Fatos ", com direção de Stênio Garcia no Teatro Museu da República RJ.


