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Guerra Irã-Iraque

A Guerra Irã-Iraque (português brasileiro) ou Guerra Irão-Iraque (português europeu) foi um conflito militar travado entre o Irã e o Iraque, resultado de disputas políticas e territoriais entre ambos os países. A guerra começou quando os iraquianos invadiram o território iraniano em 22 de setembro de 1980. Saddam Hussein, ditador do Iraque, esperava que o caótico Irã pós-revolução não tivesse condições de resistir ao avanço de suas tropas e invadiu sem declarar guerra formalmente, mas o progresso foi lento e o ataque acabou sendo repelido. Em 1982, os iranianos lançaram sua contraofensiva e tomaram a iniciativa. A guerra passou então a abranger aspectos religiosos, nacionalistas e sectários, com os curdos e xiitas demonstrando apoio ao Irã no esforço de guerra. O resultado foi um banho de sangue, com grandes perdas de vidas.

Fonte: Wikipédia (pt)Atualizado em 17/07/2026
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Origens

Relações Irã-Iraque

Desde as guerras entre os Otomanos e os impérios Persas nos séculos XVI e XVII, o principal objetivo dos conflitos era conquistar a rica (em recursos naturais) região da Mesopotâmia e tomar as abundantes rotas de água de Xatalárabe e Arvande. Tudo foi aparentemente resolvido pelo Tratado de Zuhab, de 1639, que estabeleceu as fronteiras entre o Irã e o Iraque. A região de Xatalárabe continham canais que ajudavam a escoar petróleo e em 1937, o Irã e o recém independente Iraque assinaram um novo tratado para evitar um conflito. Nesse mesmo ano, os dois países assinaram o Pacto de Saadabad e as suas relações ficaram boas nas décadas seguintes. O tratado de 1937 reconheceu que a fronteira entre as nações nas margens baixas dos rios no lado oriental de Xatalárabe, exceto as cidades iranianas de Abadã e Khorramshahr, que permanecia na linha alta do rio (talvegue). Assim, o Iraque controlava boa parte das zonas ao norte do canal Xatalárabe, forçando o Irã a ter que pagar taxas para ter acesso a região.

Após a Revolução Iraniana

Depois de um período de calmaria, as relações entre o Irã e o Iraque rapidamente se deterioraram após a Revolução Iraniana. O novo regime em Teerã pregava o pan-islamismo, em contraste com o nacionalismo árabe baathista iraquiano. Apesar de ainda exigir soberania completa sobre a região de Xatalárabe, o governo iraquiano inicialmente saudou a revolução no país vizinho, que derrubou o governo do Xá, que outrora havia sido inimigo de Bagdá. Não se sabe quando a relação entre as duas nações começou a cambalear, mas choques na fronteira logo começaram, a maioria instigadas pelo Irã. Com as tensões na fronteira voltando a crescer, o Aiatolá iraniano, Ruhollah Khomeini, conclamou a população iraquiana a se levantar e derrubar o governo Ba'ath, em um movimento que gerou muita irritação em Bagdá. Em 17 de julho de 1979, apesar das declarações de Khomeini, Saddam deu um discurso elogiando a revolução iraniana e pediu uma revigoração das relações Irã-Iraque baseado na não interferência mutua nos assuntos internos de cada nação. Quando o aiatolá do Irã rejeitou as palavras de Hussein e voltou a pedir por uma revolução islâmica no Iraque, o governo baathista ficou alarmado. A nova administração em Teerã afirmava que o governo baath era irracional.

Preparações iraquianas

Os iraquianos fizeram suas preparações para a ofensiva confiantes que se sairiam vitoriosos. O Irã não tinha uma liderança coesa e seu exército sofria com a falta de equipamentos. O Iraque, por outro lado, possuía um exército fortemente armado e bem treinado, com mais de 200 mil homens, dois mil tanques e 450 aeronaves. Saddam mobilizou 12 divisões mecanizadas e a moral estava alta entre as tropas. Durante os anos 70, o regime baathista havia reconstruído as forças armadas do país, primordialmente com equipamentos vindos da União Soviética. A região sul era cheia de rios e pântanos mas os iraquianos possuíam sofisticados equipamentos para atravessa-los. O Iraque corretamente deduziu que as margens dos rios Kharkeh e Karun, no Cuzistão, estariam sendo pouco protegidos e seriam facilmente superados. A inteligência iraquiana também afirmou que a região do Cuzistão estava guarnecida com tropas mal equipadas e por batalhões com pouco pessoal disponível. Também havia poucos tanques iranianos prontos.

Preparações iranianas

No Irã, vários expurgos aconteceram (muitas execuções foram ordenadas por Sadegh Khalkhali, um dos mais importantes juízes das Cortes Revolucionárias), causando problemas de falta de pessoal qualificado. Havia também a falta de materiais e, acima de tudo, de peças de reposição para os equipamentos de origem americana. Isso tudo causou o enfraquecimento de sua outrora poderosa forças armadas. Entre fevereiro e setembro de 1979, o governo iraniano executou 85 generais e forçou outros ao exílio ou a aposentadoria antecipada. Em setembro de 1980, mais de 12 mil oficiais já haviam sido mortos ou desapareceram nos expurgos. Isso causou um enorme declínio nas capacidades das forças armadas. O exército regular (que na época do Xá era considerado um dos mais poderosos do mundo) já estava tremendamente enfraquecido. As deserções também se tornaram um problema, chegando a 60%, e o corpo de oficiais estava devastado. A maioria dos militares e pessoal com capacidade haviam fugido para o exílio, presos ou executados. Durante a guerra o Irã não conseguiu se recuperar desta fuga de capital humano. Sanções e isolamento externo enfraquecia a já debilitava economia iraniana e, mais importante, forçava o Irã a adquirir armamentos no mercado negro para comprar peças para tanques e aviões. Quando a invasão iraquiana começou, muitos pilotos e oficiais foram soltos das prisões ou tiveram suas penas de morte comutadas. Estes homens foram então enviados para a linha de frente. Para substituir os generais que foram expurgados, muitos oficiais receberam promoções extras e também com altos cargos sendo ocupados por pessoas leais ao regime. Os iranianos ainda tinham mil tanques operacionais e centenas de aviões prontos para o combate. Muito equipamento foi canibalizado, numa tentativa de superar a falta de material.

Conflitos fronteiriços

No final da década de 1970 e começo de 1980, escaramuças e pequenos combates começaram a se tornar mais frequentes na fronteira Irã-Iraque. Os iraquianos começaram a ficar mais audazes, lançando ataques por ar e infiltrações terra contra territórios em disputa. O Irã respondeu na mesma moeda, lançando disparos de artilharia contra cidades iraquianas. A 20 de setembro de 1980, Saddam Hussein declarou que o exército iraquiano "libertou" todos os territórios disputados com o Irã. Na conclusão das "operações libertadoras", no dia 20, Saddam falou ao parlamento do seu país: "As frequentes e flagrantes violações do Irã da nossa soberania ... fizeram o acordo de Argel de 1975 inviável. Esse rio [o Xatalárabe] ... deve ter sua identidade iraquiana-árabe preservada como era ao longo da história e, na realidade, com todos os direitos de anulação que emana de sua plena soberania sobre o rio ... Nós não queremos lançar uma guerra contra o Irã".

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A guerra

1980: a invasão iraquiana

O Iraque começou a invasão em larga escala do Irã a 22 de setembro de 1980. A força aérea iraquiana lançou ataques surpresas contra dez bases aéreas iranianas com o objetivo de destruir a sua aviação militar. Apesar destas bases terem sido bem danificadas, a ofensiva falhou em destruir muitas aeronaves inimigas: apenas alguns aviões iraquianos conseguiram se aprofundar em solo iraniano, incluindo uns MiG-23BN, Tu-22 e Su-20. Três MiG-23s conseguiram alcançar Teerã, atacando o seu aeroporto mas destruíram poucos aviões. Após um dia de intensos ataques aéreos, o Iraque lançou sua incursão terrestre contra o Irã, ao longo de três linhas de frente. Estas ofensivas foram lançadas ao mesmo tempo. O propósito da invasão, de acordo com Saddam, era destruir o movimento de Khomeini e impedir que ele "exportasse sua revolução" para o Iraque e outros Estados do Golfo. O ditador iraquiano imaginava que se ele anexasse a província de Cuzistão, o prestígio do novo regime iria cair e talvez um outro governo pudesse assumir.

1981: Impasse

Em 5 de janeiro de 1981, o Irã já havia reorganizado suas forças e lançaram um maciço contra-ataque, a Operação Nasr ("Vitória"). Os iranianos usaram a cidade de Dezful como base para atacar na direção de Susangerd, consistindo de duas grandes divisões blindadas. Estes ataques foram bem sucedidos em quebrar as linhas inimigas. Contudo, os tanques iranianos avançavam rápido demais, se isolando da infantaria, e sofrendo assim muitas perdas. Na subsequente batalha de Dezful, uma divisão blindada iraniana foi quase que completamente estraçalhada numa das maiores batalhas de tanques da guerra. Lama e terreno ruim, especialmente nos pântanos do sul do Iraque e Irã, tornavam a movimentação de veículos difícil. Os iraquianos perderam 45 tanques T-62, enquanto os iranianos tiveram entre 100-200 tanques Chieftain e M-60 destruídos.

1982: recuo do Iraque e ofensivas iranianas

O Iraque, percebendo que o Irã pretendia lançar uma contra-ofensiva em larga escala, decidiu surpreende-los, lançando a Operação al-Fawz al-'Azim ("Sucesso Supremo") em 19 de março. Usando vários tanques, helicópteros e caças de combate, os iraquianos atacaram as posições inimigas em Roghabiyeh. Apesar de Saddam e seus generais terem acreditado que eles foram bem sucedidos, na realidade os iranianos estavam firmes em suas trincheiras. O Irã estava melhor preparado, movendo suas forças das cidades por trens e veículos. Apesar da concentração de tropas perto da fronteira, o Iraque não se preparou para resistir a um eventual contra-ataque. A grande ofensiva iraniana, liderada pelo general Ali Sayad Shirazi, foi a chamada Operação Fath-ol-Mobeen ("Vitória Incontestável"). Em 22 de março de 1982, o Irã atacou as tropas iraquianas com força. Usando helicópteros Chinook, eles desembarcaram tropas atrás das linhas inimigas, inutilizaram a artilharia destes e capturaram o quartel-general das tropas de Saddam na região. A milícia iraniana Basij lançou então um ataque na forma de onda humana, com mil combatentes por onda. Eles sofreram pesadas baixas, mas conseguiram se sair vitoriosos.

1983–84: impasse estratégico e guerra de atrito

Após uma série de ofensivas fracassadas no verão de 1982, o Irã acreditava que futuros esforços para tentar quebrar as linhas iraquianas seria um esforço em vão. Durante o ano de 1983, os iranianos lançaram apenas cinco ofensivas, nenhuma atingindo sucessos significativos, com muita gente sendo sacrificada nos ataques em forma de "onda humana". Neste período, a força aérea do Irã possuía apenas 70 caças a sua disposição. Eles ainda tinham um bom número de helicópteros para apoiar a infantaria. Os pilotos iranianos tinham melhor treinamento que os iraquianos e normalmente tinham vantagem em combate, mas devido a falta de pessoal e, principalmente, equipamentos e peças de reposição, acabava fazendo com que eles não explorassem essas vantagens tão frequentemente. O Iraque era suprido com aviões soviéticos, e tinham ajuda logística dos Estados Unidos (na forma de inteligência e material). O Iraque, perto do fim da guerra, havia conquistado superioridade aérea na região de fronteira. Na maioria dos casos, suas incursões aéreas sobre o Irã encontravam pouca oposição.

1985–86: Ofensivas e retiradas

Em 1985, as forças armadas do Iraque ainda recebiam apoio financeiro da Arábia Saudita, do Kuwait e de outros Estados do Golfo Pérsico, e ainda faziam enormes compras de armas da União Soviética, da China e da França. Foi neste ano que, pela primeira vez desde 1980, Saddam lançou novas ofensivas contra o Irã. Em 6 de janeiro de 1986, os iraquianos lançaram uma nova ofensiva para tentar retomar a ilha de Majnoon. Contudo, eles não conseguiram sobrepujar as linhas de 200 mil soldados e milicianos iranianos, que receberam reforços de tropas anfíbias. Ainda assim, os militares de Saddam conseguiram conquistar uma posição permanente no sul da ilha.

1987–88: Caminho para o cessar-fogo

Enquanto os iraquianos buscavam se reinventar, os iranianos continuaram atacando. O ano de 1987 viu novamente o amplo uso de ataques na forma de ondas humanas pelos iranianos, tanto no norte quanto no fronte sul. O Iraque havia fortificado suas posições defensivas. Anéis de defesa foram erguidos as margens do rio Jasim, junto com barreiras naturais. Os lagos do leste foram enchidos de minas, as margens tinham arames farpados, eletrodos e vários sensores. Além disso, atrás das linhas de defesa, havia pesada artilharia e um aeroporto com aviões e helicópteros de combate leve. Além da munição convencional para bombardear, os iraquianos também tinham várias ogivas com gases venenosos.

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Análise e consequências

A guerra Irã-Iraque foi a guerra convencional mais sangrenta já lutada entre exércitos de nações em desenvolvimento. As perdas iraquianas são estimadas entre 105 a 200 mil mortos, além de mais de 400 mil feridos e mais uns 70 mil feitos prisioneiros. Milhares de civis morreram, em ambos os lados, devido aos bombardeios por terra e pelo ar. Prisioneiros tomados pelos dois países começaram a ser libertos em 1990, embora alguns tenham ficado presos por até dez anos após o conflito. A infraestrutura das duas nações ficou arrasada, com diversas cidades em ruínas (especialmente aquelas próximas a fronteira). O Iraque, apesar de tudo, terminou a guerra com um exército gigantesco (1 milhão de homens) e saiu como uma potência regional, embora assustadoramente endividado, cheio de problemas financeiros e com falta de pessoal qualificado para trabalhar na economia. De acordo com fontes do governo iraniano, o país contabilizou mais 220 mil mortes sofridas em combate, ou pelo menos 262 mil baixas, segundo fontes ocidentais. Isso inclui 123 220 soldados mortos na linha de frente, 60 711 que desapareceram em ação e 16 mil civis que faleceram. Entre as perdas sofridas no fronte de batalha, 79 664 eram membros da Guarda Revolucionária e 35 170 do exército. Além disso, 42 875 soldados iranianos foram feitos prisioneiros. Alguns foram libertos em até dois anos depois das hostilidades se encerrarem, mas alguns tiveram de esperar quinze anos. De acordo com a organização Janbazan, 398 587 iranianos foram feridos de um jeito que requeressem um tratamento médico prolongado, incluindo 52 195 (13%) expostos a diferentes agentes químicos. De 1980 a 2012, 218 867 iranianos morreram devido a ferimentos sofridos ou sequelas adquiridas durante a guerra. Isso inclui 33 430 civis, a maioria mulheres e crianças. Pelo menos 144 mil crianças iranianas ficaram órfãs. Fontes fora do Irã estimam que, na verdade, entre 600 e 800 mil iranianos tenham morrido na guerra (civis e militares).

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Efeitos nos países

Iraque

De início, Saddam queria fazer com que a guerra afetasse o seu povo da menor maneira possível, embora houvesse racionamentos. Ao mesmo tempo, o já presente culto à personalidade ao redor do ditador chegou a novas alturas de adulação enquanto o regime aumentava seu controle sobre os militares e a sociedade. Após as vitórias iranianas na primavera de 1982 e o fechamento do principal oleoduto iraquiano pela Síria, Saddam mudou de opinião: uma política de austeridade e guerra total foi introduzida, com toda a população sendo mobilizada para o esforço de guerra. Todos os iraquianos foram convocados para doar sangue e cerca de 100 mil civis foram enviados para limpar os canais e estradas no sul, para ajudar o exército. Enormes manifestações foram feitas (muitas a presença era obrigatória) para demonstrar apoio a Saddam. Também foi instaurada uma política de discriminação contra iraquianos de origem persa (a maior etnia do país vizinho).

Irã

O governo iraniano viu na guerra uma chance de fortalecer sua posição e espalhar sua influência na região, ao mesmo tempo que a também usava para consolidar sua revolução em casa. A nação entrou, no começo do conflito, em um frenesi nacionalista e religioso, lançando uma jihad contra os inimigos e testando o caráter nacional iraniano. O regime em Teerã iniciou uma política de guerra total em todo o país desde o começo do conflito e tentou mobilizar toda a população para defender a nação. Eles estabeleceram um grupo chamado de Campanha de Reconstrução, que eram isentos da conscrição, que foram enviados para trabalhar nas fazendas do interior para substituir os homens que foram servir no fronte.

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Apoio estrangeiro

Durante a guerra, o Iraque era considerado pelo Ocidente e pela União Soviética como um contrapeso para a revolução iraniana. Os soviéticos, o principal aliado do regime de Saddam Hussein, não queria encerrar seus laços com os iraquianos e ficaram assustados quando o regime baathista ameaçou comprar armas de outros países, no ocidente ou da China se o Kremlin não lhes fornecessem os armamentos que eles queriam. Depois destes incidentes, a Rússia buscou um melhor relacionamento com o Irã. Durante os primeiros anos da guerra, os Estados Unidos não tinham relações tão boas com qualquer um dos lados. O Irã, outrora um dos mais importantes aliados americanos na região, havia se tornado um antagonista no Oriente Médio após a revolução e a crise dos reféns. E como Saddam nutria hostilidade para com Israel e amizade com a União Soviética, relações com o Iraque também estavam ruins. Após o sucesso iraniano em repelir a invasão iraquiana e a recusa de Khomeini em encerrar a guerra em 1982, os Estados Unidos decidiram se reaproximar do regime iraquiano, reatando completamente as relações diplomáticas em 1984. Os americanos queriam impedir que a revolução islâmica e suas palavras antiocidente se espalhassem para outros países do Golfo Pérsico e também queriam impedir que a União Soviética usasse o conflito para tentar restabelecer uma zona de influência na região. Como resultado, a Casa Branca aprovou apoio limitado para o Iraque. Em 1982, Henry Kissinger, ex Secretário de Estado, resumiu a polícia americana para o Irã:

Iraque

De acordo com o Instituto Internacional da Paz de Estocolmo, a União Soviética, a França e a China combinaram com 90% das vendas oficiais de armas para o Iraque entre 1980 e 1988. O Brasil vendeu enormes quantidades de armas (principalmente veículos blindados) para o Iraque em troca de petróleo, contudo quando a guerra terminou em 1988, como o Iraque não tinha como honrar suas dívidas e pagamentos, o governo brasileiro ficou no prejuízo milionário. Os Estados Unidos estabeleceu um forte relacionamento com o regime de Saddam, restabelecendo canais diplomáticos, removendo restrições para exportação de tecnologias de dupla utilização, supervisionando a transferência de equipamento militar (via terceiros) e dando informações de inteligência (como imagens de satélite) para os comandantes iraquianos em batalha. A França, que desde a década de 1970 havia sido uma grande aliada do Iraque, foi um dos seus grandes apoiadores militares, em termos de armas. Os franceses venderam pelo menos US$ 5 bilhões de dólares em armamentos, o que significava ao menos um-quarto das compras de armas feitas pelo regime de Saddam. A China, que não tinha qualquer interesse político na região, mas sim econômico, vendeu armas para ambos os lados.

Irã

Desde a revolução, o Irã esteve isolado economicamente e sob sanções. Os Estados Unidos, em particular, se posicionaram fortemente contra o Irã, chegando a travar combates navais contra a República Islâmica citando a liberdade de navegação como o casus belli. Contudo, de forma clandestina, os americanos enviaram indiretamente armas para o Irã através de um programa oculto e ilegal, que viria à tona como "Caso Irã-Contras". O objetivo principal dessa venda secreta de armas aos iranianos era a necessidade da intervenção destes para apoiar os americanos para libertar reféns que haviam sido pegos no Líbano pelo Hezbollah, grupo paramilitar controlado pelo EGRI. Parte do lucro dessas vendas também foram usados pelo governo de Ronald Reagan para financiar a milícia Contras, na Nicarágua (abertamente desobedecendo uma ordem do Congresso). Essa venda ilegal de armas em troca de apoio para a libertação dos reféns americanos acabou sendo um grande escândalo nos Estados Unidos.

Apoio a ambos os países

Não só os Estados Unidos e a União Soviética venderam armas para os dois lados, mas países como a Iugoslávia também o fizeram. Foi reportado que Portugal também fazia negócios com ambos os países. Não era incomum ver navios de bandeira iraniana e iraquiana lado a lado no porto de Sines. De 1980 a 1987, a Espanha vendeu pelo menos € 458 milhões de euros em armas ao Irã e € 172 milhões para o Iraque. Entre as armas vendidas aos iraquianos estavam veículos 4x4, helicópteros BO-105, explosivos e munição. Mais tarde uma investigação afirmou que uma ogiva contando agentes tóxicos que caiu no Irã fora na verdade fabricada na Espanha. Embora nenhum dos lados recebesse apoio formal do governo da Turquia, bens civis eram adquiridos pelas duas nações com cidadãos turcos. As autoridades turcas, inclusive, mantinham uma postura de neutralidade e inicialmente recusaram-se a colaborar com os americanos para impor sanções contra Teerã. Os mercados turcos lucraram muito vendendo produtos para iranianos e iraquianos. As boas relações econômicas entre a Turquia e o Iraque acabaram quando este último invadiu o Kuwait, em 1990, forçando o governo do país a colaborar com o embargo contra Saddam.

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Fontes consultadas

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