João de Almeida Portugal, 4.º Conde de Assumar
João de Almeida Portugal, 2.º Marquês de Alorna foi um nobre e militar português. Foi também 4.º Conde de Assumar.
Nasceu a 7 de novembro de 1726, filho primogénito de D. Pedro Miguel de Almeida Portugal, 3.º conde de Assumar e mais tarde 1.º marquês de Alorna, e de D. Maria José da Nazaré de Lencastre, filha dos 4.ºs condes de Vila Nova de Portimão. Por licença de D. João V, obtida pelo pai, estudou em Paris, sob a orientação do diplomata D. Luís da Cunha. Entre 1744 e 1751, enquanto o pai era vice-rei da Índia, escreveu-lhe de Paris uma série de cartas; nelas relatou, entre outras coisas, as audiências que teve com o rei Luís XV. Numa delas, de 1746, contou que passara quatro dias em Barcelona e visitara a casa onde o pai e o avô tinham vivido durante a Guerra da Sucessão de Espanha.
Foi capitão de cavalaria, oficial-mor da Casa Real, com o título de vedor honorário da Fazenda, comendador da comenda de Moreira na Ordem de Cristo e membro da Academia Real da História. A 10 de novembro de 1756, sucedeu ao pai na casa e no título de marquês de Alorna. Estava nomeado embaixador na corte de Luís XV quando, a 3 de setembro de 1758, D. José I foi alvo do atentado cuja responsabilidade foi imputada aos Távoras.
A 13 de dezembro de 1758, foi preso, sem nunca ter sido formalmente acusado, primeiro na Torre de Belém e depois no forte da Junqueira. No dia seguinte, a mulher e as duas filhas foram encerradas no mosteiro de Chelas, e o filho, D. Pedro, então com quatro anos, ficou sob a tutela do ministro Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro marquês de Pombal.[nota 1] Segundo Vanda Anastácio, a suspeita que recaía sobre toda a família dos Távoras parece explicar a prisão; o Dicionário Histórico acrescenta que nenhum membro da casa de Alorna foi implicado no atentado. Esteve preso cerca de dezoito anos.[nota 2] Por volta de 1763, conseguiu fazer sair da prisão as primeiras mensagens para a mulher, com a conivência de um dos guardas, e os membros da família passaram a corresponder-se às escondidas. A filha Leonor, que afirmou ter começado a escrever poesia para o distrair na prisão, enviava-lhe os seus poemas, juntamente com manuscritos de poetas da Arcádia Lusitana; nos poemas dela, o pai aparece com o nome convencional de Agrário. Numa carta desse período, aconselhou-a a evitar o tema amoroso: «de amor, nem pró nem contra, haja nada». Durante o cativeiro, os bens da casa foram em grande parte desbaratados. Na Junqueira, escreveu um relato da prisão e dos sofrimentos dos presos, publicado em 1857.
A 24 de fevereiro de 1777, morreu D. José I, e os presos do Estado foram libertados por D. Maria I. Alorna recusou a liberdade sem que fosse reconhecida a sua inocência; por portaria de 7 de março de 1777, a rainha determinou que os presos saíssem dos cárceres e residissem a vinte léguas da corte até obterem a reabilitação. Retirou-se então para a quinta de Vale de Nabais, perto de Almeirim, com a mulher, as filhas e o filho do duque de Aveiro. Em maio de 1777, por decreto da rainha, foi declarado inocente e restabelecido em todas as honras e dignidades; foi o filho, entretanto feito conde de Assumar, quem lhe levou o decreto. A 5 de julho de 1777, proferiu na Academia Real da História uma oração em homenagem ao rei D. Pedro III. Instalou-se depois em Lisboa, onde o seu palácio recebia todas as noites membros da alta nobreza e onde a filha Leonor se dava a conhecer como poetisa. Procurou em seguida obter a revisão da sentença que condenara os Távoras. A 10 de outubro de 1780, depois de dois anos de diligências, obteve um decreto que nomeava uma comissão para esse fim. Um memorial redigido pelo seu procurador em Lisboa desagradou aos juízes e à rainha, e Alorna teve de declarar que não o autorizara. A 3 de abril de 1781, numa sessão que se prolongou pela madrugada, a junta declarou culpados do atentado apenas o duque de Aveiro e três dos seus criados e considerou os Távoras inocentes; a nova sentença ficou, porém, sem efeito, depois das objeções do procurador-geral da Coroa.
A 2 de dezembro de 1747, casou com D. Leonor de Lorena e Távora, filha de D. Francisco de Assis de Távora, 3.º marquês de Távora, e de D. Leonor Tomásia de Távora. Do casamento nasceram três filhos:
Últimos anos e morte
Alorna continuou a solicitar a revisão do processo e, numa ocasião, dirigiu-se ao ministro marquês de Ponte de Lima, na Secretaria de Estado. Retirou-se para a sua quinta de Almeirim. A 30 de outubro de 1790, morreu a marquesa. A 9 de junho de 1802, morreu em Almada.[nota 3] Sucedeu-lhe o filho, D. Pedro José de Almeida Portugal.

