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Horatio Nelson

Horatio Nelson, 1.º Visconde Nelson, 1° Duque de Bronte KB CSFM, foi um oficial britânico da Marinha Real Britânica, famoso pelas suas intervenções nas Guerras Napoleónicas. Ganhou várias batalhas da qual se destaca a Batalha de Trafalgar, em 1805, durante a qual foi morto.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 06/07/2026
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Juventude

Horatio Nelson, nasceu em 29 de setembro de 1758 na aldeia de Burnham Thorpe, Norfolk, Inglaterra, sendo o sexto de onze filhos do reverendo Edmund Nelson e sua esposa Catherine. A sua mãe, que morreu quando ele tinha nove anos, era sobrinha-neta de sir Robert Walpole, 1 º Conde de Orford, o primeiro primeiro-ministro do Parlamento britânico. Morava na aldeia de Barsham, Suffolk, e casou com o reverendo Edmund Nelson na igreja de Beccles, Suffolk, em 1749. Nelson estudou no Colégio Paston em North Walsham, até aos 12 anos, e no Colégio King Edward VI, em Norwich. A sua carreira militar na marinha começou em 1 de janeiro de 1771, quando embarcou no navio de guerra de 3ª categoria HMS Raisonnable, como timoneiro, sob o comando do seu tio materno, o Capitão Maurice Suckling. Após o seu embarque, Nelson foi nomeado guarda-marinha e começou a formação para oficial. Após ter iniciado a sua formação, Nelson descobriu que sofria de enjoo em alto mar, um problema crónico que o acompanharia para o resto de sua vida.

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Início da carreira naval

O HMS Raisonnable esteve em comissão durante um período de tensão com a Espanha, mas quando este terminou, Suckling foi transferido para a barra de Nore (estuário do rio Tâmisa), para o comando do navio de guarda-costeira HMS Triumph. Nelson foi transferido para servir a bordo do West Indiamen, um navio da marinha mercante da empresa "Hibbert, Purrier e Horton", a fim de adquirir experiência no mar. Cruzou o oceano Atlântico por duas vezes, antes de voltar a servir sob as ordens do seu tio. Nelson toma conhecimento de um projecto de expedição, sob o comando do explorador Constantine Phipps, cujo objectivo era descobrir uma passagem no Ártico pela qual inicialmente se esperava que a Índia poderia ser alcançada: a passagem do Noroeste. A pedido do seu sobrinho, Suckling conseguiu que Nelson embarcasse na expedição servindo como um aspirante-a-oficial a bordo do navio HMS Carcass. A expedição chegou à latitude de dez graus do Polo Norte, mas, incapaz de encontrar um caminho através da densa camada de gelo, foi forçado a voltar para trás. Nelson em breve regressaria para o HMS Triumph após o retorno da expedição para a Grã-Bretanha em setembro de 1773. Suckling tratou então de transferir Nelson para o HMS Seahorse, um dos dois navios a navegar para as Índias Orientais.

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Nelson no comando

Nelson e a frota, permaneceram no Mediterrâneo durante todo o verão. A 4 de julho, o Agamemnon de San Fiorenzo com uma pequena frota de fragatas e sloops, em direcção a Génova. Em 6 de julho, Nelson foi de encontro à frota francesa, de maior dimensão que a sua, sendo perseguido por vários navios de linha. Retirou-se para San Fiorenzo, chegando primeiro que os franceses, que deixaram de o perseguir após Nelson ter alertado a frota britânica com tiros de canhões. Hotham e Nelson foram em perseguição dos franceses até às Ilhas Hyères, ao largo da cidade de Hyères, mas não chegou a haver nenhum confronto; apenas alguns tiros foram disparados, para desalento de Nelson. Nelson continuou os seus patrulhamentos ao largo de Génova, interceptando e inspeccionando navios mercantes, e outros suspeitos, tanto em portos inimigos como em portos considerados neutros. Concebeu planos ambiciosos para ataques navais e anfíbios como forma de bloquear o avanço do exército francês de Itália, que avançava para Génova, mas não conseguiu convencer Hotham. Em novembro, Hotham foi substituído por Sir Hyde Parker, mas a situação em Itália estava a degradar-se: os franceses estavam a cercar Génova, e havia um sentimento jacobino crescente no interior da cidade. Um ataque francês de grande dimensão fez se sentir no final de novembro, destruindo as linhas aliadas e, apesar das tentativas de Nelson de dar cobertura à retirada britânica, não teve êxito pois tinha poucos navios, e os britânicos foram forçados a sair dos portos italianos. Nelson regressou à Córsega a 30 de novembro, zangado e desanimado com a derrota britânica, e questionando o seu próprio futuro na marinha.

Comandante do Abermale

Em 23 de outubro, Nelson recebeu ordens para o recém equipado Albemarle o mar, no intuito de se juntar a uma frota de navios russos da Muscovy Trading Company em Elsinore, e escoltá-los de volta para a Grã-Bretanha. Para esta operação, o Almirantado colocou as fragatas HMS Argo e HMS Enterprize sob o seu comando. Nelson cumpriu com sucesso a missão e escoltou-os em segurança até águas britânicas. No regresso ao porto, é atingido por uma forte tempestade que quase faz naufragar o Albermale, dado este ser um navio de fraca construção, e de ter sofrido alguns danos havia pouco tempo. No entanto, Nelson conseguiu levá-lo ao porto de Portsmouth, em fevereiro de 1782. Em Portsmouth, o Almirantado deu ordens a Nelson para preparar o Albermale para o mar, no sentido de se juntar a uma frota em Cork e escolta-los até ao Quebec.. Nelson chegou à Terra Nova no fim de maio, separando-se dos navios escoltados para perseguir corsários. Acabaria por ser malsucedido, recuperando apenas alguns navios mercantes britânicos, e capturando pequenas embarcações de pesca. Nelson chegou a Quebec, em 18 de setembro. Parte novamente em escolta para Nova Iorque, onde chegou em novembro, e se apresentou ao almirante sir Samuel Hood, comandante do porto. A pedido de Nelson, Hood transferiu-o, e ao Albermale, para a sua frota, e seguiram para as Índias Orientais. À sua chegada, a frota britânica estacionou ao largo da Jamaica, ficando a aguardar a chegada das forças francesas do comandante Louis-Philippe de Vaudreuil. Nelson recebeu ordens para inspeccionar diversas passagens em buscas de sinais do inimigo mas, acabaram por perceber que os franceses iludiram Hood. Durante as suas operações de patrulhamento, Nelson desenvolveu um plano para atacar a guarnição francesa das Ilhas Turks e Caicos. Ao comando de uma pequena frota de fragatas e outras pequenas embarcações, desembarcou uma força de 167 marinheiros na manhã de 8 de março, sob a protecção de um bombardeamento. Perceberam que os franceses estavam fortemente entrincheirados, e após várias horas, Nelson deu ordem para terminar o combate. Alguns dos oficiais presentes criticaram esta atitude de Nelson, mas não consta que Hood o tivesse repreendido. Nelson passou o resto da guerra patrulhando a região, onde capturou alguns navios franceses e espanhóis. Quando Hood recebeu informações sobre as tréguas entre os vários intervenientes deste conflito, Nelson regressou ao Reino Unido no final de junho de 1783.

O casamento nas Ilhas Nevis

No final de 1783, Nelson foi visitar uns amigos em Saint-Omer, França, e tentou aprender a língua francesa. Regressa a Inglaterra em janeiro de 1784 para fazer parte do grupo político de Lord Hood. Influenciado pelos políticos da época, Nelson ponderou fazer parte do parlamento como apoiante de William Pitt, mas não conseguiu um lugar. Em 1784, recebe o comando da fragata HMS Boreas para assegurar Actos de Navegação na região da Ilha Antígua. No entanto, os Actos eram pouco populares entre os Americanos e as colónias. Nelson prestou serviço nesta região sob o comando do almirante Richard Hughes, e por diversas ocasiões entrou em conflito com o seu superior na interpretação dos Actos. Os comandantes dos navios americanos que Nelson perseguiu processaram-no por apreensão ilegal. Como os mercadores de Nevis apoiavam os americanos, Nelson escapou por pouco a ser preso; ficou retido no Boreas por oito meses até que o tribunal decidiu a seu favor.

Período de paz

Nelson permaneceu no Boreas até este ser pago em novembro desse ano. Juntamente com Fanny, Nelson dividiam o tempo que passavam juntos entre Bath e Londres, e visitando uns familiares dele em Norfolk. Em 1788, foram morar para a casa de infância de Nelson em Burnham Thorpe. Nelson estava agora em situação de reserva e com metade do seu salário; tentou convencer o Almirantado, e outras figuras importantes conhecidas como Hood, a darem-lhe um novo comando. Não conseguiu ser bem sucedido no seu pedido pois, por um lado, estavam em período de paz e havia poucos navios disponíveis, e por outro lado, Hood ignorou as suas pretensões. Nelson passou todo este período a apoiar antigos membros da sua tripulação, a tratar de assuntos familiares e a tentar arranjar trabalho na marinha.

Comissões no Mediterrâneo

Em maio, Nelson rumou, fazendo parte de uma divisão sob o comando do vice-almirante William Hotham, juntando-se à frota de Lord Hood, no fim desse mês. Esta força rumou inicialmente para Gibraltar e, com a intenção de estabelecer uma superioridade naval, navegaram até Toulon, ancorando ao largo do porto em julho. Toulon estava sob controlo de republicanos moderados e realistas, mas era ameaçada por forças da Convenção Nacional, que se dirigia para a cidade. Sem mantimentos e sem defesas, as autoridades da cidade solicitaram a Hood que os protegesse. Hood concordou com o pedido e enviou Nelson a Sardenha e a Nápoles, com pedidos de reforços. Depois de solicitados novos reforços, o Agamemnon chegou a Nápoles no início de setembro. Aí Nelson conheceu Fernando I, rei de Nápoles, e o embaixador britânico William Hamilton. A dado momento das negociações, Nelson foi apresentado à nova esposa de Hamilton, Emma Hamilton. As negociações foram bem sucedidas e cerca de 2.000 homens e vários navios, foram recrutados. Entretanto, Nelson, na perseguição a uma fragata francesa, com insucesso, rumou a Livorno e a Córsega. Chegou a Toulon a 5 de outubro, onde encontrou um exército francês que tinha ocupado as colinas próximas da cidade, a bombardeá-la. Hood acreditava que a cidade podia aguentar com o ataque se mais reforços se lhe juntassem, e enviou Nelson a juntar-se a uma esquadra ao largo de Cagliari.

Córsega

Na manhã do dia 22 de outubro de 1793, o Agamemnon avistou cinco velas. Nelson aproximou-se e percebeu que era uma esquadra francesa. Iniciou uma perseguição, disparando sobre o Melpone, de 40 canhões, infligindo-lhe alguns estragos consideráveis. Os restantes navios franceses deram a volta e juntaram-se à batalha. Nelson apercebeu-se que estava em desvantagem, com menos navios, e retirou-se seguindo viagem para Cagliari, onde chegou a 24 de outubro. Após alguma reparações, Nelson e o Agamemnon partiram de novo em 26 de outubro em direcção a Tunes, com uma esquadra sob o comando do comodoro Robert Linzee. À chegada, Nelson recebeu o comando de uma pequena frota constituída pelo Agamemnon, três fragatas e um sloop, tendo como missão bloquear a guarnição francesa da Córsega. No final de dezembro de 1793, a queda de Toulon afectou severamente os objectivos dos britânicos no Mediterrâneo. Hood não conseguiu efectuar uma retirada conveniente, e cerca de 18 navios de linha franceses caíram nas mãos dos republicanos. A missão de Nelson ganhou maior relevância pois podia fornecer uma base naval britânica próxima da costa francesa. Assim, Hood reforçou a frota de Nelson com navios extra, durante o mês de janeiro de 1794.

Ao largo de Génova e a batalha com o Ça Ira

Após a ocupação da Córsega, Hood deu ordens a Nelson para iniciar relações diplomáticas com a cidade-estado de Génova, um aliado importante em termos estratégicos. Hood regressa a Inglaterra sendo sucedido pelo almirante William Hotham, o novo comandante supremo das forças britânicas no Mediterrâneo. Entretanto, Nelson, que estava colocado em Livorno a aguardar o final das reparações do Agamemnon, conheceu oficiais da marinha e manteve uma breve relação amorosa com uma habitante local, Adelaide Correglia No final de dezembro, o almirante Hotham chega com o resto da sua frota; Nelson e o Agamemnon efectuam algumas comissões com eles no final de 1794 e início de 1795.

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Almirantado

Nelson enviou relatórios ao Almirantado e supervisionou algumas reparações no Vanguard antes mesmo de rumar a Nápoles, onde foi recebido com grande entusiasmo. O Rei de Nápoles, juntamente com os Hamilton, deram-lhe as boas-vindas pessoalmente quando chegou ao porto, e William Hamilton convidou Nelson a ficar em sua casa. O aniversário de Nelson foi celebrado nesse mês de setembro, estando presente num banquete em casa dos Hamilton, onde começo a ser notado o seu interesse por Emma. O próprio Jervis começou a ficar preocupado com algumas informações sobre o comportamento de Nelson. No início de outubro, a notícia da vitória de Nelson chegou a Londres. O Primeiro Lord do Almirantado, Earl Spencer, desmaiou ao saber dessa notícia. Por todo o país começaram a ter lugar manifestações de contentamento. A cidade de Londres homenageou Nelson e os seus capitães com espadas, enquanto o rei lhes entregou medalhas especiais. O Czar da Rússia enviou-lhe presentes, e o sultão otomano Selim III, premiou Nelson com a Ordem do Crescente Turco por este ter reposto a ordem otomana no Egito. Lord Hood, após conversações com o primeiro-ministro, disse a Fanny que Nelson poderia receber o título de Visconde, à semelhança de Jervis (quando recebeu o título de Duque pela batalha do Cabo de São Vicente) e de Duncan (que recebeu o título de Visconde pela batalha de Camperdown). Earl Spencer, no entanto, discorda justificando que Nelson era apenas o comandante de uma esquadra e não de uma frota, e caso fosse feito Visconde, isso poderia abrir precedentes indesejáveis; em vez disso, Nelson recebeu o título de Barão Nelson do Nilo.

Batalha do Cabo de São Vicente (1797)

Nelson junta-se à frota de Sir John Jervis ao largo do cabo de São Vicente, e detectou a presença da frota espanhola, que tinha rumado desde Cartagena. Jervis decide atacar e as duas frotas encontram-se a 14 de fevereiro. Nelson e o navio Captain estavam no fim do grupo de ataque, situação que contrariava as intenções de Nelson de entrar rapidamente no combate. Contrariando a estratégia de seguir a restante frota britânica, Nelson desobedece às ordens recebidas e decide ir ao encontro da frota espanhola que era constituída pelo San Josef (112 canhões), San Nicolas (80 canhões) e o Santísima Trinidad (130 canhões). O Captain atacou os três navios, apoiado pelo HMS Culloden. Após uma hora de troca de tiros que deixaram o Captain e o Culloden bastante danificados, Nelson encontrava-se lado a lado com o San Nicolas. Decidiu tentar uma abordagem gritando "Westminster Abbey! or, glorious victory!" ("Catedral de Westminster! ou, vitória gloriosa!) forçando a rendição do navio. O San Josef tentou vir em ajuda do San Nicolas mas ficou presa com este. Nelson aproveitou para fazer uma abordagem através do San Nicolas, capturando o San Josef. Ao anoitecer, a frota espanhola separou-se e rumou para Cadiz. No final da batalha, quatro navios tinham-se rendido, dois do quais às mãos de Nelson.

Ao largo de Cadiz

Após a batalha do cabo de São Vicente, Nelson recebeu o comando do HMS Theseus, recebendo ordens, em 27 de maio de 1797, para se posicionar ao largo de Cadiz e controlar a frota espanhola, que ia chegando das colónias americanas carregada de tesouros. Nelson decide iniciar um ataque à cidade através de vários bombardeamentos e liderando um assalto anfíbio a 3 de julho. Durante este assalto, a barcaça de Nelson colide com a do comandante espanhol, dando início a um confronto homem-a-homem entre as duas tripulações. Por duas vezes Nelson foi salvo de ser atingido mortalmente por um marinheiro de nome John Sykes, que o protegeu com o próprio corpo, ficando gravemente ferido. A força britânica acabaria por capturar o barco espanhol rebocando-o para o Theseus. Durante todo este período, Nelson desenvolveu um plano para capturar Santa Cruz de Tenerife; o objectivo era a recolha de uma grande quantidade de especiarias do navio espanhol Principe de Asturias, que tinha chegado recentemente.

Batalha de Santa Cruz de Tenerife

O plano de batalha envolvia a combinação de bombardeamentos navais e assalto anfíbio. A primeira tentativa foi abortada devido a correntes marítimas contrárias. Nelson ordenou novo assalto, de novo sem resultado. Preparou-se, então, para um terceiro assalto que teria lugar durante a noite. Embora Nelson liderasse um dos grupos de ataque, o assalto fracassou: os espanhóis estavam melhor preparados do que se previa e tinham montado fortes posições defensivas. Vários barcos da força de ataque de Nelson não desembarcaram nos locais correctos devido à confusão instalada, e aqueles que o conseguiram foram atingidos pelos bombardeamentos espanhóis. O barco de Nelson foi um dos que conseguiram desembarcar no local certo, mas assim que saiu do barco foi atingido por uma bala de mosquete no seu braço direito que lhe desfez o úmero. Foi então rebocado para o Theseus para ser assistido por um cirurgião. Quando chegou ao navio, recusou que o ajudassem a subir dizendo "Deixem-me em paz! Ainda tenho as minhas pernas e um braço". Foi levado ao cirurgião, ordenando-lhe que preparasse os instrumentos para a operação para que "quanto mais cedo me retirarem o braço, melhor". A maior parte do seu braço foi amputada e, meia-hora depois Nelson já estava a dar ordens aos seus capitães. Anos mais tarde, pedia desculpa ao Comodoro John Thomas Duckworth por não escrever cartas mais longas pois não era canhoto.

Regresso a Inglaterra

Nelson regressa a Bath com Fanny, antes de se mudar para Londres em outubro, para ser visto por médicos especializados em amputações. Durante a sua estadia em Londres, recebeu notícias que o Almirante Adam Duncan tinha derrotado a frota holandesa na Batalha de Camperdown. Nelson exclamou que teria dado o seu outro braço para ter estado presente. Os últimos meses de 1797 foram passados em Londres, em recuperação. Neste período, foi condecorado com a "Freedom of the City of London" ("Liberdade da Cidade de Londres") e com uma pensão anual de mil libras por ano. Com o dinheiro que recebeu, Nelson comprou a quinta de Round Wood, perto de Ipswich, para onde pretendia retirar-se com Fanny. No entanto, Nelson nunca chegou a viver lá.

Em perseguição dos franceses

Enquanto Nelson rumava para Gibraltar, através de uma forte tempestade, Napoleão iniciara viagem com a sua frota, sob o comando do Vice-Almirante François-Paul Brueys d'Aigalliers. Quando esta notícia chegou a St Vincent, a frota de Nelson foi reforçada com mais navios recebendo ordens para interceptar os franceses. Imediatamente, Nelson iniciou um reconhecimento pela costa italiana em busca da frota de Napoleão, mas esta busca foi dificultada por falta de fragatas que pudessem operar como navios de reconhecimento. Napoleão já tinha chegado a Malta e, após uma demonstração da sua força naval, garantiu a rendição da ilha. Nelson seguiu-o até lá, mas os franceses já tinham partido. Após uma reunião com os seus capitães, decidiu partir para Alexandria, no Egipto, onde calculava que Napoleão estivesse. À chegada, em 28 de junho, não encontrou sinais da presença dos franceses; desanimado, retirou-se e começou a procurar a leste do porto. Na sua ausência, a frota de Napoleão chega a 1 de julho, desembarcando as suas tropas sem qualquer oposição.

Batalha do Nilo

Imediatamente, Nelson prepara-se para o confronto, repetindo uma ideia que tinha dito na batalha do Cabo de São Vicente: "Amanhã, por esta altura, ou terei ganho a honra ou a catedral de Westminster". Já era tarde quando os britânicos chegaram; no entanto, os franceses, estrategicamente ancorados e com um poder de fogo superior ao da frota de Nelson, não esperavam que ele os atacasse. Nelson ordenou que os seus navios avançassem. Os navios franceses estavam ancorados junto de uma linha de cardume, pensando que estariam seguros. Brueys assumiu que os britânicos seguiriam a forma tradicional de ataque, investindo sobre a zona central, a partir de estibordo. No entanto, o capitão Thomas Foley, a bordo do HMS Goliath, descobriu uma falha entre entre os cardumes e os navios franceses, e dirigiu o Goliath pelo canal. Apanhados de surpresa, os franceses são atacados de ambos os lados, por Foley e mais um grupo de navios.

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Regresso ao mar

Nelson foi nomeado comandante-chefe da Frota do Mediterrâneo e foi-lhe dado o comando do navio de primeira classe Victory, o seu navio-almirante. Embarcou no navio em Portsmouth, onde recebeu ordens para partir para Malta e assumir o comando de uma esquadra antes de se juntar ao bloqueio marítimo de Toulon. Nelson chegou ao largo de Toulon em julho de 1803, e passou um ano e meio a manter o bloqueio. É promovido a Vice-almirante do Branco enquanto estava no mar, a 23 de abril de 1804. Em janeiro de 1805, a frota francesa, sob o comando do almirante Pierre Villeneuve, conseguiu escapar de Toulon e furar o bloqueio britânico. Nelson partiu em sua perseguição mas, após várias buscas na zona leste do Mediterrâneo, foi informado de que os franceses tinham sido forçados a voltar a Toulon devido às condições atmosféricas. Villeneuve conseguiu escapar uma segunda vez em abril, desta vez com sucesso, passando para lá do estreito de Gibraltar, para o Atlântico, em direcção às Índias Ocidentais.

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Morte na Batalha de Trafalgar

Preparativos

A força conjunta das frotas francesa e espanhola, comandada por Villeneuve, totalizava 33 navios de linha. Napoleão tinha dado instruções a Villeneuve para rumar até ao Canal da Mancha e cobrir a invasão planeada do Reino Unido. No entanto, a entrada da Áustria e da Rússia na guerra forçou Napoleão a cancelar a invasão e a transferir as tropas para a Alemanha. Villeneuve estava de pé atrás num ataque aos britânicos, e esta sua relutância levou a que Napoleão desse ordem ao vice-almirante François Rosily para que fosse para Cádis assumir o comando da frota, rumasse para o Mediterrâneo para desembarcar as tropas em Nápoles, antes de aportar em Toulon. Villeneuve decidiu partir antes do seu sucessor chegar. A 20 de outubro de 1805, a frota foi avistada a sair do porto por uma patrulha de fragatas, e Nelson foi informado de que, aparentemente, estavam a dirigir-se para oeste.

Início da batalha

O Victory ficou debaixo de fogo, mesmo encontrando-se à distância, mas depois, à medida que ficava mais próximo da zona de combate, os tiros começaram a atingir o navio. Um bala de canhão atingiu o navio matando o secretário de Nelson, John Scott. O assistente de Hardy tomou o seu lugar, mas também foi morto, quase de seguida. A roda do leme do Victory foi destruída, e outro projéctil matou oito marinheiros. Hardy, junto a Nelson do convés, foi atingido no pé por uma lasca de madeira, ficando sem a fivela do seu sapato. Nelson comentou "está ser pesado demais para durar muito tempo". O Victory tinha agora chegado à linha do inimigo e Hardy perguntou a Nelson qual o navio a atacar em primeiro lugar. Nelson disse-lhe para ele escolher e Hardy manobrou o Victory para ficar virado para a popa do navio-almirante francês, de 80 canhões, Bucentaure. De seguida, o Victory ficou debaixo do fogo do Redoutable, de 74 canhões, posicionado junto à popa do Bucentaure, e do Santísima Trinidad, de 130 canhões. À medida que os atiradores dos navios inimigos disparavam sobre o convés do Victory, Nelson e Hardy continuaram a andar no navio coordenando e dando ordens.

Nelson é atingido

Pouco depois da uma da tarde, Hardy apercebe-se de que Nelson não estava a seu lado. Quando se vira, repara em Nelson de joelhos no convés, apoiando-se na sua mão, antes de tombar. Hardy correu em sua direcção, e Nelson sorriu Hardy, acho que foi desta, por fim… atingiram-me na coluna. Nelson tinha sido atingido por um atirador francês do Redoutable, a uma distância de cerca de 15 m. A bala penetrou no seu ombro esquerdo, passou pela espinha, pela sexta e sétima vértebras torácicas, e alojou-se cinco centímetros abaixo da sua omoplata direita, na zona muscular. Nelson foi levado para baixo pelo sargento-mor de por dois marinheiros. À medida que ia sendo levado para baixo, pediu-lhes que parassem para aconselhar um aspirante de marinha como manusear o leme. De seguida, colocou um lenço sobre a sua face para evitar alarmar a tripulação. Foi levado para ser assistido pelo cirurgião William Beatty, e disse-lhe:

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Regresso à Inglaterra

O corpo de Nelson foi colocado num casco com brandy, cânfora e mirra, e depois amarrado ao mastro principal sob guarda. O Victory foi rebocado para Gibraltar depois da batalha e, à sua chegada, o corpo foi transferido para um caixão de chumbo e linho, e cheio de uma solução aquosa à base de etanol. O despacho de Collingwood sobre a batalha foi trazido para Inglaterra a bordo do Pickle, e quando as notícias chegaram a Londres, um mensageiro foi até Merton Place levando a notícia da morte de Nelson a Emma Hamilton. Mais tarde recordaria: O sr. Whitby do Almirantado deu-me a notícia. "Ele que entre", disse eu. Ele entrou, e com um semblante pesado e uma voz trémula, disse, "Obtivemos uma grande vitória". – "A sua vitória não me interessa", respondi. "As minhas cartas – dê-me as minhas cartas" – O capitão Whitby não conseguia falar – as lágrimas nos seus olhos e a sua palidez disseram-me tudo. Acho que gritei e desmaiei, e durante dez horas não consegui falar nem verter uma lágrima.

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Funeral

O corpo de Nelson foi desembarcado do Victory em Nore. Seguiu por rio no iate do comandante Grey, Chatham, para Greenwich e colocado num caixão de chumbo, e este num caixão de madeira, feito com madeira do mastro do navio francês L'Orient, o qual tinha sido apreendido depois da Batalha do Nilo. Durante três dias ficou em câmara ardente no Painted Hall, em Greenwich, antes de ser transportado, por rio, numa barca, acompanhado pelo visconde Samuel Hood, Peter Parker e o Príncipe de Gales. O caixão foi levado para a Casa do Almirantado para aí pernoitar, na presença do capelão, Alexander Scott. No dia seguinte, 9 de janeiro, o cortejo fúnebre, constituído por 32 almirantes, mais de 100 capitães e uma escolta de 10 000 soldados, levaram o caixão do Almirantado par a Catedral de São Paulo. Depois de uma cerimónia de quatro horas de duração, Nelson foi sepultado dentro de um sarcófago originalmente construído para o Cardeal Wolsey. Os marinheiros encarregados de dobrar a bandeira que cobria o caixão, em vez de a colocarem na sepultura, separaram-na em várias partes e cada um ficou um pedaço como recordação.

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Personalidade

Nelson era considerado como um líder muito eficiente e alguém que compreendia as necessidades dos seus homens. Nelson baseava o seu comando no amor em vez da autoridade, inspirando tanto os seus superiores como os seus subordinados com a sua coragem, comprometimento e carisma, com o "seu toque". Nelson combinava o seu talento em estratégia e política, fazendo dele um comandante naval de sucesso. Contudo, a sua personalidade era complexa, muitas vezes caracterizado pelo seu desejo de ser notado pelos seus superiores e pelo público em geral. Ficava facilmente emocionado com elogios e desanimado quando achava que não lhe davam importância suficiente aos seus actos. As suas emoções levavam-no a assumir riscos e a mostrar publicamente os sucessos. Nelson tinha confiança nas suas capacidades, e era determinado na tomada de decisões importantes. Dada a sua carreira muito activa, tinha muita experiência em combate, e era capaz de bem avaliar os seus adversários e de identificar as fraquezas do inimigo. No entanto, tinha tendência para ser inseguro e a grandes mudanças de humor, e era bastante vaidoso: adorava receber condecorações, homenagens e elogios. Apesar da sua personalidade, era um líder altamente profissional, e toda a sua vida foi orientada por um forte sentido de dever. A fama de Nelson atingiu novos níveis depois da sua morte, tornando-se um dos maiores heróis militares britânicos, ao lado do Duque de Marlborough e do Duque de Wellington. No program de 2002 da BBC, 100 Greatest Britons, Nelson ficou em nono lugar dos britânicos mais importantes de todos os tempos.

Legado

A influência de Nelson prolongou-se para além da sua morte e assistiu-se a períodos de revivalismo, em especial durante tempos de crise na Inglaterra. Na década de 1860, o poeta laureado, Alfred Tennyson, apelou à imagem e tradição de Nelson, como forma de oposição aos cortes que estavam a ser efectuados pelo primeiro-ministro William Ewart Gladstone. O First Sea Lord, John Arbuthnot Fisher, era um exemplo da imagem de Nelson durante os primeiros anos do século XX, e, geralmente, deu um grande valor ao seu legado durante o seu o período de reforma naval. Winston Churchill também tinha Nelson como figura inspiradora durante a Segunda Guerra Mundial. Nelson foi retratado, por diversas vezes, tanto na pintura como na literatura; aparece em quadros de Benjamin West e Arthur William Devis, e em livros e biografias de John McArthur, James Stanier Clarke e Robert Southey.

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Títulos

Os títulos de Nelson, tal como inscritos no seu caixão e lidos em voz alta no seu funeral pelo Rei de Armas, Isaac Heard, eram: O Mui Nobre lorde Horatio Nelson, Visconde e Barão Nelson, do Nilo e de Burnham Thorpe no Condado de Norfolk, Barão Nelson do Nilo e de Hilborough do mesmo Condado, Cavaleiro da Mui Honrosa Ordem do Banho, Vice-almirante do Esquadrão Branco da Frota, Comandante-em-chefe dos Navios e Embarcações de Sua Majestade no Mediterrâneo, Duque de Bronté do Reino da Sicília, Cavaleiro da Grã-Cruz da Ordem Siciliana de São Fernando e do Mérito, Membro da Ordem do Crescente Otomana, Grande Comandante Cavaleiro da Ordem de São Joaquim. Nelson era Coronel dos Marinheiros Reais e Cidadão Honorário de Bath, Salisbury, Exeter, Plymouth, Monmouth, Sandwich, Oxford, Hereford e Worcester. A Universidade de Oxford, concedeu o grau honorário de Doutor em Lei Civil, em 1802. Em julho de 1799, Nelson recebeu o título de Duke de Bronté (Duca di Bronté), do Reino da Sicília (após 1816, o título continuou a sua existência na nobreza do Reino das Duas Sicílias), entregue pelo rei Fernando, e depois de algum tempo a assinar como "Brontë Nelson do Nilo", passou a assinar "Nelson & Brontë" até ao fim da sua vida. Nelson não deixou filhos legítimos; a sua filha, Horatia, casou com o reverendo Philip Ward, do qual teve dez filhos, antes de morrer em 1881. Dada a situação de Nelson ter morrido sem descendência legítima, os seus títulos de visconde e barão, criados em 1798, ambos "do Nilo e Burnham Thorpe no Condado de Norfolk", extinguiram-se aquando da sua morte. Contudo, o título de barão, criado em 1801, "do Nilo e de Hilborough no Condado de Norfolk", continuaram na sua família, a título excepcional, incluindo o seu pai e irmãs e lado masculino, sendo entregue ao seu irmão, reverendo William Nelson. William Nelson recebeu o título de Duque Nelson e Visconde Merton de Trafalgar e Merton no Condado de Surrey, em reconhecimento dos serviços do seu irmão, e também herdou o Ducado de Bronté.

Brasão

O seu brasão foi atribuído e confirmado a 20 de outubro de 1797. As armas originais da família de Nelson foram alteradas para incluir as suas vitórias navais. Após a Batalha do Cabo de São Vicente, em 1797, Nelson foi apelidado de Cavaleiro da Ordem do Banho e atribuíram-lhe suportes heráldicos de um marinheiro e um leão. Em honra da Batalha do Nilo, em 1798, A Coroa concedeu-lhe um aumento das suas armas que pode ser descrito como "num chefe ondulado de prata uma palmeira entre um navio avariado e uma bateria danificada rodeados de ondas do mar", o lema, Palmam qui meruit ferat ("aquele que mereceu que use a palma") e acrescentou aos suportes um ramo de palma na mão do marinheiro e na pata do leão, e "uma bandeira tricolor na boca do leão". Depois da sua morte, o seu irmão mais velho e herdeiro, recebeu o aumento "numa faixa ondulada azure a palavra TRAFALGAR em ouro".

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Fontes consultadas