Ali Daei
Ali Daei - em persa, علی دایی - é um ex-futebolista e atualmente treinador de futebol iraniano, notabilizado sobretudo por deter até 2021 o recorde de maior artilheiro de uma seleção de futebol: primeiro futebolista a passar dos cem gols por um país, seus 108 gols pelo Irã chegaram a deter vantagem de vinte gols sobre o segundo colocado, sendo eventualmente superados apenas pelos de Cristiano Ronaldo por Portugal e, desde 2024, também pelos de Lionel Messi pela Argentina. Apenas eles três passaram dos cem gols em jogos de seleções.
Imagem: Mahdi Zare · BY · Openverse
Ele jogou duas Copas do Mundo FIFA, as de 1998 e 2006. Embora não tenha marcado nelas, conferiu a assistência para o gol da simbólica vitória de 2–1 sobre os Estados Unidos, acabando por transferir-se ao Bayern Munique após o Mundial. Daei também foi decisivo para que essas participações iranianas acontecessem: cerca de um terço de seus 108 gols, precisamente 36, ocorreram em diferentes eliminatórias; eles incluíram notadamente o que assegurou dentro de Melbourne empate em 2–2 com a Austrália, que havia conseguido empate em 1–1 em Teerã e chegara a estar vencendo em casa por 2–0, pela repescagem intercontinental de 1998. Até o início da década de 2010, o persa também era o maior artilheiro das eliminatórias da Copa do Mundo FIFA, outro recorde que passou a ser de Cristiano Ronaldo; à altura de 2025, Daei estava em quarto lugar nessa estatística, igualado a Robert Lewandowski e superado também por Messi e por Carlos Ruiz.
Imagem: Amir Hesaminejad · BY · Openverse
Começou a destacar-se no curto período áureo do desativado clube do Bank Tejarat, umas das equipes de Teerã normalmente ofuscadas pela dupla Esteghlal e Persepolis. Foi justamente o Persepolis o clube com o qual Daei terminou mais associado em seu país, enquanto no exterior teve seus melhores momentos defendendo o Hertha Berlim. Daei foi exatamente o primeiro futebolista iraniano a desenvolver carreira de certo relevo na Europa, sendo assim creditado por ter aberto portas a conterrâneos. Defendeu inicialmente o Arminia Bielefeld, vindo do Al-Sadd, do Qatar, após chamar atenção internacional com a Seleção Iraniana na Copa da Ásia de 1996. Ainda defendia o Arminia na ocasião da Copa de 1998. Posteriormente, participou com o Bayern Munique na campanha finalista da Liga dos Campeões da UEFA de 1998–99, temporada em que venceu a Bundesliga. Depois da temporada com os bávaros, integrou-se então ao Hertha. Já na ocasião da Copa 2006, Daei formava no Team Melli um quarteto ofensivo com três colegas que atuavam precisamente na Alemanha: Ali Karimi, do Bayern, Mehdi Mahdavikia, do Hamburgo, e Vahid Hashemian, do Hannover 96, embora o próprio Daei jogasse naquela altura no Saba Battery, outro dos times menores de Teerã.
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Daei possui graduação em engenharia metalúrgica pela Universidade de Tecnologia Sharif, embora não exercesse a profissão. Enquanto ainda jogava, criou sua própria marca de materiais esportivos, a Daei Sportswear, que em dado momento foi fornecedora da própria Seleção Iraniana. Após parar de jogar, também investiu em restaurante e joalherias. Politicamente, tomou parte dos protestos populares ocorridos em 2022 no Irã, inclusive recusando-se a comparecer na Copa do Mundo FIFA de 2022 diante de represálias do governo à sua família. Suas lojas foram interditadas naquele momento, e seu passaporte, confiscado - com o aparato governamental determinando o desvio de rota de um avião em que os Daei voavam com destino a Dubai para que não deixassem o país. Daei chegou a ponto de clamar à FIFA que excluísse o Irã desse Mundial, justificando que "A situação das mulheres no Irã é profundamente intragável num quadro político e socioeconômico mais amplo. Tragicamente, os mesmos males e injustiças são perpetuados na esfera do futebol, significando efetivamente que o futebol, que devia ser um lugar seguro para todos, não é um lugar seguro para as mulheres ou até para os homens. A FIFA deve escolher um lado. A neutralidade da Fifa não é uma opção, uma vez que a federação iraniana não tem sido neutra, mas sim mobilizada para a opressão e sistemática exclusão das mulheres no mundo do futebol".


