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John Coltrane

John William Coltrane foi um saxofonista e compositor de jazz norte-americano, habitualmente considerado pela crítica especializada como o maior sax tenor do jazz e um dos mais importantes jazzistas e compositores deste gênero de todos os tempos. Sua influência no mundo da música ultrapassa os limites do jazz, indo desde o rock até a música erudita.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 13/07/2026
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Biografia

My Favorite Things foi gravado entre 21 e 26 de outubro de 1960. O grupo era formado por um quarteto, com John Coltrane (saxofone), McCoy Tyner (piano), Elvin Jones (bateria) e Steve Davis (baixo). Um álbum em que Coltrane introduz revisitações harmônicas mais complexas de músicas como "My Favorite Things" (uma valsa de Richard Rodgers & Oscar Hammerstein), e "But Not For Me" (de George Gershwin). Em uma época em que o saxofone soprano se tornava obsoleto, Coltrane demonstrou com ele uma inventiva habilidade para o idioma do jazz. Seu último álbum para a Atlantic é Olé Coltrane, gravado em maio de 1961. Depois ele assinaria com a Impulse! Records gravando Africa/Brass. Geralmente, é dito que o motivo por Coltrane ter assinado com o selo Impulse! seria que assim ele poderia trabalhar com o engenheiro de som Rudy Van Gelder novamente, o qual tinha trabalhado com Miles Davis nas sessões para a Prestige Records, assim como para seu álbum Blue Train. Seria no novo estúdio de Van Gelder em Englewood Cliffs, Nova Jerséi, que Coltrane gravaria muitos dos seus discos para o selo.

Infância e adolescência

Filho de John Robert Coltrane e de Alice Blair Coltrane, John William Coltrane nasceu em 23 de setembro de 1926 em Hamlet, na Carolina do Norte. Com apenas dois meses de idade se muda com a família para High Point (também na Carolina do Norte), após a nomeação de seu avô, o Reverendo William Blair, para a Igreja Metodista Africana Episcopal de Sião. John cresceu no meio de uma família de músicos: seu pai, que era alfaiate, tocava violino e ukulele, e sua mãe cantava no coro da igreja. Em 1939, aos treze anos de idade e após terminar o ano primário, perde seu pai, seu tio e seus avós em um intervalo de um mês, restando somente ele, sua mãe, sua tia e primo. Logo sua mãe começou a trabalhar como doméstica para sustentar a família, enquanto ele terminava o ano secundário.

Início da carreira musical

Em 1945, Coltrane entra para a Marinha dos Estados Unidos, sendo designado para uma base no Havaí e destacado para a banda militar a tocar clarinete em um grupo chamado Melody Makers. Lá, grava com um quarteto de marinheiros em 13 de julho de 1946. Uma performance da música "Hot House", do compositor Tadd Dameron, foi lançada em 1993 pela antologia da Rhino Records: The Last Giant. Coltrane não chegou a entrar em combate. Após voltar do Havaí, em 1946, começa a tocar em diversos pequenos bares e clubes ao redor da Filadélfia. Nessa época ele adquire vício por heroína e álcool. No verão de 1946, entra para o grupo de Joe Webb e depois para a King Kolax Band, com o saxofonista Charlie Parker. É dito que seria nesse grupo que ele decide trocar o saxofone alto pelo tenor, visto que Parker, que tocava saxofone alto, já havia "esgotado" as possibilidades desse instrumento.

Ascensão

No verão de 1955, Coltrane recebe um telefonema do trompetista Miles Davis, convidando-o a juntar-se a um grupo que ele estava formando. Miles Davis tinha se recuperado de seu vício em heroína, e voltado à atividade depois de uma apresentação no Festival de Jazz de Newport em julho de 1955, conseguindo assim um contrato com a Columbia Records e uma oportunidade de formar um grupo. Esse mesmo grupo contaria ainda com o pianista Red Garland, o baixista Paul Chambers e o baterista Philly Joe Jones, sendo conhecido como o Miles Davis Quintet. Com Miles, Coltrane finalmente se estabeleceria como um importante músico de jazz. A primeira gravação do quinteto foi feita em outubro de 1955, mesmo mês em que Coltrane se casou com Naima Grubbs. O grupo gravou primeiramente o álbum The New Miles Davis Quintet em 16 de novembro de 1955. Já em maio de 1956, em sessões de dois dias para cumprir um contrato com o selo Prestige Records, gravou os discos: Cookin' with the Miles Davis Quintet (lançado em 1957), Relaxin' with the Miles Davis Quintet (lançado também em 1957), Workin' with the Miles Davis Quintet (lançado em 1958) e Steamin' with the Miles Davis Quintet (lançado em 1961), além do álbum 'Round About Midnight em outubro de 1956 pela Columbia Records.

O líder

Em 31 de maio de 1957 fez a sua primeira gravação como líder. O grupo era formado pelo trompetista Johnny Splawn, o saxofonista barítono Sahib Shihab, o pianista Mal Waldron (ou Red Garland em algumas faixas), o baixista Paul Chambers e o baterista Al "Tootie" Heath. O álbum foi lançado em setembro de 1957. Chamado simplesmente de Coltrane, seria conhecido mais tarde como First Trane. Em junho do mesmo ano, tocaria brevemente com o quarteto de Thelonious Monk num clube chamado Five Spot em Nova Iorque. Junto com eles, o grupo contava com Wilbur Ware no baixo e Shadow Wilson na bateria. Monk e Coltrane lançam quatro discos: Thelonious Himself (lançado em 12 de abril de 1957); Thelonious Monk With John Coltrane (em 16 de abril); Monk's Music (em 26 de junho) e Live At The Five Spot: Discovery!.

De volta ao quinteto

Em janeiro de 1958, Coltrane volta ao grupo de Miles Davis (ora sexteto ou quinteto) permanecendo nele até abril de 1960, quando sairia para formar seu próprio grupo. Com este grupo basicamente é gravado, entre outros, os álbuns Milestones (fevereiro e março de 1958), 58 Miles (26 de maio e 9 de setembro), Porgy and Bess (22 e 29 de julho, 4 e 18 de agosto). Lateralmente, Coltrane grava faixas para a Prestige que seriam incluídas nos álbuns Lush Life, The Last Trane e The Believer. Entre fevereiro e março, enquanto gravava Milestones com o sexteto de Miles Davis, Coltrane lança em setembro de 1958 o álbum solo Soultrane pela Prestige Records. Além disso, grava faixas que mais tarde entrariam nos álbuns Black Pearls e na coleção da Prestige Settin' the Pace.

Kind of Blue

Em março e abril de 1959, Coltrane grava com o grupo de Miles Davis o álbum Kind of Blue, lançado em 17 de agosto de 1959. O álbum todo foi composto baseado em escalas modais, em que cada integrante recebia um grupo de escalas que definiam os parâmetros da improvisação. O modo de apresentação entrou em contraste com o estilo de composição do jazz tradicional, que se baseava em partituras completas, com progressões de acordes ou séries harmônicas. Kind of Blue é considerado como um dos álbuns mais influentes do jazz, alcançando um elevado número de vendas. Entre as sessões deste álbum, Coltrane começa a gravar para a Atlantic Records o álbum solo Giant Steps lançado em 1960. Este álbum é o primeiro com todas as composições de sua autoria, apresentando um novo conceito de uso harmônico conhecido mais tarde como "Coltrane changes" ("mudanças Coltrane" em português), que consistiam em substituições de progressões harmônicas. Este álbum é considerado seu último álbum de bebop, passando mais tarde a explorar o jazz modal. Muitas faixas deste álbum tornaram-se standards, como "Naima", "Giant Steps", "Cousin Mary", "Countdown", e "Mr. P.C.".

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Crenças Religiosas

Coltrane nasceu e cresceu como cristão, e sempre esteve em contato com religião e espiritualidade na infância. Quando jovem, ele tocava música em uma igreja afro-americana. Em A Night in Tunisia: Imaginings of Africa in Jazz, Norman Weinstein cita o paralelo entre a música de Coltrane e sua experiência na igreja. Em 1957, Coltrane começa a mudar suas direções espirituais. Dois anos antes, ele tinha se casado com Juanita Naima Grubb, uma muçulmana convertida (para quem ele mais tarde escreveria a peça "Naima"), e assim teria tido contato com o Islão, uma experiência que talvez o tenha levado a superar seu vício pelo álcool e pela heroína; foi um período de "despertar espiritual" que o ajudou a voltar à cena do jazz e eventualmente produzir grandes obras. A jornada o levou através do Islão. O baixista Donald Garrett disse certa vez a Coltrane: "Você tem que ir à fonte para aprender algo, e o Sufismo é uma das melhores fontes que há".

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Legado

Embora alguns ouvintes de jazz ainda considerem os últimos álbuns de Coltrane contendo um pouco de cacofonia, muitas de suas últimas gravações - entre elas Ascension, Meditations e a póstuma Interstellar Space são largamente consideradas obras-primas. A música modal de Coltrane e seu período no Village Vanguard foi a principal influência no que seria a primeira gravação de jazz-rock fusion, a música "Eight Miles High" do grupo The Byrds em dezembro de 1965. Algumas outras inovações seriam incorporadas no movimento fusion, mas com uma diminuição do fervor espiritual. A influência a qual Coltrane exerceu abrange muitos gêneros de músicas e músicos. Por exemplo, Jimi Hendrix, John McLaughlin, Carlos Santana, Primal Scream, Jah Wobble, Tom Verlaine, Allan Holdsworth, Jerry Garcia, The Stooges, The Doors, Erykah Badu, Mike Watt, Phil Lesh, OutKast, Christian Vander e Duane Allman citaram Coltrane como inspiração em seus trabalhos.

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Discografia

Durante sua carreira relativamente breve, Coltrane gravou mais de 100 álbuns, tanto ao vivo como em estúdio, ou como líder ou sideman (integrante de um grupo com posição secundária, sem o liderar), criando um dos mais variados e profundos trabalhos musicais do século XX. A maior parte dos trabalhos de Coltrane foi gravado para os selos Prestige, Atlantic e Impulse!. Entre os outros selos que Coltrane gravou como líder, o mais notável foi o Blue Note, para o qual ele gravou o famoso álbum Blue Train. Seus últimos trabalhos, particularmente gravações ao vivo, foram lançados por outros selos. A maioria de suas gravações como sideman foram feitas ao lado de Miles Davis e seu quinteto. A maioria foi coletada em caixas pela Columbia Records, mas o quinteto também fez uma série de importantes gravações para a Prestige Records.

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Fontes consultadas

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