Rastreador-brasileiro
O rastreador-brasileiro é uma raça de cães do tipo sabujo desenvolvida no Brasil, relativamente rara, utilizada para caça. É, junto com o fila brasileiro, o terrier brasileiro, e o buldogue campeiro, uma das quatro raças brasileiras reconhecidas pela FCI atualmente.
Foi a primeira raça canina brasileira a obter reconhecimento internacional em 01 de setembro de 1967 pela FCI. Porém, em 1974, foi declarada extinta, perdendo assim o reconhecimento da FCI. Nos anos 2000, iniciou-se um processo de resgate da raça, e, em 2019 o rastreador brasileiro reconquistou o reconhecimento pela FCI.
Na década de 50 o cinófilo Oswaldo Gudolle Aranha Filho, resolveu criar uma raça de cão para auxiliar na caça de raposas, tatus, onças pardas, onças pintadas e porcos-do-mato, que deveria ser de coloração clara e sem a cor amarela para não confundir o cão e a caça, ter excelente olfato, grande capacidade venatória, deveria ter um latido alto e variado, para indicar ao caçador a maneira de conduzir a caça, sinalizando por exemplo se perderam o rastro ou a proximidade da caça, também deveriam saber caçar sempre farejando, desentocando e acuando a caça para que o caçador pudesse abatê-la Também deveria ter grande resistência, coragem e persistência para, em grupo, intimidar e perseguir a onça, por quanto tempo fosse necessário, atravessando matas cerradas, pântanos e até mesmo rios, já que aquele felino é bom nadador. Para conseguir estes objetivos, Aranha cruzou cães da raça veadeiro e cães importados, das raças foxhound americano, treeing walker coonhound, bluetick coonhound, Coonhound Inglês, Coonhound preto e castanho e o Pequeno azul da Gasconha.
Imagem: Gilson MACEDO · BY-SA · Openverse
Devido ao seu potente latido, é conhecido em algumas regiões como urrador. Devido à sua semelhança com o seu ancestral foxhound americano, é também chamado de americano em outras regiões. Também é conhecido como rastejador brasileiro e devido à sua grande presença na região do pantanal, é conhecido ali como pantaneiro, aliás esta é a região onde mesmo ilegalmente, é ainda hoje muito usado por pecuaristas na caça a onças, suçuaranas e lobos-guará que ameaçam seus rebanhos, mas a casos semelhantes também em outras regiões.
A partir da década de 2000, o criador de dogues brasileiros Victor Jones, de Salvador, criou uma organização chamada "Grupo de Apoio ao Resgate do Rastreador Brasileiro" (GARRB), e começou um trabalho em busca de um novo reconhecimento oficial da raça junto a Confederação Brasileira de Cinofilia, e principalmente evitar que a raça realmente venha a extinção. Ele começou um árduo trabalho de busca, catalogação e cruzamentos de cães descendentes da criação de Oswaldo Aranha, sempre buscando a padronização e ampliação da variedade genética da raça. Hoje conta com a ajuda de vários colaboradores entusiastas da ideia, espalhados por todas as regiões do Brasil, e após dez anos do início do trabalho, já conta com 55 cães cadastrados. O GARRB, além destes cinquenta e cinco cães catalogados, que foram encontrados em dez estados brasileiros espalhados por todas as regiões do Brasil, também localizou outros cinquenta rastreadores brasileiros de proprietários sem interesse em participar do trabalho de resgate da raça.
São cães muito belos e têm aparência comum a maioria dos cães de tipo "hound", do qual descendem. A cabeça é triangular, a trufa é escura e levemente aponta ao solo, olhos escuros, orelhas longas, caídas e com pontas arredondadas, o pescoço possui relativamente mais pele solta do que em outras partes do corpo. São relativamente grandes, podem atingir até 67 centímetros na altura da cernelha, possuem silhueta corporal retangular e aparência rústica e forte, sem no entanto, serem atarracados ou possuírem músculos marcados, pelo contrário, a pele é um pouco frouxa ao corpo, o peito é forte e o abdómen é pouco marcado em relação ao peito. A cauda aponta para cima quando o cão está atento ou movimentando-se. A pelagem é curta e dura ao tato, as cores são anilado, branco com todo o corpo manchado de azul, branco com manchas de uma ou duas cores, geralmente pretas e castanhas.
Como esta raça está em processo de reconstrução, há pouca ou nenhuma informação sobre doenças específicas ou especulação de saúde excepcional. Cão vivaz, alegre, muito sociável com pessoas e com habilidades de caça fora do comum, se porta tranquilamente em matilha. Não possuem muita vocação para a guarda, mas são excelentes cães de alarme, com latido muito alto e costumam urrar para pessoas que se aproximem do portão, e são exímios farejadores e caçadores de animais de pequeno, e em especial de grande porte, farejar até descobrir a caça parece uma obsessão a estes cães, geralmente atuam em duplas ou trios, a forma de atuarem na caça sempre é farejando, localizando, desentocando e acuando a caça para que o caçador possa abate-la. A altura e a variedade de sons que emitem durante as caçadas é impressionante, a urrados diferentes para avisar se localizaram ou perderam o rastro da caça e também indicam se estão próximos ou não do animal perseguido, entre outros. O Rastreador Brasileiro é um cão de caça, não um tipo de cachorro utilizado como animal de estimação. Não é recomendado para casas com crianças pequenas ou idosos frágeis. Os Coonhounds, utilizados para a criação desta raça, são famosos por seu temperamento destrutivo, podendo destruir o ambiente doméstico; além de ter um instinto natural de seguir e agarrar gatos e outras criaturas.


