Alok
Alok Achkar Peres Petrillo, é um DJ, produtor musical e empresário brasileiro, considerado o maior DJ do Brasil e um dos mais influentes do mundo. É atualmente o 3.º melhor DJ do planeta segundo a revista britânica DJ Mag, tendo sido o primeiro brasileiro a alcançar o top 5 da publicação em 2020 e atingido em 2025 sua melhor colocação histórica. É também o único artista brasileiro a integrar o Billboard Dance 100 e, segundo um relatório da Luminate de 2025, o artista brasileiro que mais gera streams fora do Brasil.
Origens e família
Alok Achkar Peres Petrillo nasceu em 26 de agosto de 1991, em Goiânia, Goiás. Seu nome foi dado depois que seus pais viajaram à Índia, onde se encontraram com o guru espiritual Osho, que indicou que o menino deveria se chamar Alok — palavra que em sânscrito significa "luz". Possui origens italianas, libanesas e portuguesas. Seu pai, Juarez Achkar Petrillo (conhecido artisticamente como Swarup), e sua mãe, Adriana Peres Franco (Ekanta), são DJs pioneiros do psy trance no Brasil e idealizadores do Universo Paralello, festival de música eletrônica realizado anualmente na Praia de Pratigi, na Bahia. Os pais se separaram durante a infância de Alok. Alok tem também uma irmã, Jaya Petrillo, filha do segundo casamento do pai com Camilla Mota.
Infância: entre continentes
Alok viveu os primeiros anos de vida em Águas Claras, Distrito Federal. Ainda criança, mudou-se com a mãe e o irmão gêmeo Bhaskar para Amsterdã, na Holanda, onde Ekanta trabalhava como faxineira em uma boate. A família morava em um prédio ocupado por diversas famílias, e como a mãe muitas vezes não tinha com quem deixar os filhos, levava os dois às danceterias onde trabalhava. "Foi assim que a música entrou na minha vida, aos 6 anos de idade", contou Alok em entrevista. Sobre a rotina nesse período, Alok recordou que seus pais nunca interromperam a carreira por causa dos filhos: os irmãos alternavam entre pai e mãe, acompanhando ambos. Com 9 anos, mudou-se para Alto Paraíso de Goiás, onde permaneceu até os 12 anos. Na adolescência, se radicou em Águas Claras.
Os primeiros passos com a música
Aos 10 anos, Alok e Bhaskar começaram a tocar no estúdio de ensaio da banda de Swarup. Com a ajuda dos DJs Zumbi e Pedrão, amigos da família, os irmãos aprenderam a mixar — cada um desenvolvendo uma especialidade, um no teclado, o outro na guitarra. Pouco depois, o produtor britânico Dick Trevor instalou o programa Logic Pro no computador de Swarup, aproximando os dois irmãos ainda mais da produção musical.
Formação e vida adulta
Após o ensino médio na escola La Salle, Alok iniciou um curso pré-vestibular e, aos 19 anos, ingressou no curso de relações internacionais na Universidade Católica de Brasília. Achava que a música era algo instável para construir uma carreira. No quarto semestre, precisou abandonar o curso por não conseguir conciliar os shows com os estudos. Para se aperfeiçoar, fez um curso de discotecagem em Londres, Inglaterra. Aos 24 anos, mudou-se para São Paulo, onde vive desde então.
Em setembro de 2021, Alok realizou uma performance de quase dez minutos em um palco montado em uma balsa ancorada no rio Amazonas, ao lado de artistas das etnias Huni Kuï, Yawanawá e Guarani Mbya, para o Festival Global Citizen. O evento foi transmitido para mais de 100 países, ao lado de artistas como Billie Eilish, BTS, Ed Sheeran e Elton John. As mesmas músicas foram apresentadas na Semana Climática no rooftop da sede da ONU em Nova York, em 2021, 2022 e 2023. O projeto é uma contribuição do Instituto Alok à Década Internacional das Línguas Indígenas, em cooperação com a UNESCO. Em junho de 2022, Alok lançou "Deep Down" com Ella Eyre, Kenny Dope e Never Dull. A canção estreou no topo do Dance/Mix Show Airplay da Billboard, sendo a primeira liderança de todos os quatro artistas na parada americana de rádios dance. Com o resultado, Alok tornou-se o único artista brasileiro a integrar o Billboard Dance 100.
2004–2009: Projeto Lógica
Aos 12 anos, Alok e Bhaskar fundaram o projeto Lógica e começaram a trabalhar profissionalmente com música eletrônica. A primeira apresentação foi no Psycholand, espaço de shows em área rural do Distrito Federal, com público de cerca de 800 pessoas. Alok recorda que recebeu R$ 150 de cachê. Naquele mesmo ano, os irmãos se apresentaram no Universo Paralello pela primeira vez. Com 15 anos, Alok e Bhaskar começaram a produzir suas próprias músicas. Com 17, já haviam viajado por cerca de 19 países em turnê. A primeira faixa lançada pela dupla Alok & Bhaskar saiu pela Holophonic Records, com participação do grupo britânico de eletrônica Cosmosis. Vieram depois as faixas "Good News", "Space" e "Influences", além de uma parceria com Burn in Noise, principal influência da dupla naquele período.
2010: A separação e o começo da carreira solo
O projeto Lógica chegou ao fim quando os irmãos tomaram caminhos diferentes. Bhaskar decidiu deixar a dupla após se casar, optando por seguir carreira solo dentro do universo do psy trance que os dois haviam construído juntos desde a infância. Alok, por sua vez, queria um caminho diferente: migrar do psy trance para o house music. A decisão não teve o apoio dos pais de início. "Era um cenário diferente, no qual eles não tinham muito conhecimento e visibilidade. Eu estava saindo da zona de conforto deles", disse. Por um período, Alok continuou tocando também pelo Lógica sozinho, até encerrar definitivamente o projeto e se dedicar integralmente à carreira solo.
2014–2015: Reconhecimento nacional e gravadora própria
Em dezembro de 2014, foi eleito o melhor DJ do Brasil pela revista House Mag, o maior veículo de música eletrônica do país à época. Em março de 2015, estreou o programa New Design na rádio Jovem Pan FM, mais tarde migrado para a Energia 97. Em maio de 2015, Alok fundou sua própria gravadora, a Up Club Records. A decisão veio após gravadoras europeias rejeitarem suas músicas por não se encaixarem no "padrão europeu" — e exigirem que ele mudasse o estilo para publicá-las. Alok recusou. "Ela continha minha autenticidade e personalidade", justificou. Em dezembro de 2015, foi eleito pela segunda vez o melhor DJ do Brasil pela House Mag. No mesmo ano, entrou pela primeira vez no Top 100 DJs da revista britânica DJ Mag, na posição 44 — o único brasileiro no ranking, à frente de acts como Jack Ü e Daft Punk.
2016–2020: Spinnin' Records e ascensão internacional
Em junho de 2016, Alok assinou contrato com a gravadora holandesa Spinnin' Records, após receber propostas de várias gravadoras de grande porte. Optou pela Spinnin' pelo planejamento de carreira mais estruturado. Passou também a ser agenciado pela William Morris Endeavor (WME). Em outubro de 2016, lançou "Hear Me Now" com Bruno Martini e Zeeba pela Spinnin'. Em um mês, a música chegou ao topo do iTunes e do Spotify no Brasil, com 250 mil execuções diárias e 10 milhões de visualizações no YouTube. A canção alcançou o top 50 mundial do Spotify (posição 47) e tornou Alok o primeiro artista brasileiro a ultrapassar 100 milhões de audições na plataforma. Internacionalmente, chegou à posição #8 na Noruega, #11 na Suécia e #20 na tabela americana de eletrônica da Billboard. Foi certificada como disco de platina na Itália pela Federazione Industria Musicale Italiana (FIMI).
Expansão na Ásia
Alok iniciou sua expansão no mercado asiático em 2016 e nos anos seguintes se tornou um dos DJs ocidentais com maior presença regular no continente. Realiza turnês na China, Singapura, Indonésia, Filipinas e Vietnã, apresentando-se para dezenas de milhares de pessoas por show. Segundo a revista Exame, Alok chegou a cobrar cerca de US$ 200 mil por apresentação na Ásia — valor inédito para um artista brasileiro naquele mercado à época. Na China, estabeleceu parcerias com artistas locais e estrelou uma campanha da Budweiser para o mercado asiático.
Tomorrowland (2016–presente)
Alok é embaixador oficial do Tomorrowland no Brasil e se apresentou em todas as edições brasileiras do festival. Em 2019, ocupou três palcos na edição belga. Em 2022, seu set gerou mais de 3,6 milhões de visualizações na transmissão ao vivo. No Tomorrowland Brasil 2023, tornou-se o primeiro artista brasileiro a encerrar o festival, fazendo o último set do palco principal — transmitido pelo Multishow e pelo YouTube do Tomorrowland. Em 2023, o Tomorrowland e a Amazon Music lançaram o documentário We Are Tomorrow, de 30 minutos, dirigido pelo belga Wim Bonte, com Alok como protagonista entre os "People of Tomorrow". O documentário venceu o Webby Award na categoria Melhor Vídeo — Eventos e Transmissões ao Vivo.
Imagem: UK Government · BY-NC-ND · Openverse
Alok e a médica baiana Romana Novais se conheceram em 2014. O relacionamento passou por uma separação em 2017, mas o casal reatou alguns meses depois. Em maio de 2018, Alok anunciou publicamente que ele e Romana haviam sofrido um aborto espontâneo — episódio que marcou profundamente o casal e foi compartilhado com os seguidores nas redes sociais. Meses depois, em julho de 2018, durante uma viagem à Grécia, Alok pediu Romana em casamento. O casamento foi celebrado em 15 de janeiro de 2019, às 5h30 da manhã, aos pés do Cristo Redentor, no Rio de Janeiro — tornando-se o primeiro casal a realizar uma cerimônia ao amanhecer no monumento. A celebração foi intimista, reunindo família e amigos próximos. Romana vestiu um traje assinado por Samuel Cirnansck, com mangas longas, gola alta e bordados delicados, e substituiu o tradicional buquê de flores por uma única rosa branca. Em 10 de janeiro de 2020, nasceu o primeiro filho do casal, Ravi, de parto normal. Menos de um ano depois, em 2 de dezembro de 2020, nasceu a segunda filha, Raika — em parto prematuro, após o casal contrair COVID-19 dias antes. Romana e Alok haviam anunciado o diagnóstico publicamente no início daquela semana. O nascimento antecipado causou apreensão, mas mãe e filha receberam alta após período de cuidados. Romana escreveu nas redes sociais: "Tudo aconteceu muito rápido e graças a Deus ela nasceu muito bem. Nós duas estamos bem assistidas e em oração para uma boa recuperação." Alok comentou: "Jamais imaginei que meus dois filhos nasceriam no mesmo ano… Tudo muito intenso, mas nada acontece sem a intervenção divina."
Imagem: UK Government · BY-NC-ND · Openverse
Influências
Alok cita como suas maiores influências seus pais, Ekanta e Swarup, além dos rappers Criolo e Emicida, Arnaldo Antunes, Natiruts, Racionais e GOG — artistas que, segundo ele, "transmitem personalidade na música". Na eletrônica, cresceu ouvindo Daft Punk, Gorillaz, The Chemical Brothers e The Prodigy. Em 2015, revelou ser fã de Skrillex e Diplo, e declarou o desejo de produzir com Gui Boratto e Deadmau5.
Imagem: Chris McAndrew · BY · Openverse
Ações anteriores ao Instituto
Antes de fundar o Instituto Alok, o artista já realizava doações individuais. É apoiador da organização não governamental Fraternidade sem Fronteiras, com projetos no Brasil, Madagascar, Moçambique e Senegal. Em 2018, doou R$ 400 mil para a construção de uma escola em Maputo, Moçambique, R$ 100 mil para os Hospitais Pequeno Príncipe e GRAACC, e R$ 150 mil para o Projeto Axé, em Salvador, para apoiar o trabalho com crianças de rua. Em outubro de 2019, doou integralmente seu cachê à AMIFEST, em Igrejinha (RS).
Instituto Alok
Em dezembro de 2020, Alok criou o Instituto Alok, destinando R$ 27 milhões — o maior valor já doado por um artista brasileiro da nova geração para fins sociais até então — para projetos de combate à exclusão social, com foco em jovens e mulheres em situação vulnerável. O fundo foi constituído com recursos pessoais e com os resultados financeiros da parceria com o jogo Free Fire. O Instituto, auditado pela KPMG, investe 80% dos recursos no Brasil, com foco em empreendedorismo de mulheres negras, microcrédito rural, formação de jovens da periferia em tecnologia, saúde infantil, povos indígenas e combate à fome. Até 2024, apoiou 110 projetos em quatro países, beneficiando 1,625 milhão de pessoas no Brasil e cerca de 115 mil no exterior.


